Traços biográficos de espíritos

dos quais algumas comunicações foram publicadas em "O Evangelho segundo o Espiritismo"

Grupo de Estudos Avançados Espíritas

ERASTO (discípulo de Paulo) Tesoureiro de Corinto, foi discípulo de Paulo de Tarso, tendo-o acompanhado em sua viagem missionária a Éfeso. E citado no livro dos "Atos dos Apóstolos": "E, enviando a Macedônia dois daqueles que o serviam, Timoteo e Erasto, ficou ele por algum tempo na Ásia" (Atos, 19:22); "Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a igreja. Saúda-vos Erasto, procurador da cidade, e também o irmão Quarto" (Romanos, 16:23); "Erasto ficou em Corinto, e deixei Trofimo doente em Mileto" (II Timoteo, 4:20).

FÉNELON, François de Salignac de la Motne Prelado francês nascido em 1651 e desencarnado em 1715. Pertencia a uma família muito ilustre nas armas e na diplomacia. Ordenado sacerdote, votou-se ao seu ministério com a intolerância da época. Para seu aluno real compôs uma obra pedagógica: "As Fabulas", "Dialogo dos Mortos" e "Telêmaco". Este livro caiu em desagrado devido a questão do quietismo, doutrina pregada por Madame Guyon. Fénelon defendeu o quietismo, enquanto Bossuet o condenou. Posteriormente foi condenado pelo papa, passando a viver como simples pastor em sua diocese. Deixou muitas obras, em geral sobre assuntos políticos, religiosos e educativos.

GIRARDIN, Delphine de O nome exato, de solteira, era Delphine Gay. Tendo-se casado com Emile de Girardin, político e homem de letras, seu nome passa a aparecer como Sra. Emile de Girardin. Sob o nome de Delphine Gay publicou muitas obras poéticas. Em 1827, aos 23 anos de idade, viu-se coroada no Capitólio, quando de sua viagem a Itália. Apos o seu casamento publicou varias poesias e romances. Era positivamente grande médium inspirada. Aos 6 de setembro de 1853, desembarcou na Ilha de Jersey, a fim de passar pequena temporada junto a família Victor Hugo, tendo então realizado numerosas sessões mediúnicas através do sistema de "mesas-falantes".

HAHNEMANN, Samuel-Chretien-Frederic Medico alemão nascido em Meissen, a 10 de abril de 1755, e desencarnado em Paris, Franca, no dia 2 de julho de 1843. Graduou-se medico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Erlang (Alemanha), no ano de 1779. Observador arguto, concluiu que as reações medicamentosas no organismo poderiam ter outra ordem de sintomas, porque a terapêutica deve obedecer a métodos racionais e naturais. Com essa dedicação entregou-se a estudos sérios, tornando-se independente, desde logo, das escolas empíricas e reacionárias, fundando a Medicina Homeopática, em 1796. A fama do seu nome atravessou fronteiras e, em pouco, os desiludidos e doentes de toda a sorte procuravam seus recursos médicos. Mas sua Homeopatia era racional e não milagreira. Dai também os insucessos e o descrédito ante seus detratores. Perseguido, teve que recorrer a proteção das autoridades em Leipzig, onde se firmou no nobilitante mister de 1811 a 1821. Ai os médicos alopatas conseguem aliciar a população contra ele e sua casa e apedrejada e queimada.

HEINE, Henri Poeta alemão nascido em Dusseldorf, em 1797, e desencarnado em Paris, em 1856. Autor de poesias de uma melancolia dolorosa (Intermezzo, Esboço de Viagem, e Canto; Ensaios sobre a Moderna Literatura Alemã, A Escola Romântica e A Alemanha), escritos estes cintilantes de espírito, mas eivados de profundo ceticismo.

JOÃO EVANGELISTA Apostolo de Jesus Cristo, filho de Zebedeu e irmão do Apostolo Tiago Maior. Foi o autor do Quarto Evangelho, de três Epistolas, e, quando exilado na ilha grega de Patmos, recebeu, via mediúnica, o Apocalipse. Viveu cerca de 100 anos. Juntamente com os Apóstolos Pedro e Tiago Maior, era invariavelmente convocado por Jesus: Cristo, para presenciar os fatos mais importantes ocorridos no seu Messiado.

LACORDAIRE, Jean-Baptiste-Henri E o padre Lacordaire, do qual se trata na Revue Spirite. Houve um outro, irmão deste, também notável, Jean-Theodore Lacordaire, naturalista, professor e jornalista, nascido em 1801 e desencarnado em 1870. Seguramente se trata do primeiro, nascido em 1802 e desencarnado em 1861. Era dominicano, orador brilhante, discípulo de Lamennais, com quem rompeu em 1834. Foi vigário de Notre-Dame e, apos cinco anos de recolhimento, entrou para a ordem dominicana, em 1839. Fez parte da Academia Francesa. Suas obras principais foram conferencias diversas, "Vida de S. Domingos" e "Considerações sobre o sistema filosófico de M. de Lamennais".

LAMENNAIS, Felicite Robert de Nascido em Saint-Malo, em 1782, e desencarnado em Paris, em 1854. Ordenou-se sacerdote em 1816. No ano seguinte publicou "Ensaios sobre a indiferença em matéria de religião considerada em suas relações com a ordem política e civil", uma tradução da "Imitação de Jesus Cristo"; "A Escravidão Moderna". Fundou o jornal "L'Avenir", onde preconizou a aliança da Igreja e da Liberdade. O papa Gregório XVI desautorizou tais opiniões na encíclica Mirari vos. A seguir publicou "Palavras de um Crente", condenadas na encíclica Singulari nos. Seguiram-se de forma ininterrupta: "Os Afazeres de Roma", "O Livro do Povo", "Esboço de uma Filosofia" e outras. Foi condenado a prisão, no ano de 1840. Em 1848 foi eleito para a Assembléia Nacional. A seu pedido foi sepultado entre os pobres.

MORLOT, François Nicolas Madeleine Prelado francês, arcebispo de Paris e Cardeal. Nascido em 1795 e desencarnado em 1862.

PAULO, APOSTOLO Nascido em Tarso, florescente cidade da Cilicia, possivelmente no ano 10 ou 12 da nossa era, e martirizado em Roma, no ano 67. Cognominado "O Apostolo dos Gentios", foi um dos mais destacados divulgadores das idéias cristas, levando as palavras de Jesus Cristo aos grandes centros populacionais da época, principalmente Antioquia, Atenas, Éfeso, Corinto, Macedônia, Jerusalém e Roma. Escreveu grande numero de Epistolas, que estão contidas no livro dos "Atos dos Apóstolos", onde também se encontram descrições bastante elucidativas sobre o seu apostolado e suas atividades incomparáveis em favor da propagação do Cristianismo nascente. Seu nome de origem era Saulo, alatinado posteriormente para Paulo. Embora não fosse um dos apóstolos de Jesus, mereceu esse titulo devido a grandiosa tarefa por ele desempenhada.

PASCAL, Blaise Geometra, físico, filosofo e escritor francês, nascido em Clermont, no ano de 1623, e desencarnado em Paris, em 1662. Aos onze anos de idade compôs um tratado dos sons; aos doze descobriu a trigésima segunda proposição do primeiro livro de Euclides. Aos dezesseis anos escreveu o seu "Ensaio para os cônicos" e, para ajudar o trabalho matemático do pai, aos dezenove anos imaginou a sua maquina aritmética, na qual levou dez anos de trabalho. Escreveu trabalhos sobre o vácuo, sobre os cálculos das possibilidades e, depois de uns tempos de vida mundana, voltou-se para a religião, dedicando-se a produção de obras de cunho metafísico e espiritual. Foi um dos grandes expoentes do pensamento religioso e filosófico de seu tempo.

S. AGOSTINHO (Aurelius Augustinus, 354-430) Bispo de Hipona, teólogo, filosofo, moralista e dialético. Apos uma mocidade conturbada, foi atraído a vida religiosa sob a inspiração do Espírito iluminado de Ambrosio. Por injunção de sua mãe, Mônica, deixou a África e foi tentar carreira mais promissora no Império, indo para a Itália. Escreveu numerosos sermões, ajudou os pobres e manteve-se na segunda parte de sua vida no firme propósito de servir a Igreja e ao Cristo, chegando a ser o mais celebre dentre os doutores da Igreja Católica. Procurou conciliar o platonismo com o dogma católico, a inteligência com a fé. Suas principais obras: "A Cidade de Deus", "Confissões" e um tratado sobre a graça.

S. LUIS (Luis IX) Rei de Franca, viveu de 1215 a 1270. Reinou primeiramente sob a tutela de sua mãe, Branca de Castela. Tomou parte nas 7a e 8a Cruzadas e desencarnou vitima de peste ao desembarcar em Cartago. Foi bom e piedoso, sendo canonizado pela Igreja Católica em 1297. E citado constantemente na Revue Spirite, mercê das numerosas comunicações dadas pelo seu Espírito.

S. VICENTE DE PAULO (1576-1660) Sacerdote francês, celebre pelos seus atos caridosos. Foi o instituidor das creches e hospitais de caridade. Quando as províncias de Lorena, Picardia e Champagne foram assoladas pela guerra e pela fome, esse apostolo da caridade deu tudo de si, a fim de minorar as agruras das populações daquelas regiões.

VIANNEY, Jean Marie Baptiste Viveu de 1786 a 1859. Quando na Terra, era cura da pequena aldeia de Ars, na Franca, sendo mais conhecido por Cura de Ars. Durante o século passado logrou grande popularidade, devido as inúmeras curas que conseguiu realizar e pelo atendimento fraterno que dispensava aos doentes de todos os matizes, que demandavam a sua obscura aldeia. Projetou sua paróquia por forca dos fenômenos mediúnicos, dos quais era intermediário, e que o povo encarava como autênticos milagres. A sua celebridade fez com que outros sacerdotes se sentissem diminuídos, apesar de ser ele um pároco que "não tinha onde reclinar a cabeça". Diziam: "E um ignorante que foi ordenado por comiseração, por caridade. Que não sabe três palavras do latim, nem uma migalha de teologia, que se atreve a confessar multidões, a tratar, freqüentemente, de casos complexos e perigosos", e com essas acusações proibiam aos adeptos de irem visitá-lo. O abade Borion escreveu-lhe: "Senhor Cura: quando se tem tão pouca teologia como e o seu caso, deveria haver relutância de sua parte em entrar num confessionário." Ao receber essa carta, o Cura de Ars prorrompe em choro e exclama: "E verdade, e verdade!" Em sua resposta a essa critica, ponderou: "Meu querido e venerado irmão: Quanta razão tenho para amar-vos! Unicamente vos me haveis conhecido bem. Ajudai-me a obter a graça que venho pedindo ha tanto tempo, no sentido de que, sendo substituído neste cargo, para cujo exercício não me considero digno, devido a minha ignorância, possa retirar-me a um pequeno lugarejo, onde possa chorar sobre minha pobre vida".

(texto retirado a versão eletrônica de "O Evangelho segundo o Espiritismo" da Federação Espírita de São Paulo que está disponível na página WWW do GEAE)

(Publicado no Boletim GEAE Número 281 de 24 de Fevereiro de 1998)