Educação Globalizada

Terezinha Colle

Globalização é um termo por demais ventilado nos dias atuais. As nações buscam, através da globalização, demolir antigos conceitos ou preconceitos sectaristas, ampliando os horizontes de inter-relacionamento entre os povos, visando a uma melhor adaptação dos homens aos atuais níveis de desenvolvimento sócio-econômico-político do nosso Globo.

Embora o termo tenha sido cunhado para definir a "tendência à formação de um único mercado entre todas as nações", nós o tomamos emprestado para representar a idéia de uma ampla educação tendo em vista abranger todos os seus aspectos.

Proporcionando à criança uma visão global do seu mundo de relação, orientando-a moralmente para que saiba agir e interagir dentro do seu universo, estaremos preparando o homem para essa realidade chamada "pós-moderna".

Se fôssemos representar graficamente, o mundo de relação do ser, seja ele criança, jovem ou adulto, teríamos o seguinte esquema:

O primeiro passo para uma educação globalizada é situar a criança dentro do seu mundo, sem desconsiderar a fase de seu desenvolvimento psicológico. Isso se consegue desde os primeiro momentos de sua existência, nas primeiras lições ministradas pelos pais e demais educadores.

Trazendo, na infância, uma forte tendência ao egocentrismo, a criança deverá ser esclarecida de forma natural quanto à sua realidade de ser gregário e moralmente responsável.

Sem que para isso se lhe apresente um esquema do seu mundo de relação, poderemos lecionar no dia-a-dia lições que lhe assegurem uma visão de mundo diversa da que ela tem. Ensinando, por exemplo, que os demais familiares, que com ela convivem, também têm direitos e deveres, tanto quanto ela, estaremos preparando-a para viver em sociedade portas a fora do lar.

Demonstrando, harmonicamente, que a vida em sociedade exige-nos certas disciplinas e normas que devem ser respeitadas para o bem comum, estaremos preparando o cidadão justo e honesto do porvir, o homem de bem.

É necessário ensinar à criança a conhecer-se a si mesma, suas emoções, suas sensações e sentimentos, bem como ajudá-la a tratar com essas questões de maneira natural, isentando-a da culpa sem sentido da auto-punição descabida .

Orientá-la sobre a sua realidade de espírito imortal que é, e da necessidade de evolução estabelecida pelo Criador, que a tudo rege através de leis soberanamente justas e misericordiosas.

Fazê-la perceber que além das leis físicas, que regem o universo físico, há outras leis que regem o universo moral das criaturas, invioláveis e equânimes.

Há tantos adultos em conflito e infelizes, por não saberem administrar seus próprios sentimentos, por não saberem defini-los com segurança. Comem quando estão tristes, dormem quando estão deprimidos, angustiam-se tentando conciliar o sono, sentem ciúme e pensam que estão irremissivelmente perdidos. E, por fim, quando a dor os visita, tentam escapar da vida pelas portas falsas do suicídio.

É preciso que tomemos as mãos do homem de amanhã, ainda criança, e o ensinemos a viver com segurança:

Ensinando-lhe a relacionar-se consigo mesmo, conhecendo-se e envidando esforços para tornar-se cada dia melhor que na véspera.

Ensinando-lhe a bem relacionar-se com os outros, cultivando o respeito, a consideração e a confiança junto aos que o cercam.

Ensinando-lhe a conhecer, avaliar e respeitar as instituições, a fim de que possa modificá-las para melhor, se necessário.

Ensinando-lhe a reconhecer a grandeza de Deus respeitando tudo o que Ele criou, ou seja, tudo o que vive e respira na face da Terra, começando pelo próprio semelhante.

Ensinemos aos nossos pequenos que eles são Espíritos imortais e perfectíveis, e que a felicidade é possível, após vencidas as etapas evolutivas que o Criador estabeleceu para cada filho Seu.

Afinal, educar, segundo o pedagogo suíço, Pestalozzi, é desenvolver progressivamente as faculdades espirituais do homem.

Para John Locke, grande preceptor, educar é fazer Espíritos retos, dispostos a todo momento a não praticarem coisa alguma que não seja conforme à dignidade e à excelência de uma criatura sensata.

Emanuel Kant, o filósofo, diz que educar é desenvolver no indivíduo toda perfeição de que ele é suscetível.

Fröbel, o criador do Jardim de Infância, afirmava que em toda criança existe a possibilidade de um grande homem. E é em desenvolver essas possibilidades que devem ocupar-se os pais conscientes.

O professor Pedro de Camargo, conhecido como Vinícius, em seu livro intitulado O Mestre na Educação, diz que a melhor, a mais eficiente e econômica de todas as modalidades de assistência é a Educação, por ser a única de natureza preventiva. Não remedeia os males sociais; evita-os.

Agindo desse modo, estaremos contribuindo de forma efetiva para a melhoria de nossa sociedade, pois segundo o eminente codificador do Espiritismo, no seu comentário da questão 917 de O Livro dos Espíritos, ela (a melhoria) só se dará pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem.

(Jornal Mundo Espírita de Abril de 1998)