O encosto e a mesa branca

Orson Peter Carrara

Eis duas expressões absolutamente incoerentes e distantes do Espiritismo. Muita gente confunde o que seja a Doutrina Espírita e utilizam-nas quando se referem à prática espírita, refletindo o próprio desconhecimento. Até por uma questão de respeito e educação, devemos saber do que falamos antes de falar.

A primeira expressão é fruto do folclore popular e inexiste no vocabulário espírita, porque verdadeiramente o que ocorre é apenas influência mental, no fenômeno da obsessão (1), dominadora, de um espírito (2) para com uma pessoa. Espírito algum fica "encostado" em alguém, pois o fenômeno é psíquico, mental, embora possa ocorrer o que se costuma definir como subjugação (3).

Já a segunda expressão é outro absurdo. Na prática espírita não é preciso mesa, nem cadeiras, embora possamos utilizar por mera questão de conforto físico. A prática espírita dispensa qualquer objeto material pois está absolutamente centrada na consciência e nos sentimentos e a suposta cor da mesa ou da toalha que a reveste nenhuma influência ou poder exerce sobre as reuniões ou fenômenos que possam ocorrer. A expressão popular surgiu para diferenciar uma possível diferença entre o chamado "baixo" ou "alto" espiritismo. Bem, aí caímos em outro paradoxo, também fruto desse descompasso entre a realidade e o precário conhecimento popular.

Espiritismo é um só! Aquele mesmo codificado por Allan Kardec (4), a partir da publicação de O Livro dos Espíritos (aos 18/04/1857) e toda sua prática e teoria estão embasados na lógica, no bom senso e na fraternidade. Portanto, absurda a qualificação de alto ou baixo.

Por isso, caro leitor, quando ouvires tais expressões, considere que a pessoa que as pronuncia desconhece absolutamente o que seja o Espiritismo. Para constatar quando uma casa espírita esteja verdadeiramente inspirada pela Doutrina Espírita, verifique se suas práticas estão subordinadas ao bom senso, à lógica e principalmente ao bem geral, objetivo que deve nortear suas atividades.


  1. Influência maléfica de um ser do plano espiritual, como regra geral;
  2. Ser situado no plano espiritual, antes ou depois da vida física na Terra;
  3. Dominação física no fenômeno da obsessão. Vide O Livro dos Médiuns, capítulo 23;
  4. Pseudônimo do professor francês Hypollyte Leon Denizard Rivail.