Somos Camaleões ?

José Lucas

Esta pergunta pode parecer despropositada, já que o reino animal não se mistura com o hominal, daí não podermos pertencer à família desses simpáticos bichinhos que dão pelo nome de camaleões. Como se sabe, eles têm a característica de facilmente mudarem de cor, de acordo com o meio ambiente em que estão inseridos, para melhor assim se defenderem através da camuflagem. No entanto poderemos indagar: será que somos como os camaleões? Será que nós mudamos facilmente de opinião, de postura, conforme o meio em que estamos inseridos?

Esta questão veio à minha mente, dada a época natalícia em que estamos inseridos. Vi ontem, 7 de Dezembro de 1998, uma notícia na televisão que realçava o espírito generoso das pessoas, que colaboraram muito bem com uma iniciativa do banco alimentar contar a fome, que apóia os sem abrigo. Comentava comigo, a minha esposa, que as pessoas nesta época tornam-se mais generosas, menos egoístas e fiquei cá a pensar com os meus botões: «Quem nos dera que fosse sempre Natal, só por esse facto».

Daí surgiu a tal questão: «Será que não somos como os camaleões?»

Passamos o resto do ano envoltos num egoísmo feroz, tentando a todo o custo o nosso e só nosso bem-estar, sem nos importarmos com o próximo, com as suas necessidades, suas dificuldades existenciais.

Porque é que somos fraternos numa época do ano e nas outras esquecemos a fraternidade entre os homens, única solução para resolver as assimetrias sociais, as lutas e entrechoques da massa social, como Jesus de Nazaré nos ensinou?

Quando chega o Natal as pessoas modificam-se, ficam mais amistosas, anda uma atmosfera mais calma e amiga no ar, as pessoas sorriem, desejam-se mutuamente «Bom Natal e feliz ano novo» e confraternizam mais umas com as outras.

Isto faz-nos pensar: porquê este comportamento ainda tão dissemelhante dos seres humanos? Porque é que somos fraternos numa época do ano e nas outras esquecemos a fraternidade entre os homens, única solução para resolver as assimetrias sociais, as lutas e entrechoques da massa social, como Jesus de Nazaré nos ensinou?

Temos de concluir que ao que tudo indica somos ainda pouco coerentes, pois dizemo-nos cristãos, freqüentamos os nosso cultos ou associações, mas no dia-a-dia continuamos a comportamo-nos como não cristãos e até como anti-cristãos. Seria de ponderar se não vivemos como os camaleões, agindo de determinada maneira sempre que a sociedade assim nos impele, voltando logo à nossa estrutura mental ainda arraigada de profundo egoísmo.

Sugerimos a leitura do «Evangelho Segundo o Espiritismo», de Allan Kardec, uma preciosidade que nos auxilia a compreender melhor a mensagem de Jesus, e assim a compreender melhor a nossa existência na Terra, o porquê da mesma, respondendo às questões: quem sou eu, de onde venho, para onde vou, que faço aqui neste planeta, porque sofro mais ou menos que os outros, entre outras questões existenciais que transportamos na alma.

Se não conseguir resistir ao consumismo natalício, aqui fica uma excelente proposta de prenda de natal: o livro «O Evangelho segundo o Espiritismo», de Allan Kardec, ou qualquer dos outros quatro livros deste autor.

(Publicado no Boletim GEAE Número 322 de 8 de dezembro de 1998)