Especialmente aos Jovens - I

Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 2001

Raul Teixeira Responde

P. Por quais motivos a evangelização tornou-se tão importante nos dias de hoje?

R. Pelo fato de estarmos vivendo num mundo desafiado pelos valores do materialismo, contra os quais veio ao mundo o Espiritismo. Se conseguirmos, com os esforços da evangelização, evangelizarmos os próprios evangelizadores e a todos quantos se acercam do pensamento lúcido de Jesus e de Allan Kardec, certamente teremos contribuído bastante para com a felicidade da sofrida e atormentada sociedade.

Entendendo-se por evangelização o ajustamento do espírito ao pensamento do Cristo, ao Evangelho do Reino, não podemos entender o Centro Espírita sem esse tipo de tarefa, sem essa forma de atividade que é, sob
todos os aspectos, fundamental.

P. Qual o papel do jovem espírita no Centro Espírita?

R. Considerando-se a quantidade de conteúdos que a Doutrina Espírita transfere à mente juvenil, caberá ao jovem procurar ajustar-se aos seus ensinamentos, buscando compreender-se a si mesmo, enfrentando seus conflitos, identificando suas inclinações felizes, a fim de que possa tornar-se mais útil a si próprio e à sociedade em que vive. No Centro Espírita o espírito de cooperação, a boa vontade de aprender para crescer, o desenvolvimento da fraternidade, a integração gradativa e continuada nos mais diversos setores de atividades da Casa, permitirão mais ampla participação desse moço na pauta do nosso Movimento Espírita.

P. Como você define, no momento, o movimento do jovem espírita?

R. Vejo, em toda a parte, o jovem espírita tomando posições felizes com relação ao seu labor doutrinário. Encontro maior entrosamento entre os jovens e os mais velhos, numa relação de respeito e atenção fraternais. Registro um amadurecimento na forma de ver o mundo por parte dos moços espíritas, fazendo-os não apenas expectadores inertes, assistindo a aulas de Espiritismo, ditadas por mentores absolutos. Mas muitos preparam estudos, desenvolvendo os temas, eles mesmos, sem, contudo, abandonar a experiência e o apoio dos mais experientes,
além de encetar valiosos serviços de visitas a hospitais, cadeias públicas, lares de assistência à criança e ao idoso, São os jovens encontrados nas campanhas beneficentes e nos mutirões fraternos, não se conformando mais em ouvir somente. Não resta dúvida, por outro lado, de que também nos deparamos com aqueles que pararam no tempo, que cantam, cantam e rezam, de braços cruzados, enquanto o mundo continua girando... Mas, felizmente, é a minoria.

P. Qual deve ser a tarefa do jovem espírita diante de tantas tarefas a serem realizadas?

R. Procurar ajustar, adequar o seu tempo, entre a escola, o trabalho profissional, para os que o têm, e a ajuda no lar, para que possa oferecer a sua quota de cooperação no Movimento Espírita, sem neuroses hipercinéticas e sem acomodação improducente.

Ante o vigor do espiritismo/Raul Teixeira/Espíritos diversos

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 2001)