Entrevista para o jornal “A Nova Era” de Franca – SP

José Reis Chaves

l) JNE: Poderia historiar resumidamente as suas atividades profissionais e ideológicas?

JRC: Estudei para padre Redentorista e formei-me para professor de Português e Literatura na PUC-Minas, tendo exercido, por vários anos, o magistério na área de minha licenciatura e nas de Geografia, História e Latim. Hoje, sou aposentado, mas continuo trabalhando muito, e até mais do que antes da aposentadoria, fazendo palestras por todo o Brasil de temas espiritualistas, principalmente espíritas, participando de programas de rádio e TV, inclusive com participação efetiva no “A Caminho da Luz”, do Aurélio França, na Rádio Nossa Cidade, de Belo Horizonte. No mais, respondo, diariamente, cartas de meus leitores, escrevo artigos, e mantenho um diálogo com vários pensadores e teólogos.

2) JNE: Como definiria as linhas dos atuais conflitos religiosos?

JRC: Todas as religiões têm um grande problema: os exageros. E as tradicionais do Ocidente, por terem tido no passado fortes vínculos com o poder civil, agravaram mais ainda esse problema. Mas, após a Revolução Francesa e o fim da Inquisição, as questões religiosas que, no passado, haviam sido não só expostas aos fiéis, mas também, impostas, a ferro e fogo, hoje, com a liberdade religiosa reinante no Ocidente, e a nova mentalidade do homem do Terceiro Milênio, está tudo implodindo nas Teologias dessas religiões tradicionais. Dizendo de outro modo, a fé, que era cega, está caminhando para uma fé raciocinada. Os exageros e os absurdos de certos Dogmas instituídos pelos teólogos do passado - os quais não podemos condenar, pois suas idéias foram frutos de épocas duma mentalidade atrasada da Humanidade, além do que agiram de boa fé – estão hoje insustentáveis, por mais boa vontade que um indivíduo culto e sincero tenha para querer crer neles. Há, pois, um choque de mentalidades entre a do passado e a de hoje. E isso vem abalando os alicerces dogmáticos em que se estruturaram as religiões cristãs, o que vem gerando muitas divisões e conflitos religiosos. E o pior de tudo isso foi o recrudescimento do materialismo no Ocidente, embora, nos últimos tempos, graças ao surgimento das novas correntes espiritualistas modernas – ocupando um lugar de destaque entre elas o Espiritismo -, o materialismo propriamente dito esteja estremecido em suas bases.

3) JNE: Nesse contexto de conflito, como enxerga o fator reencarnação? E como deverá o Espiritismo trabalhar por sua aceitabilidade?

JRC: Quem sou eu para orientar o Espiritismo! Não sou investido de nenhuma autoridade para tal. Falando, pois, em meu nome, vejo a reencarnação não só como sendo uma doutrina filosófico-religiosa, mas, também, como sendo um fenômeno da Natureza - no dizer do Dr. Edmar Costa Coelho -, fenômeno esse que tem hoje o respaldo de vários segmentos da Ciência, e diria até, da grande maioria dos cientistas espiritualistas da modernidade. E, se ela tem sido sempre a doutrina mais antiga e mais universal da História da Humanidade, agora, com o apoio científico, solidificar-se-á, cada vez mais, ainda. Tenho um artigo sobre reencarnação na Internet (Portal do Espírito – Artigos – site: www.espirito.org.br) e em vários jornais, em que mostro o resultado de uma pesquisa encomendada à Universidade de Oxford pela Igreja Protestante Anglicana da Inglaterra – realizada em 212 países -, o qual afirma que, em 2000, cerca de 2/3 da população da Terra seriam reencarnacionistas. E, sem dúvida, o Espiritismo vem desempenhando bem o seu papel na divulgação da Teoria da Reencarnação, como sendo uma Ciência, e como sendo também uma Doutrina Filosófica e Religiosa, e isso não só no Brasil, mas, em todo o mundo.

4) JNE: Seu livro “A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência” tem alcançado os seus objetivos a que se propôs?

JRC: Trata-se de um livro escrito para católicos e evangélicos, ou seja, aquelas pessoas que têm dificuldades em aceitar a reencarnação por motivos religiosos, sendo que eu fui uma dessas pessoas. Concluí que, para eu levar minha mensagem reencarnacionista para essas pessoas, minhas tentativas seriam de pouco sucesso, se, para isso, eu tentasse usar livros espíritas. Daí surgiu a idéia de escrevê-lo. E, de fato, tenho conseguido o meu objetivo, pois as pessoas, que usam a Bíblia para argumentarem contra a reencarnação, ao lerem-no, recebem um impacto. Já para os reencarnacionistas, e principalmente espíritas, ele é uma verdadeira coqueluche. Foi adotado pela PUC-RS para trabalho.

5) JNE: Qual a proposta do seu livro “A Face Oculta das Religiões”?

JRC: É uma tese espírita, com base na Bíblia, na Filosofia, Teologia e História do Cristianismo. Está abalando muito padres e pastores pelas verdades que mostra. Considero-o como sendo a minha melhor obra. Foi adotado pela USP para trabalho.

6) JNE: E quanto ao livro “Quando Chega a Verdade”, qual é o tema central? E como poderia resumi-lo?

JRC: É também uma tese espírita, só que romanceada, atendendo a muitos pedidos de leitores meus, para que eu escrevesse um livro em forma de romance. Trata-se de um diálogo envolvendo o Espiritismo, o Protestantismo e o Catolicismo, tendo como pano de fundo uma história de um padre e uma psicóloga. Mas tudo com muito respeito, sem denegrir a imagem do padre e da Igreja. O seu personagem principal é o Dr. Ário, um espírita, o qual, segundo uns leitores têm-me dito, dá um “show” de Bíblia e de Teologia e História da Igreja. Foi lançado recentemente. E é um livro de mensagem espírita para as massas.

7) JNE: Como enxerga a posição atual do Espiritismo perante as milhares de religiões do Planeta?

JRC: O Espiritismo foi muito vilipendiado por dois fatores: uma certa Teologia interesseira e a ignorância. Eu mesmo o ataquei muito por ignorância. Hoje tento tirar essa diferença, como uma espécie de trabalhador de última hora da conhecida Parábola de Jesus. Mas, nos últimos tempos, com o crescimento intelectual das pessoas, o Espiritismo vem sendo reconhecido como sendo a religião mais sintonizada com a Bíblia e a Ciência. Cresce em todo o mundo. Segundo as estatísticas, ele avança a 120 % , ao ano, no Brasil. E a metade dos católicos é espírita, de algum modo, crendo na reencarnação, freqüentando os Centros, e lendo os livros espíritas.

8) JNE: Como tem visto a divulgação espírita através da imprensa e da literatura? Quais são as suas sugestões a respeito?

JRC: A divulgação espírita através da Literatura é excelente. É grande o número de obras espíritas lançadas no Brasil. Aliás, é o público espírita o que mais lê e o que melhor nível de vida possui, o que nos leva a concluir que é o público que mais compra livros. E isso favorece o grande número de renomadas editoras espíritas existentes no Brasil. Quanto à divulgação pela imprensa, é boa, pois há muitos jornais espíritas de alto nível, como o “Jornal Nova Era”, “Jornal Espírita”, “Folha Espírita”, “O Semeador”, “Tribuna Espírita”, “O Clarim”, “Correio Fraterno” e outros, além de algumas revistas, também, de que nos podemos orgulhar, como a “Visão Espírita”, “Revista Internacional de Espiritismo”, “Revista Cristã de Espiritismo”, “Revista Allan Kardec, etc. Já no tocante ao rádio e à TV, precisamos incrementar isso. Parece que alguns líderes espíritas têm medo de defender, em público, o Espiritismo. Há só três anos que me tornei espírita. E já estive em cerca de 40 programas de TV e uns 300 de rádio, defendendo essa Doutrina. O que me fez superar tudo foram a vontade e a coragem de divulgar a nova Fé que abracei.

9) JNE: Há mais alguma sua obra no prelo?

JRC: Tenho uma obra no prelo. É de auto-ajuda, mas não daquelas obras desse gênero, que, às vezes, apresentam-se ao leitor como algo que vai resolver todos os seus problemas de ordem espiritual e material, não. Aborda questões inerentes à nossa vida prática, mostrando como elas são e como devemos enfrentá-las, sob um ponto de vista espiritual e espírita. É uma obra pequena, obedecendo à nova coleção que a Editora Martin Claret vai lançar em breve.

10) JNE: Que fato interessante poderia destacar ainda aos nossos leitores em torno de sua vivência religiosa?

JRC: Não deixei a Igreja Católica, totalmente. Tenho um certo apego a ela. E penso que já basta de tantas divisões. Então, eu busco somar e não separar. Procuro levar para a Igreja o meu testemunho espírita. E isso não é uma novidade, pois, como vimos acima, a metade dos católicos é também espírita. Sou um católico herege, ou mais precisamente, um católico bíblico e não tanto dogmático. E, assim, eu acompanho, bem de perto, tanto o Espiritismo como a Igreja. E uma coisa eu venho notando: A Igreja está trilhando o rastro espírita, lenta e discretamente, mas a passos firmes e decisivos. Exemplos: ela afirma hoje que não existe o inferno de fogo, de labareda, sendo esse fogo figurado; diz que todos, sem exceção, vão salvar-se; admite a comunicação com os espíritos dos mortos, e mais, que não devemos ter medo dessa comunicação, aliás, não são espíritos os santos? Porém, ainda nem todos estão sabendo dessas coisas, enquanto que há também aqueles que sabem, mas fingem ignorá-las. Ora, não são essas verdades pertencentes ao Postulado Espírita? Mas há muitos outros exemplos disso!

Muita saúde espiritual e corporal, e muita alegria e paz para todos os leitores do Jornal “ A Nova Era”.

José Reis Chaves, escritor, palestrante, radialista, ex-seminarista Redentorista e professor de Português e Literatura, formado pela PUC-Minas.

Tel/Fax: (31) 3373-6870.

E-mail: escritorchaves@ig.com.br

Prezados Companheiros,

Para o Site Portal do Espírito estou enviando uma entrevista feita comigo pelo Jornal A Nova Era de Franca (jornal espírita)