Uma Boa Experiência

Sérgio Hilmar Gomes da Silva

Há três anos iniciamos um trabalho que se mostrou positivo pelos resultados até aqui observados. Em vista disso é que resolvemos relatá-los, na esperança de que sirva de referência para outras iniciativas nesta área.

Assumimos a direção da União Regional Espírita-Metropolitana Norte de Curitiba, há pouco mais de quatro anos, e na ocasião intrigava-nos a inexistência de qualquer tipo de atividade de divulgação da Doutrina Espírita nos presídios de Curitiba. Sabíamos de iniciativas isoladas que haviam acabado, porque o idealizador ao enfrentar problemas particulares afastava-se da atividade e esta pouco a pouco desaparecia.

Alguns amigos, não espíritas, que mantinham contato com as casas de detenção, e sabendo da inexistência desta atividade por parte do nosso movimento, nos questionavam a razão de nossa inoperância, uma vez que outras denominações religiosas lá laboravam há muito tempo.

Em nossa região metropolitana existem pelo menos sete instituições de recuperação de infratores, entre as de homens, mulheres, jovens e doentes mentais.

A partir destas considerações, decidimos organizar um grupo extra centro espírita, que funcionasse com colaboradores de diversas instituições, atuando diretamente nos presídios. Aproveitamos os mecanismos de divulgação da União Regional Espírita e lançamos uma campanha de arrecadação de livros espíritas para os presídios, que seria uma estratégia de sensibilização. Em seguida, programamos uma reunião com trabalhadores interessados em participar da tarefa, cuja reunião se realizou nas instalações da URE. Na primeira reunião compareceram 30 voluntários, porém, a equipe inicial ficou reduzida a 10.

Começamos por contatar instituições de outras regiões que já apresentavam a tarefa, a fim de conseguirmos instruções e experiências. Com as sugestões e anotações recebidas, montamos uma apostila. Organizamos um treinamento inicial, com base neste material, para dotar o grupo de informações básicas sobre o trabalho a ser iniciado. Esta atividade exige dos voluntários conhecimento das normas de segurança do sistema.

Nestes três anos ininterruptos a dinâmica de ação se desenvolveu na forma de grupos que atuam em instituições separadas sob a coordenação de um companheiro. Este faz as programações das duplas diferentes para cada semana e os assuntos para cada reunião. No momento, estão sendo atendidas três instituições. Já foram quatro. Porém, em uma delas o grupo se dispersou. Existe a solicitação para que sejam iniciadas em outras instituições, todavia, por falta de trabalhadores isto ainda não aconteceu.

A cada dois meses, os grupos são reunidos para trocas de experiências sobre o andamento das atividades, levantamento de problemas enfrentados e soluções encontradas. A metodologia de desenvolvimento das reuniões é estudada, procurando-se aprimorar técnicas mais motivadoras para os internos.

Neste momento importante em que completamos três anos de trabalho, foi realizado um encontro com a participação da companheira Idalinda Aguiar Mattos, da cidade do Rio de Janeiro, que, com sua presença e seus relatos, proporcionou fortalecimento ao grupo, uma vez que ela é grande idealizadora desta atividade.

É pensamento manter correspondência com companheiros em outros Estados, que desenvolvam este serviço, com o objetivo de troca de experiências.

Esta tarefa se reveste de grandes dificuldades de operacionalização, principalmente para se conseguir novos voluntários, mas tem que ser feita, conforme palavras de Jesus.

A grande dificuldade de novos trabalhadores se dá pelo receio dos companheiros de visitar as penitenciárias. Esquecem-se que o trabalho é realizado dentro das normas de segurança de cada instituição.

O caminho que se apresenta nesta área é grande e cheio de desafios. O que se pretende com estas informações é mostrar à comunidade que há muito o que fazer e que a união de esforços, através dos órgãos de unificação, proporciona maiores condições.

(Jornal Mundo Espírita de Junho de 1997)