A polêmica a respeito do Espiritismo

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Introdução

O Grupo de Estudos e Assistência Kardecista – GEAK, recebeu do jornal “A FOLHA DE GUANHÂES” uma oportunidade de levar o conhecimento da Doutrina Espírita a seus leitores, oferecendo-nos um espaço neste jornal. Esta tarefa de redigir os artigos coube a minha pessoa, que na época, estava como Presidente do Grupo. Mesmo não tendo por objetivos fazer proselitismo ou levantar polêmica, nossos artigos despertaram a indignação de profitentes de outras correntes religiosas. A princípio pensávamos em não respondê-los, entretanto receosos de que isto poderia deixar uma imagem distorcida do que realmente é a nossa Doutrina, resolvemos fazer nossos contra-argumentos. Assim veremos a seguir os textos.

Os Textos objetos da polêmica

(1) O Espiritismo é proibido por Deus?

Para respondermos a esta pergunta é necessário que façamos outra; Acontece alguma coisa que Deus não queira? Ora, sendo Deus a infinita sabedoria nada há que possa acontecer que não esteja dentro de suas leis. O que aparentemente está fora de suas leis é apenas o que nosso conhecimento e inteligência não conseguiu captar ou compreender.

Dentro deste princípio, de que tudo o que acontece está subordinado às leis Divinas, afirmamos que também a manifestação dos espíritos está em obediência a estas leis.

Como explicar, então, a proibição da evocação dos mortos contida na Bíblia? Aqui poderíamos destacar, para quem não acredita, que a prova da possibilidade dos espíritos se manifestarem está nesta proibição de Moisés.

Destacamos “proibição de Moisés” não sendo, portanto uma proibição de Deus. Quem quer que estude o Pentateuco de Moisés – Gêneses, Deuteronômio, Números, Levítico e Êxodo – pode bem observar que ao lado das leis divinas, contidas nos Dez Mandamentos, Moisés fez toda uma legislação de convivência social, único meio que encontrou para moralizar um povo bruto, materialista e ignorante.

Se realmente fosse uma proibição Divina, ele mesmo, Moisés, não poderia aparecer juntamente com Elias a Jesus e seus discípulos Pedro, Tiago e João, na passagem narrada no Evangelho quando de sua transfiguração no monte Tabor.

Além disto Jesus, que sempre disse que veio cumprir a vontade do Pai, não faria, como não o fez, nada que fosse contrário às suas leis.

Desta forma poderemos dizer que a manifestação dos espíritos está dentro das leis Divinas. A Doutrina Espírita em seu aspecto científico, tenta desvendar as leis Naturais (diga-se leis Divinas) que regem as manifestações dos espíritos.

Paulo da Silva Neto Sobrinho (GEAK)

(2) O Espiritismo é obra do Demônio?

É comum no ser humano taxar aquilo que não compreende, seguindo um conceito próprio, como obra do demônio, principalmente quando o fato ou situação não acontece dentro daquilo que ele segue.

Assim, para alguns, o fenômeno das manifestações espíritas nada mais é do que a manifestação do demônio. O conhecimento superficial ou muitas vezes distorcido da verdadeira base das manifestações é que faz com que certas pessoas as coloquem como demoníacas. Aqui estamos falando somente das pessoas bem intencionadas, pois infelizmente, existem as que conhecem a natureza das manifestações, mas por interesses pessoais passam aos outros que são obras satânicas.

A Doutrina Espírita tem sua origem nas instruções dos Espíritos. Tem como principal pilar: Fora da caridade não há salvação, colocando bem claro a todos nós, que somente o amor ao próximo, na mais elevada expressão, abrirá a cada um de nós as “portas” do Reino de Deus. Ora se os “demônios” nos induzem cada vez mais à prática da caridade e do amor ao próximo eles são excepcionais, pois nos levam justamente de encontro às máximas de Jesus Cristo. Com certeza seriam bem mais cristãos que a maioria de nós. É interessante verificarmos que passados quase dois mil anos as situações parecem repetirem-se. Jesus foi acusado pelos sacerdotes de “príncipe dos demônios”, porque ele os expulsava das pessoas possessas. “Todo reino dividido em partidos que lutam uns contra os outros cairá em ruína” (Mt. 12, 25), foi a resposta sábia do Mestre aos seus acusadores. Hoje podemos repetir essas mesmas palavras àqueles que ainda pensam que somente os demônios se apresentam nas reuniões espíritas.

Cabe-nos, agora, analisar o termo demônio. Vem do grego “daimon”, querendo dizer gênio ou espírito de uma maneira indefinida. Não tinha o significado que hoje damos a este termo.

No Evangelho de Marcos 7; 24-30, temos o seguinte: “Jesus sai então dali e foi para a região de Tiro. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse, mas não pôde ficar ignorado. Pois logo certa mulher, cuja filha estava possessa de um espírito impuro, ouviu falar dele e foi prostrar-se a seus pés. Esta mulher era pagã, de origem siro-fenícia, e pedia que expulsasse o demônio de sua filha. Jesus respondeu: “Deixa que os filhos se alimentem primeiro; porque não é justo tirar o pão das crianças e dar aos cachorrinhos”. Mas ela respondeu assim: “É verdade, Senhor. Mas também os cachorrinhos, que ficam debaixo da mesa, comem as migalhas das crianças”. Jesus então lhe disse: “Por causa desta resposta, vai para casa; o demônio já saiu da tua filha”. Ela foi para casa e encontrou a menina deitada na cama – o demônio, de fato, já tinha saído.

Observamos que primeiramente se usa o termo espírito impuro depois demônio, ficando bem claro que o significado era o mesmo. No sentido que usualmente damos, será que existe o demônio? Tudo o que existe foi criado por Deus, e Ele sendo a bondade infinita não criaria o mal. Seria então um anjo decaído? Ora, para alcançarmos o “título” de anjo, teríamos que evoluir e nos aperfeiçoar a tal ponto que não mais possuiríamos sentimentos inferiores como inveja, ciúme, etc., assim nunca desejaríamos ser igual a Deus. Com certeza, a nossa felicidade estaria justamente em cumprir sua vontade e participar de suas obras.

Finalizando, afirmamos então que o Espiritismo não é obra do demônio, até porque Deus seria injusto se só permitisse que os maus se manifestassem.

Paulo da Silva Neto Sobrinho (GEAK)

(3) Cartas à Redação

Senhor Editor,

Ao ler o artigo “O Espiritismo é obra do Demônio?”, publicado na edição n.º 33, percebi que outras opiniões sobre o assunto deveriam ser colocadas, afim de demonstrar uma outra linha de raciocínio. Gostaria aqui de expressar minha crença e opinião.

“O Espiritismo é obra do Demônio”

A Bíblia é com certeza a palavra de Deus, esta palavra existe para mostrar ao homem qual é a vontade de nosso criador. Esta palavra está entre nós desde os primórdios da era humana, encontramos em suas páginas ensinamentos do próprio Deus, onde homens, inspirados pelo Espírito Santo colocaram em letras: Aramaicas, Hebraicas e Gregas que posteriormente foram traduzidas para diversos idiomas, estes ensinamentos.

A palavra “Espírito” encontrada na Bíblia vem da tradução grega (pneuma) que quer dizer; “Espírito”, “Vento”, (pnoe) “hálito”. Na realidade se trata da raiz grega (pneu-) associada ao sufixo (-ma) e denota a ação de colocar o ar em movimento, sendo que o ar é considerado uma substância especial, e em ênfase subjacente sobre o seu poder inerente.

A palavra “Demônio” também encontrada na Bíblia vem da tradução grega de (daimõn) que quer dizer: “Demônio”, “Espírito Maligno” (daimonion).

A ligação entre essas palavras é que as duas, ocupam-se com poderes espirituais e intermediários em forma pessoal. No Novo Testamento, “daimõn” é empregado apenas para poderes malignos, e, portanto, deve ser comparada com outra palavra que é (Diabolos-Satanás).

A Bíblia condena explicitamente a invocação de “Espíritos de Mortos”, pois, estes que se apresentam são na realidade espíritos enganadores, tentando fazer com que as pessoas, por desconhecerem os ensinamentos de Deus, fiquem cada vez mais afastados deste.

No Evangelho narrado por Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, Jesus narra a parábola do Rico e Lázaro, onde é mostrado claramente versículos 23 a 31, que os espíritos mortos não podem se apresentar os vivos, trazendo qualquer ensinamento, pois temos a Bíblia (palavra de Deus) para nos suprir.

Outra passagem interessante está em Hebreus capítulo 9, versículos 24 a 28, onde no versículo 27 diz “E, como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo”, reparem que ao homem foi dado uma ordem “a de morrer uma só vez”, como podemos então imaginar que o espírito irá reencarnar, se após a morte do corpo virá o juízo de seu espírito?

Sabemos que os demônios têm o poder de se manifestar e de interferir em toda raça humana, operando verdadeiros “milagres” aos olhos dos homens, mas que tem como objetivos afastá-los do verdadeiro Deus (Apocalipse 16: 14).

A idéia de que Deus é amor, é inteiramente verdadeira, mas a Bíblia ensina que ele também é Deus zeloso de seu nome e de sua vontade, querendo que o homem aprenda a seu respeito.

A Bíblia não pode ser simplesmente citada, mas sim, estudada com atenção e sinceridade, não podemos dar crédito a qualquer citação, pois até Satanás citou as escrituras para Jesus (Mateus 4: 1-11).

Portanto, o que temos a fazer, é não nos deixar levar por qualquer ensinamento, mesmo que aos nossos olhos sejam “bons”, antes de verifique na verdadeira e única palavra de Deus (a Bíblia), se estes ensinamentos condizem com a sua vontade (Atos 17:10-11).

Daniel Granados Negrão

(4) Ainda o Espiritismo como obra do Demônio

Nosso objetivo ao escrever o artigo “O Espiritismo é obra do Demônio?”, não foi levantar polêmica sobre o assunto, mas o de simplesmente mostrar às pessoas sinceras que essas acusações feitas ao Espiritismo não tem sentido.

Entretanto, ao lermos o artigo de Daniel Granados Negrão (Edição n.º 34 Folha de Guanhães coluna Cartas à Redação) sentimos que este ponto se vista ainda persiste para algumas pessoas.

A certa altura de seu artigo diz: “A Bíblia não pode ser simplesmente citada, mas sim, estudada com atenção e sinceridade, não podemos dar créditos a qualquer citação, pois até Satanás citou as escrituras para Jesus”. Realmente devemos estudar a Bíblia e buscar a verdadeiro sentido, saindo “da letra que mata para o espírito que dá vida”. Não devemos nos apegar demais na literalidade, mas extrair o verdadeiro sentido do Evangelho.

Na citação que ele faz de Mateus 4: 1-11, vamos encontrar o versículo 8: “O diabo o levou ainda a um monte muito elevado, mostrou-lhe todos os reinos do mundo com seu esplendor e lhe disse: “Todas estas coisas te darei se, prostrado, me adorares”. Gostaria de saber que monte é este que apesar da esfericidade da terra se consegue ver todos os reinos do mundo. Assim para não sairmos da boa lógica, deveremos buscar sempre o verdadeiro sentido da passagem, levando em conta nossa razão e discernimento.

Se como diz Daniel, as citações que fizemos não se pode dar crédito, não entendo o porquê, pois se para ele a Bíblia é a palavra de Deus e não mudamos em nada o que está escrito e mais ainda, não vemos porque dar crédito somente às suas citações. Dois pesos e duas medidas?

Cita Lucas 16: 19-31, concluindo: “que os mortos não podem se apresentar aos vivos, trazendo ensinamentos...”. Não sei se deste trecho posso concluir que ele aceita a comunicação dos mortos, só não admitindo que os mortos possam nos ensinar qualquer coisa? Mas de qualquer forma a questão, no caso, era que os irmãos de Lázaro eram tão duros que não se converteriam mesmo se alguém já morto lhes fossem dar conselhos.

E quanto à comunicação dos mortos teríamos as seguintes considerações:

1ª - Não vemos sentido em alguém proibir algo que não possa acontecer, assim a proibição de Moisés de “evocar os mortos” é uma das confirmações que elas podem acontecer, ou seja, que os mortos uma vez evocados podem atender e se comunicar conosco.

2ª - No Novo Testamento temos uma prova irrefutável de que os mortos se comunicam. Em Mateus 17: 1-3, temos: “Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte, sobre um alto monte. Transfigurou-se diante deles seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se branca como a luz. Então lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com ele”. Ora, quando se deu este episódio Moisés e Elias já haviam morrido a muito tempo e esta aparição vem então confirmar a possibilidade da comunicação dos mortos, apesar de que algumas pessoas ainda acreditam que Elias não morreu, que ele foi para o Céu em uma carruagem de fogo, tudo bem, mas quanto a Moisés não há como contestar.

3ª - Nas outras religiões, onde são citados vários casos de aparecimento de pessoas que já morreram: os chamados santos.

4ª - E cientificamente vemos alguns trabalhos que vem sustentar isso. Poderemos citar, por exemplo, o livro do Dr. Carlos Augusto Perandréa – A Psicografia à Luz da Grafoscopia, onde ele analisa com sua autoridade de perito em Grafoscopia, algumas mensagens recebidas de espíritos que animaram pessoas que já morreram, cujas assinaturas são identificadas como as assinaturas destas pessoas quando vivas. A Grafoscopia, como sabemos, é um conjunto de conhecimentos norteadores dos exames gráficos, que verifica as causas geradoras e modificadoras da escrita, através de metodologia apropriada, para a determinação da autenticidade gráfica e da autoria gráfica.

O autor do texto nos traz outra citação: “Hebreus 9; 24-28, ressaltando o versículo 27: “E, como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o Juízo”. Questiona também com esta citação a reencarnação, que talvez em outra oportunidade poderemos falar, não sendo o assunto que queremos tratar no momento.

Analisando esta passagem vamos ver que isolada não tem sentido. Se aceitarmos que somente morremos uma vez e depois disso seremos julgados chegaríamos à conclusão que Jesus e os apóstolos não poderiam ressuscitar ninguém, pois se isto acontecesse haveria dois problemas. Primeiro, eles já haviam sido julgados por Deus, e assim sendo, só poderiam estar no Céu ou no Inferno, então voltaram? Segundo, seria contrário à ordem de Deus de só morrer uma vez, pois eles teriam duas mortes.

Achamos que o verdadeiro sentido, baseados nos conhecimentos da Doutrina Espírita, é que neste corpo físico somente morreremos em definitivo uma vez, e para cada corpo que habitarmos, em nossas várias reencarnações, isto também seria válido.

Quanto ao julgamento do juízo, após nossa morte, veremos que não se conciliaria com o dia do juízo final, onde Deus iria julgar os vivos e os mortos. Ora se Deus iria nos julgar é porque ainda não fomos julgados, ou então haveria dois julgamentos? Ou teremos apenas um? Mas se for assim, de termos um, em que ocasião seremos julgados? Na morte ou no juízo final?

E finalmente queremos dizer se no Evangelho existe algum momento em que Jesus condena a quem quer que seja de outra religião? Não, só O vemos condenar a hipocrisia dos escribas e fariseus. Assim “Nenhum discípulo está acima do mestre, e nenhum empregado acima do patrão. Basta que o discípulo se torne como o mestre e o empregado como o patrão” palavras de Jesus narradas por Mateus 10: 24-25.

E quanto à forma de nos relacionarmos com Deus ele diz: “Onde estão dois ou treis reunidos em meu nome, eu estou lá entre eles” (Mateus 18: 20), circunstância muito bem percebida por Pedro: “De fato, agora compreendo que Deus não faz distinção de pessoas; mas todos os que o adoram e praticam o bem são aceitos por ele, seja qual for sua nação” (Atos 10: 34-35).

Assim meu caro Daniel, estude, conheça e verifique pessoalmente o que as “comunicações dos mortos” trouxeram à humanidade através da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec. O parâmetro você pode encontrar em Mateus 7: 17-18: “Toda árvore boa dá bons frutos, toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má, bons frutos”. E fazemos a você um convite, venha ao nosso Grupo e nos mostre onde e em que circunstâncias o que fazemos está contrário aos princípios morais e das máximas de Cristo, diga-nos e nós, com certeza, mudaremos de caminho.

Paulo da Silva Neto Sobrinho (GEAK)

(5) O Espiritismo é obra do demônio – II

Gostaria aqui de esclarecer que, ao escrever a carta para a redação do jornal Folha de Guanhães, sobre o artigo “O Espiritismo é Obra do Demônio?”, tentei deixar bem claro logo de início, que eu gostaria apenas de expressar minha opinião e crença sobre o assunto abordado no artigo, não tinha como objetivo discutir ou criar polêmica sobre o assunto, mas volto aqui a me expressar, já que parece que o autor do artigo não compreendeu bem minha opinião (edição n.º 35).

Na passagem que me referi no primeiro texto, sobre Mateus 4: 1-11, gostaria de esclarecer: o importante na passagem, não é qual monte é tão alto que se pode ver todos os reinos do mundo (versículo 8), mas a passagem mostra que Satanás tem autoridade o suficiente para dar a Jesus (o filho do criador do mundo), todos os reinos terrestres, como isso pode ser?

A própria Bíblia ensina que Satanás é o príncipe deste mundo: João12: 31, João 14: 30, João 16: 11.

A missão dele (Satanás) é reunir pessoas com o objetivo de afastá-las do verdadeiro Deus. Quando escrevi que qualquer citação bíblica ou não a respeito da religião, antes de ser aceita, deve ser pesquisada, quis apenas dizer o quão é importante aprendermos sobre Deus e sua vontade, não querendo em hipótese alguma dizer que sou dono da verdade, mas sim impedir que pessoas sejam enganadas por palavras que adoçam o ouvido mas matam o espírito.

Sobre a citação que fiz de Lucas 16: 19-31, gostaria de dizer: Ao ler o trecho acima citado, para mim é bem claro alguns pontos:

1º - Existe pós morte um local para onde o espírito vai (este local pode ser bom ou mau. Versículos 22-23);

2º - Um espírito não pode passar de um dos locais para outro (versículo 26), como bem mostrou, por exemplo, a novela espírita “A Viagem”;

3º - A oportunidade de aprendermos sobre Deus é durante nossa vida (versículos 28-29);

4º - No versículo 30, o rico insiste com Abraão que algum dos mortos fosse ter com seus parentes (do rico). Mas no versículo 31, Abraão responde: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que alguns dos mortos ressuscitasse”.

Concordo com o ponto de vista que a passagem mostra também que a dureza de coração dos vivos impede que eles aprendam sobre Deus. Mas o caso que quero observar é que a palavra que Abraão usou para responder ao rico foi “ressuscite” e, não, “visite” (estando morto).

Além disso, a Bíblia tem inúmeras passagens a respeito de que ela própria (como palavra de Deus), tem “poder” de instruir o homem de boa vontade, sobre os ensinamentos de Deus (II Timóteo, 3: 14-17).

Ela (a Bíblia), também alerta para o fato dos falsos ensinamentos, sejam eles quais forem ou de qualquer religião (I Timóteo, 4: 1-5; II Timóteo 3: 13 e 4: 1-5).

A minha conclusão é que todo e qualquer ensinamento que não seja bíblico (a respeito da religião), é falso; portanto, deve ser combatido.

A respeito de Hebreus 9: 24-28, no Novo Testamento, Jesus e seus apóstolos pregam que é chegado o Reino dos Céus. No livro de Atos, capítulo 2, podemos ver o estabelecimento da igreja (do grego Ekklesia, que quer dizer assembléia, reunião, congregação), principalmente a partir dos Versículos 37-47. A partir desse momento, os apóstolos começaram a mencionar sobre a igreja ou Reino de Deus, como instituição já estabelecida (ver por exemplo Colossenses 1: 13), para qualquer pessoa fazer parte deste reino da Bíblia (somente ela) ensina que devemos cumprir três passos fundamentais:

1º - arrepender de nossos pecados.

2º - nos batizar.

3º - ficarmos fiéis até nossa morte.

Com isso devemos procurar aprender sobre a vontade de Deus para nossa vida e transmiti-la (Mateus 28: 18-20). Quanto ao julgamento do dia do Senhor, o próprio Jesus irá julgar (tantos os vivos quantos mortos), pelas suas condutas em vida, em momento algum escrevi que o julgamento após a nossa morte é imediato, se esta idéia foi passada, me desculpem, mas agora corrijo. A Bíblia ensina que todos passarão pelo julgamento divino, mas isso somente acontecerá quando Jesus voltar pela segunda vez, até então todos que morreram ficarão esperando por este dia. Certamente a chance que o homem tem de viver eternamente com Deus, é aprendendo sobre ele agora, não espere sua reencarnação (como se fosse possível).

Outro fato importante é que Jesus procura ensinar as pessoas a fazerem parte de sua igreja (a palavra igreja ou qualquer termo que é usado para identificá-la no Novo Testamento, sempre indica um mesmo povo, às vezes em locais diferentes, mas sempre um mesmo povo), não podemos confundir pensando que cristianismo seja uma religião, pois não é, ele (o cristianismo) é a base para chegarmos ao Evangelho de Cristo que é o poder de Deus para salvar o homem (Efésios 4: 1-6).

Um último detalhe, ao ler o artigo “Ainda o espiritismo com obra do demônio” (edição 35), quando diz: “Achamos o verdadeiro sentido, baseado nos conhecimentos da doutrina espírita, é que nesse corpo físico somente morremos em definitivo uma vez, e para cada corpo que habitarmos, em nossas várias reencarnações”.

Não compreendi bem o que quiseram dizer então pergunto: todos que foram ressuscitados (na Bíblia), foram ressuscitadas com o mesmo corpo (físico) ou outro corpo (físico) foi usado?

Se nesse corpo (físico) morremos uma só vez, como Lázaro amigo de Jesus, foi reconhecido pelas pessoas que o viram ser ressuscitado? É fácil compreender o motivo de algumas ressuscitações terem sido feitas na Bíblia, todo milagre bíblico foi usado para provar aos homens que presenciaram estes milagres, que Deus através daqueles homens que os realizavam, estava agindo, e tentando despertar a fé dos incrédulos (Hebreus 2: 40).

Deixo aqui meus agradecimentos, ao Jornal Folha de Guanhães, pela oportunidade de me expressar, como a oportunidade acredito eu, deve ser data a todas as pessoas.

As pessoas que lerem este texto, e quiserem sinceramente estudar a respeito dos ensinamentos bíblicos, me coloco a inteira disposição, não que eu seja um sábio, mas meu objetivo é aprender sobre os verdadeiros ensinamentos que podem me levar a viver em espírito eternamente com Deus.

Daniel Granados Negrão

(6) O Espiritismo é...

No artigo “O Espiritismo é Obra do Demônio II” o autor falou sobre quase tudo que havíamos escrito, mas não foi ao ponto fundamental do texto.

Tem sustentado, desde o início, que os mortos não se comunicam com os vivos, e que as “supostas” comunicações são obra do demônio e como conclusão, também o Espiritismo o é.

Além do que já dissemos em nossos artigos anteriores, gostaria apenas de voltar à narrativa de Mateus 17: 1-3: “Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte, sobre um alto monte. Transfigurou-se diante deles: seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se banca como a luz. Então lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele”. Vejam vocês leitores que nos tem acompanhado nestes artigos, o próprio Moisés, aquele que diz ter Deus proibido a “evocação dos mortos”, aparece pessoalmente em espírito (é claro) e conversa com Jesus, fato que teve como testemunhas Pedro, Tiago e João. Não há como contestar esta realidade, a não ser que não acreditemos no Evangelho ou lhe modifiquemos o sentido, ou ainda, só se fossemos pela outra linha de raciocínio dizendo: não foi Moisés que se manifestou foi o demônio, que em nova investida, tenta a Jesus. Seria desvirtuarmos por demais o texto Sagrado.

Aliás, a tentação de Jesus (Mateus 4: 1-11) somente podemos compreendê-la no sentido figurado, e isto foi o que eu quis dizer ao perguntar que monte alto é esse onde se poderia ver todos os reinos do mundo, apesar de nosso planeta ser redondo como uma laranja. Será realmente que Jesus foi tentado? Não o vemos em várias vezes mostrar sua superioridade sobre os demônios (espíritos impuros), sendo inclusive reconhecido por eles como o “Filho de Deus”. Tiramos do livro “Em torno do Mestre” – Vinícius, as seguintes formas de interpretação desta passagem:

1ª forma: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães, visto que tens forme. Resposta: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Moralidade: A fraqueza da carne é uma das portas abertas às tentações. Por ela o diabo penetra, agindo com êxito. Essa porta denomina-se luxúria ou incontinência, gulodice ou intemperança, e tudo o mais que se relaciona com as sensações físicas, cuja sede é a matéria.

2 ª forma: Galgando o pináculo do templo, disse-lhe o diabo: Se és o filho de Deus, lança-te daqui abaixo: porque escrito está: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, e eles te sustentarão em suas mãos, para não tropeçares em alguma pedra. Resposta: Também escrito está: Não tentarás o Senhor teu Deus. Moralidade: Orgulho com suas modalidades – presunção, arrogância, vaidade, soberba – constitui a segunda porta por onde o diabo ingressa, arrastando o homem a quedas desastrosas.

3ª forma: De novo o diabo o levou a um monte muito alto, e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Resposta: Vai-te Satã, pois está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto. Moralidade: A cobiça, a ambição desmedida, o apego às riquezas e à fascinação do poder e das glórias mundanas são, em conjunto, a terceira porta ás investidas do diabo”.

Depois desta análise fico até a pensar se este demônio que sabia tanto das escrituras não são justamente os homens de ontem - espíritos de hoje ou os homens de hoje – espíritos de amanhã que tanto e tanto conhecem os ensinamentos de Jesus sem, contudo colocá-los em prática no seu dia-a-dia.

Mas voltando à questão do Espiritismo ser obra do demônio. Para quem ainda não conhece o princípio básico do Espiritismo é que: ‘FORA DA CARIDADE NÂO HÁ SALVAÇÃO”, buscando, desta forma, seguir os mandamentos ditados por Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a ti mesmo”. Princípio que poderá ser seguido por qualquer pessoa independentemente de raça, cor ou religião.

Nas comunicações com os espíritos aceitamos seus conselhos quando nos incentivam ao bem e em buscarmos o nosso crescimento moral e espiritual, neste caso são os bons espíritos (anjos), mas se ao contrário seus ensinamentos ferirem qualquer princípio moral ou evangélico sabemos que eles são os espíritos inferiores (demônios). Se somente os demônios (espíritos inferiores) se manifestassem Deus seria completamente injusto se não fosse permitido aos anjos (espíritos bons) virem em nosso socorro e auxílio. E além disto se só os demônios se manifestassem vai ficar parecendo que Deus nos quer realmente é no “inferno”.

Os espíritos inferiores, quando se manifestam, procuramos convertê-los ao caminho do bem, mostrando-lhes que agindo assim estão buscando sua evolução espiritual, única maneira de chegarmos até Deus. Com os espíritos bons aprendemos que, conforme Jesus mesmo disse: “A cada um segundo as suas obras”, indo para um lugar no plano espiritual de acordo com as ações praticadas. As regiões “celestes” estão reservadas aos que seguiram os mandamentos de Cristo, como recompensa pelo bem que realizaram. As regiões “infernais”, para aqueles que pouco ou quase nunca se importaram com seu próximo. Este é o “abismo” citado na narrativa de Lucas sobre Lázaro e o Rico. Sabemos que é um “abismo” moral, e não físico, que só será transposto se o indivíduo “renunciar a si mesmo”, conquistando pelo seu próprio esforço na prática do bem a condição de merecer um lugar melhor no outro lado da vida. Não pode ser, portanto uma situação definitiva, mas temporária e de acordo com a justiça e misericórdia de Deus.

No exemplo citado da novela “A Viagem” ficou bem claro esta situação. Diná-espírito pôde ir ao lugar onde Alexandre-espírito se encontrava e este somente pôde ir ao lugar onde sua irmã estava quando mudou de atitude, vencendo em si o ódio e o desejo de vingança e arrependido de suas ações teve outra oportunidade de reencarnar e novamente viver entre aqueles que odiava.

E antes de encerrarmos, queremos esclarecer a dúvida do autor do texto colocada lá no finalzinho. O que queremos dizer é que, como ele mesmo citou: “Que a ordem de Deus é o homem morrer uma só vez”, concordamos com isto, entretanto devemos acrescentar: em cada encarnação, ou seja, para cada vida que viermos no corpo físico a nossa morte só acontecerá uma única vez. E é por isso que não concordamos com a ressurreição de Lázaro, pois se ele já havia morrido e voltou novamente a viver no mesmo corpo físico, ele teve então duas mortes.

Ora sabemos, pela ciência, que certas pessoas podem ficar em estado de letargia por vários dias e neste estado, sem um exame clínico adequado a pessoa poderia muito bem ser considerada que já está morta. Fatos que se comprovam nos casos que quase todos nós já ouvimos contar de pessoas que foram encontradas viradas em seu caixão, quando por qualquer motivo houve a necessidade de se desenterrar o defunto. Apesar de hoje estes casos serem mais raros, vemos a própria lei estabelecer um período de tempo mínimo para que se possa enterrar uma pessoa declarada morta, evitando, desta forma, casos como estes, coisa que não acontecia àquela época, cujo costume era enterrar a pessoa logo após sua morte, ou pelo menos que julgavam estar mortas.

O caso de Lázaro é um destes, e Jesus tanto é que sabia disto que não correu logo para acudir as irmãs de Lázaro. Vejamos o episódio da ressurreição da filha de Jairo em Mateus 9, 18-26, especialmente o versículo 24: “Retirai-vos porque a menina não está morta: ela dorme”. É com certeza a mesma coisa acontecida com Lázaro. A morte, no conceito do Espiritismo ocorre quando o desligamento do espírito (alma) com o corpo físico é completo. Uma vez completamente desligado, não há como retornar o espírito àquele corpo e revivê-lo, mas no caso de Lázaro e da filha de Jairo não havia ainda se completado o desligamento, assim não poderia ter havido ressurreição (o espírito depois da morte voltar novamente ao mesmo corpo físico) tanto é que Jesus disse que a filha de Jairo não estava morta, portanto não poderia haver ressurreição.

Parece que uma das grandes diferenças do Espiritismo é que procura ver o homem como um ser espiritual, valorizando-o nesta condição, pouco valor dando ao corpo físico, é o que interpretamos de Jesus quando disse: “O espírito é que dá vida; a carne de nada serve” (João 6, 63).

E para encerrarmos, por tudo o que o Espiritismo tem feito de bom não há como atribuí-lo a obra do demônio, como o autor o coloca. Não entendo o porque então se diz à disposição das pessoas para ensiná-las sobre a Bíblia, se ele mesmo ainda não conseguiu compreender o verdadeiro sentido dessas palavras de Jesus: “Todo o reino dividido em partidos que lutam uns contra os outros cairá em ruína, e toda a cidade ou família dividida em grupo não poderá manter”. E fazemos nossas as palavras de Gamaliel (Atos 5, 38-39), quando defendia a Pedro e os apóstolos perante o conselho: “Deixai-os em paz. Porque, se este plano ou esta obra vem dos homens, fracassará na certa. Mas, se vem de Deus, então nunca podereis destruí-la. Pois neste caso estareis lutando contra Deus!”.

Paulo da Silva Neto Sobrinho (GEAK)

Conclusão

O que estranhamos de tudo isto é que a Doutrina Espírita além de não combater religião alguma não diz serem nenhuma obra do demônio. Não que sejamos bonzinhos, mas porque nos empenhamos em seguir fielmente as orientações de Jesus quando ele nos adverte: “Portanto, tudo o que quereis que os outros vos façam, fazei o mesmo também vós a eles: nisso está a Lei e os Profetas ” (Mateus 7, 12).

Outro ponto importante é que não temos a Bíblia como infalível, muito embora ela contém a revelação Divina, quem a escreveu não foi o próprio Deus, mas sim os falíveis seres humanos. Vemos claramente nela impregnada, com uma influência extraordinária, a cultura do povo que predominava na época. Assim é que temos um Deus, vingativo, Senhor dos exércitos, a arrepender-Se do que fez, injusto, cruel, entre outras, diametralmente oposto ao que Jesus nos traz, quando nos mostra o Deus Pai. Por isso a nossa maneira de encarar a Bíblia fica longe de uma fé cega, para uma fé raciocinada, onde a razão e a lógica andam juntas.

Fev/2000

Fonte:

(1) Folha de Guanhães – Edição n.º 32, Semanário, 26/09 a 02/10/94, pág. 2.

(2) Folha de Guanhães – Edição n.º 33, Semanário, 03 a 09/10/94, pág. 2.

(3) Folha de Guanhães – Edição n.º 34, Semanário, 10 a 16/10/94, pág. 2.

(4) Folha de Guanhães – Edição n.º 35, Semanário, 17 a 23/10/94, pág. 2.

(5) Folha de Guanhães – Edição n.º 36, Semanário, 24 a 31/10/94, pág. 2.

(6) Folha de Guanhães – Edição n.º 38, Semanário, 07 a 13/11/94, pág. 2.