Polêmica doutrinária

José Reis Chaves

Faço referência à carta do Sr. Padre José Cândido, professor de Teologia da PUC-MG, publicada em O TEMPO de 5-5-2004.

O Sr. Cândido tem todo o direito de defender suas idéias teológicas católicas, como eu tenho também, em igual grau, de defender minhas idéias teológicas espíritas. E nenhum de nós dois deve ser agredido por isso. O Sr. Padre Cândido, na sua outra matéria anterior, diz que os espíritas me adoram. Mas, ao mesmo tempo, ele afirmou que eu só digo impropriedades em minha coluna. Logo, eu seria imbecil e os espíritas o seriam também, pois que eles me adoram! Chamou-me de sofista, certamente porque ele não é espírita. E não me defendo fazendo-me de vítima, ele é que me fez vítima, do que tinha mesmo que me queixar!

Não sou dono da verdade, pois a verdade humana é relativa, só a de Deus é absoluta. Mas também não o é o Sr. Cândido, pois nem Jesus sabia tudo. Quando Lhe perguntaram quando seria o final dos tempos, Ele respondeu que nem Ele nem os anjos o sabiam, mas somente o Pai o sabia! Do ponto de vista doutrinário, embora eu não conheça o Grego como o conhece o padre Cândido, mostrei-lhe que o verbo grego "anístémi" citado por ele em algumas passagens evangélicas significa tanto ressuscitar como reencarnar. Dei provas incontestáveis disso, pois citei o eminente teólogo e ex-padre, convertido ao Espiritismo, Dr. Pastorino, professor de Grego e Latim da Universidade Nacional de Brasília, e autor de "Minutos de Sabedoria", Ed. Vozes. E mais uma prova de que o verbo grego significa mesmo reencarnar, além de ressuscitar, é que o padre jesuíta Édouard des Places, em sua obra "Lexique de Platon", Editora "Les Belles Lettres", evita usar esse verbo "anístémi", bem como o outro verbo "egeirô" e o substantivo "anástasis", que significam também, respectivamente, reencarnar e reencarnação (Pastorino, "Sabedoria do Evangelho", 3º volume, pág. 108).

Como padre, o Sr. Cândido é obrigado a respeitar a hierarquia eclesiástica superior da sua Igreja, evitando, assim, problemas para ele. E até admiro essa sua atitude de ser fiel à hierarquia eclesiástica da Igreja. Mas lamento por ele ter que ser, assim, reservado doutrinariamente falando, pois que, de fato, defender certas idéias dogmáticas anti-racionais diante do público é ele expor-se ao ridículo tanto a si próprio como a própria Igreja. Daí, que pena, ele preferir denegrir minha imagem a enfrentar um debate puramente no campo das idéias, que seria útil para ajudarmos a levar a verdade que liberta para os nossos leitores, embora eu jamais tencionaria convertê-lo ao Espiritismo, pois a Igreja Católica, apesar de ter erros, também salva!