Já Pensaste, mulher?

Ivan de Albuquerque (espírito)

Mulher, por ventura meditaste acerca da oportunidade formosa de ser mãe? Já sentiste n’alma a estesia de conduzir no ventre um ser tão pequenino que, como uma flor, se abre para a existência, ou de criar alguém, com responsabilidade e iluminando as horas dos seus dias, para torná-lo um belo coração de menina ou de menino? Imaginaste, acaso, a louçania de sorrir ante o sorriso de um petiz, ou de ralhar ante as suas bravatas infantis, como se nada tivesse aprendido das lições educativas que com ele vivenciaste?

Mulher, já pensaste?

Porventura, refletiste em plena rota humana, sobre a honra de tornar-se a enfermeira ou a irmã a cuidar de uma criança doente, limitada ou deficiente?

Pensaste na confiança de Deus para contigo, à frente das difíceis situações, dos desafios e renúncias, que te fazem apertar o coração, que, embora condoído, se oferta como abrigo, a fim de evoluíres no rumo do Infinito?

Ser mãe, na Terra, penso de verdade, é ter a marca de Deus na intimidade, um ser bonito, é ser feliz cooperadora da vida. Ser mãe no mundo, creio realmente, é superar a condição da gente, é ter, de fato, gênio de fada ou de madrinha celeste, ou, ainda, de anjo bom que enxerga sempre à frente.

Assim, mãezinha, pensa nos caminhos de realizações, de canseiras e de emoções em que o Criador te situa, pensa que é por ti que o céu na Terra atua, a fim de que a humanidade se torne melhor.

Não guardes contigo desalentos nas estradas de frustrações, vazios, sofrimentos, que algum filho te traga aos sentimentos ao escolher roteiro duvidoso.

Pensa no bem que fazes, todo dia, pensa no bom modelo que procuras ser, pensa no envolvimento da ternura, e entrega ao Grande Pai teu filho transviado, não obstante o travo de amargura. Pensa que Deus o ama intensamente.

Pensa que o Criador te há escolhido para ajudar em seu conduzimento.

Pensa que a existência é, como um dia, um momento de experiências, de pelejas e peripécias, pensa que o teu labor, mãezinha, entrosado com as leis dos céus é tudo, é tua guarda, teu arrimo e teu escudo, para que tu cresças sem detença.

Entrega os filhos todos, os maus e os justos, às Mãos Daquele que tos confiou, e, assim, por certo, terás a coroa de harmonia e glória construída nas tarefas-missões da tua vida, da tua história, embalando no bem todos os teus.

Ser mãe, sem dúvida, na estrada humana, nas tarefas da fé ou nas profanas, é lançar-se na ação do amor celeste.

É cantar a alegria e a dor agreste, é sentir a estesia que reveste com beleza o próprio ser.

É suplantar os óbices da rota, é ver no lar a bendita retorta que nos prepara para a redenção.

Ser mãe, no mundo, enfim, é viver o imenso júbilo de compartir com Deus o dom da vida, é vibrar com emoção, é sofrer com resignação, é seguir corajosa sem temores, até o momento final da encarnação. E hoje, quando entendo de outro modo a missão de ser mãe e de ser pai, rogo a Deus pelo rumo em que ela, firme, vai.

Minha mãe, nossa mãe.

Todas as mães!

Quero rogar por essas campeãs do trabalho, da luta, da bondade, nesse dia em que todos as cantamos.

Sê feliz, ó mulher, nesse teu dia, que em contestação é um dia eterno, por seguir com a visão do Sempiterno, por resgatar da vida o intenso brilho.

Sê feliz, ó mamãe, te dizemos nessa hora, por sentir, hoje em dia, tarde embora, essa imensa emoção de ser teu filho.

Mensagem psicografada pelo Médium Raul Teixeira, em 28.4.1999, na Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói-RJ

(Jornal Mundo Espírita de Maio de 1999)