Há 30 anos

Orson Peter Carrara

Integrando a programação de aniversário da cidade, em 1974, no dia 30 de agosto (30 anos e dois meses), à rua Municipal, com a presença de autoridades e da Corporação Musical da cidade, dirigida pelo Maestro Antonio Traversa, foi inaugurado o novo prédio do Lar Espírita “José Gonçalves”, departamento assistencial (idosos, em regime de internato) do Centro Espírita “Francisco Xavier dos Santos”. O “Lar” foi fundado em 25 de junho de 1940 pelos Srs, José Gonçalves da Silva e Fernando Martinez e a sede antiga (nos fundos do terreno do prédio sede da instituição mantenedora) inaugurada em 9 de novembro do mesmo ano. Portanto, em 2005, completará 65 anos de fundação. Mas foi há 30 anos que ganhou sua sede nova, na mesma rua. O terreno que hoje abriga a nova sede foi adquirido em 1953 e a construção iniciada em 1969, sendo inaugurada em 1974 e já passou por duas importantes reformas, sendo a última no ano de 2000.

 A história da instituição é de muitas lutas, dificuldades, conquistas e alegrias. Desde os tempos iniciais em que os próprios internos e voluntários arrecadavam alimentos pelas ruas com uma pequena carrocinha até às conquistas lutas para reforma do prédio. Alie-se a isto as histórias dos próprios internos que ali já residiram. Dramas e alegrias, enfermidades e abandono, emoções e casos familiares comoventes, que diretores, funcionários e voluntários presenciaram durante toda a história da entidade.

 Há casos peculiares como o de D. Maria (dedicada cozinheira) ou de Thereza de Mello, interna desde a fundação, quando foi acolhida ainda adolescente em virtude da morte dos pais. Muitos tiveram passagem muito rápida, outros permaneceram por décadas como o amigo conhecido por “José da Barra”. Outros vieram como verdadeiras bênçãos como é o caso de Osvaldo Culpi, trabalhador incansável que muito nos ajudou. A instituição teve ensejo de acolher ainda personagens ilustres da história da cidade, como os queridos “Migué Bobo” e o “Pedro Caneca”, cujas vidas já comentamos neste semanário. E de Gilberto, que ora chegou...

 E, claro, como esquecer diretores e voluntários ilustres em todos os tempos como D, Clara, D. Vinoca, Josefa (minha mãe), D. Rachel (e incluímos sua mãe e irmãs), Dilce Ferreira e irmãs, o próprio fundador José Gonçalves e sua esposa, D. Margarida, bem como Pedro Carrara e esposa, e Mauricio Faraco. Este último, valoroso batalhador pela construção do prédio e depois também na primeira reforma geral. Entre outros, é óbvio. Uma vez mais fica impossível citar todos os nomes.

 Fato que não pode ser esquecido jamais é o amparo permanente da população, que sempre ajudou e continua ajudando a entidade a levar adiante sua tarefa de auxiliar quem precisa. Estabelecimentos comerciais, profissionais de várias áreas, funcionários, médicos e enfermeiros do Pronto Socorro e Posto de Saúde, policiais, empresas e empresários, além de outras entidades e pessoas, foram e são valorosos amigos que nos ajudam a manter a tarefa com dignidade e respeito. Sempre em favor daqueles que se encontram desprovidos do carinho de uma família.

 Três fatos, porém, desejo registrar, em especial, por gratidão:

  1. A permanente presença solidária do amigo Dr. Pio, que sempre nos auxiliou em momentos de grande dificuldade como enfermidades e mortes, em sua função de médico amigo; e também da enfermeira Flora, que durante anos serviu aos idosos com extrema dedicação;
  2. A contribuição anônima de alguém (cuja identidade desconhecemos) que durante muitos anos quitou as contas do Lar nas farmácias. Isso nos ajudou muitíssimo e o gesto caridoso, anônimo, é benção que Deus e a própria vida farão verter em favor do benfeitor anônimo;
  3. O auxílio que temos recebido das irmãs Vicentinas e da própria comunidade católica da cidade, em todos os tempos.

Nossa gratidão é enorme, a todos. Queremos convidar à população: visitem o Lar. Levem seu calor humano àqueles que buscam apenas um gesto de atenção e carinho. Especialmente agora nesse final de ano que se aproxima.