Trindades e a santíssima trindade

José Reis Chaves

A trindade está na natureza e até no átomo: próton, elétron e nêutron. Atribuem-se a todos os corpos comprimento, altura e largura. O tempo tem passado, presente e futuro. Para São Paulo, nós somos espírito, alma e corpo. Os dois fios de energia positiva e negativa formam a trindade com os seus “filhos”: a lâmpada, o rádio, a tv, etc. E ela está presente, também, em várias religiões.

No Judaísmo e no Cristianismo Primitivo, entretanto, não se fala em trindade e nem em Espírito Santo. Mas os teólogos cristãos, a exemplo dos pagãos, queriam também a sua trindade, a qual, porém, deveria ser diferente da das outras religiões. E, assim, instituíram a Santíssima Trindade, uma doutrina meio politeísta, pois tem três deuses antropomórficos, já que seriam pessoas, quando Deus é um só, e transcende as pessoas. E o pior é que os teólogos impuseram-nos essa doutrina meio estranha, dizendo que ela é assim, porque é mistério de Deus, quando é mistério deles mesmos! Quantos ateus têm surgido no Ocidente por causa de idéias teológicas excêntricas!

E tudo começou com os polêmicos Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381). São Jerônimo adaptou a Bíblia a essas decisões, ao trabalhar a Vulgata. O Credo das missas foi também alterado. E Santo Atanásio foi o idealizador dessa doutrina. Mas Ario, apoiado por mais de 300 bispos, contestou-a, veementemente. Já o Concílio de Lion (1274) reafirmou-a, com a instituição de mais um dogma, o FILIOQUE, que sustenta ser o Espírito Santo derivado não só do Pai, mas também do Filho, princípio esse para consolidar o da divinização de Jesus. Porém o FILIOQUE é rejeitado até hoje pela Igreja Ortodoxa Oriental. Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino divergem também sobre a Santíssima Trindade. E os catequistas estão tendo dificuldades para convencerem as crianças de hoje a aceitarem esse dogma.

Porém o Mestre disse : “Seja te dado conforme tu creste”. Ademais, a Teosofia nos fala da egrégora, uma energia que se cria pelas ondas mentais. Assim, respeitemos a Santíssima Trindade, porquanto é poderosa a egrégora oriunda da sua milenar crença.

E sobre crer, vejamos o pensamento de algumas celebridades. São Paulo : “Nem de todos é a fé”. Kardec: “A fé só é inabalável, quando puder enfrentar a razão face a face, em qualquer época da História da Humanidade”. Santo Tomás de Aquino: “A Fé não pode violentar a razão”. Einstein: “A ciência sem religião é aleijada, e a religião sem ciência é cega”. E João Paulo II tenta conciliar fé e razão em sua Encíclica “Fides et Ratio” (Razão e Fé).

Mas se já nos é frágil, às vezes, a crença nas coisas lógicas e racionais, como crermos mesmo em coisas que nem sequer podemos entender?

Autor de “A Face Oculta das Religiões” (Ed. Martin Claret), entre outras obras. E-mail: escritorchaves@ig.com.br.