Tomada de Contas

Jornal Mundo Espírita - Janeiro de 2000

Tendo como texto para reflexão a assertiva de Fénelon, constante de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo XVI, 13: "Sendo o homem o depositário, o administrador dos bens que Deus lhe pôs nas mãos, contas severas lhe serão pedidas do emprego que lhes haja ele dado, em virtude do seu livre-arbítrio", facilmente conclui-se da grande aplicabilidade da moderna teoria administrativa dos três "E´s": Economicidade, Eficiência e Efetividade, para toda e qualquer promoção pretendida, também no meio espírita, ou seja, ela tem que passar pelo crivo analítico do custo estimado, do rendimento qualitativo esperado e do resultado efetivo a ser alcançado. Em outras palavras, é a relação Custo x Benefício que tanto se ouve falar no dia-a-dia das organizações.

Em nome da excelência que o trabalho espírita nos convida, como depositários dos bens que Deus nos pôs nas mãos, já não se deve mais promover reuniões no meio espírita (mesmo as administrativas) sem que sua pauta esteja muito bem elaborada, que o programa esteja muito bem organizado, que o conteúdo seja substancioso e se auto-justifique, que os participantes tenham sido bem escolhidos e apresentem-se bem preparados.

Em nome da economia (que não é composto somente por dinheiro, há outros bens também importantes, como o tempo, por exemplo), da eficiência e da efetividade, os recursos a serem dispendidos no movimento espírita devem ser muito bem planejados, por um lado, porque assim manda a regra do bom administrador, por outra, são escassos e devem atender ordem de prioridades, depois, tais recursos não deixam de ser recursos públicos, advindos, basicamente, de doações de terceiros, o que aumenta a responsabilidade para com a sua boa aplicação. Todo desperdício é crime de lesa-sociedade.

Dentro dessa tônica, a título de exemplo, veja-se a importância de se saber escolher a ocasião propícia para determinadas promoções (doutrinárias e administrativas), tanto quanto a escolha do temário, do local, do expositor, e, ainda, o dimensionamento do público pretendido, além da divulgação necessária e bem dirigida a esse público-alvo. Tudo isso aliado ao equacionamento dos recursos humanos e financeiros suficientes para sustentar o pretendido. A propósito, bom lembrar que os fins não justificam os meios, e, por conseguinte, a origem dos recursos financeiros deve ter a mesma licitude moral da proposta de que se está tratando: a divulgação do Espiritismo.

A assertiva supracitada do Espírito Benfeitor, dirigida a cada um de todos nós os espíritas, não deixa dúvidas quanto à responsabilidade pessoal e coletiva que temos: contas severas lhe serão pedidas do emprego que lhes haja ele dado dos bens que Deus lhe pôs nas mãos.

(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 2000)