O significado do Natal de hoje

José Reis Chaves

Os fenômenos cósmicos têm presença marcante na Liturgia da Igreja. A Páscoa, por exemplo, comemora-se no primeiro domingo, depois da primeira Lua Cheia do equinócio da Primavera (Outono no Hemisfério Sul). O dia de São João Batista, o Precursor do Nazareno, acontece em 24 de junho, ou seja, no solstício de Verão (Inverno aqui no Sul). São Miguel, Protetor dos Povos, tem o seu dia festejado em 29 de setembro, ou seja, durante o equinócio do Outono (Primavera para nós do Brasil). E, finalmente, em 25 de dezembro, o Natal liga-se ao solstício de Inverno (Verão para nós do Sul). E essa festa, a segunda em importância do Cristianismo, é a mais comemorada do que a Páscoa, que, na realidade, é a mais importante festa cristã.

Nós esotéricos, que nos aprofundamos nesses assuntos, somos de opinião de que o envolvimento dessas comemorações litúrgicas com os quatro fenômenos astronômicos do ano não se deu por acaso ou ao bel-prazer dos organizadores desse Calendário. Destarte, se o Natal, por exemplo, que é o objeto principal desta abordagem, está assim ligado a fatores cósmicos, seu significado apresenta-se-nos, também, como sendo de algo a mais invisível do que só as comemorações exteriores, sejam elas ritualísticas ou profanas. Alegremos-nos, sim, com as comidas especiais, doações e recepções de presentes, com cerimônias, músicas e cantos, já que o Salvador da humanidade chegou para todos nós!

Mas não nos limitemos, pois, só a essas exterioridades. Cabe a nós fazermos também a nossa contraparte, que consiste justamente em pormos em prática os ensinamentos do Nazareno: amor a Deus, a Cristo, aos nossos semelhantes e à natureza.

Armados dessas virtudes, nós poderemos criar as condições necessárias para que nasça em nós o nosso Cristo Interno, que nos dará forças para que possamos dominar e disciplinar as constantes artimanhas do nosso também anticristo interno, sem o que, mais uma vez, será em vão para nós o nascimento do Infante de Belém!

José Reis Chaves, autor de “A Face Oculta das Religiões” (Ed. Martin Claret), entre outros livros, e colunista de O TEMPO, às segundas-feiras.