Prática educativa

Orson Peter Carrara

Aflições provindas de cruéis indecisões, imaturidades, fugas e desesperos que levam ao suicídio ou às drogas, na adolescência e mesmo na vida adulta, tem sua origem na ausência de experiências que construíssem na infância os sentimentos que formam a maturidade. Expliquemo-nos.

Na orientação religiosa, por exemplo, alguém que apenas ouviu para simplesmente decorar - muitas vezes sem entender e também não recebeu explicações que o fizessem compreender -, como poderá sair-se de uma situação difícil ou enfrentar os embates existenciais sem apelar para a violência, as drogas e até para o suicídio? Falta-lhe o essencial, a base construída no afeto, nos sentimentos das experiências vividas.

Isto não é apenas na questão religiosa. A construção da honestidade, da ética, do dever, do respeito ao próximo, da solidariedade, entre outras virtudes, é feita a partir de experiências vividas e não somente de teorias. O exemplo dos pais e educadores, a convivência com situações que ensejem experimentar esses valores é que marcam definitivamente a personalidade do futuro adulto seguro de si mesmo.

Pais que socorram necessitados, com os filhos ou à frente deles, estão a lhes demonstrar o valor do amor ao próximo; instituições religiosas que estimulem o debate das idéias estão construindo pessoas que enxergam o cotidiano com a visão do bom senso; familiares que exemplificam a honestidade à frente das crianças estão a ensinar a honestidade. Ao mesmo tempo famílias que valorizam a religião, encarando-a com a seriedade e responsabilidade de conduta que caracteriza o comportamento cristão estão a formar cidadãos conscientes e responsáveis. Há milhões de outros exemplos...

O fato é que toda teoria moral é bela, mas é a prática que forma a consciência. Por esta única razão é que pais, educadores, administradores, autoridades e lideranças - inclusive religiosas - devem estimular e favorecer a construção desses valores através de experiências reais. Para jovens e crianças. É a única maneira de transformar o planeta.

Esta a razão pela qual o Espiritismo, estimulando o estudo aliado ao aprimoramento moral pelo esforço diário do adepto - do qual a consciência é o único juiz -, inspira atividades diversas de integração para todas as idades, de socorro aos necessitados e indica que é muito grande a responsabilidade dos pais na formação moral dos filhos. E nesta formação, mais do que levar os filhos ao templo religioso - seja de que crença for -, é ir com eles e ainda mais: viver em família os ensinos da religião. Inclusive através do diálogo sobre as questões fundamentais da vida humana: quem sou? De onde vim? Para onde vou? Que faço aqui? Qual a finalidade de viver?