O batismo

José Reis Chaves

Por sugestão de alguns leitores de O TEMPO, católicos, espíritas e protestantes , entre eles o Sr. Gilciano Antônio de Oliveira, abordaremos hoje o batismo, palavra que vem do grego “baptizein” (submergir). Os essênios, os judeus (2 Reis 5,14) e João Batista usavam variantes da ablução. E, desde remotos tempos, os hindus purificam-se no Rio Ganges. João Batista disse que o seu batismo era com água, mas que o de Jesus seria em Espírito, isto é, do renascer do Espírito (João 3,5).

Porém, temos sempre nos originais gregos do Novo Testamento “Pneuma Hagion” (Espírito Santo), sem o artigo definido “ho” (o) diante dele. Neles não há também o artigo indefinido (um), porque este não existe em Grego, mas em Português existe. Logo, devemos dizer “um” Espírito Santo” e não “o” Espírito Santo. Só a partir dos Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381), é que o Espírito Santo e a Santíssima Trindade foram instituídos, com as subseqüentes adaptações no Novo Testamento. Nas primeiras comunidades cristãs e no V.T., eles são desconhecidos. No V.T., só aparece o E.S., como sendo um espírito humano evoluído, santo. Em Daniel 13,45 (Bíblia católica, pois a protestante só tem 12 capítulos), lemos: “Suscitarei entre vós um homem de um Espírito Santo chamado Daniel.” E, em Isaias 63, 11, lê-se: “Onde está o que pôs nele seu Espírito Santo?”. “Um” Espírito Santo (Consolador) é, pois, um espírito humano santo, que profetiza consolando (1 Coríntios 14,3).

Jesus não batizou ninguém. Nas primeiras comunidades cristãs, a ablução, em nome Dele, era como que um selo de garantia da conversão, sim, da conversão “dum” Espírito Santo ou do renascer do espírito santo da pessoa. “Há nascido da carne e nascido do Espírito”. Os espíritas, discípulos cristãos mais fiéis a Jesus, prendem-se mais a esse batismo de transformação. Jesus se deixou batizar com água por J. Batista, porque Ele queria identificar-se plenamente com os verdadeiros ensinamentos do seu Precursor, e não com o batismo em água. E o nascer da água (líquido amniótico), que é o mesmo da carne (reencarnação), no episódio da visita de Nicodemos a Jesus, nada tem a ver com o da água batismal, como nos ensinam os teólogos, que ganhavam e ganham emprego e dinheiro com esse tipo de batismo. Felizmente, para a Igreja de hoje, ele não é mais uma condição, “sine qua non”, não haveria salvação. Sempre foi só por imersão, até o século 13. E Santo Tomás de Aquino foi quem criou o batismo por efusão e aspersão (Suma Teológica, 3, q. 66, a, 7).

É-nos muito estranho ouvirmos uma pessoa adulta e letrada ficar ainda hoje dizendo, como se fosse um menino grande, que só é cristão e se salva quem for batizado, quando o verdadeiro batismo em nome de Jesus para nós é em espírito, de fogo, isto é, da transformação ou conversão propriamente dita (“metanóia”), que é o que salva toda a humanidade!

Autor de “A Face Oculta das Religiões” (Ed. Martin Claret), entre outros livros. E-mail: escritorchaves@ig.com.br