Lavras comprometidas

Rogério Coelho

"Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa."
Paulo. (II Tim., 3:16.)

Vez por outra flagramos, em alguns periódicos espíritas, a indignação de algum companheiro que se sentiu incomodado com certas publicações de conteúdo polêmico...

Ora, o Espiritismo sendo o "Consolador", prometido por Jesus, a leitura de um periódico espírita deve - necessariamente - ser portadora de um substrato também consolador, além de instrutivo. Ao terminarmos de ler um livro ou um periódico espíritas, nossa alma deve sentir-se leve e refeita. Se isto não acontece é porque o autor do livro ou o articulista não estão refletindo o "espírito" da feição consoladora do Espiritismo.

Os chamados "temas polêmicos" hão de ter proscênios intestinos para virem à baila, ficando portanto, naturalmente, a cargo dos órgãos competentes, congressos ou encontros promovidos para o levantamento e equacionamento feliz das pendências, onde as partes terão oportunidade de expor suas razões e o consenso, o denominador comum virá.

As lavras espíritas devem - obrigatoriamente - estar comprometidas com Jesus e assim, conseqüentemente expressarão somente a Sua filosofia de Vida, Sua mansuetude, inteligência, concisão dentro da função regeneradora/consoladora de corações de que está investido.

A Verdade por si basta!...

O que é verdadeiro, não precisa ser provado e permanece. O falso perece, cai por si mesmo...

Devemos, com toda firmeza possível, defender os princípios básicos da novel Doutrina Espírita. Daí a alimentar longas e fastidiosas polêmicas nas páginas dos periódicos espíritas vai longa distância, pois assim procedendo, estaremos, na verdade, não só prestando um desserviço ao Espiritismo mas também intranqüilizando o nosso e os alheios corações.

O Mentor André Luiz legou-nos, através da abençoada mediunidade de Francisco C. Xavier uma página de peregrina clareza no livro treze de sua série denominado "Conduta Espírita", autêntico "vade-mecum" comportamental. Lemos as seguintes e judiciosas instruções no capítulo quinze, acerca do que deve ser a imprensa espírita:

"Escrever com simplicidade e clareza, concisão e objetividade, esforçando-se pela revisão severa e incessante, quanto ao fundo e à forma, de originais que devam ser entregues ao público. O patrimônio inestimável dos postulados espíritas está empenhado em nossas mãos.

Empregar com parcimônia e discernimento a força da imprensa, não atacando pessoas e instituições, para que o escândalo e o estardalhaço não encontrem pasto em nossas fileiras. O comentário desairoso desencadeia perturbação.

Selecionar atentamente os originais recebidos para publicações, em prosa e verso, de autores encarnados ou de origem mediúnica, segundo a correção que apresentarem quanto à essência doutrinária e à nobreza de linguagem. Sem o culto da pureza possível, não chegaremos à perfeição.

Sistematicamente, despersonalizar ao máximo os conceitos e as colaborações, convergindo para Jesus e para o Espiritismo o interesse dos leitores. O personalismo estreito ensombra o serviço.

Purificar, quando não se puder abolir, o teor dos anúncios comerciais e das notícias de caráter mundano. A imprensa espírita-cristã representa um veículo de disseminação da verdade e do bem."

Portanto, em atenção às ponderadas advertências do Mentor Amigo, vamos enobrecer as páginas de nossa imprensa espírita com lavras comprometidas com Jesus para consolo, instrução, alegria e paz de milhares de corações que carpem suas dores em seus calvários existenciais.

Não coloquemos espinhos e cardos nos caminhos alheios e tampouco no nosso, já muitas vezes áspero e difícil por si só.

Caminhemos em paz; na paz do Senhor...

"Seja, pois, divinamente inspirada e proveitosa toda escritura."

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 2000)