O ainda esquecido aniversariante

Rogério Coelho

"O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande Luz;
e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a Luz raiou".
Mateus, 5:16.

Começam a soar hosanas e a ambiência terrena impregna-se das melodias natalinas. Um clima de boa vontade se estabelece, e os corações - enternecidos - pulsam ao sabor dos atos de abnegação e amor. Até mesmo os canhões silenciam dando uma trégua ao instinto beligerante do homem.

Sem embargo, inúmeras criaturas, ainda equivocadas quanto à verdadeira essência da efeméride, julgam homenagear o Meigo Zagal Celeste com troca de mimos ao redor do pinheiro enfeitado, em festas condimentadas pelos excessos gástricos-etílicos.

Natal - definitivamente - não é isso!

O objetivo de toda festa é alegrar o aniversariante. Jesus é o aniversariante festejado no Natal; é um aniversariante muito especial, singular!...

O melhor presente que podemos ofertar-Lhe é um coração escoimado de todo egoísmo e que se transforma - todos os dias - em aconchegante manjedoura onde Ele renasce sempre.

Ofereçamos-Lhe a dádiva de nossa Caridade expressa no cumprimento fiel da Lei das leis promulgada por Ele, consubstanciada no "amai-vos uns aos outros", trazendo-a do discurso teórico para o curso da prática em nossa Vida, aprendendo a conviver em paz com todos e sabendo conjugar em todos os tempos e modos o verbo perdoar.

Saibamos, pois, amar, tolerar, compreender, perdoar e trabalhar no bem incessante com Ele. Ofereçamos-Lhe a ânfora do coração a esparzir as suaves fragrâncias de Seus sublimes ensinamentos, tornando-nos cartas-vivas a refletir no espelho d`Alma as Suas virtudes.

Ele é e será sempre o nosso sublime e mais perfeito modelo e guia.

Façamos neste Natal um balanço de nossa Vida, auscultando as mais íntimas anfractuosidades de nosso ser, comprometendo-nos conosco mesmos proceder à erradicação de todas as mazelas, substituindo-as pelas sublimes claridades legadas por Ele à Humanidade há dois milênios. Só assim Ele não mais será o Aniversariante esquecido que em todos os Natais tem chorado em fria soledade e pesar por não ter logrado arrebanhar para o Divino Aprisco as tresmalhadas ovelhas do rebanho que o Pai Lhe confiou.

(Jornal Mundo Espírita de Dezembro de 2001)