Chorar ou rir, eis a questão!

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Como de costume, aos domingos pela manhã, sempre assisto ao programa Visão Espírita de iniciativa do apresentador Alamar Régis.

Tenho acompanhado a luta deste incansável divulgador da Doutrina Espírita. Seu programa tem brindado a todos nós com vários temas interessantes, entrevistando pessoas de indiscutível conhecimento do Espiritismo. Interessante que mesmo sendo pessoas que eu desconhecia sou, por dever, obrigado a reconhecer o talento e a capacidade delas.

No programa do dia 28/04, domingo passado, foi ao programa a médium Miltes Soares de Carvalho Bonna, do Centro Espírita Obreiros do Senhor, de São Paulo, que demonstrou um profundo conhecimento doutrinário, respondendo magistralmente aos questionamentos dos telespectadores. Se expressa de uma clareza ímpar, de uma maneira que todos conseguem entender seus argumentos. Aqui, deixamos registrado o nosso parabéns, primeiramente à Miltes e, depois, ao Alamar por tê-la encontrado.

Mas, o que mais me chamou a atenção nesse programa, na verdade não foi a entrevistada, e digo isso envergonhado. Sabe por que? Não?! Explico. É que um empresário da cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, apareceu no programa se identificando como assíduo telespectador do programa e, sensibilizado com a luta do Alamar, se prontificou a doar os móveis que faltam para o Grupo Visão terminar o estúdio de onde é transmitido o programa.

E aí é que está o motivo de nossa dúvida: chorar ou rir?

Chorar? Sim. E o choro seria de vergonha, pois a referida pessoa não é espírita, mas sim um católico. Isso deveria também deixar envergonhados todos os telespectadores espíritas do programa que nada fazem para ajudá-lo, todos os órgãos que estão à frente no Movimento Espírita, que não fazem o mínimo esforço para ajudá-lo nesse projeto de divulgação do Espiritismo para todo o Brasil.

Há uns tempos atrás lancei uma campanha denominada “Campanha do Beija-flor”, cuja idéia, era para os espíritas, que reconhecessem a importância do programa Visão Espírita, à época Espiritismo Via Satélite, pudessem pedir (ou implorar seria a expressão melhor?), junto à casa Espírita que freqüentam, R$ 1,00 (um real) de cada freqüentador para repassar ao projeto do Alamar Régis. Nem com uma importância tão irrisória como esta, a idéia foi à frente.

Agora, diante da atitude deste católico, ficamos a meditar. O que será que acontece com os espíritas? Por que, me desculpem a expressão, são tão pão-duros? Até parece que nas casas espíritas só existem pessoas que vieram para cá para não terem que pagar o dízimo, já que no Espiritismo não o adotamos. É a única explicação que encontrei.

Acordem, espíritas! Ainda é tempo, pois do jeito que as coisas andam, continuaremos a chorar de vergonha por muito e muito tempo.

Em meio a tudo isso, qual é o motivo de rir? É rir de alegria, por constatar que o programa Visão Espírita conseguiu comover uma pessoa que não é espírita a ajudar. Se o programa não fosse bom, se lhe faltasse qualidade, se tivesse como preocupação fazer proselitismo, se os entrevistados fossem pessoas sem nenhuma capacidade, com certeza isso não teria acontecido. Vejo assim, este fato, como o maior atestado de que o programa é bom, e mais ainda, é necessário, pois aquele católico que, mesmo sem sair de religião para abraçar o Espiritismo, se comoveu com a luta do Alamar, e resolveu praticar a ação enaltecida por Jesus na parábola do Bom Samaritano.

Seria o caso de dizer aos espíritas, “vá tu e fazes o mesmo” e “terás um tesouro no céu”.

Paulo da Silva Neto Sobrinho
Autor do livro: A Bíblia à Moda da Casa
29.04.2002