Especialmente aos Jovens - IV

Jornal Mundo Espírita de Abril de 2001

Raul Teixeira Responde

Imaginemos que alguém esteja com aids, câncer ou outra moléstia, prestes a desencarnar, sem saber da gravidade do problema. Devemos cientificá-lo dessa gravidade ou mantê-lo na ignorância do fato?

R. - Esses estados de saúde apontados comumente já estabelecem um estado de profundas perturbações para o organismo físico, como um todo, permitindo ao paciente ter noção de que seu caso requer muito cuidado. No caso da aids, por exemplo, será muito difícil um tratamento sem que o paciente saiba do que sofre, para que tenha sentido o tratamento que lhe será indicado. É muito raro que um paciente canceroso, diante de todo o amontoado de tratamentos cirúrgicos, quimioterápicos ou radioterápicos, aos quais será submetido não venha a pelo menos desconfiar da sua situação. Quanto a nós, os que acompanhamos os nossos enfermos, será um dever verificar-lhes as resistências morais para suportarem uma notícia mais drástica.

Seria muito bom se pudessem ser preparados os companheiros em processos terminais para a "grande viagem", sem temores, conscientemente, organizando-se mentalmente, para esse inarredável dia. Entretanto, caberá à família do enfermo, por ele responsável, e à equipe médica a iniciativa de conversar, de anunciar, de posicionar o problema orgânico, prevenindo a todos sobre a situação iminente. Quando em nossa responsabilidade pessoal semelhante desafio, deveremos ir buscando uma forma segura e fraternal, lúcida e equilibrada, a fim de preparar a mente do nosso ser querido para o grande momento. Nesse particular, o conhecimento espírita autêntico, com os ensinos do Cristo em seu bojo, na feição de eminente Consolador, poderá realizar prodígios de coragem e fé.

Por que as criaturas, geralmente, têm tanto medo da morte?

R. - O medo de qualquer coisa está vinculado, primordialmente, à ignorância dessa coisa. A morte não foge a essa regra. Durante muitos séculos, no Ocidente, as pessoas aprenderam a encarar a morte como o fim de tudo. Aprenderam, também, a ver na desencarnação a definição plena das condições espirituais do indivíduo: ou vai para o céu, ou vai para o inferno, com ligeiras possibilidades de um difuso e estranho purgatório. É compreensível que semelhantes concepções, assim, hajam perturbado o discernimento e imposto às pessoas esse pavor tão característico.

Allan Kardec, estudando a questão do passamento, em O Céu e o Inferno, esse notável livro da Codificação Espírita, aborda a situação com um subtítulo: "por que os espíritas não temem a morte", assinalando que o entendimento correto das suas condições e finalidades auxilia o indivíduo a não guardar medos, mas a viver de modo consciente e digno no mundo a fim de encontrar ventura e paz para além das dimensões corporais.

O que existe depois da morte física?

R. - Após a ruptura dos laços do corpo físico, quando o Espírito se liberta, prossegue a Vida, pujante e bela para aqueles que souberam atravessar os dias de aprendizados terrenos com prudência e nobres realizações, ou pujante e atormentada para os que transformaram seus dias terrestres em verdadeiros infernos conscienciais, pelo mal que impuseram a si mesmos ou aos semelhantes.

Fonte: Ante o vigor do espiritismo/Raul Teixeira

(Jornal Mundo Espírita de Abril de 2001)