Visão e objetivo da política

José Maria da Silva Paranhos Júnior (espírito)

Cada vez mais destaca-se, no contubérnio das relações humanas, uma palavra – Política!

A política internacional, a política nacional de cada povo, a política das religiões, a política social, a política partidária, a política econômica, a política do Cristianismo, a política de preços...

E a política, estudada empiricamente por Aristóteles, passou a ter um caráter realístico para definir uma ordem de valores sociais e administrativos sobre o Estado tornando-se, com a sucessão dos tempos, um instrumento de constante variação conforme as épocas: Idade Média, Renascença, Revolução francesa, alterando os seus métodos filosóficos de conceituação.

A busca do poder pelo homem, faz que se utilize de mecanismos políticos, quase sempre arbitrários, para atingir as metas que persegue.

Raramente são movimentados os recursos saudáveis e nobres para levá-lo à ascensão, a serviço do Estado.

Como conseqüência, a política para a conquista de valores não éticos, tornou-se repelente, passando a representar objetivos degradantes, esconsos, subalternos.

O homem está fadado à conquista de si mesmo, através da qual e exclusivamente o poder perseguido avidamente em todos os estágios do comportamento social perde o seu significado de dominação de qualquer forma.

O logro do poder temporal é precedido de aflições inomináveis e transcorre entre inquietações difíceis de catalogação. Para transferi-lo de mãos, torna-se fator dissolvente da paz íntima, ao tempo em que seqüelas corrosivas permanecem no âmago de quem o utilizava.

Na luta pelo poder todos os meios são lícitos, mas apenas para quem da política somente conhece os meandros escuros da politicagem.

A política representa em cada lugar a alma do povo que a acolhe.

A vida social, os relacionamentos dos grupos, as movimentações de valores aquisitivos não podem prescindir de uma política bem elaborada para o intercâmbio entre as Nações. O êxito porém, de tal empreendimento, funda-se no valor ético de cada indivíduo.

Aí está o fulcro da questão essencial: o homem na ação política e não a atividade política no homem.

A política do poder é inevitável, estrutura maquinismos de preservação e engendra fórmulas de sustentação dos seus interesses.

O político é um homem que aprende a movimentar-se conforme o seu e o interesse do grupo ou do partido, não podendo olvidar-se da massa e do Estado que lhe confiam o dever de salvaguardar-lhes os interesses, de preservar-lhes os ideais e de melhorar-lhes as condições de vida.

Somente quando o político esteja consciente da sua qualidade humana, iluminado por objetivos essenciais que o levem à renúncia, à superação dos interesses pessoais apaixonados, é que se desincumbirá dos vícios partidários em favor dos objetivos a que se entrega.

Falta claridade no discernimento da consciência política, que caracteriza a condição de inferioridade da Terra e o primarismo daqueles que a habitam. O progresso porém é inestancável. Geometricamente ele produz resultados crescentes e trabalhado nas conquistas dos valores que se multiplicam por si mesmos, fomenta a superação do pequeno cosmo dos interesses pessoais no afã enobrecido de construir a felicidade para todos.

Esse desafio se inicia na construção moral do homem saudável.

O homem ideal, não é o de Hegel, nem o de Marx, mas o de Cristo, portador do amor afável, ressuscitado no de Allan Kardec, conhecedor da sua imortalidade, das finalidades existenciais.

Este, ao invés de falar sobre o Evangelho da política, trabalhará pela política do Evangelho, dando-lhe estrutura nobre e consolidando os magnos ideais da Humanidade, que podem ser sintetizados na consciência do dever, na responsabilidade do ser e na produção do amar, como elementos essenciais para um mundo melhor.

Não está longe esse dia, que surgirá da grande noite, como a planta esquecida na semente arrebenta o solo e agiganta-se, assim também a política do pensamento do Cristo pairará soberana sobre as Nações, ensinando o respeito, a fraternidade, a liberdade, a justiça equânime e a igualdade de todos os homens perante a Lei, na desincumbência dos seus deveres, fruindo os direitos de ser feliz, que a todos será concedido.

José Maria da Silva
Paranhos Júnior
(Barão do Rio Branco)

(Página psicofônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, em 17/11/1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador-BA.)

(Jornal Mundo Espírita de Maio de 2000)