Gente Trabalhando

Orson Peter Carrara

Todo mundo fala em terrorismo. Isto só serve para desviar a atenção de tanta coisa boa que está ao nosso redor. Paralisados com as circunstâncias do meio, ficamos estarrecidos com o mal e esquecemos de olhar e fazer o bem, valorizando essas investidas de quem ainda dorme na ignorância de sua verdadeira natureza...

Estive no Rio de Janeiro no fim de semana. Atendendo convite de amigos, estive a proferir palestras em 4 cidades da "grande Rio". De quinta a domingo, estive a visitar instituições, a conhecer pessoas, a ver o quanto se trabalha neste Brasil. Aliás este é o melhor caminho: trabalhar!

Apenas para que o leitor tenha uma idéia da extensão do trabalho de pessoas dedicadas e desprendidas, visitei uma instituição que acolhe enfermos de aids, doentes terminais, carentes e esquecidos, abandonados ou rejeitados pela família. Um trabalho notável! Uma instituição muito bem organizada, com 350 voluntários (em plantões de 4 horas diárias, também em turnos de 4 horas de domingo a domingo), atendendo em regime de internato doentes terminais e filhos de doentes já falecidos, rejeitados pelas famílias ou com estas sem condições de deles cuidarem. A instituição tem o nome de Casa de Maria de Magdala. Se o leitor desejar ajudar com qualquer tipo de ajuda, visite o site www.casamariademagdala.com.br.

Muito mais que o tratamento médico ou psicológico, há também a assistência a famílias do enfermo, com cestas básicas, alimentos e outros auxílios.

Tudo isto precisa de ajuda, muita ajuda. Para atender, adquirir medicamentos e tudo mais... É gente trabalhando, ao lado de toda crise que se agiganta. Mas trabalham, não olham para o lado, seguem adiante...

Depois, em outra instituição na periferia do Rio, outra instituição atende 900 famílias com estrutura de fornecimento de alimentos, roupas, dentista, médico, alfabetização, remédio gratuito, etc. etc.

O que leva a isso, senão a consciência da solidariedade? Estamos todos no mesmo barco e devemo-nos ajudar mutuamente ou então, estaremos condenados a essa violência que cresce e ameaça nossa integridade...

É, minha gente, ao invés de reclamar, olhemos ao nosso redor, nas dificuldades alheias que se multiplicam a nossa volta. Hä muito o que fazer. Nada de olhar do lado ou para trás, desanimando. Olhos e passos para frente. Há muito o que fazer.

O Rio está lá, bonito, com seus extremos. Há, todavia, uma multidão de esquecidos (não por Deus), esperando a caridade de um olhar, de uma atenção. Que pode ser nosso...