Trabalhos encomendados?

Orson Peter Carrara

Podemos ser prejudicados por alguém que nos queira mal? Existem poderes neste sentido? E como fica a proteção de Deus diante dessas ações? Existe, afinal, o mal-feito?

Eis perguntas que atormentam muita gente. De início vale dizer que gestos, práticas místicas ou objetos são absolutamente nulos no combate a qualquer possível “trabalho encomendado”. Mas o que é um trabalho desse tipo? Tudo começa com alguém que deseja prejudicar terceiros, já se complicando por si mesmo pois está burlando a lei de amor que rege a vida de todos os seres humanos. Terá que responder por isso, mais cedo ou mais tarde.

A questão inicia-se com a procura de médiuns ou pseudo-médiuns encomendando providências para atrapalhar e mesmo prejudicar a vida de qualquer pessoa, através da ação de espíritos inferiores e sem esclarecimento. É uma espécie de pacto, aceito somente por quem age fora da ética e da justiça, tornando-se todos (o interessado, o atendente e possíveis espíritos envolvidos) responsáveis por possíveis ações desencadeadas e suas conseqüências.

Mas, e a pessoa visada? Esta receberá a ação visada, mas só será vítima se estiver sintonizada na mesma ordem de pensamentos e sentimentos. Uma pessoa honesta, digna, de bons sentimentos jamais será atingida, pois está protegida pelo próprio comportamento. Aliás, proteção a que faz jus pela conduta que adota. Deus é justo, convenhamos. Mas alguém que leva uma vida de ciúmes, de inveja, de vingança, de comportamento fora dos padrões éticos de moralidade e bondade, será sim envolvido pela onda que a ele dirigiram. Questão de sintonia, apenas.

Mas, em verdade, trabalhos encomendados ou mal-feito não existem. Não por uma simples razão: tudo que se faz se faz para si mesmo. Toda ação ou pensamento dirigido a terceiros, retorna para o próprio autor. Somos escravos de nossas ações, de nosso comportamento, de nossos pensamentos. O prejuízo, portanto, é de quem faz. Quem é visado, poderá até sentir alguma perturbação, mas se sua vida for uma vida digna, correta, não há o que temer.

Porém, quando alguém abriga vingança, ódio, rancor e outros sentimentos inadequados à conduta cristã, aí sim está na mesma sintonia, está semelhante a quem desejou o mal. Neste caso, ambos estão envolvidos na mesma onda de sentimentos e portanto, vinculados um ao outro.

Portanto, não é uma questão de trabalhos encomendados ou mal-feito. É simples questão de sintonia mental. Isto porque os objetos usados, sejam quais forem, os rituais e pagamentos efetuados são absolutamente ineficazes, por incompatíveis com aquilo que está simplesmente nas intenções. Por esta razão, não existem trabalhos encomendados. Existem más intenções, com suas inevitáveis conseqüências. Nada de medos, portanto. Basta adotar conduta reta e constante ação no bem próprio e geral.