Especialmente aos Jovens - II

Jornal Mundo Espírita de Fevereiro de 2001

Raul Teixeira Responde

A sida é um castigo divino?

R. De modo algum. Pensar-se que a sida (síndrome da imunodeficiência adquirida) é um castigo divino será demonstrar que se faz um juízo diminuto do Criador.

O Universo é dirigido por leis sábias, pois Sábio é o seu Autor. Desse modo, quando atendemos a essas leis por meio de uma vivência voltada para o bem, para o equilíbrio, para o próprio crescimento, marchamos firmes para a ventura espiritual, seja na Terra ou além da Terra. Porém, ao nos desajustarmos em razão do mau uso do nosso livre-arbítrio, desatendemos à Legislação Perfeita, e passamos a nos debater no pantanal ao qual nos ligamos, por escolha própria.

A sida, sem dúvida, tanto quanto outras graves doenças que assolam o mundo, é a resposta da Lei de Causalidade àqueles que tiveram a liberdade para semear os ventos, vendo-se forçados, então, a colher tempestades, como afirma o rifão popular.

O que o Centro Espírita pode fazer para socorrer os aidéticos que a ele aportem?

R. Na esfera de suas atividades, desde os atendimentos fraternos, por meio da assistência dos diálogos, do envolvimento amigo, até os campos da sua fluidoterapia, que em muito auxiliaria aos companheiros marcados pela aids a superar tormentos morais e mesmo dores físicas. Entretanto, em nenhum caso prescindirá o companheiro aidético dos cuidados médicos mais específicos possíveis.

Como deve ser o comportamento da família quando detectar que um de seus membros está com aids?

R. O comportamento de toda pessoa lúcida. Após a constatação, a busca de cuidados médicos e psicológicos, considerando-se que o portador do vírus necessitará desse apoio; a procura do arrimo da fé, não para as choramingas infantis e impertinentes de quem deseja que Deus faça milagres, mas para o sustento moral no testemunho difícil, ante a certeza dos passos terminais aos que a síndroma conduz.

O que se pode pensar do livre-arbítrio? Até que ponto pode o homem dele usufruir?

R. Entendemos que o livre-arbítrio é o recurso com que o Criador dotou a criatura, a fim de que seja ela própria responsável por suas ascensão ou por sua queda. O indivíduo consciente e racional tem o pleno direito ao uso do livre-arbítrio, enquanto não investe contra os planos da Divindade no mundo, de maneira grave, pois, assim agindo, o indivíduo chafurda-se no visco da fatalidade, do determinismo gerado pelo mau uso da sua liberdade.

Da obra: Ante o vigor do espiritismo/J. Raul Teixeira

(Jornal Mundo Espírita de Fevereiro de 2001)