Valorosas mães

Orson Peter Carrara

Ninguém discute o vital papel das mães. Doadoras de vida, cumprem papel de co-criadoras com Deus, gerando no próprio ventre o corpo que oportuniza a reencarnação. À luz deste princípio básico do Espiritismo, amplia-se ainda mais o papel de mãe.

Sim, porque através das vidas sucessivas os espíritos alternam-se nas posições de pais e mães, filhos e irmãos, com aprendizados necessários e diferentes, mas é na condição de mãe que o espírito desenvolve o mais alto sentimento de amor. Justamente pelos exercícios de renúncia em favor dos filhos, como pela geração da vida física.

Não é necessário recordar a infância para trazer de volta a memória de detalhes da convivência com as mães para cada um de nós. São muitos e cada um saberá trazer para si mesmo aqueles momentos que mais lhe marcaram a vida.

De mim mesmo posso dizer (já o disse de público) que nunca pude esquecer os momentos em que sabia que minha mãe orava em silêncio, sentada na cama. Acompanhei toda sua trajetória de lutas em favor do atendimento a pessoas que a buscavam na porta para receberem passes, ouvirem palavras de bom ânimo e estímulo, como para socorrer os casos de perturbação mediúnica. Ora, isso ficou. São lembranças que não se apagam.

Mas, desejo destacar outro aspecto. Conheço duas mães valorosas.

Uma é minha vizinha, em Matão. Mãe de um menino especial, de 12 anos. Sua postura carinhosa e paciente com o filho especial é de comover. Só mesmo o amor de mãe é capaz disso. E Deus é sábio: convoca espíritos valorosos para atender esses casos difíceis.

Mas, outra delas me comove profundamente. Conheço-a pessoalmente. Sei de sua luta invulgar, seu drama difícil de ser vivido. Mas ela está lá, firme, disposta. Sofre, é claro, mas não abandona seu posto e cumpre sua missão de mãe com a coragem daqueles que sabem o que devem fazer.

Não lhe importa as agressões que sofre da filha, também especial. Apesar dos momentos de profundo pesar e sofrimento, ele segue adiante. Sabe, interiormente, que Deus lhe confiou esta tarefa. E cumpre com a valentia de que somente os fortes são capazes.

Admiro-a pela fortaleza interior que possui. Pela fé que talvez nem compreenda, mas sente. Louvo-lhe o espírito determinado, cambaleante fisicamente é óbvio, mas resoluto em espírito.

São essas almas valorosas que Deus convoca. Convoca para ajudar outras almas comprometidas com equívocos do passado e que agora ressurgem no cenário do mundo, necessitadas de alguém que lhes divida a tortura. De alguém que seja capaz de estar 24 horas ao seu lado. E embora inconscientes para o mundo, estas almas sofredoras sabem inconscientemente que tendo a seu lado essas valorosas almas que a vida chama de mãe, conseguirão vencer a etapa desafiadora.

Tudo isso para dizer que Deus jamais abandona seus filhos. Deus está em toda parte a nos ajudar, a nos promover. Ergamos os olhos e esqueçamos nossas bobagens advindas do egoísmo e do orgulho ferido. Viver é exercício de tolerância, de compreensão, de amor. Para alcançar a vitória da consciência tranqüila.

Os amigos do IDEALISTA pediram-me escrever sobre as mães. Não tenho outra alternativa senão homenagear essas duas valorosas mães.