Vida em Marte e Água na Lua

Rogério S. Amaral

Diante de um século de imenso avanço científico, nos extasiamos com tantas descobertas e com a velocidade na qual a visão cósmica da humanidade pode mudar e progredir. Vivemos o paradoxo de ao mesmo tempo que investimos bilhões na fascinante busca de conhecer o Universo à nossa volta, investimos pouco, afetivamente e financeiramente, na resolução da miséria e da ignorância de nosso próximo. Paralelamente, a própria busca do conhecimento sofre o entrave do preconceito materialista, típico de mundos inferiores como o nosso.

Bem aventurados os que conseguem estudar com desprendimento e atenção a revelação espírita, e compreender a insignificância de todo o conhecimento da humanidade terrena frente à imensidão das muitas moradas da casa do Pai.

Sabemos que Jesus afirmou: "Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. - S. JOÃO, cap. XIV, v. 2". E Kardec esclareceu: "A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos." Mas, todos os mundos? Sim, a resposta está na questão 55 do Livro dos Espíritos: São habitados todos os globos que se movem no espaço? "Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição..." Uma tarefa difícil para os espíritos esclarecidos é nos mostrar como a pluralidade dos mundos habitados é grandiosa. Vamos nos colocar no lugar deles. Basta nos imaginar tentando explicar o que é um computador e a Internet para um contemporâneo de Kardec ou um simples rádio para um irmão da corte de Napoleão, ou ainda mais difícil, a um Espartano. Assim é a dificuldade de um Espírito elevado nos descrever um mundo superior.

Após as recentes expedições e descobertas revelando água na Lua, e registro de vida bacteriana no passado longínquo de nosso vizinho Marte, nos questionamos: - E a Doutrina Espírita, o que revela e esclarece sobre essa questão ?

Sobre o dito estado inferior da vida em Marte, mencionado no Boletim n.303 são necessários alguns esclarecimentos. Ao dizer que Kardec afirma que Marte tem vida menos evoluída que a Terra, o autor certamente refere-se à nota da questão 188 do Livro dos Espíritos, na qual Kardec comenta, no rodapé, que: "Segundo os Espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda abaixo, sendo-lhe Júpiter superior de muito, a todos os respeitos..." .

Kardec, no seu bom senso, foi prudente em utilizar a forma verbal imperfeita do condicional "lhe estaria", e em usar a referência "Segundo os Espíritos", não atribuindo, assim, certeza a tal revelação. Portanto, não era um postulado definitivo dele e nem daqueles que constituem a falange do Espírito de Verdade, os autores das respostas existentes no corpo do Livro dos Espíritos.

A Literatura espírita, em diversas fontes, afirma e descreve o Planeta Marte como um irmão mais velho e mais evoluído e com vida bem mais adiantada que a nossa. Cito algumas destas referências: a.. Humberto de Campos - Francisco Cândido Xavier, no livro Novas Mensagens, capítulo intitulado Marte, da FEB, 1939.

b.. Emmanuel - Francisco Cândido Xavier, no livro Emmanuel, parte introdutória A Tarefa dos Guias Espirituais, da FEB, 1938. c.. Francisco Cândido Xavier, o livro ditado por sua mãe, Cartas de uma Morta, Ed. LAKE.

d.. Ramatis - Hercílio Maes, em Vida no Planeta Marte, da Livraria Freitas Bastos, 1955, o mais detalhado de todos, descreve minuciosamente a sociedade, a ciência, a educação, o governo, a vida animal e vegetal, o corpo físico, a medicina, a cultura, a alimentação, o desenvolvimento tecnológico e até as naves interplanetárias marcianas, entre outros.

Se realmente existe vida superior em Marte, por que não foi feito contato oficial deles para conosco? Por que os astrólogos sempre se referem a Marte como um planeta de influência bélica? Por que só vemos um deserto frio nas expedições feitas recentemente? Eis as respostas dadas pela literatura espírita: os marcianos, como portadores de um estado moral mais evoluído, e vivendo em uma sociedade espiritualizada, estão conscientes de que ainda não devem estabelecer um contato oficial com a Terra, pelo fato dela ainda estar envolvida em um ambiente belicoso. A tecnologia deles poderia ser usada como arma de dominação e guerra se estivesse em nossas mãos. Mas, eles anseiam por nos ajudar mais diretamente. Atualmente, a ajuda tem sido mais magnética e/ou missionária, através do reencarne de alguns deles entre nós.

Os astrólogos descrevem há séculos a influência provinda de Marte como belicosa. Ramatis explica que quando os dois planetas estão mais próximos, os marcianos precisam se proteger da influencia magnética desagradável que a Terra proporciona. Sendo assim, utilizam uma espécie de escudo magnético que acaba refletindo de volta a irradiação belicosa terráquea. Esta proteção é necessária porque muitos dos aparelhos e da tecnologia básica utilizada naquele orbe é de manipulação magnética, que sofreria interferência prejudicial com a aproximação das irradiações terráqueas.

Os projetos Pathfinder e Surveyor da NASA e as antigas fotos de outras sondas descrevem até agora um planeta Marte árido, frio e morto. A única evidência de vida são fósseis de bactérias que viveram há pelo menos 6 bilhões de anos. Embora conheçamos, realmente, muito pouco sobre Marte, houve importantes progressos nos últimos dois anos, e a partir do final deste ano poderemos ter grandes achados, quando a Surveyor terminar o chamado aerobraking e assim conseguir ficar numa órbita circular para mapear mais de perto o planeta. Para informações atuais vejam o site da NASA sobre Marte. Será que o processo se completará? atualmente está atrasando mais que o esperado. Será que os marcianos vão se deixar fotografar? Será que a nave não vai perder contato misteriosamente, como aconteceu em 1996 ?

Fato é que, a lógica e a revelação da Doutrina Espírita nos permite presumir que vida fora da Terra existe. Nos mundos inferiores seria uma vida mais material, tanto no sentido físico como moral, e nos mundos de natureza mais elevada, seria mais espiritual, provavelmente inacessível aos nossos aparelhos atuais. Quanto a Marte, segundo a literatura espírita, tem vida material, embora bem mais espiritualizada que a nossa, portanto, aguardemos o futuro das próximas descobertas científicas.

(Publicado no Boletim GEAE Número 306 de 18 de agosto de 1998)