Reforma da igreja

José Reis Chaves

No passado as mudanças e as transformações do mundo aconteciam lentamente. Eram necessários séculos e milênios, para que se duplicassem os conhecimentos no mundo.

Mas hoje, quando vivemos a chamada época da pós-modernidade, as coisas vão acontecendo a eito, com tudo sendo levado de roldão pelo progresso, principalmente depois do surgimento do computador. ..Caiu o Muro Berlim, o comunismo implodiu, e, de repente, nos vemos todos envolvidos, quer queiramos, quer não, pela globalização.

Mas a Igreja, apesar de todo o seu acervo cultural, representado por cerca de 4000 PUCs no mundo, continua com as suas mesmas teses doutrinárias dos longínquos tempos passados. Por que isso, se ela não é infalível?

Hoje há mais católicos hereges que ortodoxos. E muitos dos líderes religiosos têm também suas dificuldades em aceitar determinados Dogmas, mas preferem o silêncio ao questionamento deles, pois isso lhes acarretaria problemas para seus interesses particulares.

Destarte temos, de um lado, católicos hereges, frios e indiferentes à sua religião de berço, e que, às vezes, até se tornam ateus, e do outro, os dirigentes eclesiásticos, como que dormindo e parados no tempo e no espaço.

Urge que se reestruture a questão da Santíssima Trindade, que é uma realidade objetiva, simples, universal e compreensível, e da qual os teólogos fizeram uma realidade subjetiva, complexa, exclusiva e misteriosa. Se já mexeram nela em vários concílios, por que não, outra vez, se ela do jeito que está constitui uma fábrica de ateus?

O que vamos dizer, em seguida, sobre a chamada união hipostática nada tem a ver com as Três Pessoas da Santíssima Trindade, com o que os teólogos fizeram uma confusão tal, que eles mesmos não a entendem, e lavaram as mãos, classificando-a de mistério de Deus!

E tudo isso começou com a divinização de Jesus no Concílio Ecumênico de Nicéia (325), convocado e dirigido pelo Imperador Constantino, à revelia da vontade do Papa Virgílio. E, assim, introduziram uma espécie de politeísmo no Cristianismo, quando Jesus, além de monoteísta, era monista. O Concílio Ecumênico de Constantinopla (381) acobertou essa polêmica questão, que acabou rachando o Cristianismo em vários segmentos. Já o de Éfeso (431) estabeleceu, e os de Constantinopla (869 a 870) e Lion (1274) confirmaram, que Jesus só possui uma pessoa divina, quando nós temos certeza de que Ele tem uma pessoa humana. E o de Calcedônia (451) proclamou que Ele possui duas naturezas, uma divina e outra humana, com o que concordamos, pois nós também as possuímos. Mas como Ele pode ter natureza humana, sem ter a pessoa humana, segundo aqueles Concílios?

Não foi à-toa que São Tomás de Aquino questionou a visão de Santo Agostinho sobre a Santíssima Trindade!

Autor do livro, entre outros, “A Face Oculta das Religiões”, Ed.Martin Claret. E-mail: cescritorchaves@ig.com.br

“O Tempo”, 8-5-2002