Curioso diálogo

Orson Peter Carrara

– Meu caro Eustáquio! (...), você já sabe que a sua última vivência no planeta trouxe-lhe profundos débitos, que precisam ser reparados. (...) Agora, precisamos saber se, por livre-arbítrio seu, você está preparado a reconhecer seus graves erros do passado e entender que o melhor caminho para resgatá-los é o imediato retorno à Crosta.

E seu eu aceitar, em que condições voltarei?

Enfrentará uma vida simples, com alguma privação material para que possa redimir-se de tantos desvios praticados na sua anterior opulência.

Como? Então eu haverei de retornar pobre e miserável?

Não há motivo para tanto asco, meu filho! A pobreza material muitas vezes significa a chave para a riqueza do espírito. Lembre-se que a maioria de seus erros provém da sua privilegiada casta social, quando esteve reencarnado em França. Se você voltasse na mesma condição, a trajetória estaria prematuramente perdida. O seu programa indica que uma alteração no local de seu nascimento e na sua situação financeira será providencial. (...)

Apenas não compreendo porque devo retornar...

A idéia de seu retorno ao plano material não é nossa, meu filho! Faz parte das leis de Deus e consagra a universal lei de ação e reação. Você deve retornar a fim de reparar tantos erros que anteriormente cometeu. (...)

O curioso diálogo, acima transcrito, está no capítulo VIII – em transcrição parcial, obviamente – do livro Eustáquio – Quinze séculos de uma trajetória, ditado pelo Espírito Cairbar Schutel na psicografia do médium Abel Glaser, em edição da Casa Editora O Clarim, de Matão.

O livro aborda a trajetória – como o próprio título indica – de um espírito em suas experiências reencarnatórias. A transcrição acima apresenta apenas um pequeno lance do período das diversas existências e refere-se a um encontro para análise dos erros, acertos, análises e planejamentos, ocorrido no intervalo entre uma das encarnações, entre o protagonista principal da obra e seu orientador espiritual.

Ocorre que nosso personagem envolveu-se em inúmeros desvios comportamentais de desrespeito à dignidade humana; provocou e efetuou violências e principalmente deixou-se equivocar pela ilusão das riquezas materiais e do poder, tornando-se tirano poderoso e cruel. Tais ações geraram conseqüências, pois que foram em prejuízo próprio e de terceiros. A vida e a própria consciência do autor sempre exigem reparação de tais feitos.

Assim é a reencarnação. Ela é o mecanismo de evolução dos filhos de Deus. Com ela, sob o véu do esquecimento – para não agravar nossas angústias – podemos também reparar os males que causamos a nós mesmos – pelos equívocos praticados – e a outras pessoas.

É uma Lei sábia. Promove a felicidade de todos às custas do próprio esforço, o que gera méritos, proporciona amadurecimento e experiência. E é por ela que passamos entender as gritantes diferenças humanas, os extremos que vigem em nosso mundo. Eis, pois, uma boa opção para sua leitura: o livro citado.