O Espiritismo é pura mentira? - Parte I

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Se o Espiritismo é uma falsidade, ele cairá por si mesmo; se, porém, é uma verdade, não há diatribe que possa fazer dele uma mentira. (KARDEC, 1859)

Introdução

Sempre estamos recebendo correspondência eletrônica de pessoas que não querem entender ou não entenderam absolutamente nada de Espiritismo, buscando nos alertar de que estamos no caminho errado, para tomarmos cuidado com satanás, que se disfarça em anjo de luz e outras coisas do gênero. Algumas dessas pessoas citam algum livro Espírita, outros falam que foram Espíritas, enfim querem dar-nos a entender que sabem muito mais que nós, todos os espíritas juntos, que só ele, talvez por iluminação divina, conseguiu enxergar que o Espiritismo é uma mentira.

As coisas são colocadas de tal forma que nos dá a impressão que querem nos tomar como um bando de idiotas, que não sabemos o que estamos fazendo.

Têm-se observado um crescimento significativo dos Espíritas e em relação às religiões tradicionais, é o Espiritismo que apresenta maior taxa de crescimento. Esse fato é importante, pois o Espiritismo cresce apesar de não fazer proselitismo de qualquer espécie e de todo o combate sistemático que vem sofrendo das outras correntes religiosas cristãs, aqui já percebemos o grande paradoxo delas, já que o próprio Cristo respeitou a opinião pessoal de todos.

O Censo 2000, realizado pelo IBGE, colocou em evidência, que é no meio Espírita que se encontra proporcionalmente o maior percentual de pessoas com tempo de estudo, vejamos:

Religião

Tempo de Estudo

Espíritas

9,6 anos

Católicos

5,78 anos

Evangélicos Pentecostais

5,3 anos

Via de conseqüência, é no Espiritismo que encontramos o maior número relativo de pessoas com nível superior de escolaridade, dado significativo, pois, normalmente, essas são as pessoas que possuindo alto senso crítico, não se deixam levar pela cabeça dos outros. Vejamos o que nos diz o jornal “O Semeador”, de outubro/2003:

“Pesquisa revela perfil do espírita”

“Estudo feito, ano passado, pela Fundação Getúlio Vargas – FGV traçando o perfil social das religiões no País, revelou que 61,4% das pessoas que se declararam espíritas pertencem ao sexo feminino. Para o professor de História das Religiões da UERJ, Edgar Leite, o motivo principal de as mulheres se interessarem mais pelo Espiritismo está relacionado ao fato de que ‘essa religião está ligada a dois aspectos da personalidade da mulher: emoção e sensibilidade. Por isso elas aderem mais à crença’. Coordenado pelos cientistas políticos Zairo Borges Cheibub e Alberto Carlos Almeida, o estudo ouviu 2.988 pessoas e apontou uma outra curiosidade entre os espíritas. Eles apresentam o mais alto nível índice de escolaridade: 31,3% têm nível superior. Para a coordenadora de pesquisa do Instituto Superior de Estudos da Religião – ISER-, Regina Novaes, a explicação é simples: ‘Essa religião requer muita leitura. É comum atrair os mais instruídos’”. (Pág. 4) (grifo nosso).

Por este retrato já dá para se ter uma idéia que esse menosprezo, em achar que somos um bando de idiotas, não tem nenhum sentido, por que a realidade se apresenta com os adeptos do Espiritismo sendo os mais instruídos.

Poderia ser interessante listar aqui o nome de inúmeros cientistas, pesquisadores ou outras pessoas de alto gabarito intelectual para provar que não somos o que pensam, mas achamos ser desnecessário, pois os dados estatísticos já proporcionam essa prova. Só iremos dizer que muitos tomaram para si a tarefa de combatê-lo, buscando provar cientificamente a falsidade do Espiritismo, acabaram por ter que afirmar sua autenticidade, uma vez que não poderiam deixar de falar a verdade, como pessoas honestas que eram.

Vamos, então, fazer nossos comentários sobre o último e-mail recebido, cujo autor não revelaremos, pois não temos intenção de particularizar o que iremos falar, apenas estamos usando-o para esclarecimento de muitas outras pessoas que, com certeza, pensam como ele.

Análise do texto do crítico

-----Mensagem original-----
De: xxxxx [mailto:xxxxx@pmf.sc.gov.br]
Enviada em: sexta-feira, 24 de outubro de 2003 17:06
Para: webmaster@espirito.com.br
Assunto: É pura verdade...

DEUS ABOMINA O ESPIRITISMO

No espiritismo se fala em Deus, e ensina que todas as religiões que falam em Deus são boas, e que o importante é fazer a "Caridade."

Realmente se a caridade não fosse tão importante, Jesus não teria ter dito nada sobre ela, mas, ao contrário, além de tê-la realçado, por diversas vezes, deixou bem claro que seremos julgados pelo critério de “a cada um segundo suas obras”. Deu-nos ensinamentos significativos sobre isso, como por exemplo, na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), a quem mandou-nos seguir, e quando nos explica sobre o juízo final (Mt 25,31-46), dizendo sobre quem irá para direita ou para a esquerda. Qual foi o critério utilizado para indicar a quem deveríamos seguir exemplo, na primeira, ou para estabelecer a base desse julgamento, na segunda? Em ambos os casos são as ações na caridade, conforme nos colocam os textos.

Mas se não for a caridade, seria assistir missas aos domingos? Se você acha que é assim que irá se salvar, então diremos a você: “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2,17).

Eu comecei a estudar o espiritismo e descobri que o "deus" dos espíritas não é o mesmo Deus que o Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou a chamar de "Pai-Nosso que estais no Céu ... perdoai os nossos pecados, assim como nós perdoamos os nossos devedores."

Talvez o problema desse nosso crítico seja que somente tenha começado a estudar, faltou o principal: terminar, de importância capital, pois não há como entender o Espiritismo sem um estudo aprofundado. Kardec dizia que: “Toda ciência não se adquire senão com tempo e estudo” ([1]), e isso não se consegue apenas “começando”, mas requer longos e pacientes anos de estudo e dedicação ao assunto, porque “a opinião de um crítico não tem valor senão quando fale com perfeito conhecimento de causa” ([2]), acrescentando: “O verdadeiro crítico deve provar não somente erudição, mas um saber profundo no que concerne ao objeto que trate, um julgamento sadio, e de uma imparcialidade a toda prova; de outro modo, qualquer rabequista poderia se arrogar o direito de julgar Rossini, e um aprendiz de pintura o de censurar Rafael” ([3]).

O que temos observado nesse tempo todo que nos dedicamos ao estudo do Espiritismo, que iniciamos no ano de 1988 e ainda, sinceramente, achamos que não sabemos muita coisa e nem que já o temos por terminado. Ora, quem realmente o estuda, em profundidade, acaba por aceitar as teses Espíritas, é óbvio que estamos falando de pessoas de mente aberta, pois os de mente fechada só enxergam o que querem seus líderes religiosos. Exemplo? Sim, perfeitamente, podemos dar. O escritor e professor mineiro José Reis Chaves, bacharel em Comunicação e Expressão, pela PUC-MG, lecionou Português, Latim, História e Geografia, autor dos livros A Face Oculta das Religiões, Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência e Quando Chega a Verdade, que após vários anos de estudo acabou por deixar de ser católico, assumindo a posição de espírita. Podemos deixar seu telefone: (31) 3373-6870, caso alguém possa ter alguma dúvida quanto a isso. Aos que buscam a verdade que liberta, recomendamo-os, pois são todos elucidativos.

"O deus" do espiritismo e de todos os que acreditam na reencarnação, não tem poder de perdoar nossos pecados.

Engana-se, o Espiritismo não advoga que Deus não tenha poder, poder Ele tem, e, se podemos nos expressar assim, até de sobra, mas a questão não é bem essa; de ter ou não poder. A questão é se é justo ou não perdoar, aqui falamos perdoar dentro do conceito das religiões dogmáticas. Se alguém, por um motivo qualquer, matasse um parente nosso, e o juiz não o condenasse à prisão somente porque ele disse que estava arrependido do crime, ficaríamos satisfeitos com uma justiça humana deste tipo? Então por que acham que a justiça divina seria pior que a justiça humana?

Vamos supor, por outro lado, que alguém tenha passado a vida toda no crime, e no último minuto de sua vida tivesse tempo de pedir perdão a Deus por tudo o que fez, recebendo o perdão, como querem que seja. Dentro disso, perguntamos: seria justo ele ir para o céu, e lá ficar junto de um Francisco de Assis, sem que tenha feito o mínimo das ações no amor que esse santo fez? Se fosse você o criminoso, ficaria ali no paraíso, juntamente com esse santo e todos os outros santos, sem nenhum tipo de constrangimento? Temos certeza que sua consciência lhe acusaria de não merecer aquele lugar, por não ter feito o que todos eles fizeram.

Se Deus simplesmente nos perdoa e pronto, então o julgamento que Cristo propõe “a cada um segundo suas obras”, seria em vão? Qual o sentido de sermos bons se sendo maus poderemos ir para o mesmo lugar dos bons?

Embora de início possa lhe parecer contradição, afirmamos, com toda a convicção, que Deus poderá mesmo nos perdoar. Só que há um pequeno detalhe, não nos livra da dívida. O perdão de Deus poderá ser entendido como sendo a sua misericórdia em relação aos nossos erros, pois, levando em conta a nossa pequenez, não se ofende, ou seja, perdoa, mas não deixa de exigir a devida reparação. Essa reparação é feita quando agimos no amor já que “a caridade cobre multidão de pecados” (1Pd 4,8), entretanto, aos que não amam, a dor se apresenta como elemento para impulsioná-los rumo ao caminho do progresso evolutivo, meta final de todos nós, segundo a vontade de Deus “quer que todos os homens sejam salvos” (1Tm 2,4).

A reencarnação é justamente essa manifestação do perdão de Deus, que jamais ficaria indignado com nosso erro, sempre nos daria uma nova oportunidade para reparar o que fizermos de errado. Deus como um bom juiz, reconhece a nossa disposição de mudar, mas não nos livraria da prisão, lá nos colocaria, mas até que pagássemos o último centavo (Mt 5,26). O que o corpo físico é para o espírito, senão uma prisão? Assim, entendemos que nosso espírito estará numa prisão todas as vezes que ele encarna, ficando prisioneiro num corpo físico.

Temos dito, e poucas pessoas conseguem alcançar a profundidade disso, que na realidade Deus não perdoa. A coisa é bem simples: porque não se ofende. Consegue entender isso? Como pode um ser infinito ficar ofendido pelas traquinagens de um ser finito?

Porque o seu "deus" é importante e não tem misericórdia. Dizem então, que é preciso reencarnar, para pagar os pecados da vida passada.

A concepção Espírita de Deus realmente deve incomodar a muitos, já que para nós para ser Pai, como na expressão de Jesus, deve nos dar tantas oportunidades quanto precisarmos, senão não há como seguirmos o “sede perfeitos como é o vosso Pai Celestial” (Mt 5,48). A forma que Ele faz isso é dando-nos nova chance numa outra encarnação, até mesmo porque sem ela, não há como ser perfeito como o Pai Celestial. Mas se quer falar em misericórdia, onde ela se encontra se formos para o inferno? Onde reside a misericórdia de Deus: nos colocando numa nova encarnação para seremos recuperados ou enviando-nos para o inferno eterno, aonde nunca iremos ser recuperados? Será que existe um pai assim? O grande problema dos fanáticos é que apesar de acreditarem piamente no inferno, sempre pensam que eles próprios não irão para lá, e assim, é claro, distorcem a misericórdia divina, já que acreditam que ela funciona somente para eles. Quando irão compreender que Deus é Deus de todo o Universo e de tudo o que nele contêm. Que pouco importa a Deus a forma que as pessoas usam para se relacionar com Ele.

Na falsa doutrina espírita não existe a parábola do filho pródigo, porque o Deus de que Jesus Cristo nos ensinou a chamar de Pai, tem um coração misericordioso que acolhe de volta o filho que errou, mas decidiu a voltar para casa. Vejamos, este Nosso Pai do Céu não disse: "Agora volte a viver no chiqueiro com os porcos, para pagar as ingratidões que Me fizestes! Ele abraçou e beijou o seu filho e o acolheu novamente com todos os direitos que o filho têm” (Lc.15,11...).

Tudo bem, aceitamos perfeitamente essa parábola, entretanto, nos diga como aplicá-la ao dogma do castigo eterno em que acredita? E como também conciliá-la com a misericórdia divina? Seja mais coerente. Na parábola, o pai aceitou o filho de volta sim, coloque essa saída do filho como uma encarnação, aí você entenderá quanto necessária ela é para justificar a justiça e a misericórdia divinas. Aproveitamos para dizer-lhe que se Deus nos manda viver no inferno não estaria justamente dizendo algo pior do que: “Agora volte a viver no chiqueiro com os porcos, para pagar as ingratidões que Me fizestes!”, conforme você aplica, erroneamente em relação, à reencarnação. De acordo com o que acredita, ela seria assim: “Agora vá viver longe de Mim, vá assar no caldeirão do inferno, para pagar eternamente pela ingratidão que Me fizeste!”. A diferença é que poderemos ficar presos ao ciclo das reencarnações sucessivas, por um período longo, entretanto, nunca será eterno, como é a proposição dogmática em relação ao inferno. Assim, em qual deles Deus seria mais misericordioso?

Ora, o que você pensa da reencarnação, prova que você realmente leu meia dúzia de livros espíritas, e achou que já era catedrático em Espiritismo, a ponto de poder ensinar a todos os Espíritas o que ele é. A reencarnação não é punição, como normalmente os leigos pensam, ela tem por objetivo a evolução e o progresso do espírito, para que um dia, mesmo que sofra muito, ou em outras palavras, mesmo que “coma com os porcos”, volta para junto de Deus, de quem saiu ao ser criado. Com essa visão, devemos ressaltar, damos a Deus uma abrangência maior do que ser um Deus só de católicos, de protestantes, ou de... seja lá do que for, para ser o Deus de todos os homens, já que tudo é criação Sua. Todos nós somos filhos pródigos, que temos, durante nossas várias experiências no corpo físico, malbaratado os bens que Deus nos legou.

Devemos, também, esclarecer sobre outro grande equívoco dos que não compreendem a reencarnação. Nós somos na verdade espíritos, e nessa condição, a nossa vida é única, as reencarnações podemos enxergá-las como sendo as nossas saídas para gastar os nossos bens recebidos do Pai. Muitas pessoas acreditando que temos uma só vida, sem perceber, levam para o Espiritismo essa falsa idéia, aí as coisas se complicam, tudo lhes parece falso, mas isso é apenas falta de compreensão, assim, aquilo que não entendem, passam a combater.

A reencarnação é uma mentira. Pois, já está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo Final (Heb. 9,27).

Apesar de que não temos a reencarnação como sendo um princípio religioso, antes é uma lei natural, pois está dentro do universo que abrange todas as leis da natureza, podemos dizer que quem afirmou sobre ela foi Jesus: “Se queres compreender João é Elias que estava para vir” (Mt 11,14). Assim, podemos afirmar que quem prega o contrário é que está mentindo.

Os que são contrários à reencarnação admitem, em contrapartida, o pecado original e o inferno eterno. Especificamente quanto ao pecado original gostaríamos que meditassem nisso: “O filho nunca será responsável pelo pecado do pai, nem o pai, será culpado pelo pecado do filho” (Ez 18,20). Depois de meditado, nos respondam: como conciliar isso com a idéia de que cada homem que nasce, já nasce com um pecado que ele não cometeu, do qual deverá pagar com a morte? A morte não foi um dos castigos de Adão, então ainda estamos pagando pelo pecado dele? E, acrescentamos, até quando esse pecado deverá ser pago?

Davi, numa belíssima inspiração, nos diz: “O Senhor é misericordioso e compassivo, longânimo e assaz benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira” (Sl 103,8-9), gostaríamos de ver se alguém consegue justificar o “não repreende perpetuamente” e “nem conserva para sempre sua ira” com a teoria do inferno eterno? Sugerimos que façam uma leitura dessa passagem e verão, com surpresa, que nem todas as Bíblias trazem o texto desta forma, já que, ao que nos parece, tentaram de todas as maneiras escamotear a verdade que liberta.

Por outro lado, se, segundo advogam os dogmáticos, existe o inferno, pergunto quando foi que Deus o criou? Façam-nos um favor e leiam quais as palavras de Deus para os que cumprissem e os que não cumprissem os Dez Mandamentos, época provável de tê-lo criado. Têm alguma coisa a ver com uma vida após a morte? Teria porventura algo sobre castigo no inferno? Não, absolutamente não. Todas as bênçãos e maldições são para situações terrenas, donde concluímos que o inferno, como acreditam os dogmáticos, é pura mentira. Poderemos até aceitar o inferno como sendo aqui na terra – planeta inferior -, e, de certa forma, isso não deixa de ser uma verdade, pois é aqui mesmo que acabamos por pagar todos os nossos erros pela lei da reencarnação, que poderá ser voluntária ou compulsória, a gosto do freguês. Mas se alguém quiser mesmo saber quando foi criado o inferno dos cristãos, é só ver quando a cultura persa começou a influenciar os hebreus, e encontrará a resposta.

Cegos pelo dogmatismo não percebem as suas próprias contradições. Na Bíblia Pastoral, encontramos uma passagem cujo título, dado pela liderança católica, é “Punição tem limites”. Ora, como então mantêm a crença no castigo eterno? Mas é interessante ver essa passagem:

“Quando houver demanda entre dois homens e forem á justiça, eles serão julgados absolvendo-se o inocente e condenando-se o culpado. Se o culpado merecer açoites, o juiz o fará deitar-se no chão e mandará açoitá-lo em sua presença, com número de açoites proporcional à culpa. Podem acoitá-lo até quarenta vezes não mais; isso para não acontecer que a ferida se torne grave, caso seja açoitado mais vezes, e seu irmão fique marcado diante de você”. (Dt 25,1-3).

Percebemos que não houve perdão ao culpado, de onde se conclui que não teremos o perdão puro e simples como dizem. O culpado foi, imediatamente, castigado não depois, ou seja, nada de pena para uma época futura. Foi açoitado até morrer? Não! Recebeu o “numero de açoites proporcional à culpa”, o que nos diz que a pena será graduada de acordo com a falta cometida, daí como fica o inferno? Será que lá, no inferno, existe um lugar mais quente para os que cometeram os pecados mais graves, considerando que o tempo da pena é igual? Devemos entender com o “quarenta açoites, não mais” que há realmente um limite para o castigo, portanto, não poderá ser para sempre.

Talvez as pessoas, em sua grande maioria, não sabem que no cristianismo primitivo a reencarnação era aceita naturalmente, vejamos algo sobre esse assunto:

“Até agora, quase todos os historiadores da Igreja acreditaram que a doutrina da reencarnação foi declarada herética durante o Concílio de Constantinopla em 553. No entanto, a condenação da doutrina se deve a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano, que nunca esteve ligado aos protocolos do Concílio. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão ao poder como cortesã. Para se libertar de um passado que a envergonhava, ordenou, mais tarde, a morte de quinhentas antigas ‘colegas’ e, para não sofrer as conseqüências dessa ordem cruel em uma outra vida como preconizava a lei do Carma, empenhou-se em abolir toda a magnífica doutrina da reencarnação. Estava confiante no sucesso dessa anulação, decretada por ‘ordem divina’”.

“Em 543 d.C. o imperador Justiniano, sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos de Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas Obras De Principiis e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C), o grande Padre da Igreja, tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes do nascimento e sua dependência de ações passadas. Ele pensava que certas passagens do Novo Testamento poderiam ser explicadas somente à luz da reencarnação”.

“Do Concílio convocado pelo imperador Justiniano só participaram bispos do Oriente (ortodoxos). Nenhum de Roma. E o próprio Papa, que estava em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro”.

“O Concílio de Constantinopla, o quinto dos Concílios, não passou de um encontro, mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina da pré-existência da alma, apesar dos protestos do Papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata.

“A conclusão oficial a que o Concílio chegou após uma discussão de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação. Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados ‘Três Capítulos’) versavam apenas sobre a disputa a respeito dos três eruditos que Justiniano, há quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada continham sobre Orígenes. Os Papas seguintes, Pelágio I (556-561), Pelágio II (579-590) e Gregório (590-604), quando se referiram ao quinto Concílio, nunca tocaram no nome de Orígenes”.

“A Igreja aceitou o edito de Justiniano – ‘Todo aquele que ensinar esta fantástica pré-existência da alma e sua monstruosa renovação será condenado’ – como parte das conclusões do Concílio. Portanto, a proibição da doutrina da reencarnação não passa de um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica”.(KERSTEN, 1986).

Para referendar toda essa fala de Kersten, podemos ainda citar o escritor José Reis Chaves, que, especificamente no seu livro A Reencarnação Segundo a Bíblia e a Ciência, fala as mesmas coisas. Agora seria um bom momento para perguntar quem vem dizendo pura mentira? E usando do que o nosso crítico dirá daqui há pouco: “Enganar o próximo é uma grande falta de caridade”.

A passagem de Hb 9,27 é usada por quase todos que querem contestar a reencarnação, mas tudo em vão. Seria um forte argumento contra a reencarnação se o autor bíblico tivesse dito: ao homem está destinado a viver uma só vez, pois morrer, somente morremos uma só vez mesmo, e isso é válido para todas as reencarnações que tivermos, já que a morte do corpo físico só acontece uma vez. Duas coisas podemos ainda considerar nessa passagem. A primeira é que se isso é verdadeiro, as ressurreições contidas na Bíblia não poderiam ter acontecido, pois estariam infringido-a. A segunda, é que se “logo depois vem o juízo final” então essa morte é para os fins dos tempos, pois não é para essa época que esperam o dia o juízo final? Se bem que, a bem da verdade, das dez Bíblias, entre católicas e protestante, de editoras diferentes que possuímos, nenhuma diz juízo final, apenas; o juízo ou um julgamento. Mas, de qualquer forma, também assim poderemos questionar: haverá dois juízos, um logo depois de morrermos e o outro no final dos tempos? Quem for condenado pelo primeiro poderá se salvar no segundo? Existe um segundo para suprir a deficiência do primeiro?

Não poderemos deixar de colocar a seqüência do pensamento do autor bíblico citado (v. 28): “assim Cristo se ofereceu uma só vez para tomar sobre si os pecados da multidão” será que podemos concluir que estamos remidos dos nossos pecados? Ótimo, então já que Jesus pagou pelos nossos pecados, independentemente do que fizermos, iremos para o céu. Absurdo teológico que não encontra respaldo nos ensinamentos de Cristo.

Quanto a fazer "caridade" que se fala tanto no espiritismo, ela não deve ser um meio para atrair as pessoas e depois ensiná-las coisas falsas (essa é a isca). Enganar o próximo é uma grande falta de caridade.

Aqui novamente, percebemos que, conforme já pressentíamos de início, não estudou quanto devia, pois se tivesse feito tomaria conhecimento da opinião do codificador do Espiritismo que orienta-nos em não nos preocupamos em fazer proselitismo, quando nos diz:

“O Espiritismo se dirige aos que não crêem ou que duvidam, e não aos que têm fé e a quem essa fé é suficiente; ele não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as nossas, e nisto é conseqüente com os princípios de tolerância e de liberdade de consciência que professa. Por esse motivo não poderíamos aprovar as tentativas feitas por certas pessoas para converter às nossas idéias o clero, de qualquer comunhão que seja. Repetiremos, pois, a todos os espíritas: acolhei com solicitude os homens de boa-vontade; oferecei a luz aos que a procuram, porque com os que crêem não sereis bem sucedidos; não façais violência à fé de ninguém, muito mais quanto ao clero que aos seculares, porque semeareis em campos áridos; ponde a luz em evidência, para que a vejam os que quiserem ver; mostrai os frutos da árvore e deles daí de comer aos que têm fome e não aos que se dizem saciados”. (KARDEC, 1859).

O esclarecimento de Kardec é bastante claro, que não nos cabe mais nenhum comentário, assim se tivéssemos atrás de adeptos poderia ter algum sentido o que fala o nosso crítico.

Muitas pessoas estão usando deste meio uma fachada de filantropia, (ajudando os pobres de bens materiais), mas afastando muitos da verdade e do ensinamento que o Nosso Senhor Jesus nos ensinou, e que está nos Evangelhos. Vejamos a parábola do rico e Lázaro (Lc.16,26), (assim disse pai Abraão ao rico que estava no fogo do inferno. Além de tudo há entre nós e vós um grande abismo (barreira) de maneira que os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá). Quem diz que recebe carta do além ou fala com os mortos, é mentiroso.

Já que não nos preocupamos em fazer proselitismo, não há sentido algum em usar fachada de filantropia e de nada. Seguimos estritamente os ensinamentos de Jesus, que conforme já colocamos anteriormente, se resumem na prática da caridade, se fazer caridade é fachada, continuaremos a fazê-la, pouco nos importando o que os outros pensam, pois se até mesmo Jesus não foi compreendido, que dirá de nós, que nos esforçamos para segui-lo incondicionalmente.

Antes de entrar na parábola do rico e Lázaro, vamos meditar novamente. Segundo o que os dogmáticos acreditam Deus proibiu a comunicação com os mortos. Ora, segundo o nosso amigo não existe a comunicação entre os dois planos de vida, então perguntamos: será que Deus cometeu o absurdo de proibir algo que não acontece em hipótese alguma? Poderia nos explicar se Moisés e Elias que apareceram a Jesus no monte Tabor (Mt 17,1-9), estavam vivos ou mortos? Com certeza; mortos, nos dirá, pelo menos se não quiser mudar os fatos, então Jesus comunicou com os mortos, certo? Assim, tenha mais lógica em seus argumentos, pois assim você acabará passando atestado de incompetente.

Incompetência que fica evidente, pois nem mesmo conseguiu interpretar a passagem que apresenta contra a comunicação dos mortos. Na parábola citada, o abismo é entre o lugar onde se encontravam Abraão e Lázaro e o que se encontrava o rico, não tem absolutamente nada a ver com comunicação dos mortos. Mas se você tivesse entendido bem essa parábola, veria que ela nos traz exatamente a possibilidade da comunicação. Primeiro quando do pedido do rico a Abraão para que enviasse Lázaro para alertar a seus irmãos, se não acreditassem nessa hipótese, não há razão do pedido, não é mesmo? Para o segundo ponto é necessário colocarmos: “Mas Abrão concluiu: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, ainda que alguém ressuscite dos mortos, eles não ficariam convencidos” (v. 31). Ora, essa resposta de Abraão ao rico, vem justamente dizer da possibilidade da comunicação dos mortos, o que ele ressalta é que isso é completamente inútil, já que os irmãos do rico nem mesmo ouviram os vivos, Moisés e os profetas, também não ouviriam os mortos. Está aí o Espiritismo, de origem dos espíritos, comprovando plenamente essa assertiva de Abraão.

Mas considerando que “Deus é não Deus de mortos, mas sim de vivos” (Mt 22,32), informamos conseqüentemente que não evocamos mortos, evocamos os vivos, quem evoca os mortos é quem fica no cemitério chamando-os, não sabemos para o quê.

Só com permissão de Deus, no caso dos Profetas e Aparições da Virgem Maria. Jesus Cristo, Nosso Salvador, Rei é o único Senhor que instituiu o Sacramento do perdão e reconciliação. Porque conhece nossas fraquezas. Todos nós precisamos do perdão de Deus. Quem diz que não tem pecado, é um mentiroso (1ª Carta de São João 1,8-10).

Bom, novamente, voltaremos a apelar para o seu “começo” de estudo do Espiritismo. Você sabe, ou deveria saber, que os fenômenos, aos quais se convencionou ter como a origem do Espiritismo, aconteceram no vilarejo de Hydesville, estado de New York, E.U.A. Os relatos daqueles inusitados acontecimentos dizem-nos que a família Fox, de religião metodista, passou, lá pelo primeiro trimestre 1848, a viver atormentada diante dos “raps” que aconteciam na casa que alugara. Depois de certo tempo, o causador desses “raps” se identificou como sendo Charles B. Rosma, em vida foi um mascate, que teria sido assassinado naquela casa. Pois bem! Diga-me quem o evocou? Ninguém, não é mesmo? Assim, podemos concluir que se os espíritos se comunicam é porque há mesmo uma permissão de Deus. Mas se Deus permitir que somente ocorram manifestações dentro do seu segmento religioso, como nos casos que cita, então estaria se contradizendo, uma vez que “Deus não faz acepção de pessoas”. (At 10,34)

Se todos somos pecadores, agora não estamos entendendo mais nada, pois se dizem que Jesus morreu para pagar nossos pecados, mesmo depois dele ter morrido ainda continuamos pecadores, não dá para entender essa matemática, então ele morreu por nada? Observar que em Hb 9, 28, que colocamos anteriormente, está dito que Cristo tomou os nossos pecados, e aí como é que ficamos?

Deus abomina o espiritismo (Deut.18,10-14):

"Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo, seu filho ou sua filha, nem quem se dê a adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos. Porque o Senhor Teu Deus abomina aqueles que se dão a essas práticas... E é por causa dessas abominações que o Senhor, Teu Deus, expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, Teu Deus. As nações que vais despojar, ouvem os agoureiros e os adivinhos. A ti, porém, o Senhor, Teu Deus, não o permite.

Lev. 19,31: "Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles. Eu Sou o Senhor, vosso Deus."

Lev. 20,27: "Qualquer homem ou mulher que evocar os espíritos ou fazer adivinhações, será morto. Serão apedrejados, e levarão a sua culpa."

Lev. 19,1: "O Senhor disse a Moisés: Dirás a toda a assembléia de Israel o seguinte": "Sede Santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, SOU SANTO."

Outros textos: II Reis 23,4 Col. 2,15-18 Atos. 19,19 / II Reis. 23,24-25 Col. 2,8-10 Ef. 6,12

Poderíamos iniciar dizendo: “Não faça de sua Bíblia uma arma, pois a vítima pode ser você”, parafraseando um ditado popular.

Vejamos o significado que o “Aurélio” dá à palavra abominar: Sentir horror a; detestar; aborrecer. Será que Deus, o supremo amor, teria sentimento desse nível, próprio de seres inferiores?

Outra coisa importantíssima, que devemos dizer, é que seguimos a Jesus, a ninguém mais, nem mesmo a Moisés, cujos preceitos Jesus fez questão de reformular, como por exemplo, a questão do sábado, a questão de amar os inimigos, a questão do adultério por pensamento, a questão do desprezo ao semelhante, etc., etc. Só se reformula o que não foi bem feito. E tem mais, a nosso ver, Jesus revogou o Antigo Testamento, o que fica claro quando ele diz aos escribas e fariseus: “Não se coloca remendo de pano novo em pano velho, nem vinho novo em odres velhos”, que em palavras mais claras: Se vocês ficarem apegados as Leis de Moisés não entenderão o meu ensinamento.

No que toca à comunicação com os mortos Jesus também não fez questão de cumprir, já que conversou, no monte Tabor, com os espíritos de Moisés e Elias, fato que deveria lembrar-se.

E mais, conforme, já o dissemos anteriormente, não evocamos mortos, mas sim vivos. Entretanto cabe-nos perguntar: os santos do catolicismo estão, dentro do seu conceito, vivos ou mortos? Acreditamos que mortos, então também os católicos se comunicam com os mortos!? Já sei, virá nos dizer que não evoca, mas invoca, entretanto o Aurélio diz da sinonímia dessas duas palavras, ou seja, é tudo a mesma coisa.

Mas por falar em santo... Temos, uma colocação que é sempre boa de se fazer aos católicos. Quem procurar conhecer as culturas dos povos que dominaram os hebreus, verá claramente que muitas coisas que faziam foram incorporadas pelos hebreus em suas práticas religiosas, chegando elas até os nossos dias. Da mesma forma, podemos dizer que muitas outras coisas foram copiadas do paganismo, como, por exemplo: a questão da Trindade, a divinização de Jesus, a procissão, a ressurreição da carne, a idéia do juízo final, a concepção por um Deus, no caso de Jesus, o culto aos mortos, satanás, entre outras.

Vejamos, especificamente, a questão dos santos.

Na cultura religiosa romana, tinham, entre outros, os seguintes deuses:

Todos eles também tinham os seus correspondentes na Cultura Grega.

No Catolicismo de Roma, temos, entre centenas de outros:

Não vemos grande diferença entre os deuses da Antigüidade e os santos de hoje, cada um com uma atribuição específica, assim, podemos dizer que os católicos possuem vários deuses, apesar de que irão negar isso veementemente.

Assim, vejamos o que fala a palavra de Deus sobre as imagens dos santos, que os católicos não fazem a mínima questão de seguir, apesar de exigirem que sigamos o Dt 18, 9-14: “Não faça ídolos para você, nenhuma representação do que existe no céu, na terra ou nas águas que estão debaixo da terra. Não se prostre diante desses deuses, nem os sirva, porque eu Javé seu Deus ou um Deus ciumento”. (Dt 5,8-9).

Mas porque será que fazem as imagens e as adoram? Resposta: “Os fabricantes de estatuas são todos um nada e suas coisas preferidas não têm valor. Seus devotos nada vêem nem conhecem, por isso acabam sendo enganados. Quem formaria um deus ou fundiria uma imagem, senão para conseguir alguma vantagem?” (Is 44,9).

Se Deus abomina o Espiritismo, conforme você diz, seremos obrigados a lembrar-lhe que Deus também deve abominar a adoração de imagens dos santos, que são senão outros deuses católicos.

Você pede para cumprirmos Dt 18,10-14, esperamos que seja suficientemente coerente para cumprir todas as determinações da Bíblia, já que para sua igreja ela é a palavra de Deus. Assim, somente em relação ao Deuteronômio, perguntamos a todos vocês:

Você nem calcula como poderíamos estender essa lista, mas preferimos ficar somente em Deuteronômio, que já nos dá uma idéia da incoerência das religiões dogmáticas presas ao Antigo Testamento. Se você quer segui-lo, tudo bem é um direito que lhe assiste, entretanto também temos, por nossa vez, o direito de não segui-lo, correto?

Para combater o Espiritismo você apresenta Lv 20,27, nós lhe propomos cumprir, por exemplo, na questão da pena de morte, também essas outras determinações bíblicas:

Ex 21,12: Quem ferir mortalmente um homem, será punido de morte.
Ex 21,15: Quem ferir o pai ou a mãe, será punido de morte.
Ex 21,16: Quem seqüestrar uma pessoa, quer a tenha vendido, ou ainda se encontre em seu poder, será punido de morte.
Ex 21,17: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe, será punido de morte.
Não que queiramos que vá cometer todos esses assassinatos, mas apenas para que você saia do impasse já que também é ordem divina: “Não matarás” (Ex 20,13).

Coerência, coerência, coerência é o que pedimos.

Deixamos de propósito, mais para o final, a proibição de Dt 18,10-14. Primeiro seria bom saber em que circunstâncias Moisés a colocou. Leiamos então: “Quando você entrar na terra que Javé seu Deus vai lhe dar, não imites as prática abomináveis das nações que aí vivem” (v. 9), donde se vê que essa determinação cabia apenas ao povo judeu que estava para entrar em Canaã, terra em que os cananeus praticavam a evocação dos mortos para fins de adivinhação. Era essa a intenção do legislador hebreu. E para que a verdade seja restabelecida é necessário colocarmos a tradução correta de Dt 18,9-14:

“Quando entrares na terra que Iahvéh, teu Deus, te dá, não aprendas a fazer as abominações daquelas nações. Não se achará em ti quem faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo, nem adivinhador, nem feiticeiros, nem agoureiro, nem cartomante, nem bruxo, nem mago e semelhante, nem quem consulte o necromante e o adivinho, nem quem exija a presença dos “mortos”. (SILVA, 2001). (grifo do original).

Observe que todas as coisas que os judeus não deveriam fazer estão ligadas à adivinhação, ora, isso não é, e nunca foi, prática Espírita. E que no texto não existe a palavra Espiritismo, sobre a qual falaremos mais à frente. E como você mesmo disse: “Enganar o próximo é uma grande falta de caridade”.

Vejamos como as diversas Bíblias católicas colocam o texto de Lv 19,31, que também serve para Lv 20,6 e 27:

Ave Maria: Não vos dirijais aos espíritas nem adivinhos: não os consulteis,...
Barsa: Não vos dirijais aos mágicos, nem consulteis os adivinhos,...
Bíblia de Jerusalém: Não vos voltareis para os necromantes nem consultareis os adivinhos...
Pastoral: Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos,...
Paulinas: Não vos dirijais aos magos nem interrogueis os adivinhos,...
Santuário Aparecida: Não recorrais às evocações e aos sortilégios;...
Vozes: Não recorrais aos médiuns, nem consulteis os espíritos...

O autor da Vulgata, São Jerônimo, disse: “A VERDADE NÃO PODE EXISTIR EM COISAS QUE DIVERGEM”, fica aí a advertência desse respeitável teólogo católico. Entretanto, o que aqui queremos ressaltar não é só isso, mas que as palavras “espírita” e “médium”, que encontramos nessa passagem, e Espiritismo em Dt 18,10-14, só estão ali por vergonhosa adulteração, pois são neologismos criados por Kardec em 18 de abril de 1857, não podendo, portanto, constar de qualquer Bíblia, a não ser por adulteração, como é esse o caso que estamos provando. E repetindo suas judiciosas palavras: “Enganar o próximo é uma grande falta de caridade”.

Só a título de esclarecimento, afinal a quem não devemos recorrer? A passagem, seguramente, está recomendando aos judeus não consultarem os necromantes. A necromancia era uma prática comum naquele tempo e consistia em consultar os mortos para fins de adivinhação, coisa que mesmo que se resolvesse aplicar nos dias de hoje, não caberia ao Espiritismo, já que não fazemos, do intercâmbio com os espíritos, um meio de adivinhação, conforme já o dissemos anteriormente.

Por outro lado, não seria mais lógico e prático ao invés de Deus instituir a proibição da comunicação com os mortos, tivesse feito como regra a impossibilidade desse fenômeno acontecer? Veja bem, não ficaria abominado e nem iria se contradizer mandando apedrejar até a morte a quem fizesse isso, não é mesmo?

Não se pode servir a dois senhores. Amarás o Senhor Teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu espírito (Deut. 6,5; Mt.22,37).

Só que apesar do Filho do homem não ter tido nenhum lugar para recostar a sua cabeça, vemos a riqueza estampada na maioria das igrejas. Dizem que na Igreja de São Pedro, em Roma, tem tanto ouro, que não se permite fotografar dentro dela, é claro, como ficariam essas imagens diante da pobreza dos fiéis? A recomendação de Jesus aos discípulos “Não arranjeis nem ouro, nem prata, nem dinheiro para carregar convosco, nem saco de viagem, nem duas túnicas, nem calçado, nem bordão, porque o trabalhador tem direito ao seu sustento” (Mt 10,9-10), esquecida pelos líderes religiosos, que preferem a Mamon. Enquanto que na sua igreja os líderes vivem da religião, no Espiritismo vivemos para a religião.

Sabemos que em certa residência oficial de um bispo existe até banheira de hidromassagem, não que por ser bispo não mereça nenhum conforto, com certeza todos merecem, entretanto à custa de quem que é o problema.

Não esqueça! Nosso Deus têm poder para perdoar nossos pecados (Jo. 20-23). Através do Sacerdote, conferir também, (Jo. 5,4-6).

Por sua vez, não se esqueça! Ter Ele tem, mas a questão não de poder, mas de justiça.

Se Jesus disse a uma mãe que o lugar que ela estava pedindo para os seus filhos, não caberia a ele conceder, mas ao Pai (Mt 20,23), por que razão passaria essa atribuição a outras pessoas? E mais, em nenhum lugar do Evangelho temos Jesus instituindo a classe sacerdotal. Por outro lado, os protestantes dizem que quem tem esse poder são os pastores, quem estará com a verdade? Vão nos desculpar, mas particularmente para nós, apesar de todos os sacerdotes, como pessoas humanas, merecerem o nosso respeito, são em grande maioria uns parasitas que vivem do dinheiro do povo, quando deveriam seguir, pelo menos, o exemplo de Paulo que se mantinha com os recursos de sua profissão de artesão, já que não seguem mesmo a Jesus.

Vejamos a opinião de um eminente teólogo independente:

“O povo ignorante e crédulo, proibido de ler livros que não tenha a chancela do clero, é geralmente incapaz de distinguir entre a genuína revelação de Deus e essa arbitrária teologia clerical originada no correr dos séculos; identifica a catolicidade cristã com o catolicismo romano; pensa que o que nesse livro se diz do poder do padre seja puro cristianismo, quando de fato é uma revoltante caricatura do Evangelho do Cristo, uma radical apostasia do cristianismo”. (ROHDEN, 1995).

Assim, percebemos que nem todo mundo acredita nos padres.

Repita: "Creio em Deus Pai Todo Poderoso. Creio também na Santa Igreja Católica. Creio na remissão dos pecados."

Vamos tentar: Creio em Deus Pai todo... todo... todo misericordioso. Creio também que sua Santa Igreja... Santa Igreja... Santa Igreja não está em lugar nenhum, pois “vem a hora, que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Adoradores como estes é que o Pai deseja” (Jo 4,23). Creio que a remissão dos pecados só poderá ser feita pelo próprio pecador, pois “a cada um segundo suas obras”. É bem que tentamos, mas parece que não conseguimos fazer do jeito que você propôs. Que há de se fazer, não é mesmo?

Não preciso reencarnar e sofrer de novo, Jesus Cristo nos diz: "Este é o Cálice do Meu Sangue, em remissão dos vossos pecados" (Mt.26,28). "O único que teve a coragem de nos dar a Sua Vida na Cruz. Só Ele pode nos perdoar."

Conforme já lhe dissemos anteriormente, reencarnamos não para sofrer, mas para evoluir. Se sofremos é conseqüência da lei de ação e reação “todos aqueles usam da espada, pela espada morrerão!” (Mt 26,52). A percepção de Paulo dessa realidade é incontestável, veja: “Não se iludam, pois com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado” (Gl 6,7). Se for o perdão puro e simples, perguntamos, novamente: onde fica o “a cada um segundo suas obras”? Jesus teria mentido, ou são os dogmáticos que mudam o sentido dos seus ensinamentos? Citaremos algumas passagens bíblicas contra o perdão, já que você aceita toda a bíblia como a palavra de Deus não deverá importar se essas passagens estiverem no Antigo Testamento, não é mesmo? Veja:

Pv 24,24: O povo amaldiçoará quem absolver o culpado, e contra ele todos ficarão irritados.

Sb 12,1-2: O teu espírito incorruptível está em todas as coisas. Por isso, castigas com brandura os que erram. Tu os admoestas, fazendo-os lembrar os pecados que cometeram, para que, afastando-se da maldade, acreditem em ti, Senhor.

Eclo 16,11: Mesmo que houvesse um só homem obstinado, seria estranho se ficasse sem castigo.

Is 26,10: Se absolvermos o malvado, ele nunca apreende a justiça; sobre a terra ele distorce as coisas direitas e não vê a grandeza de Javé.

Vejamos se o perdão e tão simples. Conta-nos, no livro Êxodo, que Moisés subiu ao monte Sinai para receber das “mãos” de Deus as duas tábuas de pedra com os Dez Mandamentos, ficando nesse monte por quarenta dias. O povo cansado de esperar, acaba por voltar aos cultos pagãos e juntando todo o ouro e jóias, fazem um bezerro de outro, que passam a adorá-lo.

Deus percebendo a traição do povo, ordena a Moisés descer rapidamente para conter essa abominação (gostou?), pois sua ira se ascendeu com tal intensidade que resolve “consumi-los”. Entretanto, antes disso, Moisés, ainda com as tabuas debaixo do braço, manda matar três mil adoradores do bezerro, apesar de estar entre as leis que recebeu: “Não matarás”.

No dia seguinte Moisés volta ao monte e coloca Deus contra a parede. Veja a narrativa:

“Este povo cometeu um pecado gravíssimo, fabricando um deus de ouro. Agora, porém, ou perdoas o pecado d eles ou me risca do teu livro. Javé respondeu a Moisés: ‘Riscarei do meu livro todo aquele que pecou contra mim. Agora vá e conduza o povo para onde eu lhe disse. Meu anjo irá na frente. Mas quando chegar o dia das contas eu punirei o pecado deles’” (Ex 32,32-34).

Ora, o que vemos é que apesar da ameaça de Moisés Deus diz que o povo será castigado no tempo certo, ou seja, não perdoou. Portanto, a tese de que Deus perdoa, cai por terra. Assim, poderá ver que o perdão puro e simples não é ensinamento bíblico. Mas aproveitando essa passagem, veja qual a conseqüência da adoração de imagem, assim cuidado com o que faz!

E, de mais a mais, a morte de Jesus na cruz foi tramada pelos sacerdotes da época, fatos que tentam atenuar dizendo que ele se ofereceu por nós. Não há como distorcer os acontecimentos registrados pela historia, não é mesmo?

Buda, Maomé, Alan Kardek e essa infinidade de seitas levam você ao fogo do inferno. Assim estes fundadores destas falsas religiões e falsas igrejas que não são como aquela fundada por Jesus Cristo sobre a rocha de Pedro, a qual ele chamou de "A MINHA IGREJA"(Mt.16,16s).

Não sei o que Buda, Maomé tem a ver conosco, mas, de qualquer forma, ninguém nos leva para o fogo do inferno porque ele não existe, é pura mentira. Os cristãos copiaram da cultura persa as idéias de castigo eterno, diabo, satanás e outros absurdos mais.

Agora temos certeza de que você nem mesmo começou a estudar o Espiritismo, pois se tivesse não escreveria Alan Kardek, pois o nome correto é Allan Kardec, dois “ll” ao invés de um e “c” e não “k”. Tivesse mesmo lido Kardec teria visto que ele nunca se colocou como fundador de absolutamente nada, que sempre atribuiu aos espíritos os ensinamentos da codificação, que nunca se colocou como “papa” do Espiritismo, como guru, como iluminado, enfim como qualquer ser especial que tenha recebido alguma revelação.

Considerando que também os protestantes alegam que a Igreja deles é que foi a fundada por Jesus, quem está mentindo nessa história, já que, repetimos, como disse São Jerônimo: A VERDADE NÃO PODE VIR DE COISAS QUE DIVERGEM?

Para entendermos essa questão de Pedro ser a rocha, leiamos um texto de Santo Agostinho:

“Porque tu me disseste: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo; também eu te digo; Tu és Pedro... Pois, antes se chamava Simão. Ora, este nome Pedro lhe foi imposto pelo Senhor. E vai nisto uma figura, para que significasse a Igreja. Porquanto a pedra é Cristo; Pedro é o povo cristão, pois, pedra é nome principal. Tanto assim que Pedro vem de pedra, e não pedra de Pedro – assim como Cristo não vem de cristão, mas cristão vem de Cristo. Diz, portanto: Tu és Pedro, e sobre esta pedra, que acabas de confessar, sobre esta pedra que conhecestes, dizendo: Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo – edificarei a minha Igreja. Quer dizer: sobre mim mesmo, o Filho de Deus vivo, edificarei a minha Igreja. Sobre mim é que te edificarei, e não a mim sobre ti”. (ROHDEN, 1995).

Completa Rohden: “Como se vê, o maior doutor da Igreja latina não considera a pessoa de Pedro como sendo a pedra, o fundamento da Igreja. A pedra, o fundamento da Igreja, é Cristo, o Filho de Deus vivo”. Nada mais a acrescentar.

Os Evangelhos narram os grandes milagres de Jesus. Assim Ele provou-nos que é Deus. Provou que é Deus e deu a maior prova de amor que alguém pode dar: Deu a Sua vida! Se a nossa vida não tem preço, quanto vale, então, a vida do "Autor da Vida?" No entanto, essa Vida de valor infinito, Ele a deu por nós, por mim e por você.

Qual seria o maior milagre que poderemos escolher entre os que Jesus realizou, segundo a narrativa dos evangelistas? Não existe um maior do que ressuscitar morto, não acha? Mas esse “milagre” extraordinário poderia justificar a divindade de Jesus? Acreditamos que não, pois caso contrário teríamos que também elevar à categoria de Deus: Elias, que ressuscitou um filho da uma viúva (1Rs 17,14), Elizeu, que fez o mesmo com um filho de uma sunamita (2Rs 4,32-37), Pedro, por ter ressuscitado a jovem chamada Tabita (At 9,36-40), e, finalmente, Paulo, que fez voltar à vida o menino Êutico, que havia morrido após ter caído de uma janela (At 20,9-12).

E os outros “milagres” provariam a divindade de Jesus? Também achamos que não, para justificar, citaremos os inúmeros prodígios que Elizeu fez: dividiu em duas partes as águas do rio Jordão (2Rs 2,14); conseguiu que uma mulher tivesse um filho, apesar do marido ser idoso (2Rs 4,13-17); tornou sem efeito o veneno de uma sopa feita com uva brava (2Rs 4,38-41); multiplicou pães (2Rs 4,41-44); curou Naamá da lepra (2Rs 5,1-14); colocou lepra no seu servo Giezi (2Rs 5,27); fez que um machado, que caiu nas águas do Jordão, boiasse (2Rs 6,5-7); vários fatos previstos por ele aconteceram (2 Reis), e, até depois de morto operou “milagre”, pois um morto ao ser jogado em seu túmulo reviveu e ficou em pé. Por isso tudo, seguindo o pensamento que milagres provam a divindade, poderemos afirmar, então, que Elizeu era Deus. Infelizmente é a esse absurdo que dá para se concluir.

Só Ele tem o poder e a autoridade de fundar A Religião e A Igreja. O resto é falsidade, loucura de homens que ficaram cegos pela própria soberba. É o caso de se perguntar: Será que algum desses pretensos "iluminados" provou que era Deus e morreu pelos seus adeptos e discípulos numa Cruz?

Jesus como judeu nunca se colocaria como Deus, somente os cristãos é que o endeusaram. Veja que incoerência, dizem que Jesus é descendente de Davi, entretanto como José não é o pai biológico de Jesus, isso é o que acreditam, então, via de conseqüência, Jesus não é descendente de Davi, do que, por força dos fatos, se deve concluir que Ele não é o Messias, já que o esperavam do tronco de Davi. Jesus não fundou absolutamente nenhuma religião e muito menos uma Igreja, sua mensagem é universalista, não poderia ter feito nenhuma restrição. Aproveitamos para perguntar: então antes de Jesus não existiu nenhuma religião? Porventura teremos que mudar o conceito de religião nos dicionários, devem estar todos errados, somente você é que está certo? Parabéns!

Perguntaremos: Jesus é homem ou Deus? Usaremos para responder essa questão as passagens bíblicas: “Eu sou Deus e não mudo” (Ml 3,6) e “Aprendeste o que foi dito, eu porém, vos digo,...” (Mt 5,21.27.31.33.38.43).

De duas uma; ou as Leis do Antigo Testamento eram de Deus e foram mudadas, contrariando a afirmativa de Malaquias, ou são leis mosaicas, reguladoras da convivência social e religiosa, que poderiam realmente ser modificadas, por quem tinha autoridade moral suficiente para isso: Jesus.

Engraçado é que como acredita piamente que a Bíblia é a palavra de Deus, mas nela as profecias falam sobre a vinda de um mensageiro, não que o próprio Deus viria pessoalmente a Terra.

Certa feita uma zelosa mãe pediu a Jesus que desse um lugar à direita do Pai para os seus dois filhos, ao que respondeu: “Não me cabe concedê-lo, porque estes lugares são destinados àqueles para os quais meu Pai os reservou” (Mt 20,23), ou seja, só cabe a Deus conceder. Portanto, não se coloca como Deus, pois se o fosse poderia ele mesmo ter atendido o pedido daquela mãe. Apesar de que isso seria difícil, pois teria que atender também a todas as outras mães.

Questionado sobre os fins dos tempos, Jesus afirma que só o Pai é dado saber quando ocorrerá, o que pressupomos que estava além de sua capacidade. Ora, isso só poderia acontecer se ele não fosse Deus, caso contrário, estaria mentindo.

Inúmeras vezes, Jesus disse que veio para cumprir, não a sua vontade, mas a vontade daquele que o enviou. Ora, se fosse Deus viria cumprir sua própria vontade, mas como nunca quis se passar por Deus, afirma que veio para cumprir a “vontade daquele que é maior do que eu”, deixando clara sua condição de subalterno em relação a Deus.

Se fosse Deus não faria sentido algum a frase: “tudo o que eu fiz vós podeis fazer e muito mais”, pois se chegássemos a fazer mais do que ele, seriamos, via de conseqüência, maior que Deus. Absurdo!!!

Deus não tenta a ninguém e não pode ser tentado, diz-nos o Evangelho (Tg 1,13), tudo bem, é um fato incontestável, mas como explicar a tentação de Jesus no deserto, se ele for realmente Deus?

“Pai em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46), é fato que a lógica nos diz que ninguém entrega algo a si mesmo, somente o faz quando se trata de outra pessoa, demonstrando que não se colocava como sendo o próprio Deus. Até mesmo ao usar a palavra “Pai” está dizendo que também é uma criatura de Deus, pois da mesma forma disse; “Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20,17), colocando-nos na mesma condição que ele.

A cultura dos judeus não permitia, de forma alguma, que alguém viesse a se colocar na condição de Deus, seria imediatamente apedrejado, como blasfemo. Jesus nasceu, viveu e morreu como um judeu, e o máximo que admitiu foi ser chamado de Filho de Deus, fato que causou indignação da classe sacerdotal da época. Ora, essa expressão Filho de Deus era comum entre o povo hebreu, para designar os profetas, o povo, os anjos, etc.

Essa questão da divinização de Jesus não é encontrada no Evangelho. No tempo de Jesus ninguém o considerou como tal: “Jesus de Nazaré foi o homem credenciado por Deus junto a vós...” (At 2,22). Somente na expansão do cristianismo é que foi tomando forma essa idéia, sem falar nas lutas corpo a corpo nos Concílios dos a favor e dos contra, até que finalmente foi “decretada” como dogma pelo Concílio de Nicéia em 325 d.C. Só que aí deixaram os cristãos em maus lençóis, pois como seguir o exemplo de Jesus sendo ele o próprio Deus? Poderá o homem se igualar a Deus? Absurdos que os teólogos não fazem a mínima questão de reformular, falta-lhes a humildade de reconhecer o erro? Ou são como disse Jesus: “Cegos guiando cegos”? Se você os segue, cuida para não cair ambos no buraco, recomendação sábia do Mestre.

Para os Espíritas, ele, Jesus, é o tipo mais perfeito que Deus deu aos homens para servir de modelo e guia.

Quanto a questão dos “iluminados”, perguntaria a você quem é o maior deles? Pense bem antes de responder, não é difícil. Se você disse: o Papa. Acertou!!! Pois bem, segundo a sua crença, ele, o Papa, é infalível, do que concluímos que isso deve ser muito mais que iluminado, ao passo que para nós, os Espíritas, sob qualquer aspecto que se queira observar, somente Deus o é.

"Antes que Abraão existisse, Eu Sou"(Jo.8,58). Como dói ver milhões e milhões enganados, abdicando a Luz para viver nas trevas do erro. Ele já nos tinha avisado: "Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes" (Mt. 7,15). Também São Paulo muito alertou a São Timóteo, o seu bispo primeiro, sobre essa insana ousadia dos "iluminados": "O Espírito diz expressamente que nos tempos vindouros alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas diabólicas" (1Tim. 4,1). "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas!"(2Tim.4,2-4). É o que vemos hoje: "falsos profetas", "doutrinas diabólicas", "multidão de mestres", milhares de "fábulas"...

Não temos a menor dúvida de que Deus tem plena capacidade de saber escolher quem poderia melhor desempenhar a missão de levar Suas palavras a todo o mundo. Missão tão importante não poderia estar na mãos de qualquer um, que para uma perfeita identificação devemos aplicar “é pelo fruto que se conhece a árvore” (Mt 12,33). Vejamos qual são os frutos da Igreja de Roma: inquisição, Cruzadas, vendas de indulgências, transformar os atos religiosos em fonte de renda, viver na opulência, estar sempre aliada aos ricos, ter escolhido o poder do Estado ao invés do povo, será tudo isso bons frutos?

A quase toda hora aparece uma Igreja nova, e com a mesma história de sempre, dizendo ser a verdadeira e que nela é que se encontra a salvação. Todas as igrejas ditas cristãs que pregam a salvação exclusiva, estão muito longe dos ensinamentos do Cristo, que têm caráter universalista.

Acreditamos que, em todos os tempos e a todos os povos, apareceram seres verdadeiramente iluminados, que foram realmente enviados de Deus, já que Deus não faz acepção de pessoas. E como todos nós somos espíritos criados por ele, por questão de justiça não poderia revelar sua vontade a apenas um grupo de fanáticos que deturparam todas as grandes verdades que Ele disse, pelos seus prepostos, à humanidade.

A frase “Antes de Abraão existisse, eu sou”, não prova a divindade de Jesus, provando, isso sim, a pré-existência do espírito. E mais, já que ele sempre se igualou a nós, daí também podemos dizer que se ele conversou com os espíritos Moisés e Elias, certamente nós poderemos fazer.

Não irmão, não aceite mais cuspir no Rosto do Senhor; não queira renovar a Sua Flagelação, não forneça mais um espinho para a Sua coroa de dores, não ajunte mais uma martelada nos Seus cravos, não empurre ainda mais a lança contra o Seu Sagrado Coração. Por toda a sabedoria, que vem da Palavra de Deus, conscientizado pela verdade, decididamente abandonai o espiritismo e assumi o seu Batismo (Efésios. 4,5...). Se você foi enganado pelo espiritismo ou outras crenças falsas, volte para a Casa do Pai. Jesus está Vivo na Eucaristia e te espera na Santa Missa.

Quem está sempre cuspindo no rosto de Jesus, quem está sempre renovando a Sua flagelação, quem está sempre colocando espinho para sua coroa de dores, quem martela cravos, quem empurra a lança, são os que a todos os anos revivem a paixão de Cristo, para manter no povo a imagem do Jesus morto, não do Jesus ressuscitado em espírito, glorioso. Mas deve ser a maneira de sensibilizar o pobre povo para daí manterem o domínio do poder e do dinheiro.

Voltar para a casa do Pai, como? Nunca saímos dela, por isso não tem jeito.

Batismo? Porque será que Jesus não batizou ninguém? Se o batismo é importante assim, por que não fez dele o terceiro mandamento? Mas no Evangelho diz que o batismo de Jesus é de fogo, como então batizam com água? Se o batismo salva, não sabemos como já que, segundo dizem, Jesus remiu nossos pecados com sua morte na cruz. Por que será que Jesus não disse a ninguém: Vá e batize e estarás salvo? Um dos motivos do batismo é o tal do pecado original, nós não queremos ser responsabilizados pelo pecado de Adão e Eva, bem original por sinal, buscamos a nossa defesa em: “O pai não será morto pelo pecado do filho, nem o filho pelo pecado do pai, cada um morrerá pelo seu próprio pecado” (Ez 18,20).

Se Jesus está mesmo vivo na Eucaristia, temos um problema, estaríamos voltando no tempo, pois esse comportamento é típico de povos antropófagos. Desculpe-nos a comparação, mas se você “come” Jesus na Eucaristia, você o manda para o seu estômago, nós preferimos mandá-Lo para o nosso coração, símbolo da sede dos sentimentos.

Sobre a Santa Missa podemos colocar esse trecho do Evangelho que explica muito bem essa questão: Assim vocês escravizam a palavra de Deus com a tradição de vocês. Hipócritas! Isaías profetizou muito bem sobre vocês, quando disse: “Esse povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos”. (Mt 15,8).

Conclusão

Não temos muito mais o que falar, já que no decorrer desse nosso trabalho já colocamos quase tudo que tínhamos a dizer. Mas para completar, ainda colocaríamos:

“[...] É tempo para tirarmos o Cristo e seu Evangelho da penumbra das igrejas e seitas, do meio das controvérsias teológicas, e lançá-las à luz meridiana do mundo e do universo. O Cristo não é telúrico, muito menos eclesiástico – ele é cósmico, universal”. (ROHDEN, 1995).

“Em tempos idos, quando eu estudava o catecismo, tive de aprender que Jesus tinha essa amizade aos dissidentes a fim de os converter à verdadeira Igreja – mas não há vestígio disso no Evangelho. Não há um só exemplo no Evangelho em que Jesus procurasse converter alguém para uma determinada Igreja ou forma de culto; o que ele quer é que todos conheçam e amem o Pai celeste; que entrem no reino Deus. E quando algum dissidente, como por exemplo o bom samaritano, já está bem no coração do reino de Deus, Jesus não procura ‘convertê-lo’, arrastá-lo para esta ou aquela Igreja ou seita religiosa. Nem mesmo com a mulher samaritana, que não era nenhuma santa, usou táticas de conversão eclesiástica; não insistiu com ele que fosse adorar a Deus no templo de Jerusalém, a ‘Roma’ dos judeus de então; antes, fez-lhes ver a necessidade de adorar a Deus ‘em espírito e verdade’, fosse no monte Garizin, fosse em Jerusalém, fosse em outra parte qualquer. Não o lugar mas o modo do culto divino é que era decisivo para Jesus. Não esta ou aquela Igreja ou seita, mas o reino de Deus é que decidia sobre salvação ou perdição”. (ROHDEN, 1995).

Assim, percebemos claramente que Kardec estava com a razão, quando disse que o Espiritismo não é para os que possuem alguma religião, e com ela está satisfeito, é antes para os que não tem religião alguma. E, de propósito, não responderemos a pergunta inicial “O Espiritismo é pura mentira?”, deixando para você, caro leitor, a resposta, diante de tudo o que colocamos aqui, confiando no seu bom senso.

Out/2003.

Referências Bibliográficas

[1] Livro dos Médiuns, pág. 23.

[2] Livro dos Médiuns, pág. 23.

[3] Livro dos Médiuns, pág. 23.