Diante do público

Jornal Mundo Espírita - Março de 2000

O meio espírita vive momentos de crescimento e de reconhecimento popular, haja vista o número de sociedades que são fundadas, de livros que são editados, do público que acorre aos Centros e aos eventos doutrinários em geral, além de outros parâmetros que balizam esta afirmativa. A propósito dos eventos doutrinários, que também têm sido promovidos com maior freqüência (veja-se o número de congressos espíritas que acontecem no Brasil, anualmente), nota-se nestes que, quase sempre, a primazia tem sido para sua abrangência territorial (quanto mais ampla, melhor) e a quantidade de público pretendida, mesmo que em detrimento dos aspectos qualitativos: organizacional e doutrinários.

A estruturação organizacional, quando não for bem pensada e dimensionada, pode comprometer todo o evento, por mais recomendado que seja o conferencista, ou o expositor, como se queira chamá-lo. Ou se não trouxer problemas para o público, tantas vezes o trás para o palestrante, ou ainda para as equipes de trabalho, ou para todos ao mesmo tempo.

O público poderá sofrer, dentre outras coisas, com a falta de: comodidade, som adequado, segurança, banheiros, ventilação, espaço de locomoção, comunicação visual, cumprimento de horários.

O palestrante, com a falta de: equipamentos e material de apoio (exemplo: som, retro-projetor, iluminação, quadro de giz), suporte ao transporte, despesas pessoais, hospedagem, alimentação.

As equipes, pela falta de: planejamento, trabalhadores, espírito de equipe, coordenação, experiência, visão de conjunto.

O aspecto doutrinário, como acima citado, nem sempre também é avaliado previamente, a começar pela escolha de temas (em disfunção com o público pretendido) e daquele (ou daqueles) que irá apresentá-lo (consistência doutrinária do seu trabalho, condições pessoais de poder fazê-lo: preparo, capacidade de comunicação e outros pontos relevantes).

Os promotores da divulgação doutrinária por esses meios (palestras, conferências, seminários, congressos, etc.), precisam, em nome do bom trabalho e do bom nome do movimento espírita, primar mais pela qualidade do evento, por mais grandioso ou singelo que esse seja, em termos de abrangência quantitativa estimada, já que importantes todos o são, indiscutivelmente. Assim fazendo, com certeza, ganhará o movimento espírita, o que significa dizer, ganhará a divulgação do Espiritismo, ideal maior e comum de todos nós.

(Jornal Mundo Espírita de Março de 2000)