I Ciclo Introdutório ao Estudo da Doutrina Espírita

União Espírita Fernandes Figueira e Bezerra de Menezes

Índice


Apresentação

Muitos são os companheiros que chegam à casa espírita desejosos de começar o estudo da Doutrina Espírita. Vê-se, nesses irmãos, uma necessidade de esclarecimentos, quanto as verdades básicas da vida que o Espiritismo soe oferecer. Sendo nossa casa, como tantos outros centros espíritas, também uma escola, precisaríamos nos preocupar com aqueles que chegam e já encontram o estudo em estágios diversos. Com alegria, um grupo de trabalhadores desenvolveu, com esmerado carinho e espírito de pesquisa, este trabalho que representa o esforço e a dedicação de tantos corações fraternos.

Destina-se este opúsculo, ao embasamento de quantos desejarem, com mais tranqüilidade, participar do ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita) já, desde 1983, sendo aplicado, em nossa casa.

Temos a certeza de que este trabalho muito contribuirá, para um melhor aproveitamento, de quantos buscam iniciar-se no estudo das obras básicas da Doutrina Espírita.

A Diretoria da União Espírita Fernandes Figueira e Bezerra de Menezes confraterniza-se com esses irmãos, batalhadores da grande causa da educação com Jesus, e deseja a todos seja perene o êxito nas suas tarefas.

Rio de janeiro, 03 de Setembro de 1998

Com afeto,

Vilma de Macedo Souza

Presidente da UEFFBM


Introdução

Conversão ao Espiritismo

Apesar das dificuldades que enfrenta contra o preconceito e a ignorância, o Espiritismo triunfará.

Como os Espíritos Superiores disseram a Allan Kardec, o Espiritismo está em a Natureza e nada se lhe poderá opor.

Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, o Espiritismo não logrará a adesão das massas aos seus postulados, qual se, de um instante para o outro, todos se lhe rendessem à lógica insofismável.

A conversão à Doutrina Espírita, semelhante ao que aconteceu com o Cristianismo, acontecerá de maneira individual, subordinando-se ao amadurecimento de cada alma.

É o que temos visto acontecer em toda parte...

Chegado o momento, mesmo sem terem sequer conhecimento da filosofia espírita, os homens, intuitivamente, abraçam os seus princípios e tornam-se partidários da Reencarnação, da Lei de Causa e Efeito, da Mediunidade, da Pluralidade do Mundos Habitados...

Acontece com os homens de hoje, em relação à conversão espírita, o que aconteceu com os cristãos dos primeiros tempos, quando, deixando tudo o que estavam fazendo, decidiam-se a seguir o Senhor, atraídos pela sinceridade de suas palavras.

Neste sentido, ainda queremos ressaltar que, embora o fenômeno mediúnico seja um caminho para a conversão dos homens às realidades do Mundo Invisível, a conversão genuína que se opera em profundidade é aquela que é fruto da razão. Os que se convencem porque viram poderão duvidar mais tarde, crendo-se vítimas da ilusão, mas os que se converteram porque entenderam jamais desfalecerão na fé, sejam quais forem os motivos à decepção que venham a sofrer.

Assim, prossigamos na tarefa da divulgação espírita, sem outra ansiedade que não seja a de vivenciarmos os postulados da Terceira Revelação.

Preocupando-nos com a construção do Reino de Deus em nós, estaremos dando a nossa mais efetiva colaboração para sua edificação sobre a Terra.

Enquanto não teve a sua “entrevista pessoal” com o Cristo, na solidão do deserto escaldante, Paulo não converteu-se ao Evangelho do qual tornou-se fiel defensor até o fim de seus dias...

Muitos dos que tiveram a abençoada oportunidade de ouvir o Senhor não aceitaram a Verdade que ele anunciava senão depois de serem chamados a reflexões mais profundas através da dor.

Semeemos a boa semente e deixemos, com Deus, o seu crescimento.

A nossa tarefa é de, incansavelmente, semear, na certeza de que as sementes que caírem em terreno fértil haverão de germinar a seu tempo.

Meditemos que, passados dois mil anos, o Senhor pacientemente espera que os homens descerrem o coração à Boa Nova, na expectativa do despertar de cada consciência.

Deolindo Amorim

(ap. Bacelli, C.A., “Irmãos do Caminho”, cap. 35, Casa Ed. Esp. “Pierre-Paul Didier”)

Deolindo Amorim, um dos grandes vultos do Espiritismo, nasceu na cidade de Baixa Grande, BA, em 23.01.1906, e desencarnou no Rio de Janeiro em 24.04.1984.

Foi funcionário do Ministério da Fazenda, onde exerceu altos cargos, e jornalista militante. Era formado em Sociologia pela Universidade do Brasil, e possuía os cursos Técnicos de Publicidade e de Serviços Sociais.

Aceitou o Espiritismo, em 1935, ao freqüentar o C. E. Jorge Niemyer, de cuja Diretoria passou a fazer parte. Foi diretor e colaborador da Liga Espírita do Brasil. Foi fundador e primeiro presidente da ABRAJEE e idealizador do 1o Congresso Brasileiro de jornalistas Espíritas, que presidiu, em 1939; fundou e dirigiu, até o seu desencarne, o Instituto de Cultura Espírita do Brasil.

Deixou vasta bibliografia doutrinária e leiga, e pertenceu a inúmeras entidades do Brasil e do Exterior, espíritas ou não, amado e respeitado por todos, graças à grandeza de sua alma e as virtudes que lhe ornavam a personalidade


UNIDADE I

DEUS

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
Paulo (Coríntios, 3: 16.)

OS CONCEITOS DE DEUS

Povos primitivos

Os espíritos informaram a Kardec que as Leis Divinas estão impressas na consciência do homem, por isso, desde os primórdios, ele tem a idéia da existência de Deus. Por encontrar-se ainda primitivo, a idéia que fazia da Divindade era equivocada, porém compatível com o seu estágio evolutivo. Desenhos encontrados nas cavernas retratavam a sua preocupação com o universo e com o sentimento inato da existência de uma inteligência superior.

Politeísmo

O homem se fixa no solo e começa a viver em grupo, desenvolvendo as instituições familiares, religiosas e políticas. Ao sedentarizar-se depende mais do solo, pois que daí tira o seu sustento e dos seus. Observando o quanto a natureza influi na sua agricultura e que ele não a domina, nem a compreende, porque os fenômenos ocorrem a sua revelia, ele atribui então uma divindade para cada fenômeno que não entende. Essas divindades são os espíritos com suas manifestações, aparições e principalmente influência nos fenômenos naturais.

Antropomorfismo

Como o homem nesta fase ainda não possuía o senso do abstrato, isto é, só entendia o palpável, o tangível, via Deus a sua imagem e semelhança, atribuindo-lhe vícios como os seus próprios, oferecendo-Lhe sacrifícios sob a forma de vegetais, animais e até sacrifícios humanos.

Esta idéia antropomórfica de Deus acompanha ainda o homem que, “aparentemente civilizado,” barganha com a Divindade como se Ela fosse como ele, sujeita a paixões.

Panteísmo

O Panteísmo aceita um princípio inteligente além do princípio material.

Segundo esta filosofia, cada indivíduo ao nascer assimila uma parcela deste princípio que constitui sua alma, sua vida, inteligência e sentimento.

Considera os seres vivos como moléculas e elementos constitutivos da Divindade, isto é, Deus é o conjunto de todas as inteligências reunidas.

Após a morte, a alma retorna à fonte comum, perde sua individualidade no infinito, como a gota no oceano.

Doutrinas dogmáticas

Para algumas religiões, a alma, independente da matéria, é criada por ocasião do nascimento do ser; sobrevive e conserva a individualidade após a morte; desde este momento, tem irrevogavelmente determinada a sua sorte; nulos lhe são quaisquer progressos ulteriores; ela será, pois, por toda eternidade, intelectual e moralmente o que era durante a vida, cabendo-lhe o castigo do inferno ou o prêmio do céu.

Materialismo

A base desta doutrina é o Niilismo que prega o nada além da morte, nela nada existe além da matéria.

Para o Materialismo não existe o mundo espiritual. Restringe todas as operações da alma ao movimento do cérebro material, portanto, a alma é um produto do cérebro.

Esta doutrina afirma que a matéria ou as condições concretas materiais são suficientes para explicarem todos os problemas, de quaisquer natureza, sem se prenderem a argumentos espiritualistas como a existência de Deus ou dos espíritos.

Portanto, “(...) a história da idéia de Deus mostra-nos que ela foi sempre relativa ao grau de intelectualidade dos povos e de seus legisladores, correspondendo aos movimentos civilizadores, à poesia dos climas, às raças, à florescência de diferentes povos; enfim, aos progressos espirituais da Humanidade. Descendo pelo curso dos tempos, assistimos sucessivamente aos desfalecimentos e tergiversações dessa idéia imperecível, que, às vezes fulgurante e outras vezes eclipsada, pode, todavia, ser identificada sempre, nos fatos da Humanidade.”

O CONCEITO ESPÍRITA DE DEUS

“Deus é espírito e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade.”
Jesus (João, 4:24.)

Para os espíritas, Deus é a Inteligência Suprema, Causa Primária de todas as coisas.

Dizer que Deus é o infinito é oferecer uma idéia incompleta. Pobreza da capacidade da comunicação que é insuficiente para definir o que está acima da linguagem humana.

Provamos Sua existência através de uma lei da Física que diz: “não há efeito sem causa” e isto é tão verdadeiro que de lei passou a axioma, ou seja, é evidente por si mesma. Uma variante deste axioma, é que um efeito inteligente pressupõe uma causa inteligente.

Ora, se olharmos para o Universo, para a natureza, veremos que o homem jamais conseguiria criá-los em virtude de suas limitações, por conseguinte, o seu criador é superior ao homem (Inteligência Suprema).

Consideramos como prova da existência de Deus o sentimento inato que o homem traz em si desde o seu princípio. Isto não é fruto de uma educação nem próprio de uma civilização, dado que os selvagens e os primatas também o possuíam.

Finalmente, atribuir a Causa Primária às propriedades íntimas da matéria, ou ao acaso, é falta de bom senso. No primeiro caso, haveria uma propriedade primeira (causa primária) aonde remontassem todas as outras; em relação ao acaso, ele nunca foi e nunca será inteligente e muito menos superior ao homem. Logo, o acaso não pode ser o criador de tudo.

Não podemos ainda conhecer Sua natureza porque somos imperfeitos, pois uma inteligência limitada e imperfeita como a nossa, não poderia abranger o conhecimento ilimitado e perfeito que é Deus, mas, podemos ter idéia de alguns de seus atributos:

É eterno pois não tem princípio nem fim.

É imutável pois se estivesse sujeito a mudanças, as leis do Universo não seriam estáveis.

É imaterial, pois, se assim não fosse, sofreria as transformações da matéria e deixaria de ser Deus.

É único porque se houvesse mais de um Deus não haveria unidade no Universo.

É onipotente uma vez que possui todos os poderes.

É soberanamente justo e bom. porque infinito em seus atributos, não pode ter qualidades contrárias.

Deus é o Pai que, com seu amor e bondade, criou Leis Imutáveis que nos impulsionam para a fatalidade do bem, para a perfeição relativa.


UNIDADE II

LEI DIVINA OU NATURAL

“Não penseis que vim revogar a Lei, porém cumpri-la.
Jesus. (Mateus, 5:17.)

O que é

A Lei Natural é a Lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando se afasta dela. Tudo é regido por leis justas e sábias no nosso mundo, fora dele e em todo o Universo. Estas leis reunidas integram o que conhecemos como Lei Divina ou Natural que é eterna e imutável como o próprio Deus. Através de uma análise superficial, supomos, às vezes, que ela é mutável. Na realidade, as leis humanas é que são imperfeitas e passíveis de modificação, por força do progresso.

Tipos de leis:

A Lei Divina ou Natural abrange dois tipos de leis:

1ª- As leis físicas: são as que regulam o movimento e as relações da matéria bruta, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência.

2ª- As leis morais: que dizem respeito especialmente ao homem, considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e seus semelhantes.

Como conhecer a Lei Divina:

A compreensão perfeita da Lei Divina faz parte do progresso espiritual do homem, que ocorrerá através de incontáveis reencarnações; em uma só existência é totalmente impossível tal conquista.

Não basta que nos informemos a respeito da Lei Divina. É necessário que a compreendamos no seu verdadeiro sentido para que possamos observá-la no nosso dia a dia.

O homem traz escrito em sua consciência a Lei de Deus, mas em cada nova existência, sua inteligência se acha mais desenvolvida e ele a compreende melhor.

No estágio evolutivo que nos encontramos, não a conhecemos bem. A verdade, para que seja útil, precisa ser revelada de acordo com o grau de entendimento de cada um de nós. Por isto, em todas as épocas da história humana, Deus tem enviado ao nosso planeta espíritos missionários, nas diversas áreas do saber, para nos possibilitar melhor conhecer as suas leis e para, assim, auxiliarem na marcha evolutiva da Humanidade.

1ª Revelação : Moisés - A Justiça

Deus o chamou: “Moisés, Moisés.” Este respondeu: “Eis-me aqui.”
(Êxodo, 3:4.)

Moisés preparou o povo judeu para receber, 15 séculos depois dele, o Cristianismo. O povo estava escravizado, no Egito, sob condições de vida as mais penosas. Moisés, um judeu criado na corte egípcia como príncipe, certo dia, movido por uma força interior, rompe com a realeza e inicia uma luta longa e difícil para libertar seu povo da escravidão. Caminha pelo deserto durante 40 anos, período em que os mais velhos vão morrendo e a geração nova vai chegando, vivenciando as transformações com maiores possibilidades de ampliá-las. Durante a permanência no deserto, Moisés sobe ao Monte Sinai e aí ocorre a primeira revelação: por via mediúnica ele recebe o Decálogo - o primeiro código moral da Humanidade e que representa um resumo dos fundamentos da Lei de Deus:

  1. Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma do que está em cima do céu, nem embaixo na Terra, nem do que quer que esteja nas águas sob a terra. Não os adorareis e não lhes prestareis culto soberano
  2. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.
  3. Lembrai-vos de santificar o dia de sábado.
  4. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará.
  5. Não mateis.
  6. Não cometais adultério.
  7. Não roubeis.
  8. Não presteis testemunho falso contra o vosso próximo.
  9. Não desejeis a mulher do vosso próximo.
  10. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu asno, nem qualquer das coisas que lhe pertençam.

Na lei moisaica há duas partes: a Lei de Deus, promulgada no Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, de natureza sanitária, penal, religiosa e social. A de Deus é invariável e a civil, apropriada aos costumes e caráter do povo, se modifica com o tempo. Para que aquele povo, turbulento e indisciplinado, com vícios adquiridos durante a escravidão, pudesse ser conduzido, ele precisou atribuir à lei civil origem divina. Só a idéia de um Deus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, com senso moral e de justiça pouco desenvolvidos.

Moisés conseguiu fixar definitivamente o monoteísmo, a crença num Deus único, noção que o povo custou a absorver, mas que manteve para sempre.

A prática dos Dez Mandamentos ou Decálogo conduz ao amor de Deus e dos semelhantes e depois de Moisés vários profetas vieram relembrar, reforçar ou ampliar “a palavra de Deus”. Foi assim preparado o caminho para a segunda revelação.

2ª Revelação : Jesus - O Amor

“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.”
Jesus (João, 13:34.)

Há 2.000 anos, o povo judeu apresentava-se, aparentemente, muito religioso, observando as determinações das leis de Moisés e os ensinos dos profetas com muito rigor. Na verdade, porém, era orgulhoso e endurecido, mas com inteligência e capacidade de entender ensinamentos mais profundos. Foi neste meio que Jesus veio até nós. Pelos Evangelhos, podemos observar que Jesus teve que sustentar pesadas lutas para desempenhar sua tarefa: ensinar aos homens novos conceitos, revelar-lhes o que é Deus e o que devem ser os homens uns para os outros. Jesus não derruba a Lei - isto é, a Lei de Deus, mas sim, desenvolve-a, dá-lhe o verdadeiro sentido, adaptando-a ao grau de adiantamento dos homens. Moisés impõe-se pela força; Jesus aconselha com amor. Pela primeira vez, chega ao ser humano a noção de Paternidade, Misericórdia e Providência Divinas; manda o Mestre amar a Deus e ao próximo como meio de libertação e evolução espirituais. Fala uma linguagem radicalmente distinta daquela que Moisés empregou. Jesus combate o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações e sintetiza os ensinamentos numa única prescrição: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, acrescentando: aí estão toda a Lei e os profetas.

Jesus afirmou ser necessário que a Lei de Deus tivesse cumprimento integral, isto é, fosse praticada na Terra inteira. Não há privilégios de alguns homens nem há um povo escolhido, já que todos os homens são filhos de Deus e a Sua Lei está impressa na consciência humana.

Jesus veio também ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra e sim a que é vivida no Reino dos Céus. Entretanto, não disse tudo, limitando-se com relação a muitos pontos, em lançar o gérmen de verdades que, segundo Ele próprio declarou, ainda não podiam ser compreendidas. Era preciso tempo. Durante longos séculos o Cristianismo foi trabalhado pelos homens; desde os apóstolos, perseguidos pelas autoridades, seguido pela transformação do Cristianismo numa religião formal, passando pela Idade Média, onde foram imensas as perseguições e preconceitos. Com o despontar da época moderna, surge a Ciência e a ignorância começa a desfazer-se. Em plena era científica desponta a terceira revelação.

3ª Revelação : o Espiritismo - A Razão

“Para crer não basta ver, é preciso sobretudo compreender.”
Kardec (ESE, cap. 19, item 7.)

O Espiritismo é uma revelação científica, que por meio da experimentação, de provas irrecusáveis, vem demonstrar a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Muitos fenômenos incompreendidos, considerados sobrenaturais, têm a sua explicação.

Não tem a personificá-la nenhum indivíduo, é coletiva, já que reúne ensinamentos de fontes variadas. Instrutores do mundo espiritual vieram em massa comunicar ensinamentos por meio de pessoas dotadas da faculdade dita mediunidade. Allan Kardec foi o organizador, selecionador e analista do amplo material, de evidências e dados que ele próprio obteve e que outros lhe entregaram.

A Lei de Deus se acha toda contida no preceito de amor ao próximo, mas aos homens são necessárias regras precisas. O Espiritismo nos apresenta a Lei Natural dividida em dez leis, que abrangem todas as circunstâncias da vida: adoração; trabalho; reprodução; conservação; destruição; sociedade; progresso; igualdade; liberdade; justiça, amor e caridade. (L. E. Parte 3a )

Assim, como o Cristo disse “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros, e para toda gente, o que foi dito por Jesus, muitas vezes de forma alegórica.

Para que Kardec pudesse desempenhar a missão de trazer o Consolador, com suas revelações divinas e científicas, era necessário esperar o amadurecimento dos espíritos que reencarnavam na Terra. Este amadurecimento estava patente nas lutas que se travavam por uma sociedade mais justa e pela criação das universidades que poderiam agora pesquisar sem as perseguições dogmáticas e/ou religiosas. Esses movimentos funcionaram como preparadores para o Espiritismo.


UNIDADE III

PRECURSORES DO ESPIRITISMO

-Eu João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência por Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do Testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em espírito, e ouvi, por trás de mim, voz forte como trombeta, que dizia: “O que vês, escreve um livro e manda-o às sete igrejas.”
João. (Apocalipse, 1:9-11.)

Desde a mais remota antigüidade a crença na imortalidade da alma e nas comunicações entre os mortos e os vivos eram fatos perfeitamente normais e corriqueiros.

No mais antigo código religioso que se conhece, Os Vedas, nos oráculos, nas pitonisas e nos profetas do Antigo Testamento, encontramos evidências da existência dos espíritos.

A proibição de Moisés ao povo hebreu, necessária àquele tempo, de se entregar à prática da mediunidade é mais uma evidência da imortalidade e comunicabilidade dos espíritos, pois só se proíbe aquilo que pode acontecer.

Na Grécia Antiga encontramos Sócrates e Platão, que Allan Kardec, na introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, coloca como precursores do Cristianismo e do Espiritismo traçando um paralelo entre a Doutrina de Sócrates e a de Jesus.

Com a chegada do Cristo e da Sua vida missionária, esses fenômenos mais se acentuam. Após o Seu retorno à Espiritualidade, Seu legado então é repassado ao seus discípulos que assumem a continuidade de Sua missão fundando a “Igreja do Caminho”. Roma, então, persegue os cristãos mas, com o passar do tempo, acaba se rendendo às evidências e torna o Cristianismo a religião oficial.

O poder teocrático e o poder civil ficam intimamente ligados e convém então que essas verdades fiquem escondidas ou camufladas por outras meias verdades. É a Igreja da Idade Média que tem necessidade de combater essas práticas e começa então uma perseguição ferrenha aos “mágicos, bruxos e afins” que, na realidade, são os oráculos, os profetas, as pitonisas, enfim, os médiuns, que têm a facilidade da comunicação com os espíritos. Mas nem por isso os fenômenos deixam de acontecer ou de chamar atenção e obter novos adeptos.

Esta postura da Igreja acarreta uma dissidência e é na Alemanha, com Lutero, e na França, com Calvino, que nasce a Reforma ou o Protestantismo. Na França também começa o movimento de libertação pois que o clero e a realeza, com seus abusos de poder e riqueza, já não se sustentam mais e acende-se no povo francês a chama de liberdade. Com o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade ”, dá-se então a Revolução Francesa, mudando a vida social e política da França e do mundo.

As relações entre os dois mundos continuam acontecendo à revelia dos poderosos, e como prova disso podemos citar: Joana d’Arc, Paracelso, Swedenborg, Jacob Boehm, Andrew Jackson Davis e outros. Estouram por toda parte manifestações, às vezes públicas, que atingem desenvolvimento extraordinário. E lá do outro lado, no Estado de Nova York, na América, acontece, em 1848, o fenômeno de Hydesville, ocorrido com a família Fox.

Os Fox eram metodistas, religião do ramo protestante e compunham-se de pai, mãe e três filhas - Margareth de doze anos, Kate de nove anos e Leah, a mais velha.

Assim que se instalaram em Hydesville, começaram a ouvir pancadas e ruídos que surgiam nas paredes, nas portas e nas janelas, sem nenhuma causa visível, que perturbavam o sono de toda a família.

Tanto se repetiram estes ruídos que Kate, a mais desembaraçada, acostumou-se a eles e os transformou numa brincadeira que teve conseqüências mundiais: dialogou com o “barulho” e, para seu espanto, obteve respostas para suas ordens. A comunicação entre eles evoluiu de tal forma que, convencionando uma série de batidas para cada letra do alfabeto, chegaram a descobrir que o autor das pancadas era o espírito de um vendedor ambulante que se hospedara naquela casa havia cinco anos e fora assassinado pelos antigos donos, que lhe roubaram o dinheiro e enterraram seu corpo no porão. Não pararam aí as manifestações e centenas de pessoas tiveram a oportunidade de ouvi-las e fazer perguntas ao seu causador.

É então neste contexto de muitas manifestações por todo o mundo que o prof. Rivail é convidado a participar de algumas reuniões e, como cientista e observador, vê nas “Mesas Girantes”[1] mais do que simples fenomenologia e que por detrás de um efeito inteligente existe sempre uma causa inteligente. Com suas pesquisas e observações, ele começa a codificar a Doutrina Espírita.

Várias hipóteses foram enumeradas para explicar os resultados obtidos, como a presença de corrente elétrica ou magnética, ou mesmo a ação de uma energia desconhecida. As hipóteses iniciais de Kardec não eram espíritas, eram materialistas.

A evocação dos mortos foi praticada universalmente, em todos os tempos e todos esses fenômenos, na realidade, são tão velhos quanto o mundo. Chegamos agora ao estudo do Espiritismo e vamos ver a importância considerável que ele vem conquistando em nossa época.


UNIDADE IV

O ESPIRITISMO

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.”
O espírito de Verdade (prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo - trecho)

Biografia

Hippolyte León Denizard Rivail nasceu em Lion, na França, a 3 de outubro de 1804. Sua família tradicional se distinguiu na área da advocacia, mas ele, desde a infância, sentiu-se inclinado ao estudo das Ciências e Filosofia. Matriculado na escola de Pestallozzi em Yverdun, na Suíça, tornou-se, em pouco tempo, capaz de exercer o cargo de monitor na ausência do mestre. Neste centro de estudo desabrocharam idéias que, mais tarde, fariam dele um propagandista deste sistema educacional que tanta influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha.

Era um professor nato, família católica, mas educado num país protestante teve que suportar o preconceito e isto levou-o a conceber a idéia de uma reforma religiosa na qual trabalhava em silêncio durante anos, porém faltava-lhe o elemento de ligação que pudesse sanar tantas controvérsias.

Voltou à França depois de concluir os estudos com uma cultura invejável. Falava fluentemente o alemão, traduzindo para este idioma obras notáveis sobre educação e moral; o francês, sua língua nativa; o holandês; o latim; o grego; o gaulês, entre outros idiomas, nos quais se expressava muito bem.

Membro das sociedades culturais de sua época, detentor de vários títulos em sua carreira de homem reconhecidamente ilustre, publicou inúmeros livros que iam do estudo da Língua Francesa, passando pela Matemática, Estatística, Desenho, Química, Física, Astronomia, Sociologia, Filosofia, Anatomia e Fisiologia.

Caridoso, dava aulas de graça aos meninos pobres de Paris, juntamente com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet, também professora e companheira devotada.

Foi este homem, culto e bom, que, em 1855, a partir das observações das mesas que giravam e “falavam” através de pancadas, entregou-se à observação sistemática do fenômeno por reconhecer que por trás dele havia uma causa inteligente. Enquanto os homens comuns viam apenas motivo de curiosidade, ele, com método e critério, atendendo à solicitação que os espíritos faziam, elaborou questões sobre a vida e os problemas aparentemente insolúveis, obtendo respostas precisas e lógicas.

Surgiu assim O Livro dos Espíritos e ao publicá-lo, o prof. Rivail, adotou o pseudônimo de Allan Kardec. Segundo seu orientador espiritual, Zéfiro, este era o nome que tivera, em outra vida, quando fora um sacerdote druida.

Kardec é o codificador, homem que organizou uma Doutrina capaz de nos fazer entender Deus e Sua Justiça; saber quem somos, de onde viemos, para onde vamos e aceitar Jesus como modelo e guia.

Kardec desencarnou a 31 de março de 1869, por um aneurisma, em pleno trabalho, conforme desejava.

Segundo Emmanuel “Jesus, a porta. Kardec, a chave.”

Quais são os livros que compõem a Codificação?

O Livro dos Espíritos - publicado em 18 de abril de 1857 é o livro básico. São 1019 perguntas feitas por Kardec e respondidas pelos espíritos superiores. Dividido em quatro partes fala sobre a imortalidade da alma; a natureza dos espíritos e suas relações com os homens; as leis morais e o porvir da Humanidade. Do seu desdobramento, surgiram os outros livros da Codificação.

O Livro dos Médiuns - publicado em 15 de janeiro de 1861 é o desdobramento da 2a parte de “O Livro dos Espíritos”. Discute todos os gêneros de manifestações mediúnicas, os meios de comunicação com o mundo invisível, a educação da mediunidade e as dificuldades que se possa encontrar na sua prática.

O Evangelho segundo o Espiritismo - publicado em 20 de agosto de 1864. Corresponde à 3a parte de “O Livro dos Espíritos”. É o desenvolvimento da parte moral dos ensinamentos de Jesus, analisados à luz dos conhecimentos espíritas, estimulando-nos à vivência diária destas máximas.

O Céu e o Inferno - editado em 1o de outubro de 1865 é denominado também “A justiça divina segundo o Espiritismo”. Desenvolve a 4a parte de “O Livro dos Espíritos”. Oferece um exame de todas as teorias sobre o pós-morte e analisa os postulados espíritas sobre essa mesma questão. Discute o céu, o inferno, os anjos, os demônios e ainda traz, na 2a parte, depoimentos de espíritos nas diversas situações após a morte do corpo físico.

A Gênese - editado em janeiro de 1868 desenvolve a 1a parte de “O Livro dos Espíritos” discutindo temas como Caracteres da Revelação; a Existência de Deus e seus atributos; a origem do Bem e do Mal; a evolução da vida na Terra, a gênese orgânica e a gênese espiritual, a encarnação e a reencarnação, a gênese Moisaica, os “milagres” do Evangelho sob nova ótica; estuda a natureza dos fluidos; o perispírito; as predições e o porvir da Humanidade.

Outras Publicações

O que é o Espiritismo - publicado em julho de 1859 é uma exposição dos princípios da Doutrina Espírita. Também contém respostas às principais objeções que nos fazem os que desconhecem a Doutrina Espírita e/ou os que lhe são adversários.

Revista Espírita - publicada a partir de 1o de janeiro de 1858 é um jornal mensal de estudos psicológicos, redigidos e publicados por Kardec. A coleção completa tem 12 volumes resultante dos 11 anos e 4 meses de editoração. Foi idealizada para ser o órgão divulgador da Doutrina. Tanto sucesso fez que, em 1o de abril do mesmo ano, Kardec fundou em Paris a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Vinte e um anos após a sua morte, em janeiro de 1890, seus amigos resolveram divulgar estudos, considerações e mensagens que Kardec não tivera tempo de fazer publicar e deram a este livro o nome de Obras Póstumas. É uma obra histórica e muito interessante pois, após a leitura, se pode conhecer melhor o codificador e seu trabalho.

O Espiritismo

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade”
Kardec (ESE, cap. XIX, item 7.)

O termo Espiritismo é um neologismo, isto é, palavra criada por Kardec para designar uma nova ordem de idéias.

É uma Doutrina de tríplice aspecto.

Dizemos que é Ciência porque estuda os fenômenos à luz da razão e dentro de critérios científicos, buscando explicação lógica para fatos tidos como sobrenaturais.

É Filosofia porque leva a uma mudança de comportamento, interpretando a vida e seus problemas sob uma visão mais ética e moralizada.

Dizemos ainda que é Religião porque tem por finalidade a transformação moral do homem e por modelo Jesus; revive o Cristianismo na sua pureza, aproximando cada vez mais o homem de Deus, o Criador.

Todo espírita é espiritualista, mas, nem todo espiritualista é espírita. É preciso, então, que não se confunda a Doutrina Espírita com os diversos credos religiosos, pois:

Sua divisa é “Fora da Caridade não há Salvação”.

É o Espiritismo uma Doutrina Cristã?

Algumas pessoas dizem que não podemos nos denominar cristãos.

Vejamos:

Na pergunta 625 de “O Livro dos Espíritos” Kardec pergunta:

“- Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo?”

“- Jesus”, responderam os espíritos.

Se procuramos seguir Jesus, o Cristo, somos cristãos.

Na Doutrina dos Espíritos nada há que fira os ensinamentos de Jesus, pelo contrário, cremos que ela é o Cristianismo redivivo, o Consolador prometido por Jesus.

No Evangelho está escrito:

“Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador para que fique eternamente convosco. O espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece, mas vós O conhecereis porque habitará convosco e estará em vós.”
( João, 14:16 e 17.)

E ainda repete:

“Mas, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o futuro.”
(João, 16:13.)

Quando Kardec quis saber o nome do espírito que respondia as suas questões, ele lhe respondeu:

- Para ti, chamar-me-ei A Verdade.

Pensemos ainda:

Qual a Doutrina que melhor esclarece e consola os homens?

- Aquela que:

Por tudo isto disse Jesus:

- “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

No túmulo de Kardec, há uma inscrição que reproduz sua conclusão sobre a vida:

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”


UNIDADE V

IMORTALIDADE

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”
Paulo. (Coríntios, 15:54 e 55.)

Todas as religiões pregam a imortalidade. A Doutrina Espírita vem comprová-la, resgatando o espírito da matéria, matando a morte.

Eu, você e nossos semelhantes somos seres humanos. Um ser composto de espírito e de corpo. O espírito é o princípio da vida, da inteligência, da vontade, do amor, a sede da consciência e da personalidade. O homem é um espírito encarnado. Nós somos espíritos.

Espíritos são os seres inteligentes da criação. Os espíritos não se formam espontaneamente, nem procedem uns dos outros, são criados por Deus. O modo pelo qual Deus nos criou e em que momento nos fez, nada sabemos. A origem do espírito é mistério que, por enquanto, não podemos compreender.

Deus criou todos os espíritos simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir e todos atingirão o grau máximo da perfeição relativa com seus esforços pessoais. Jesus afirmou: “A cada um segundo as suas obras”.

Os espíritos estão por toda parte. Povoam os espaços infinitos. Temos muitos deles ao nosso lado, continuamente, observando-nos e sobre nós atuando, sem o percebermos, pois que os espíritos são uma das potências da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais. Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso há regiões inacessíveis aos menos adiantados.

De um modo geral podemos dividir os espíritos em três categorias: Espíritos imperfeitos, bons e puros.

Os imperfeitos são inclinados ao mal e vivem mais a vida material do que a vida espiritual.

Os bons compreendem a vida espiritual, possuem o sentimento da caridade desenvolvido e esforçam-se por se aperfeiçoarem cada vez mais.

Os puros não sofrem influência da matéria, possuem superioridade intelectual e moral absolutas com relação aos espíritos das outras ordens.

Na realidade, somos formados de três partes:

1ª - o corpo;

2ª - o espírito;

3ª - o perispírito.

O espírito

“Se vivemos em espírito, pelo espírito pautemos também nossa conduta.”
Paulo (Gálatas, 5:25.)

O espírito é imaterial, indivisível, imortal, princípio inteligente do Universo, vivendo uma vida pessoal e consciente, destinado a progredir indefinidamente para a Verdade, o Bem Eterno.

Somos espíritos encarnados e o que nos diferencia dos espíritos desencarnados é o nosso corpo de carne, nada mais.

O espírito encarna por condição necessária ao seu progresso. A educação do espírito é progressiva, supõe uma longa série de trabalhos a realizar e etapas a percorrer, por isso ele reencarna tanta vezes quantas sejam necessárias para atingir a plenitude do seu ser e a felicidade completa.

Nossa pátria verdadeira é a pátria espiritual. De lá viemos e para lá voltaremos, quando nos depurarmos totalmente.

O corpo

“Digo-vos irmãos: a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus.”
Paulo (I Coríntios, 15:50.)

O corpo é um envoltório de carne, composto de elementos materiais, sujeitos a mudanças e à morte; é o instrumento que o espírito usa para atuar no mundo material. Precisa, portanto, atender às necessidades do espírito e aos objetivos que ele traz ao encarnar.

As doenças físicas, de modo geral, não passam de distúrbios do espírito transportados para o corpo físico. O espírito reencarna num corpo ajustado às suas necessidades evolutivas. Os mentores da Esfera Superior auxiliam no planejamento da reencarnação, nas alterações indicadas para o seu progresso espiritual; aqui uma lesão numa válvula do coração, ali um diabete, acolá um intestino preso ou uma perna curta são fatores de reequilíbrio.

Qualquer que seja sua condição, o corpo material merece o nosso cuidado, de maneira alguma devemos desprezá-lo. Ele é, na verdade, uma concessão da Bondade Divina, nosso instrumento de trabalho.

O perispírito

“Se há corpo animal, há também corpo espiritual.”
Paulo (I Coríntios, 15:44.)

O espírito está unido ao corpo por meio de um elemento intermediário chamado perispírito que preexiste à vida presente e sobrevive à morte.

Nos mundos espirituais o perispírito é um veículo de manifestação e trabalho. No encarnado, ele governa a formação e o funcionamento do corpo físico.

O perispírito, corpo do espírito, é maleável, modifica-se segundo a vontade do espírito; é indestrutível, mas pode ser lesado e, mesmo mutilado, com amplas perdas de substâncias, em face da persistência na prática do mal. Purifica-se e torna-se sutil conforme o ser vai progredindo em moralidade.

No mundo espiritual nada pode ficar oculto para os espíritos evoluídos. Para eles, ninguém pode fingir ser o que não é. Todas as ações que praticamos se gravam em nosso perispírito, que revela o que somos, mostra o que fizemos e diz a que classe de espíritos pertencemos. Como em um livro aberto pode-se ler no perispírito de cada um, o bem e o mal que praticou. De modo geral o espírito se apresenta à vidência com o aspecto perispiritual da sua última encarnação.


UNIDADE VI

LEI DE CAUSA E EFEITO

“Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.
Jesus. (João, 3:1-12.)

A reencarnação

Criado simples e sem nenhum conhecimento, o espírito é quem decide e constrói o destino. Para isso, é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra. Essa evolução requer aprendizado e o espírito só pode alcançá-la encarnando e reencarnando, quantas vezes forem necessárias, para adquirir mais conhecimentos através das múltiplas experiências de vida. O progresso adquirido pelo espírito não é somente intelectual, mas, sobretudo, moral.

Em síntese - espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo. Criados simples e ignorantes evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.

O princípio da reencarnação é encontrado em todas as religiões e apenas “duas ou três” não a admitem nos seus argumentos filosóficos. Até os primeiros católicos acreditavam que já viveram antes e que voltariam depois. No entanto, com a Doutrina Espírita, que acompanha o progresso das ciências, a reencarnação concilia de forma irretocável a diversidade de aptidões e predisposições naturais humanas com a Justiça Divina. Somos criados iguais, mas sujeitos ao esforço pessoal e intransferível diante do progresso intelectual e moral.

A reencarnação é uma conseqüência necessária da Lei do Progresso e só desta forma podemos explicar as diferenças entre os homens de hoje, com instintos mais apurados e costumes mais brandos, e os povos bárbaros do passado. Por que Deus estaria criando hoje almas mais evoluídas do que no passado?

Os homens de hoje não são espíritos criados mais perfeitos, porém que se aperfeiçoaram por si mesmos com o tempo e este fato explica a causa do progresso social. Esses raciocínios são também úteis para reforçar a idéia de impossibilidade do espírito humano animar um corpo animal, portanto o Espiritismo refuta a idéia da Metempsicose[2] por considerá-la ilógica e até mesmo impossível.

O esquecimento do passado.

“O pecado está na consciência.”
Paulo (Romanos, 14:14.)

Não nos lembramos das existências passadas e nisso também se manifesta a sabedoria de Deus.

Se lembrássemos do mal que fizemos ou do sofrimento que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente. Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos que, presentemente, se encontram junto de nós para a reconciliação. A reencarnação é a oportunidade de reparação e de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual.

O livre-arbítrio

“Não vos iludais; o que o homem semear, isto colherá.”
Paulo (Gálatas, 6:7.)

Os anjos são seres que chegaram à perfeição, depois de haverem passado, como todas as outras criaturas, por todos os graus da evolução. Os espíritos progridem mais ou menos rapidamente, mediante o uso do livre-arbítrio, pelo trabalho e boa vontade. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso depende de seus esforços para chegar à perfeição relativa. Possuem livre-arbítrio para agir, mas respondem pelas conseqüências de suas ações perante a Lei de Deus.

A lei de causa e efeito

“A cada um segundo a suas obras.”
Jesus (Mateus, 16:27.)

A semeadura é livre mas a colheita é obrigatória. É Lei de ação e reação, de Causa e Efeito.

A Doutrina que Jesus ensinou e exemplificou é a expressão mais pura desta Lei. A vida futura reserva ao homem penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.

O estado de felicidade ou infelicidade dos espíritos é inerente ao adiantamento moral deles; a punição que sofrem é conseqüência de sua permanência no mal. Perseverando no mal punem-se a si mesmos. No entanto, a porta do arrependimento permite que, desde que seja sua vontade, volte ao caminho do bem e suba na escalada da evolução.

A morte do corpo não livra o infrator da Lei, das provas que tenha de passar. Por isso, a Lei de causa e efeito está associada à reencarnação. As crianças que morrem em tenra idade podem ser espíritos adiantados ou não, pois já tiveram outras existências na carne, onde praticaram o bem ou cometeram ações más. Em tempo oportuno, elas voltam a uma nova existência na Terra. Na nova existência podem padecer de deficiências mentais, chamados antigamente de cretinos e idiotas. É que abusaram da inteligência em existências anteriores e agora aceitam a situação de impotência para usar dela, afim de expiarem o mal que praticaram.

Justiça divina

“Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas eu Te conheci.”
Jesus (João, 17:25.)

A Lei de causa e efeito é educativa, uma pedagogia do esforço, de correção de desempenho, onde o espírito começa a perceber que não fazer o bem, quando podemos, é o resultado de uma imperfeição. Descobre que o sofrimento não é oriundo apenas do mal que fez, mas também do bem que deixou de realizar. Percebe que na Lei o arrependimento é o primeiro passo para a regeneração, mas que isso não basta por si só. Assim, toma conhecimento da necessidade de expiar (sofrimentos físicos e morais) e reparar (fazer o bem a quem se fez mal).

"Ação e reação"

Um exemplo: alguém que numa vida anterior derramou muito sangue pode renascer portador de uma anemia irreversível. Esta expressão no plano físico é o meio pelo qual a finalidade psicológica é alcançada. Afinal, o homem é um ser de natureza multifacetada, é um ser biológico, psicológico, social, mas sobretudo espiritual.

A Lei atua sutilmente sob a forma de programação.

Toda ação humana - e, ação, entenda-se também, um pensamento ou um sentimento - traz em si uma carga que, liberada com a ação, retorna sempre àquele que a emitiu. É uma lei de total justiça, porque ela não castiga nem recompensa, apenas restitui. É lei inseparável da doutrina da reencarnação e uma não tem sentido sem a outra.

As encarnações podem se verificar fora da Terra, pois no universo infinito podemos encontrar outros mundos habitados.


UNIDADE VII

PLURALIDADE DOS MUNDOS

“Contemplai, pois, a noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra o seio, após a expiação na Terra.”
Santo Agostinho. (ESE cap. 3, item 18.)

Sempre foi curiosidade para o homem a questão de outros mundos habitados...

Há no homem uma certeza inata - a de continuidade da vida - o que também o leva a pensar na possibilidade dessa vida também existir fora da Terra...

Quando olhamos, à noite, para o Céu e deparamos com o maravilhoso espetáculo do brilho das estrelas, nosso pensamento engrandece e, automaticamente buscamos respostas para as nossas íntimas indagações a respeito da grandeza do Universo. E como aprendemos que a Terra é um planeta, que se mostra qual uma estrela, igual àquelas tantas, milhares, que podemos observar, curiosamente queremos saber se todos aqueles pontos cintilantes que se movem no espaço, são habitados...

São habitados todos os globos que se movem no espaço?

A esta questão o espírito Emmanuel, através do médium Francisco Cândido Xavier, lembrou-nos que o homem terreno está longe de ser, como supõe, o único em inteligência, em bondade e perfeição. Amplia-nos a visão quando faz a interpretação da palavra “moradas”, mencionada no Evangelho, conceituando-a de maneiras diferentes, para efeito de estudo. A primeira delas é aquela que vê os mundos que formam o universo, como os locais onde outras humanidades realizam a marcha evolutiva. Mas, a palavra “moradas” ainda poderia ser interpretada, de uma segunda forma, como as diversas zonas espirituais, superiores ou inferiores, além das fronteiras físicas, onde a vida palpita com a mesma intensidade das metrópoles humanas - outras dimensões da realidade, outras faixas vibratórias.

Por que haveria a Terra de ser o centro do universo?

Joanna de Ângelis, através do médium Divaldo Pereira Franco, querendo nos dar uma idéia da nossa pequenez, afirma que cálculos pessimistas nos fazem chegar a 200 bilhões de planetas em movimentação só em nossa galáxia.

Atribuindo-se por probabilidade a hipótese de somente 1% deles ter as mesmas condições e idades correspondentes à Terra, teríamos dois bilhões de planetas com as condições que caracterizam o nosso berço de origem. Dando-se a possibilidade remotíssima de que apenas 1% deles tivesse condições de vida semelhante à nossa e defrontaríamos, aproximadamente, com cerca de vinte milhões de planetas iguais ao nosso com vida inteligente.

Joanna conclui pela pluralidade dos mundos habitados, mundos esses, departamentos da “casa do Pai”, nos quais o espírito evolui, progride, aprimora-se na busca da perfeição incessante.

Tudo é gradativo, a natureza não dá saltos, nisto consiste a harmonia universal. A Doutrina Espírita nos ensina e a Ciência oficial comprova que é diversa a constituição física de cada mundo. E essa diversidade é de acordo com a necessidade evolutiva de seus habitantes.

Os mundos também progridem à medida que evoluem os seres que neles habitam. A Terra já foi um Mundo Primitivo, hoje é um Mundo de Provas e Expiações e está em transição para ser um mundo renovado, um Mundo de Regeneração.

Nos mundos mais evoluídos, encontramos o bem e o livre-arbítrio plenamente desenvolvidos. Nos menos evoluídos, há um predomínio do mal e do determinismo.

Assim, de acordo com Kardec, temos em ordem crescente de evolução as seguintes categorias:

  1. Mundos Primitivos;
  2. Mundos de Provas e Expiações;
  3. Mundos de Regeneração;
  4. Mundos Ditosos;
  5. Mundos Felizes, Celestes, Divinos.

Quando Jesus disse: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, credes também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai (João 14:1), entendamos:
A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento desses mesmos espíritos.
(ESE, cap. III item 2.)


UNIDADE VIII

COMUNICABILIDADE

“Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos.”
Paulo (I Coríntios, 12:7.)

Sintonia vibratória e afinidade moral

As atmosferas individuais encontram-se, cruzam-se, misturam-se, sem, contudo, se confundirem. São independentes como o são as ondas sonoras, apesar da multidão de sons que abalam simultaneamente o ar. Podemos dizer que cada ser é o centro de uma onda fluídica, cuja irradiação depende da força vibratória de cada ser.
Kardec (Obras Póstumas, 1a parte - fotografia e telegrafia do pensamento.)

O pensamento é um fluxo de energia do campo espiritual, que corresponde a uma vibração. Chama-se padrão vibratório ao tipo de vibração de um indivíduo: inferior, médio e elevado.

Sintonia é a identidade ou harmonia vibratória, grau de semelhança dos pensamentos de dois ou mais espíritos, encarnados ou desencarnados. Estão em sintonia aqueles que têm pensamentos, sentimentos e ideais semelhantes, isto é, têm afinidade moral.

Assim, podemos concluir dizendo que atraímos as mentes que possuem o mesmo padrão vibratório nosso, que estão no mesmo nível moral. Temos, por isso, a companhia espiritual que desejamos, de acordo com nossos comportamentos, sentimentos, pensamentos e aspirações. Esta escolha é resultado do nosso modo de ser; estão ao nosso redor aqueles que sintonizam conosco por amor ou por sentimentos negativos.

Podemos elevar as nossas vibrações?

Sim, através do desenvolvimento da inteligência e do sentimento. Este é o caminho para o progresso espiritual: o auto-aperfeiçoamento através do esforço próprio no caminho do bem.

A prece

“Senhor, ensina-nos a orar.”
(Lucas, 11:1.)

A prece é uma forma de sintonia. Jesus a recomendava e dizia que tudo quanto fosse pedido na oração seria obtido. Kardec e os amigos espirituais, igualmente, indicam a prece como recurso do ser, seja nos momentos de provação, seja nas horas calmas.

A prece é uma emissão de onda mental intencional, com ou sem palavras, que estabelece a comunhão mental com a espiritualidade superior e atrai o auxílio dela para as nossas necessidades espirituais. Quando oramos, criamos um estado de receptividade favorável à atuação dos amigos do plano superior; podemos então ser atendidos, porque eles entram em contato mais íntimo conosco, em virtude da sintonia vibratória momentaneamente mais perfeita. A prece é condição de reequilíbrio do espírito necessitado, ajuda a conter os impulsos do inconsciente que nos dominam e auxilia os irmãos por quem oramos, pois podemos e devemos orar pelos que sofrem e correm perigo.

A prece atenderá nossas necessidades espirituais e não questões materiais que dependem de nossos próprios esforços na Terra.

Segundo os ensinamentos de Jesus e de Kardec, a prece deve ser:

Mediunidade:

“Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões.”
(Joel, 3:1.)

A mediunidade é uma faculdade que possibilita o intercâmbio, consciente ou não, com os espíritos.

Médium é todo indivíduo que sente em algum grau a presença de seres espirituais, cabendo-lhe a tarefa de aperfeiçoar esta faculdade através de conveniente educação, graças a qual se tornará instrumento responsável para o objetivo superior a que ela se destina.

A mediunidade não é privilégio do Espiritismo. Ao longo da História dos povos e em diferentes religiões encontramos diversas manifestações mediúnicas: no Egito, na Pérsia, na China. Existe em todo o mundo, em todas as religiões, em todas as nações, em todas as línguas, desde os primórdios aos dias de hoje.

Proibição na Bíblia:

A comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados não é um fato recente, mas antiqüíssimo, com a única diferença que no passado era privilégio dos chamados iniciados mas, com o advento do Espiritismo, tornou-se fenômeno generalizado, ao alcance de todas as camadas sociais. Os espíritas não têm dúvida a este respeito, mas os seguidores de outras religiões procuram criticá-la, utilizando como argumento a proibição mosaica de evocar os mortos, embora também a utilizem.

No entanto, Moisés, médium de inúmeras possibilidades, ele próprio, era acompanhado de um corpo mediúnico, composto de setenta anciãos, os mais respeitáveis dentro da comunidade, que se reuniam na tenda nos momentos de decisão.

Temos que ter claro quais os motivos que levaram Moisés a esta proibição e que hoje já não mais se fazem necessários. Ele precisava que o povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações aos mortos estavam em uso e facilitavam abusos. Tinha como objetivo conter um comércio grosseiro e prejudicial aos desencarnados, já que esta evocação não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, explorado pelo charlatanismo e pela superstição. Esta prática estava associada a um verdadeiro comércio com os adivinhadores e ligada à magia, acompanhada até de sacrifício humano.

Mediunidade e Espiritismo:

“A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente.”
Kardec (ESE, cap. XXVI, item 10.)

Como o ser humano progrediu através das conquistas intelectuais e morais, tornou-se capaz de entender a verdadeira finalidade da prática mediúnica: moralizadora, consoladora e religiosa. O Espiritismo também rejeita tudo que motivou a proibição de Moisés: os espíritas não fazem sacrifícios de nenhuma espécie, muito menos humanos; não interrogam astros, adivinhos e magos para informarem-se de alguma coisa; não usam medalhas, talismãs, fórmulas cabalísticas para atrair ou afastar espíritos.

A possibilidade dos espíritos se comunicarem é confirmada através das observações e experiências realizadas por pesquisadores que não se intimidaram diante das perseguições político-religiosas.

Os médiuns têm uma aptidão especial para fenômenos desta ou daquela ordem, resultando, de acordo com a espécie de manifestação, as variedades da mediunidade.

Os médiuns de efeitos físicos produzem fenômenos materiais, como batidas, transporte de objetos, levitação, materializações, etc.

Os médiuns de efeitos inteligentes produzem outros tipos de fenômenos chamados intelectuais, podendo classificar-se como sensitivos, audientes, videntes, curadores, psicógrafos, psicofônicos ou de incorporação.

A mediunidade independe de requisitos morais, podendo possuí-la tanto o homem bom quanto o de má conduta. A moralização do médium libera-o da influência dos espíritos inferiores e perversos, que se sentem então, impossibilitados de maior predomínio por faltarem os vínculos para necessária sintonia. O médium deve buscar disciplina e iluminação íntima, a fim de tornar-se um instrumento de progresso para a felicidade própria e coletiva.

Mediunidade com Jesus :

“Restituí a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido.”
Jesus (Mateus, 10:8.)

Por estas palavras Jesus alerta a seus discípulos que não poderiam se fazer pagar por aquilo que de graça receberam: a faculdade de curar doentes e expulsar os demônios, isto é, os maus espíritos. Este dom foi recebido gratuitamente de Deus, para alívio dos que sofrem e para propagação da fé.

Esta orientação dada por Jesus aplica-se aos dias de hoje. A mediunidade evangelizada, jamais poderá transformar-se em profissão ou fonte de renda. A mediunidade é atributo do espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral, conquista evolutiva do homem.

Se este dom recebido sofre a ação do egoísmo, do orgulho, da vaidade ou da exploração inferior, pode deixar o médium entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação em vista do acréscimo de seus débitos.

Médium moralizado, que encontra na vivência evangélica a conduta de vida, é uma pessoa de bem, que procura ser humilde, sincero, paciente, perseverante, bondoso, estudioso e trabalhador. Cumpre o mandato mediúnico com amor.

O exercício da mediunidade com Jesus, em nome da Caridade contribui para o progresso geral da humanidade, promovendo uma renovação social, ao passo que a falta de escrúpulo e/ou o descaso para com a faculdade mediúnica podem levar o homem ao flagelo da obsessão.


UNIDADE IX

Obsessão

“Mestre, rogo-te que venhas ver meu filho. Eis que um espírito o toma e subitamente grita, sacode-o com violência e o faz espumar. É com grande dificuldade que o abandona, deixando-o dilacerado.”
(Lucas, 9:37-40.)

Devido à inferioridade moral de grande parte da população do nosso Planeta, são muito numerosos os espíritos inferiores que habitam o plano dos desencarnados. A ação desses espíritos, capazes de influenciar os nossos pensamentos e os nossos atos, constitui parte integrante das dificuldades enfrentadas pela Humanidade. Um dos resultados dessa ação negativa é a obsessão, que pode ser definida como a ação persistente que um espírito imperfeito exerce sobre um indivíduo.

Os espíritos obsessores são sempre de natureza inferior, pois os bons espíritos não se preocupam em constranger ou dominar alguém. Estes espíritos agem, inicialmente, de maneira sutil, interferindo gradativa e progressivamente na mente do espírito encarnado, podendo atingir situações extremas de completo domínio.

Entre outros vícios que favorecem a obsessão por se constituírem em dano para o corpo e para a mente, estão o alcoolismo, as drogas, a sexualidade desequilibrada, a maledicência, a ira, o ciúme, a inveja, a avareza, o egoísmo e a vaidade. Eles permitem o acesso de espíritos de natureza inferior que, num processo de sintonia vibratória, aproveitam-se das nossas imperfeições, influenciando os nossos pensamentos e as nossas ações. Essas influências, não sendo combatidas ou neutralizadas, tornam-se cada vez mais persistentes, constituindo-se em processo obsessivo. Podemos ainda, de modo inverso, encontrar homens que passam a ter uma conduta viciada como conseqüência da obsessão.

Como vimos, a obsessão é o domínio que alguns espíritos inferiores exercem sobre certas pessoas, apresentando efeitos variáveis, em grau e em complexidade.

As principais variedades são:

A obsessão simples verifica-se quando um espírito, moralmente inferior, se impõe a uma pessoa e intromete-se nos seus pensamentos.

A fascinação é entendida como uma ilusão criada diretamente pelo espírito desencarnado no pensamento da pessoa e que inibe o seu discernimento ou a sua capacidade de julgar. Nos casos de fascinação, os espíritos obsessores são geralmente bastante espertos e ardilosos e os encarnados, quase sempre, cheios de orgulho, presunção e vaidade.

A subjugação é um envolvimento que anula a vontade da pessoa, fazendo-a agir de acordo com a vontade do obsessor. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, a pessoa é obrigada a tomar decisões quase sempre absurdas e comprometedoras; no segundo caso, o espírito age sobre a organização física, provocando desde movimentos involuntários simples até lesões graves no corpo do encarnado.

O processo obsessivo é gradual e é preciso estarmos atentos ao menor dos sintomas.

Sendo a obsessão o domínio de uma mente sobre outra mente, ou seja, um processo de transmissão mental, compreende-se que ela pode apresentar outras características, quais sejam:

A obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral que favorece a ação do obsessor. É indispensável portanto cultivar bons pensamentos e sentimentos nobres a fim de neutralizar as influências negativas dos que nos cercam na experiência diária.

O trabalho incansável pelo bem comum, inspirado no ensino trazido pelos espíritos superiores, conserva-nos a mente e o coração em Jesus, sintonizados com as esferas mais altas para vencer as agressões de que podemos ser vítimas. Orando e ajudando, conservamos a nossa paz.

Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso meio de que dispomos para demover o obsessor dos seus propósitos maléficos. A necessidade fundamental do espírito é cultivar o amor fraterno e exercitar o perdão para que seja curado das enfermidades que o prejudicam. Somente o amor, tal como ensinado por Jesus, conseguirá harmonizar obsessores e obsidiados, libertando-os, pondo fim às vinganças, aos sofrimentos, às perseguições e às dívidas do passado. Eis porque os ensinos evangélicos poderão prestar excelente contribuição na terapêutica da obsessão, principalmente quando lembramos que Jesus sempre dizia:

“Eis que estás curado. Não peques mais para que não te suceda algo ainda pior.”
Jesus (João, 5:14.)

Este é o convite à renovação moral e à vivência evangelizada.


UNIDADE X

Vivência ESPÍRITA

“Mostrai-me uma moeda. De quem é a imagem e a inscrição? E respondendo, eles disseram: de César. Disse-lhes, então: Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
(Lucas, 20:24 e 25.)

Neste expressivo diálogo, evidenciam-se dois reinos em questão: o material e o espiritual. Para melhor entendermos o que seja “vivência espírita”, como sugere o título do estudo, há a necessidade de bem situarmos que os dois reinos tinham e têm finalidades definidas.

O Reino Material se nos apresenta até certo ponto palpável e de certa forma muito desejado, pois que o eco de suas moedas significa aparente grandeza, abastança, luxo, gozo, ambição, poder, valores que representam para nós uma felicidade enganosa.

O Reino Espiritual ainda nos é pouco conhecido; há primícias de um despertar em nosso íntimo, já conseguimos identificar, mesmo que timidamente, seus primeiros e eufóricos testemunhos de reconhecimento.

Jesus trouxe-nos o convite amoroso e enérgico para a valorização e reconhecimento deste Reino, de amor e paz. Sua palavra, rica em doçura e esperança, suas ações, o exemplo vivo das virtudes, a todos encantavam quando O ouviam falar de Deus. Ele veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra, e sim a que é vivida no reino dos céus; ensinou também o caminho que conduz a esse reino; combateu constantemente o abuso das práticas exteriores, as fórmulas convencionais, os abusos dos poderes transitórios, as falsas interpretações. E Ele mesmo afirmou que não veio para destruir a Lei de Deus, mas sim, cumpri-la, dar-lhe o verdadeiro sentido.

Foi através da Sua linguagem diferente falando por parábolas - história criada a partir de situações do cotidiano com um fundo moral - que Ele deixou aos homens a esperança viva da fraternidade; a idéia renovadora da grande necessidade da espiritualização, tendo como conseqüência lógica, a sua reforma moral, a sua evolução.

A Doutrina Espírita reforça a tese da imortalidade do ser e da importância de sua renovação interior constante, da continuidade progressiva, vivenciando o que Jesus ensinou.

Seguir o Seu exemplo deve ser o ideal de todo cristão sincero porque não adianta dizermos que pertencemos a esta ou àquela religião, nem permanecermos orando o tempo todo. O importante é a prática porque como disse apóstolo Tiago: “A fé sem obras é morta”.

Por falar em fé, como está a nossa vida?

Não há outra maneira de amar. Ter caridade é ser benevolente, tolerante, paciente, humilde. É fazer aos outros o que desejamos o que nos façam. Como não desejamos o mal, mas todo o bem possível, assim também devemos agir para com todos, até com os inimigos.

A obrigação do cristão é fazer o melhor que puder, dando sua parte, por pequena que seja. A montanha é feita de pequeninos grãos de areia, o oceano é composto de gotas d’água.

Orando e vigiando o próprio comportamento, praticando a verdadeira caridade, divulgando o ensinamento de Jesus como Ele próprio fez, estaremos evoluindo através da reforma interior.

Reforma íntima é a transformação de tendências e erros seculares através de um trabalho árduo, contínuo, lento, que facilita extirpar os erros e vícios que ainda permanecem em nós. Essa tendência para o mal que nos faz praticar ações prejudiciais por hábito adquirido; os vícios morais como luxúria, gula, inveja, avareza, preguiça, vaidade, orgulho e egoísmo devem ser vigorosamente combatidos. Desta forma chegaremos à fraternidade, piedade, paciência, alegria, esperança, perdão, compreensão, humildade e à afabilidade. Finalmente atingiremos a que é a maior de todas as virtudes - a Caridade.

A prática da caridade é regra fundamental da ética, da vivência espírita.

Essa transformação interior é o caminho referido acima por Jesus para a felicidade. É natural o desejo que o homem traz em si de ser feliz. Fomos criados para a luz, para a felicidade. Difícil, no entanto, é percorrermos esse caminho que a ela conduz, a porta é estreita, há necessidade de mudanças na nossa escala de valores, de modo a que possamos perceber que o Reino Espiritual é o verdadeiro, o definitivo, e que o Reino Material é necessário mas é apenas transitório.

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”.
(ESE, cap. 27.)

Este esforço nos levará a sermos homens de bem mais rapidamente.

O Homem de bem, em síntese, é aquele que já conquistou a brandura, a doçura, a misericórdia, que pratica a caridade sem esperar recompensa, e o faz somente pela alegria em servir. É compreensivo com as fraquezas alheias, tratando a todos com bondade. Não se envaidece, usa de sua autoridade sempre para levantar o moral do próximo e nunca para rebaixá-lo. Não é vingativo, sabe que como perdoa, assim será perdoado. Respeita os direitos de seus semelhantes, assim como quer que os seus sejam respeitados. O homem de bem espera com alegria a visita de Jesus à sua casa e, como Pedro, se rejubila ao receber o Mestre para o culto do evangelho no lar.

Esses e todos os outros ensinamentos do Cristo Jesus ficam mais próximos, mais íntimos, se lidos, comentados, estudados, discutidos na intimidade do lar. E nesta visita amorosa sentiremos a afável ajuda, o amparo amoroso de que tanto necessitamos.

“Onde estiverem duas ou mais pessoas reunidas em meu nome, ali estarei.”
Jesus (Mateus, 18:20.)

Além da nossa oração diária, podemos num dia qualquer da semana, em horário estabelecido, combinar a oração em conjunto. Orar é harmonizar-se com as forças divinas. É conversar com Deus. É sentir-Lhe a presença, lembrando o que Jesus ensinou. E assim, neste ambiente amistoso, nos habituaremos ao estudo e à vivência cristã, sensíveis à oração, nos fortalecendo para os embates da vida, buscando entendê-Lo, como modelo e guia.

A freqüência à Casa Espírita é uma prática adicional importante e necessária àquele que quer transformar-se. As diversas atividades proporcionam-lhe as chances de conviver com outras pessoas; de instruir-se, estudando; elevar-se espiritualmente, praticando a fraternidade. Pode ainda beneficiar-se do passe magnético e da água fluidificada. O passe é uma transfusão de energias para o espírito debilitado, assim como a transfusão de sangue o é para o organismo enfermo. Fluidificada, é a água onde os espíritos benfeitores depositaram o remédio necessário ao doente.

Quando cumprirmos a vontade de Deus em plenitude a enfermidade será coisa do passado.

Quem vive de conformidade com os desígnios divinos, no empenho inabalável de fazer o melhor no campo do bem e da verdade, viverá em paz, harmonizado com o Universo.

“A lâmpada do corpo é o olho. Portanto se o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas, se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo estará em trevas.”
Jesus (Mateus, 6:22 e 23.)

Culto no lar

“Sem que os lares respirem o clima ideal do amor, a Terra jamais experimentará a pacificação almejada, carpindo, entre guerras e morticínio, o reflexo da desagregação na célula primeira de seu reabastecimento natural - o lar.” (Guillon Ribeiro)

Através do médium Francisco Cândido Xavier chegou-nos essa mensagem psicografada:

A Igreja em Casa.

João de Deus

Do culto cristão do lar Cultiva em teu doce abrigo
Nasce a fonte cristalina A sublime sementeira
De benção da Paz Divina, Que te aguarda a vida inteira
De dons da Divina Luz!... No amor, na consolação...
Nele, aprendemos a amar Sentirás, então, contigo,
A dor, a luta, a alegria Sobre a crença que te abraça
E a iluminar cada dia Evangelho vivo em casa
Na inspiração de Jesus. E o Mestre no coração.

Como realizar o culto em família?

  1. escolhe-se o dia da semana e a hora, nos quais os familiares estejam presentes. Ser pontuais e constantes;
  2. uma pessoa dirige, e todos devem participar: com prece, leitura e comentários (no momento de palavra livre), revezando-se nas tarefas, para melhor aproveitamento:
  3. não se deve impor a participação, mas estimulá-la, fraternalmente;
  4. criar ambiente amistoso, de respeito, favorecendo a alegria e a participação;
  5. colocar água pura sobre a mesa, para receber os benefícios espirituais. Se houver alguém enfermo, preparar vasilha só para ele;
  6. alguém faz a prece inicial em voz alta e os demais a acompanham em pensamento. Deve-se pedir, agradecer e louvar a Deus. Não pedir só para si: lembrar dos enfermos, dos governantes, dos amigos e dos inimigos, dos antepassados, dos vizinhos, etc.;
  7. estudar o Evangelho em seqüência, item por item. Ao concluí-lo, recomeçar;
  8. ler outras mensagens. Sugestão de livros: Pão Nosso; Vinha de Luz; Fonte Viva; Caminho, Verdade e Vida.
  9. prece de agradecimento.

Duração: cerca de trinta minutos não indo além de uma hora, excepcionalmente. Não deve haver manifestações mediúnicas. Não suspender o culto com a chegada de visitas, mas convidá-las à participação. No dia escolhido, dar prioridade ao culto, adiando-se passeios e festas. Só situações graves justificam a não realização do culto do evangelho. As crianças devem ser atendidas com livros adequados a sua faixa etária e, se forem muito pequenas, podemos deixá-las com brinquedos perto do local. Com critério, desligar aparelhos sonoros em uso, como telefones, TV, rádio e outros.


UNIDADE XI

O MOVIMENTO ESPÍRITA

“A maior caridade que se pode fazer com a Doutrina Espírita é a sua divulgação”.
Emmanuel

É de vital importância que não se confunda Doutrina Espírita com Movimento Espírita.

Doutrina Espírita é o conjunto dos princípios básicos codificados por Allan Kardec que constituem o Espiritismo e estão desenvolvidos nas obras fundamentais.

São princípios básicos: Deus, imortalidade, reencarnação, pluralidade dos mundos habitados, comunicabilidade dos espíritos e a evolução infinita.

Movimento Espírita é o conjunto de atividades organizadas para melhor pôr em prática a Doutrina, através das instituições, encontros, congressos, palestras, livros, etc., divulgando e exercitando a vivência das máximas espíritas.

A Doutrina Espírita está imune às deturpações, já o Movimento Espírita, por não ser hierarquizado, está sujeito ao livre arbítrio dos seus profitentes que devem ter vigilância constante para manter a pureza doutrinária.

Ao mesmo tempo em que os fenômenos das mesas girantes aconteciam na Europa, no Brasil, eles também aconteciam, chamando a atenção de homens sérios que passaram a acompanhar os fatos ocorridos na França.

Em pouco tempo, o Espiritismo expandiu-se por todo o país e, pela necessidade de organizar os movimentos diversos que apareciam, foi fundada a Federação Espírita Brasileira (FEB) em 02 / 01 / 1884 que é a Casa Máter do Espiritismo Brasileiro na Av. Passos no 30 - Centro (RJ) e que hoje tem sua sede em SGAN 603 - conjunto F - 70830-030, Brasília (DF), tel.: (061)226 - 5195 e 322 - 1471.

O Movimento Espírita é, como sugere o próprio nome, algo dinâmico e, como vivemos num país de dimensões continentais, era muito difícil unificar os ensinos espíritas. Então, em 5 de outubro de 1949 realizou-se a Grande Conferência Espírita do Rio de Janeiro, na sede da Federação Espírita Brasileira. Esta conferência ficou conhecida como o “Pacto Áureo”.

Unificar não significa uniformizar, por isso o Pacto Áureo tem por finalidade, unir pensamentos e ações em prol da Divulgação da Doutrina Espírita, respeitando o livre-arbítrio de cada um.

Para melhor coordenar este movimento, foi criado o Conselho Federativo Nacional (CFN), permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos de ação.

Participam do CFN todos os Estados Brasileiros mais o Distrito Federal através das suas Entidades Federativas e ainda três Entidades especializadas - Cruzada dos Militares Espíritas, Instituto de Cultura Espírita do Brasil e a Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo.

As reuniões do CFN são anuais e têm por objetivo discutir assuntos relacionados ao estudo, à difusão e à prática da Doutrina Espírita.

Foram lançadas através do CFN as seguintes campanhas, que se tornaram permanentes:

Através do CFN também intensificaram-se programas de ação permanente:

As Federativas Estaduais congregam-se em 4 Comissões Regionais - Regiões Norte, Nordeste, Centro e Sul para facilitar a natural confraternização e discussão de assuntos afins.

Cada Federativa Estadual congrega as Instituições Espíritas adesas, promovendo encontros, cursos, distribuindo publicações e orientações.

No Rio de Janeiro a USEERJ. (União das Sociedades Espíritas do Rio de Janeiro) tem sua sede à rua do Inválidos 182, CEP-20231-020, Centro - RJ tel:224 - 1244.

As Instituições Espíritas estão organizadas por regiões ou CRE. (Conselho Regional Espírita) que por sua vez têm a finalidade de confraternizar e coordenar as Instituições e representá-las junto à Federativa Estadual.

Estamos ligados ao 15o. CRE, cuja sede é na Instituição Espírita Legionárias de Maria à rua Rio Grande do Sul 94, CEP 20775-100, Méier - RJ

Todo este movimento tem por finalidade atingir a Casa Espírita onde, na realidade, se reúnem as criaturas que vêm em busca do consolo e do conhecimento doutrinário.

A Casa Espírita é o objetivo final do Movimento Espírita e também é ela que o promove através da sua ação.

A Casa Espírita, célula-base do Sistema de Unificação, é:

Os trabalhos nela desenvolvidos visam o bem estar físico e espiritual dos seus freqüentadores, buscando o aprimoramento moral, para que eles possam participar da ação no bem, tendo por base a Doutrina Espírita e por modelo, Jesus.

A grande baliza dos esforços da Unificação do Movimento Espírita é, ainda, aquela palavra de ordem do Espírito de Verdade:

“Espíritas! Amai-vos, este o primeiro mandamento; instruí-vos, este o segundo.”
(ESE cap. 6, ítem 5.)

O estudo das obras básicas é de fundamental importância para todos e por isto, nossa Casa oferece:

O Passe magnético e a água fluidificada são recursos terapêuticos oferecidos a todos os que os desejarem, nas reuniões públicas.

Humberto de Campos ofereceu-nos, com o pseudônimo Irmão X, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, o livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, onde entendemos ter o Brasil a missão de propagar a fraternidade pelo Evangelho a todas as nações.

Isto começa a acontecer, pois além das obras psicografadas e traduzidas em diversos idiomas; além das palestras doutrinárias feitas por oradores brasileiros em diversos países; hoje existe em pleno funcionamento o Movimento Espírita Internacional, através do Conselho Espírita Internacional (CEI), abrangendo países como Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Guatemala, Grã-Bretanha, Itália, Japão, México, Paraguai, Peru, Portugal, Reino Unido, Suécia e Uruguai.

O 1o. Congresso Espírita Mundial realizou-se em Brasília em 1996 e o 2o. Congresso Espírita Mundial realizar-se-á agora, em 1998, em Lisboa , Portugal, integrando os povos no ideal espírita-cristão.

“Estendamos os braços, alonguemos o coração e irradiemos entendimento, fraternidade e simpatia ... pois quando o cristão pronuncia as sagradas palavras Pai Nosso, está reconhecendo não somente a paternidade de Deus, mas aceitando também por sua família a Humanidade inteira”.

(Reformador, setembro, 1977 - página 6)

Bibliografia

[1]Para estas experiências usavam-se mesas, por comodidade e por que eram objetos móveis. É mais fácil e natural sentar-se à mesa do que em volta de outro objeto qualquer. Os resultados obtidos foram a rotação da mesa, movimentos em todos os sentidos, saltos, flutuações, golpes dados com violência, etc. Desta forma, observou-se e discutiu-se o fenômeno designado com o nome de “mesas girantes” ou “dança das mesas”.

[2]Metempsicose - Doutrina segundo a qual a mesma alma pode animar sucessivamente corpos diversos: homens, animais ou vegetais; o mesmo que Transmigração.(Dicionário Aurélio Edit. Nova Fronteira)