Momento delicado - problema já detectado

Orson Peter Carrara

Ouvindo entrevista com o Presidente da FEESP, Avildo Fioravante, no programa Diálogos Espíritas, da Rede Boa Nova de Rádio, dei-me conta de que o assunto "estourou" pelo Brasil afora e portanto, permite-nos identificá-lo com clareza. Ocorre que Divaldo na palestra de abertura do Congresso da USE - em Campinas - abordou o assunto durante sua palestra; Carlos Baccelli chegou a afirmar em sua palestra, também no congresso citado, que "... os espíritas estão brigando muito..." e a própria tônica geral do congresso paulista foi pela construção do afeto.

Avildo comentou em sua entrevista que, agora como Presidente da FEESP, o desafio administrativo poderia ser efetuado por qualquer administrador competente, mas ele percebe que a ausência da fraternidade entre os trabalhadores é a causa principal dos problemas. Divaldo abre o congresso e cita o amor entre as criaturas como a base da solução das dificuldades. Baccelli alerta para a mesma questão. Isso denota uma questão nacional, não só da FEESP ou do movimento paulista. O assunto surge porque "está no ar", exigindo atenção.

Por outro lado, a editora INEDE lança, em momento extremamente oportuno, os excelentes livros Laços de Afeto e Mereça ser feliz, ambos analisando a mesma temática. Pessoalmente, vivemos recentemente o mesmo problema na instituição a que nos vinculamos em nossa cidade de origem.

Incrível porque o apelo de Divaldo, o apelo de Avildo, de Baccelli (que inclusive citou Chico Xavier que falou: "eu não posso perder essa existência") é o mesmo: silêncio às adversidades, respeito às diferenças, conquista da fraternidade. O mesmo apelo da maioria dos conferencistas no congresso de Campinas. Nós mesmos, antes do Congresso, chegamos a pedir aos companheiros da Casa, em nossa cidade de origem, silêncio diante das agressões e esforço pela fraternidade.

Ora, estamos sendo apenas intelectuais espíritas, esquecendo o principal, a vivência do amor. Estamos cometendo um erro vital: estamos concorrendo entre nós mesmos. Não estamos sendo atacados por ninguém, mas estamos nos atacando mutuamente. Isto tem lógica?

Estamos querendo impor nossos pontos de vistas; estamos querendo valer nossas posições pessoais. Deus meu!

É hora de rever isto. Estamos com um tesouro inestimável nas mãos e somos responsáveis pelo destino que estamos dando ao movimento espírita.

Por outro lado, os apelos dos espíritos é veemente no sentido da união entre os espíritas, face ao objetivo maior que deve nos unir.

Ora, vençamos isso! Somos todos adultos, inteligentes. Por que estamos invertendo os objetivos?

Afinal, vamos perder a existência por bobagens?

Concentremos a atenção na fraternidade. É o único caminho que temos para a paz e o progresso que tanto se deseja. Não há outra maneira. As manifestações e exemplos de misericórdia que nos cercam - especialmente pelo carinho dos espíritos - convidam-nos neste delicado momento a silenciarmos quaisquer motivos de discórdia ou mágoas. Optemos por enxergar o bem, a valorizar cada criatura pelo que tem de bom e belo, a respeitar as diferenças.

Jamais impor, jamais violentar! Aguardemos o despertar, o amadurecimento de cada um e façamos o que nos cabe, sem invadir a liberdade alheia. É a regra de civilidade. É também a base da fraternidade.

Já que o problema já foi detectado, esforcemo-nos por saná-lo de vez com a fraternidade nos relacionamentos. Ouvir, silenciar, compreender, amar!