Sobre o livro "Os Cátaros e a Reencarnação"

Carlos Alberto Iglesia Bernardo

O livro "Os Cátaros e a Reencarnação" (The Cartars & Reincarnation - tradução de Maria de Lourdes Eichenberger e publicado pela Editora Pensamento) é um estudo bastante interessante escrito pelo Dr. Arthur Guirdham, medico psiquiatra, das lembranças de uma encarnação anterior de uma de suas pacientes. As lembranças manifestaram-se deste a juventude da paciente em diversos distúrbios psíquicos, inclusive levando a diagnósticos de epilepsia, e gradualmente levaram a recuperação de episódios completos de sua vida no séc XIII.

Os episódios relembrados referiam-se a um período conturbado da historia francesa, em que no sul do Pais se desenvolveu uma seita crista com características marcantes. Os "Cátaros" ou "Albigenses" representavam uma forma de Cristianismo mais simples que o Catolicismo da época e chegaram a ter tamanha representatividade que tornaram-se uma ameaça a Roma. Foi lhes movida uma Cruzada, tão sanguinária quanto as enviadas ao Oriente, e posteriormente uma campanha de extermínio encabeçada pela Inquisição.

De grande interesse é a abordagem adotada pelo medico, que se converteu em historiador amador para checar a veracidade das referencias fornecidas pela paciente. Deve-se destacar que o autor não se preocupa em provar ou não a possibilidade de reencarnação ou dos fenômenos psíquicos, pois ele deixa claro desde o inicio que os aceita, inclusive seu livro é uma espécie de diário dos eventos psíquicos que envolveram o caso (o que as vezes torna a narrativa um tanto complicada de seguir).

Parece-me que a leitura desse livro é proveitosa e levanta questões importantes para médicos e historiadores. Para os médicos, o livro apresenta distúrbios que são conseqüências de experiências traumáticas vividas em uma encarnação anterior - o autor não empregou a terapia de vidas passadas propriamente falando, inclusive os fatos narrados são anteriores ao surgimento dessa terapia - e para os historiadores mostra "recordações" sendo utilizadas como pontos de partida para a pesquisa histórica.

(Retirado do Boletim GEAE Número 256 de 02 de setembro de 1997)