Debate eficaz

José Reis Chaves

Vivemos uma época da mídia interativa. E a seção “Opinião”, de “O Tempo”, desempenha muito bem esse papel, pois ela é realmente democrática. Todos têm vez nela: colunistas, articulistas e missivistas. Falam os que são afeiçoados à crítica e aos elogios a tudo e a todos. Manifestam-se nela líderes de classes, artistas, escritores, políticos, economistas, esotéricos, filósofos, teólogos, maçons, teósofos, rosa-cruz, católicos, espíritas, evangélicos e até ateus.

E assim é que, atendendo alguns pedidos, apreciemos um texto do escritor, mestre em teologia e professor da PUC-MG, Pe- José Cândido da Silva, sobre a polêmica questão da justificação pela fé entre os cristãos, e que consta de um dos últimos debates de “O Tempo”. Farei isso sob a ótica da Bíblia, de modo racional e lógico, isto é, com total isenção de sectarismo, pois respeito muito os dogmas, e, principalmente, os seus seguidores.

Vejamos, primeiramente, o que é fé na Bíblia e na Vulgata: Pistia, do original grego, deu fides no Latim, na tradução para a Vulgata de São Jerônimo. O significado delas em Português é fé e fidelidade. Mas a melhor tradução é fidelidade, pois ter fé em Jesus, até o diabo a tem, e como tem! Mas fidelidade a Ele, é que o diabo não tem! E fidelidade incondicional ao Mestre é justamente o que, senão a vivência, de fato, de seu Evangelho? A expressão crer em Jesus também é vaga, pois quando digo: creio que vai chover hoje, não sei se choverá mesmo! Ademais, como acabamos de ver, crer no Nazareno ou ter fé Nele é o que não falta no diabo!

Quanto à justificação pela graça, Deus sempre foi, é e será um dispensador de graças infinitas para todos nós. Suponhamos que a graça seja a água do oceano, e que eu vá a ele levando um balde de 10 litros, poderei apanhar 10 litros de graças. Mas um outro indivíduo, que tiver um balde de 20 litros, conseguirá 20 litros de graças. São Paulo, em Efésios l, 14, diz: “Jesus é o penhor da nossa herança, até que Ele nos resgate, em louvor da glória Dele próprio.” Mas esse penhor que Jesus é para nosso resgate, Ele o é como portador da mensagem do Pai para nós. Porém ela só se nos tornará eficaz, realmente, se houver de nossa parte autêntica fidelidade ao Mestre. É como a luz solar que é abundante, mas que só entrará em nossas casas, com a condição de abrirmos as suas portas e janelas. E semelhantemente à luz solar é a graça, pois sem fazermos a nossa parte, nada feito. E mesmo morrendo mais 300 Jesus na cruz, será em vão, pois cabe a nós a difícil passagem pela Porta Estreita. Jesus é o caminho, mas nós é que temos que caminhar!

É como na Parábola do Filho Pródigo. Seu pai estava pronto para recebê-lo. Mas teve que partir dele o reencontro com o pai. E é também o que Deus disse a Santo Agostinho, segundo ele em seu livro “Confissões”: “Agostinho, eu te criei sem ti, mas não posso te salvar sem ti”.

Autor de “A Face Oculta das Religiões” (Ed. Martin Claret) e outras obras.

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