A vulnerabilidade das teologias

José Reis Chaves

Assistindo ao programa “Em Debate” da TV Super Gospel, de Belo Horizonte, MG, do dia 2-12-2002, tive uma surpresa agradável, pelo fato de terem sido feitas referências a mim, a esta coluna e a meus livros, embora elas não tenham sido muito amistosas. E não era para menos, pois os debatedores eram um padre e quatro pastores. E as críticas surgiram contra mim, quando uma telespectadora perguntou-lhes se eles tinham lido esta coluna daquela mesma data, a qual mostrava, pela Bíblia e pela lógica, que Jesus não é Deus, no sentido de Deus propriamente dito, que é um só (Romanos 3, 30).

Não me cabe aqui reproduzir os impropérios e inverdades que disseram sobre mim e minhas idéias. E estou deixando de citar os nomes do padre e dos pastores participantes do mencionado programa de TV, porque não tenho nenhum interesse de agredi-los nem de denegrir sua imagem. Aliás, eu considero-os como sendo vítimas, como também eu já o fui, de doutrinas arcaicas, que nunca deixaram de ser repudiadas por cristãos sábios e sinceros nesses 2000 anos de história do Cristianismo, mesmo que isso tenha custado para muitos deles a morte nas fogueiras da Inquisição Católica e Protestante.

O tema do debate foi: “Os santos podem degenerar-se?” Mas, dado o calor das discussões entre eles, acabaram sendo arrastados para outros assuntos bíblicos e teológicos, fato esse que nos mostra o estado de vulnerabilidade em que se encontram as teologias que estão por aí.

Gostaria de lembrar a esses debatedores que não estranhei o fato de serem todos eles contrários às minhas teses, pelo contrário, seria muito estranho para mim, isto sim, se eles as defendessem. E como eles poderiam aplaudir minhas idéias, se eles, pastores, não se entendiam entre si, e quando mais pareciam alunos diante de um padre, que é o mais ferrenho adversário de minhas teses? Ademais, como li não sei onde, “quanto mais fortes e convincentes forem as novas idéias, mais agressivas são as reações contrárias a elas”!

Porém, eu acabei provocando neles uma grande surpresa, pois, como qualquer outro telespectador, telefonei para o programa, parabenizei o padre e os pastores pelo debate, ignorando totalmente as críticas feitas a mim. E coloquei-lhes a seguinte questão: Se Jesus desceu ao inferno depois de sua morte, e pregou aos espíritos que lá se achavam em prisão (1ª Carta de São Pedro 4, 6), é porque quem vai para o inferno ainda tem chance de regeneração! Mas a surpresa com a minha participação foi maior do que a preocupação deles em responderem essa minha colocação, que acabou ficando esquecida.

E termino esta matéria, fazendo-lhes a seguinte pergunta: como eles podem arvorar-se no direito de criticarem os que não comungam as suas mesmas idéias, se mesmo antes da instituição dos polêmicos dogmas, São Paulo já havia dito que as heresias são necessárias? (1 Coríntios 11, 19)!

Autor de “A Face Oculta das Religiões” (Ed. Martin Claret), entre outros livros . E-mail: jrchaves@redevisao.net