São Chico Xavier

José Reis Chaves

Chico Xavier, de quando em vez, dizia que não queria tristeza por ocasião de sua morte. E ele deixou o seu corpo justamente num momento em que o nosso País estava mergulhado no carnaval do Penta.

Quando se fala em Chico Xavier, tem que se falar também de Espiritismo. E é o que vamos fazer. Há muitas afinidades entre essa doutrina e o Catolicismo. É verdade que o Kardecismo contesta alguns dogmas da Igreja, mas é verdade também que ele pratica a caridade mais do que o Catolicismo. E é com a prática dessa virtude, mais do que com a crença nos dogmas, que se vive mais a mensagem do Mestre. Ademais, os espíritas estão sempre em paz com todo mundo. É que seguem o ensinamento da Carta de São Tiago: “A mão que abençoa, não deve amaldiçoar”, de que Chico foi um exemplo vivo.

Criticam injustamente os espíritas, dizendo que eles dão pouco valor à misericórdia divina. Mas não foi o próprio Jesus quem disse que ninguém deixará de pagar até o último centavo? E quem aceita mais a misericórdia divina, aqueles que ensinam que Deus salvará a todos nós, sem exceção, dando-nos, para isso, quantas chances forem necessárias, através das reencarnações, ou aqueles que restringem a misericórdia divina à oportunidade única duma só vida, e só àquelas pessoas que seguem suas doutrinas? Porém alguns setores católicos estão ensinando também a doutrina espírita da salvação compulsória para todos, isto é, a que caracteriza a verdadeira misericórdia onipotente e infinita de Deus, contra a qual nada poderá, mesmo porque o Mestre disse: “Deus quer que todos se salvem”. E praza a Deus que os nossos irmãos evangélicos desvencilhem-se também de seus erros herdados da Igreja do passado, como alguns já o estão fazendo.

E os católicos comunicam-se também com os espíritos, pois o que são os santos senão espíritos? Não foi, aliás, o que fizeram também o próprio Jesus, Pedro, Tiago e João na Transfiguração, quando contataram os espíritos Moisés e Elias? Oportuno é relembrarmos aqui o que nos fala Santo Agostinho em “Confissões”, ou seja, os seus contatos com sua mãe, Santa Mônica, já falecida. E leiamos o que diz o padre Capuchinho italiano, Gino Concetti, comentarista do jornal “Osservatore Romano”, do Vaticano: “Segundo o Catecismo Moderno, Deus permite aos nossos caros defuntos, que vivem na dimensão ultraterrestre, enviarem mensagens para nos guiarem em certos momentos da vida.”

E se Deuteronômio 18 proíbe isso, não importa, pois a proibição é de Moisés, e não de Deus propriamente dito, já que ela não consta do Decálogo. Aliás, quem obedece a todas as 613 proibições de Moisés, entre elas o consumo da carne suína?

Obrigado, São Chico Xavier, por nos ter ensinado, com palavras e ações, tantas verdades evangélicas!

Autor do livro “A Face Oculta das Religiões” (Ed. Martin Claret), entre outros. E-mail: escritorchaves@ig.com.br