Espiritismo: fácil refutar. Espírita: difícil convencer

Paulo da Silva Neto Sobrinho

“O Espiritismo é como o aço, e todas as serpentes possíveis usarão seus dentes para mordê-lo”. (Erasto, espírito).

“Se há os que crêem estar em erro, são livres para olhar luz, que brilha para todo mundo; aqueles que crêem estar na verdade são livres para afastar os olhos”. (KARDEC)

“A luz clareia aqueles que abrem seus olhos, mas as trevas se espessam para aqueles que querem fechá-lo” (SIMÉON, espírito).

“Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-lo; mas, a verdade é como o Sol que dissipa os mais densos nevoeiros”. (KARDEC).

“É próprio de todas as grandes verdades receber o batismo da perseguição; as animosidades que o Espiritismo suscita são a prova de sua importância, porque, se fosse julgado sem importância, não se preocupariam com ele”. (KARDEC).

“Discutir idéias; expor argumentos às acusações infundadas que contra nós são atiradas; contestar as opiniões errôneas que contra nós são apresentadas; rebater as calúnias; apontar as mentiras; desmascarar a hipocrisia; tal deve ser o afã de todo Espírito sincero, cônscio dos deveres que lhes são confiados”.(Cairbar Schutel).

Introdução

Apesar do esforço que empreendemos, é-nos difícil entender por que determinadas pessoas, que por petulância se dizem cristãs, ficam por aí combatendo as que não “rezam pela sua Bíblia”. Não sabemos de onde tiraram isso, pois Jesus, além de recomendar que não deveríamos fazer aos outros aquilo que não queremos que os outros nos façam, deu-nos o exemplo de tolerância: ao tomar refeição na casa de um detestável publicano, ao atender horripilantes leprosos, ao conversar com uma discriminada samaritana, ao tratar com consideração as desprezadas prostitutas, ao não julgar a mulher adúltera, contrariando a lei mosaica que mandava apedrejá-la até à morte, enfim, tudo quanto fez foi tratar a todos de igual para igual, sem condenações, sem preconceito e sem humilhar os que encontrava em seu caminho. A única coisa que não suportava era a hipocrisia dos líderes religiosos de sua época, já que eles não viviam o que pregavam, aos quais chamou de sepulcros caiados: bonito só por fora, podre por dentro.

Então por que esses “supostos cristãos” fazem o que não foi recomendado pelo Mestre? Serão eles maiores do que Jesus? Será que nunca irão entender que todos nós temos o direito sagrado de seguir a Jesus da maneira que acharmos melhor? Jesus obrigou alguém a segui-lo? Impôs a ferro e fogo sua doutrina? Mandou dizimar os hereges? Alguma coisa enfim, teria ele dito para que se possa justificar a atitude desses fariseus modernos? Nada. Absolutamente nada. Pois, na verdade, eles não pregam a doutrina do Cristo, pregam suas próprias doutrinas, são os falsos profetas de que alertava Jesus.

Encontramos no site www.montfort.org.br/perguntas/espiritismo10.html um texto em que o autor novamente procura de forma aberta e ostensiva ridicularizar tanto o Espiritismo quanto seu codificador. Do qual faremos a devida análise a seguir:

Análise do texto

Título: Espiritismo: fácil refutar. Espírita: difícil convencer

Pergunta
De: Luis Gustavo
Enviada em: Sábado, 11 de Janeiro de 2003.
Caro Fabiano,

A poucos dias re-encontrei uma amiga e me tornei muito amigo de sua família, passados alguns dias tive uma decepção, fiquei sabendo que a família dela por parte de mãe era toda espírita, inclusive sua mãe é médium. Penso agora, que a qualquer momento serei envolto por uma enchurrada de perguntas e questionamento a este respeito já que eles sabem que tenho grande aversão a esta seita, o problema que não tenho grandes conhecimentos a respeito e pretendo procurar conhecer melhor esta desgraça que acaba com tantas almas.
Gostaria de receber os estudos que você tem sobre este assunto inclusive os erros cômicos encontrados nos livros de Kardec.
Desde já agradeço sua ajuda.
Fique com Deus.
Luis Gustavo

Pode ser até que estejamos enganados, se for esse o caso nos desculpem, pois essa pergunta está nos cheirando a armação; parece-nos produto do próprio autor do texto que, por falta de um bom motivo para dar início ao que queria realmente falar, inventa, com isso, um subterfúgio para dar vazão às suas críticas ferinas e descaridosas.

Achamos que se traiu, quando disse: “Gostaria de receber os estudos que você tem sobre este assunto, inclusive os erros cômicos encontrados nos livros de Kardec”, pois, ao que tudo indica, esse tal de “Luis Gustavo” já estava sabendo demais a respeito da obra do Fabiano. É mesmo de desconfiar!

Mas pouco nos importa de onde partiu, já que isso é mesmo irrelevante. Entretanto, desde o início, nos mostra o preconceito, que alguns fazem questão de nutrir sobre o que é o Espiritismo. Deve-se primeiro conhecer para julgar, mas informamos que esse conhecimento não pode ser adquirido com os detratores, por não serem uma fonte segura, já que fatalmente irão falar mal e desvirtuar as coisas. Assim sendo, se alguém quiser comentários isentos, terá que buscar fontes mais confiáveis.

Se tivéssemos mesmo que nos afastar de médiuns, a única solução seria ficarmos completamente isolados, já que em todos os lugares onde houver seres humanos, terá sempre médiuns, pois é uma faculdade humana, não é propriedade da Doutrina Espírita, nem temos o registro de sua patente em órgão público especializado. Na própria Bíblia nós a encontramos na qualificação de profetas. Vejamos: “Antigamente, em Israel, quando alguém ia consultar a Deus, dizia: ‘Vamos ao vidente’, porque, em vez de ‘profeta’, como hoje se diz, dizia-se ‘vidente’” (1Sm 9,9). A ignorância sobre essa faculdade, que o Espiritismo vem desmistificar, colocava esses profetas como se fossem pessoas “especiais”, quando na verdade todos nós a possuímos, variando apenas quanto a seu grau.

Na introdução aos Profetas, a Bíblia de Jerusalém traz a seguinte informação:

“Esta variedade na recepção e expressão da mensagem depende, em grande parte, do temperamento pessoal e dos dons naturais de cada profeta, mas ela encobre uma identidade fundamental: todo verdadeiro profeta tem viva consciência de não ser mais que instrumento, de que as palavras que profere são ao mesmo tempo suas e não suas. Tem a convicção inabalável de que recebeu uma palavra de Deus e de que deve comunicá-la. Esta convicção se funda na experiência misteriosa, digamos mística, de um contato imediato com Deus. Pode acontecer, como dissemos, que este influxo divino provoque exteriormente manifestações ‘anormais’, mas se trata apenas de algo acidental, como acontece também com os místicos, deve-se afirmar que esta intervenção de Deus na alma do profeta coloca-o num estado psicológico ‘supranormal’. Negá-lo seria rebaixar o espírito profético ao nível da inspiração do poeta, ou das ilusões dos pseudo-inspirados” (pág. 1231). (grifo nosso).

Mudemos nesse texto as palavras profeta e Deus, respectivamente, por médium e Espírito, que iremos encontrar exatamente a faculdade mediúnica, estudada pelo Espiritismo. Julgamos muita pretensão de alguns teólogos, em dizer que o próprio Deus, o Criador do Universo, venha pessoalmente inspirar uma pessoa. Esse comportamento talvez seja fruto da cultura do povo hebreu, que julgava como sendo deus tudo quanto saía da dimensão física. Fato que pode, muito bem, ser comprovado na passagem 1Sm 28,13, quando Saul se dirige à pitonisa de Endor para manter contato com o Espírito Samuel. Ela, ao vê-lo, diz: “Vejo um deus que sobe da terra”.

Talvez não saiba o crítico que em Sobradinho/DF, na Paróquia de Santa Filomena, o pároco local, Pe. Miguel Fernandes Martins, admite ser médium, e corajosamente vai mais além, pois dentro mesmo da própria Igreja evoca o Espírito Fabiano de Cristo, e influenciado por ele, atende aos fiéis, que lotam a sua Igreja atrás dos conselhos desse missionário do plano espiritual. (Revista Visão Espírita, nº 22, SEDA, BA, reportagem: O Padre Médium).

Outro ponto em que o crítico se encontra completamente equivocado é que nenhum Espírita faria “uma enchurrada de perguntas”, uma vez que não nos preocupamos em converter a quem quer que seja, pois respeitamos o direito inalienável que todos temos de escolher o que melhor nos convêm.

Só vemos motivo para refutar alguma coisa, quando a mesma se dirige diretamente a nós. Que fique bem claro que não estamos aqui para combater nenhuma das religiões organizadas. Kardec nos orienta que o Espiritismo veio para aqueles que não crêem ou não têm religião; aos que têm sua religião e se são felizes nela, que continuem assim. Só refutamos quando atacam o Espiritismo, já que presumimos ser de nosso pleno direito defender o que acreditamos. Nunca atacamos ninguém, apenas exercemos, quando necessário, esse direito de defesa deixando o ataque para os que ainda não compreenderam a essência dos ensinamentos de Jesus; não podemos nos igualar a esses de forma alguma.

E não seria inoportuno lembrar a essas pessoas que: “Se alguém diz: ‘Amo a Deus’ e detesta seu irmão, está mentindo. Porque quem não ama seu irmão, a quem vê, não é possível que ame a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20).

O teólogo Rohden foi muito feliz quando disse:

“O homem religioso, identificado com esse espírito de Jesus, não defende uma Igreja ou religião – mas vive Deus em toda a sua realidade. Quem defende uma Igreja ou determinada religião pode ser um bom teólogo, rabino ou sacerdote, mas não é religioso, pois ser religioso quer dizer descobrir Deus dentro de si, como Jesus, e viver em permanente conformidade com essa gloriosa descoberta, que é o amor incondicional e universal” (Lampejos Evangélicos, pág. 89).

É tão fulminante essa fala de Rohden, que, por sua clareza, dispensa maiores comentários, então calemo-nos diante do sábio.

Resposta

Prezado Luís,

Salve Maria.

Primeiramente, peço-lhe desculpas pelo atraso na resposta. Como você disse em sua carta não possuir grandes conhecimentos a cerca do espiritismo, estou começando do zero. Eu estou também aproveitando esse e-mail para tentar sintetizar meus muito desagradáveis estudos sobre o Kardec – ele não merece ser estudado e nem lido – em uma espécie de "resposta geral", de forma que possa servir também para outros.

É aí que reside todo o problema dos críticos; não estudam em profundidade o Espiritismo, mas mesmo assim se julgam conhecedores do assunto, acham que sabem mais dele que os Espíritas. Os ataques são sempre disfarçados pela “piedosa” intenção deles em nos livrar do fogo do inferno ou das malhas de Satanás. Citar livros Espíritas não faz ninguém especialista neste assunto. Se muitos Espíritas, após se dedicarem a longos anos de estudo, mesmo o fazendo como uma coisa agradável, ainda assim não se dizem conhecedores do assunto, como pode alguém que acha desagradável estudar Espiritismo ter conhecimento maior e mais correto do que o nosso?

E realçamos: começou mal, mostrando ser mau aluno, pois demonstrou má vontade em estudar Kardec. Por isso não estranhamos que nada tenha entendido, afinal, qualquer assunto que se estude com má vontade é muito pouco assimilado e o pouco que se assimila vai-se embora, no decorrer de poucas horas.

Ademais, mentes preconcebidas nunca entenderão o Espiritismo, pois para isso é preciso uma coisa fundamental, que é possuir boa vontade, e acima de tudo, sensibilidade, uma vez que:

“A verdade transcende o domínio das palavras; é impossível conhecê-la em sua essência, se não aprendemos a senti-la”. (BACCELLI, 2003).

Diz-nos Rohden:

“O povo ignorante e crédulo, proibido de ler livros que não tenham a chancela do clero, é geralmente incapaz de distinguir entre a genuína revelação de Deus e essa arbitrária teologia clerical originada no correr dos séculos; identifica a catolicidade cristã com o catolicismo romano; [...]”. (Lampejos Evangélicos, págs. 165-166).

É o que sempre encontramos pela frente. Todo crente fanático só sabe o que lhe impuseram e isso se torna a sua verdade pela qual lutará de unhas e dentes; inclusive pessoas que pensam de igual modo, dariam ou tirariam até a vida por ela.

O sábio diz: “O erro não se torna verdade por multiplicar-se na crença de muitos, nem a verdade se torna erro por ninguém a ver...” (GANDHI).

Refutar o espiritismo é muito fácil. O difícil é convencer um espírita de que ele esteja errado. E quanto mais a pessoa esteja metida no espiritismo, mais difícil será a tarefa. Se a mãe dessa sua amiga diz que é médium, eu não sei quais são as suas chances de fazê-la compreender que está em erro. Recomendo que você reze muito por eles.

Mas se refutar é “tão fácil” o lógico de se esperar seria o convencimento, mas por que será que nenhum Espírita se convence? Quer saber qual é o motivo? Porque quem convence é o Consolador e nós Espíritas, já estamos convencidos por ele. E não é com alternativa ridículas como “penas eternas”, “inferno”, “trindade” e mais alguns sofismas lançados a granel, que se convenceria um homem judicioso, um homem crítico, pois é justamente a estes que o Espiritismo se dirige. Coisas tão simplórias como estas não atendem mais às indagações do homem atual, do livre pensador, do homem de mente inquiridora. Já se passou a Idade Média e a Inquisição, em que dogmas absurdos eram enfiados “goela abaixo” aos pensadores e à pobre massa ignóbil, sob pena de retaliamento. Se a Igreja demorou a se tocar, então ocorreu o que se diria popularmente: a “ficha demorou a cair”, pois se levou quatrocentos anos para reconhecer alguns erros crassos de seus “infalíveis” pontífices, nada impede que não leve outras centenas de anos para se retratarem de outros. A Igreja Católica Apostólica Romana, nos dias de hoje, não oferece certeza aos que abrigam um espírito empreendedor e investigador em seu imo e fazem da dúvida racional e do questionamento incessante o trampolim necessário para a construção de suas próprias opiniões e filosofias de vida. Quem sabe só consegue algum resultado das classes mais ignorantes, supersticiosas, de pouca cultura, predispostas ao maravilhoso, ao sobrenatural? Não é o caso dos Espíritas, por isso não se convencem, mesmo porque estão convencidos, conforme já o dissemos, pelo Consolador, aquele prometido por Jesus, que nos faria lembrar de “todas as coisas”, porque toda a mensagem do cristianismo de Cristo seria esquecida ou mal compreendida.

Em janeiro de 1861, Kardec já dizia:

“O Espiritismo não pode considerar como crítico sério senão aquele que tiver visto tudo, estudado tudo, aprofundado tudo, com paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que soubesse sobre o assunto quanto o adepto mais esclarecido; que tivesse, por conseqüente, haurido seus conhecimentos em outro lugar do que nos romances de ciência; a quem não se pudesse opor nenhum fato do qual não tivesse conhecimento, nenhum argumento que nato tivesse meditado; que refutasse, não por negação, mas por outros argumentos mais peremptórios; que pudesse, enfim, assinalar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico está ainda por encontrar”. (Livro dos Médiuns, pág. 25).

Apesar da época, essa fala de Kardec continua mais atual do que nunca. O Espiritismo, próximo de completar um século e meio de existência, tem sofrido desde o seu nascedouro, combate sistemático, entretanto, ainda não apareceu ninguém com competência para derrubá-lo. Eminentes sábios e pesquisadores o tentaram, mas não tiveram alternativa senão abjurarem-se e aceitá-lo. Mais ao final iremos listar alguns deles. Quem sabe se o nosso crítico de agora se julga mais capaz do que todos os que tentaram provar sua falsidade e não conseguiram?

A respeito desse combate, vejamos a opinião de Kardec, que também servirá para reforçarmos porque não é fácil convencer um Espírita:

“De resto, todos vós que combateis o Espiritismo, o compreendeis? Vós o estudastes, escrustaste-o em seus detalhes, pesando maduramente todas as suas conseqüências: Não, mil vezes não. Falais de uma coisa que não conheceis; todas as vossas críticas, não falo das tolas, deselegantes e grosseiras diatribes, desprovidas de todo raciocínio e que não têm nenhum valor, falo daquelas que têm pelo menos a aparência do sério; todas as vossas críticas, digo eu, acusam a mais completa ignorância da coisa”.

“Para criticar é necessário opor um raciocínio a um raciocínio, uma prova a uma prova; isso é possível sem conhecimento profundo do assunto do qual se trata? Que pensaríeis daquele que pretendesse criticar um quadro sem possuir, ao menos em teoria, as regras do desenho e da pintura; discutir o mérito de uma ópera sem saber a música? Sabeis qual é a conseqüência de uma crítica ignorante? É ser ridículo e acusar uma falta de julgamento. Quanto mais a posição crítica é elevada, mais estiver em evidência, tanto mais seu interesse lhe manda circunspecção, para não se expor a receber desmentidos, sempre fáceis a dar a quem fale daquilo que não conheça. É por isso que os ataques contra o Espiritismo têm tão pouca importância, e favorecem seu desenvolvimento em lugar de detê-lo. Esses ataques são da propaganda; provocam o exame, e o exame não pode senão nos ser favorável, porque nos dirigimos à razão. [...]”

“Vós todos que o atacais, quereis, pois, um meio de combatê-lo com sucesso? Vou vo-lo indicar. Substituí-o por uma coisa melhor; encontrai uma solução MAIS LÓGICA para todas as questões que ele resolve; dai ao homem uma OUTRA CERTEZA que o torne mais feliz, e compreendei bem a importância dessa palavra certeza, porque o homem não aceita como certo o que não lhe pareça lógico; não vos contenteis em não dizer que isso não é, o que é muito fácil; provai, não por uma negação, mas por fatos, que isso não é, jamais foi e NÃO PODE SER; provai, enfim, que as conseqüências do Espiritismo não são as de tornar os homens melhores pela prática da mais pura moral evangélica, moral que se louva muito, mas que se pratica tão pouco. Quando tiverdes feito isso, serei o primeiro a me inclinar diante de vós. Até lá, permiti-me considerar vossas doutrinas, que são a negação de todo futuro, como a fonte do egoísmo, verme roedor da sociedade, e, por conseqüência, como um verdadeiro flagelo. Sim, o Espiritismo é forte, mais forte que vós, porque se apóia sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras baseadas no bem e no mal que se fez, vós vos apoiais sobre a incredulidade; ele convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade; vós, vos lhes ofereceis o NADA por perspectiva e o EGOÍSMO por consolação; ele explica tudo, vós não explicais nada; ele prova pelos fatos, e vós não provais nada; como quereis que se oscile entre as duas doutrinas?”. (Revista Espírita, 1860 pág. 3-5) (grifos do original).

E já que gosta de rezar, aproveite e peça a Deus para lhe dar a compreensão necessária para que possa ter mais respeito pela crença alheia.

Um amigo meu me contou que, certa vez, fazendo apostolado com um espírita que também se dizia médium, este espírita, após ver que havia perdido nos argumentos, respondeu ao meu amigo: "você pode me dizer o que você quiser que não vai me convencer; enquanto você me dá seus argumentos, tem um espírito sentado ao seu lado me dizendo que você está errado" (!!). Eu lhe pergunto: como é que se pode ter uma discussão racional com pessoas assim?

Discussão racional, partindo de um católico e estribado em meras estórias? Nós também poderíamos citar um monte de “evidências anedotas”, mas pensamos não ser esse o caminho adequado. Vejamos, no prosseguir dos comentários, se de fato assim procede.

É uma pena que esse “amigo” é seu e não nosso, pois se fosse, diríamos a ele: Você nunca foi espírita. E lhe informamos que o fato de ver espírito não torna ninguém um Espírita e nem mesmo o faz um diplomado em Espiritismo. O que ele disse, só mesmo um ignorante em matéria de Espiritismo diria a outro tão ignorante quanto ele, pois, fatalmente, acreditaria sem questionar. Isso é que nós chamaríamos de irracional, ou seja, atribuir ao Espiritismo coisa que não prega, não advoga, não recomenda a seus adeptos, antes ao contrário, reprovamos, veementemente, comportamentos como esse. Temos absoluta certeza que não partiu de um, vamos dizer, Espírita verdadeiro. Infelizmente a ignorância ora atribui ser médium como necessariamente ser espírita, ora diz dos locais onde ocorrem manifestações de espíritos como Espiritismo. Aos que nunca estudaram enganam, mas a nós absolutamente não. O Espírita verdadeiro responderia com argumentos próprios, já que os temos de sobra, e não com uma sandice dessas. Faça-nos o favor de pensar no que fala, pois quem se torna ridículo e revela a mais supina ignorância é o autor desses impropérios.

O problema de se fazer apostolado com espíritas é que eles são muito orgulhosos, e consideram todos os não-espíritas como "espíritos menos evoluídos". Argumentos de católicos, para eles, valem tanto quanto argumentos de crianças. A única coisa que importa para eles são as "revelações dos espíritos superiores", não importando se estas vão ou não contra a lógica, a razão, o bom senso ou até contra a moral e os bons costumes. Mas mesmo essas "revelações" são por vezes rejeitadas. Pois o próprio Kardec diz: "não se deve aceitar cegamente tudo o que venha deles (dos espíritos), da mesma forma que não se deve adotar às cegas tudo o que proceda dos homens" (LE, q.222, p.130). Ora, se não existe para eles fonte de verdade absoluta, no que eles confiam, senão em suas próprias "experiências"? Eis no que os espíritas acreditam: em si mesmos e nos espíritos que os possuem. Por isso são tão soberbos.

No entanto, o apostolado consiste em ensinar verdades para quem não as conhece ou não as compreende, confiando na ajuda de Deus. E o ensinamento requer humildade. Ora, se os espíritas são pretensiosos e orgulhosos com relação à sua doutrina é de se esperar que fazer apostolado com eles não seja uma fácil tarefa. Mas temos que ter fé em Nosso Senhor, que é "o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6) e esperar que a graça de Deus faça-os perceber e querer abandonar os seus erros.

Essa questão de fazer apostolado é crônica nos fanáticos, pois querem, a todo custo, convencer os outros a seus próprios pensamentos, na doce ilusão de que, por se julgarem certos, todos devem pensar conforme a verdade em que acreditam. Quando não conseguem encabrestar os outros com suas idéias, ficam indignados. Essa turma quer ser “mais realista que o rei”, como se diz popularmente. Tudo isso nada mais é que a expressão de orgulho, que não assumindo para si próprios, acabam transferindo para os outros. Particularmente sentimos orgulho daquilo que escolhemos para expressar a nossa religiosidade. Quem não sente orgulho daquilo que faz, não deveria fazer. Mais ainda; não outorgamos a ninguém o direito de escolher por nós aquilo que devemos seguir.

Não discriminamos a ninguém e nem consideramos “espíritos menos evoluídos” os que não pensam como nós; é insensatez dizer uma coisa dessas. Se nós acreditamos na reencarnação, no progresso dos espíritos, então sabemos que todos nós somos diferentes por estarmos em estágios evolutivos diferentes, essa é a lei, não há como discriminar ninguém por isso, deu para entender?

Quanto aos argumentos católicos, eles estão deturpando os ensinamentos de Cristo, realmente e, falando por nós, os achamos muito pueris. Vocês ainda acreditam em Adão e Eva, numa serpente que fala, no dilúvio universal, na divisão, por Moisés, do mar Vermelho em duas muralhas, na tomada de Jericó, cidade onde não havia habitantes, inferno, satanás e muitas outras coisas mais, não é um fato? Estamos com Paulo, quando diz: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança, desde que me tornei homem, eliminei as coisas de crianças” (1Cor 13,11). Em geral, falta o amadurecimento espiritual à maioria de seus seguidores.

Até os dias de hoje, ninguém conseguiu provar qualquer falta de lógica, de razão e de bom senso entre os princípios Espíritas, e acreditamos, não será o debochado articulista que o conseguirá. Quanto à acusação de sermos contra a moral e bons costumes, respondemos fazendo um desafio para que nos provem, onde agimos dessa forma, senão ficará na condição de reles caluniador. Quem sabe se apenas consideram contra a moral e bons costumes o fato das pessoas não aceitarem as imposições teológicas de sua Igreja? Agora dá para imaginarmos o que Jesus sofreu com a perseguição dos de sua época, pois atualmente acontece o mesmo conosco, uma vez que só queremos lhe seguir os passos. Mas se perseguiram ao Mestre, coitados de nós!

Podemos colocar mais uma citação de Kardec:

“A verdade não se prova pelas perseguições, mas pelo raciocínio; as perseguições, em todos os tempos, foram a arma das más causas, e daqueles que tomam o triunfo da força bruta pelo da razão. A perseguição é um meio mau de persuasão; pode momentaneamente abater o mais fraco, convencê-lo, jamais; porque, mesmo na aflição em que o tiver mergulhado, exclamará como Galileu em sua prisão: e pur si mouve! Recorrer à perseguição é provar que se conta pouco com o poder de sua lógica. Não useis, pois, de represálias: à violência oponde a doçura e uma inalterável tranqüilidade; restitui aos vossos inimigos o bem pelo mal; por aí dareis um desmentido às suas calúnias, e força-lo-eis a reconhecer que vossas crenças são melhores do que eles dizem”.

“A calúnia! direis; pode-se ver com sangue frio nossa Doutrina indignamente deturpada por mentiras? acusada de dizer o que não disse, de ensinar o contrário do que ela ensina, de produzir o mal ao passo que não produz senão o bem? A própria autoridade daqueles que têm uma tal linguagem não pode dobrar a opinião, retardar o progresso do Espiritismo?”

“Incontestavelmente está aí seu o objetivo; atingi-lo-ão? é uma outra questão, e não hesitamos em dizer que chegam a um resultado todo contrário: o de se desacreditarem e à sua causa. A calúnia, sem contradita, é uma arma perigosa e pérfida, mas tem dois gumes e fere sempre aquele que dela se serve. Recorrer à mentira para se defender é a mais forte prova de que não se têm boas razões para dar, porque, tendo-as, não se deixaria de fazê-las valer. Dizeis que uma coisa é má, se tal é vossa opinião; gritai-o sobre os telhados, se bom vos parece, cabe ao público julgar se estais no erro ou na verdade; mas deturpá-la para apoiar vosso sentimento, desnaturá-la, é indigno de todo homem que se respeita. Nos relatórios das obras dramáticas e literárias, vêem-se freqüentemente apreciações muito opostas; um crítico louva exageradamente o que outro achincalha: é seu direito; mas o que se pensaria daquele que, para sustentar a sua censura faria o autor dizer o que não disse, lhe emprestaria maus versos para provar que sua poesia é detestável?”

“Ocorre assim com os detratores do Espiritismo: pelas suas calúnias mostram a fraqueza de sua própria causa e a desacreditam fazendo ver a que lamentáveis extremismos são obrigados a recorrer para sustentá-la. De que peso pode ser uma opinião fundada sobre erros manifestos? De duas coisas uma, ou esses erros são voluntários, e então se vê a má-fé; ou são involuntários, e o autor prova sua inconseqüência falando do que não sabe; num e noutro caso perde todo direito à confiança”.

“O Espiritismo não é uma Doutrina que caminha na sombra; ele é conhecido, seus princípios são formulados de maneira clara, precisa, e sem ambigüidade. A calúnia, pois, não poderia atingi-lo; basta, para convencê-la da impostura, dizer: lede e vede. Sem dúvida, é útil desmascará-la; mas é preciso fazê-lo com calma, sem aspereza nem recriminação, limitando-se a opor, sem discursos supérfluos, o que é do que não é; deixai aos vossos adversários a cólera e as injúrias, guardai para vós o papel da força verdadeira: o da dignidade e da moderação”.

“De resto, não é preciso exagerar as conseqüências dessas calúnias, que levam consigo o antídoto de seu veneno, e são em definitivo mais vantajosas do que nocivas. Forçosamente, elas provocam o exame de homens sérios que querem julgar as coisas por si mesmos, e nisso são excitados em razão da importância que se lhe dá; ora, o Espiritismo, longe de temer o exame, provoca-o, e não se lamenta senão de uma coisa, é que tantas pessoas dele falam como os cegos das cores; mas graças aos cuidados que nossos adversários tomam em fazê-lo conhecer, esse inconveniente logo não existirá mais, e é tudo o que pedimos. A calúnia que ressalta desse exame engrandece-o em lugar de rebaixá-lo”.

“Espíritas, não lamenteis, pois, essas deturpações; não tirarão nenhuma das qualidades do Espiritismo; ao contrário, as farão ressaltar como mais estrondo pelo contraste, e se voltarão para a confusão dos caluniadores: essas mentiras, certamente, podem ter por efeito imediato enganar algumas pessoas, e mesmo desviá-las; mas o que é isso? O que são alguns indivíduos perto das massas? Sabeis, vós mesmos, quanto o seu número é pouco considerável. Que influência isso pode ter sobre o futuro? Esse futuro vos está assegurado: os fatos realizados vos respondem por ele a cada dia vos traz a prova da inutilidade dos ataques de nossos adversários. A doutrina do Cristo não foi caluniada, qualificada de subversiva e de ímpia? Ele mesmo não foi tratado como velhaco e como impostor? Perturbou-se com isso? Não, porque sabia que seus inimigos passariam e que a sua doutrina ficaria. Assim o será com o Espiritismo. Singular coincidência! Não é outro senão o chamado à pura lei do Cristo, e é uma necessidade à qual ninguém pode se subtrair. [...]”. (Revista Espírita, 1863, pág. 71-73).

Numa orientação a Kardec, o espírito que assina como sendo Erasto, recomenda: “vale mais repelir dez verdades do que admitir uma só mentira, uma só falsa teoria” (O Livro dos Médiuns, pág. 265, grifo nosso), por esse motivo ele questionava absolutamente tudo, não aceitava nada que não viesse da concordância dos ensinamentos transmitidos por vários espíritos e vindos de vários lugares. Aprendeu, com a prática, distinguir os bons dos maus espíritos, enfim, tinha critérios suficientes para não se deixar enganar como pode parecer aos néscios, principalmente àqueles que acham que consideramos todos os espíritos como sendo superiores. Não agiu como qualquer inconseqüente faria em achar que só pelo fato de ser espírito, o manifestante já tenha diploma de sábio, pois Kardec soube distinguir muito bem que os que estão do lado de lá não são senão os que estavam do lado de cá e para lá foram, tal qual eram aqui. Por exemplo, se um católico desencarnado apresentar-se “para sabermos dele a verdade”, conforme você julga ser as nossas reuniões, diria que não existe reencarnação, pois era no que acreditava, quando entre os vivos no corpo. É sobre isso que Kardec estava falando, não como se quer distorcer.

Em O Livro dos Médiuns, Kardec tece comentários a respeito desse assunto, de forma a orientar os que fossem manter relações com os Espíritos. Dá-nos elementos para caminhar sem correr o risco de sermos ludibriados por espíritos enganadores, pois “Somente lobos caem em armadilhas para lobos”. (Evangelho Segundo Espiritismo, Erasto, pág. 327).

Mas vejamos em que contexto se encontra a frase colocada pelo crítico. Kardec, ao fazer suas considerações sobre a pluralidade das existências, ou seja, da reencarnação, traz-nos, a certa altura, o seguinte:

“Viesse ela [a reencarnação] de um simples mortal e a teríamos adotado da mesma forma e não hesitaríamos mais tempo em renunciar às nossas próprias idéias. No momento que um erro está demonstrado, o amor próprio tem mais a perder, que a ganhar, se se obstina em uma idéia falsa. Do mesmo modo nós a teríamos repelido, embora vinda dos Espíritos, se nos parecesse contrária à razão, como repelimos tantas outras, porque sabemos por experiência que não é preciso aceitar cegamente tudo o que vem deles, como aquilo que vem da parte dos homens. Seu primeiro título, para nós, antes de tudo, é de ser lógico, mas existe outro que é de ser confirmado pelos fatos: fatos positivos, e, por assim dizer, materiais, que um estudo atento e racional pode revelar a qualquer um que se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança, na presença daqueles que não permitem mais a dúvida”. [...] (O Livro dos Espíritos, pág. 130).

Grifamos a frase utilizada pelo crítico para que possamos ver como tenta, deliberadamente, desvirtuar as palavras de Kardec, coisa muito comum aos que não possuem argumentos suficientes para derrubar alguma tese.

Engana-se, pois existe uma fonte de verdade absoluta: Deus! Somente Ele é que possui a verdade absoluta, ninguém mais, nem mesmo o papa, ao qual os católicos julgam infalível.

Há casos em que a experiência conta muito: vejamos, por exemplo, um estudante de medicina, cuja prática é fundamental. Alguém teria coragem de se submeter a uma operação com um médico que nunca tenha entrado num CTI? Se afirmar que sim, recomendamos: não esqueça de rezar antes. O Espiritismo é a única doutrina que entende de manifestações de espíritos; a experiência nos dá capacidade para sabermos distinguir os Espíritos verdadeiramente superiores dos pseudo-sábios, coisa que também não é tão difícil de distinguir aqui entre os homens, não é mesmo?

E parece que nosso “amigo” crítico julga os outros pelo que ele é, mas não somos soberbos, pretensiosos e orgulhosos; somos racionais, não aceitamos o que se encontra fora da lógica, da razão e do bom senso, mas como ele acha que esse é um privilégio seu, então... não há como argumentar. Aceitamos a verdade de Cristo, que é incontestável, mas a de sua Igreja não nos serve, serve apenas para os que a seguem, com o que não podemos discordar, já que é direito de cada um, que devemos respeitar. Entretanto, a verdade de Cristo não é a pregada pelos teólogos dogmáticos das igrejas tradicionais, já que a base que utilizaram, a Bíblia, possui tantas adulterações, modificações, adições e subtrações, que não é absolutamente mais a original, apesar de jurarem de pés juntos que sim. E, de mais a mais, seguimos mesmo a Jesus, por isso o que vale para nós são seus ensinamentos contidos no Evangelho, principalmente, nos capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, onde os podemos encontrar, ao que parece, incólume de adulterações o Sermão da Montanha.

Passemos então aos argumentos.

Doutrinariamente, o espiritismo está baseado em dois pilares: a reencarnação e a necromancia (ou comunicação com os mortos). Racionalmente falando, tudo o que você precisa fazer para convencer um espírita de que ele está numa "barca furada", é provar que esses dois princípios vão contra a razão e contra o que Cristo ensinou (se estivermos tratando de kardecistas). Mas note que eu falei "racionalmente", por que na prática isso somente não adianta. Por isso é bom também criticar o kardecismo e mostrar como Kardec é incoerente, contraditório e ridículo. Então, vou dividir a minha resposta em três partes: reencarnação, necromancia e "gagueiras", que tratarei separadamente.
Nas citações dos livros do Kardec, vou usar seguintes siglas para referir aos seus livros:
LE = Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, 79a. edição, 1993.
LM = Livro dos Médiuns, Instituto de Difusão Espírita, 20a. edição, 1987.
GEN = O Gênesis, Ed. Lake, tradução da 1a edição comemorativa dos 30o. aniversário dessa obra, 1966.
ESE = Evangelho Segundo o Espiritismo, Ed. EME, 1a. Reedição, 1996.

Tantos outros tentaram e não conseguiram; o pretensioso, o orgulhoso, o soberbo de agora conseguirá?

Muito interessante suas colocações: “é bom criticar o kardecismo” e “mostrar como Kardec é incoerente, contraditório e ridículo”. Ficamos a pensar, será que esse pessoal que nos combate é cego e irracional? Veja bem, já falamos por várias vezes, as pesquisas estão aí para confirmar isso, que no meio Espírita é onde se encontra o maior número relativo de pessoas com maior tempo de estudo. Também o possui em relação a pessoas portadoras de nível superior de ensino. Apesar disso é aqui que somos os mais enganados, as pessoas mais ridículas, os mais incoerentes, os que se encontram numa “barca furada”:?! Só fanático mesmo para não raciocinar sobre isso.

E, a título de informação, os princípios da Doutrina Espírita são em número de quinze.

Poderíamos colocar aqui novamente o currículo de Kardec, mas como já o fizemos em nosso texto “A Ciência desmente o Espiritismo?”, colocá-lo aqui seria alongar, em demasia, o texto atual. Mais a frente informaremos um link para se acessar este texto. Aproveitamos para insistir com nosso crítico para que desta vez ele mande o seu próprio currículo para os compararmos.

Deixaremos algumas palavras de Kardec a respeito da utilidade das idéias espíritas:

“O Espiritismo, sendo a prova palpável, evidente da existência, da individualidade e da imortalidade da alma, é a destruição do Materialismo. Essa negação de toda religião, essa praga de toda sociedade. O número dos materialistas que foram conduzidos a idéias mais sadias é considerável e aumenta todos os dias: só isso seria um benefício social. Ele não prova somente a existência da alma e sua imortalidade; mostra o estado feliz e infeliz delas segundo os méritos desta vida. As penas e as recompensas futuras não são mais uma teoria, são um fato patente que se tem sob os olhos. Ora, como não há religião possível sem a crença em Deus, na imortalidade da alma, nas penas e nas recompensas futuras, se o Espiritismo conduz a essas crenças aqueles em que estavam apagadas, disso resulta que é o mais poderoso auxiliar das idéias religiosas: dá a religião àqueles que não a têm; fortifica-a naqueles em que ela é vacilante; consola pela certeza do futuro, faz aceitar com paciência e resignação as tribulações desta vida, e afasta com paciência e resignação as tribulações desta vida, e afasta o pensamento do suicídio, pensamento que se repele naturalmente quando se vê as conseqüências: eis porque aqueles que penetraram esses mistérios estão felizes com isso; é para eles uma luz que dissipa as trevas e as angústias da dúvida”.

“Se considerarmos agora a moral ensinada pelos Espíritos superiores, ela é toda evangélica, é dizer tudo: prega a caridade cristã em toda a sua sublimidade; faz mais, mostra a necessidade para a felicidade presente e futura, porque as conseqüências do bem e do mal que fizermos estão ali diante de nossos olhos. Conduzindo os homens aos sentimentos de seus deveres recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das doutrinas subversivas da ordem social”. (Revista Espírita, 1859, pág. 5).

E sobre os adversários do Espiritismo, coloca o codificador:

“Nenhuma doutrina filosófica dos tempos modernos jamais causou tanta emoção quanto o Espiritismo, jamais alguma foi atacada com tanta obstinação; está aí a prova evidente de que se lhe reconhece mais vitalidade e raízes mais profundas do que às outras, porque não se toma a picareta para arrancar um talo de erva. Os Espíritas, longe de se amedrontarem com isso, devem se rejubilar, uma vez que isso prova a importância e a verdade da Doutrina. Se esta não fosse senão uma idéia efêmera e sem consistência, uma mosca que voa não se lhe atiraria uma bala de canhão vermelha; se ela fosse falsa, seria atacada vivamente com argumentos sólidos que não lhe teriam deixado triunfar; mas, uma vez que nenhum daqueles que se lhe opõe, puderam detê-la, é que ninguém encontrou o defeito da couraça; no entanto, não foi nem o talento nem a boa vontade que faltaram aos seus antagonistas”.

“Nesse vasto torneio de idéias, onde o passado entra em luta com o futuro, e que tem por campo fechado o mundo inteiro, o grande júri é a opinião pública; ela escuta o pró e o contra; ela julga o valor dos meios de ataque e de defesa, e se pronuncia por aquele que dás as melhores razões. Se um dos dois combatentes emprega armas desleais, é logo condenado; ora, já de mais desleais do que a mentira, a calúnia e a traição? Recorrer a semelhantes meios, é se confessar vencido pela lógica; a causa que fica reduzida a tais expedientes é uma causa perdida; não é um homem, nem alguns homens que pronunciam a sua sentença, é a Humanidade que a força das coisas e a consciência do bem arrastam para o que é mais justo e mais racional”.

“Vede, na história do mundo, se uma única idéia grande e verdadeira não triunfou sempre, alguma coisa que se haja feito para entravá-la. O Espiritismo nos apresenta, sob esse aspecto um fato inaudito, é o de uma rapidez de propagação sem exemplo. Esta rapidez é tal que seus próprios adversários estão aturdidos; também atacam-no com o furor cego de combatentes que perdem seu sangue frio, e se espetam em suas próprias armas”.

“No entanto, a luta está longe de terminar: é preciso, ao contrário, esperar vê-la tomar maiores proporções e um outro caráter. Seria por muito prodigioso e contrário ao estado atual da Humanidade, que uma doutrina que leva em si o germe de toda uma renovação, se estabeleça pacificamente em alguns anos. Ainda uma vez, não nos lamentemos disto; quanto mais a luta for rude, mais o triunfo será brilhante. Ninguém duvida que o Espiritismo cresceu pela oposição que se lhe fez; deixemos, pois, esta oposição esgotar seus recursos: ela não o engrandecerá senão mais quando tiver revelado sua própria fraqueza a todos os homens. O campo de combate do Cristianismo nascente era circunscrito; o do Espiritismo se estende sobre toda a superfície da Terra. O Cristianismo não pôde ser abafado sob as ondas de sangue; ele cresceu por seus mártires, como a liberdade dos povos, porque era uma verdade. O Espiritismo, que é o Cristianismo apropriado ao desenvolvimento da inteligência e livre dos abusos, crescerá mesmo sob a perseguição porque ele também é uma verdade”.

“A força aberta é reconhecida impotente contra a idéia espírita, mesmo nos países onde ela se exerce com toda a liberdade; a experiência aí está para atestá-lo. Comprimindo a idéia sobre um ponto se a faz jorrar de todos os lados; uma compressão geral fa-lo-ia explodir. No entanto, nossos adversários não renunciaram a isso; à espera, recorreram a uma outra tática: a das manobras surdas”.

“Muitas vezes já tentaram, e o farão ainda, comprometer a Doutrina empurrando-a para um caminho perigoso ou ridículo para desacreditá-la. [...]”.

“O Espiritismo caminha através de adversários numerosos que, não tendo podido prendê-lo pela força, tentam prendê-lo pela astúcia; insinuam-se por toda a parte, sob todas as máscaras, e até nas reuniões íntimas, na esperança de ali surpreender um fato ou uma palavra que, freqüentemente, terão provocado, e que esperam explorar em seu proveito. Comprometer o Espiritismo é torná-lo ridículo, tal é a tática com a ajuda da qual esperam primeiro desacreditá-lo, para terem mais tarde um pretexto de fazer-lhe interditar, se isso se pode, o exercício público. É a armadilha contra a qual é preciso estar em guarda, porque está estendida por toda a parte, e à qual, sem o querer, dão a mão aqueles que se deixam levar pelas sugestões dos Espíritos enganadores e mistificadores”. (Revista Espírita, 1865, pág.187-191).

1) Reencarnação

Diz Kardec no Livro dos Espíritos: "adotamos a opinião da pluralidade das existências, não só porque ela nos veio dos Espíritos, mas porque nos pareceu a mais lógica" (LE, q.222, p. 129). Além disso, ele afirma que "a reencarnação fazia parte dos dogmas judeus, sob o nome de ressurreição" (ESE, cap. IV, no.4, p.69), e que "ela foi confirmada por Jesus e pelos profetas, de maneira formal. Donde se segue que negar a reencarnação é renegar as palavras de Cristo" (ESE, cap. IV, no. 16, p. 74). Portanto, para Kardec, a reencarnação é verdadeira por três motivos:
a) Ela foi revelada pelos "espíritos superiores";
b) Ela é racional e lógica;
c) Ela é ensinada na Sagrada Escritura "de maneira formal".
Quanto à validade da "revelação" dos "espíritos superiores" eu vou tratar dela quando falar da necromancia.

Uma coisa importante que nosso crítico não mencionou nesses motivos foi uma quarta razão, na qual Kardec afirma que “a reencarnação fazia parte dos dogmas judeus, sob o nome de ressurreição”, mas não deixaremos por menos. Transcrevemos abaixo algumas provas desta “quarta razão”. As demais comentaremos mais adiante, na medida do necessário.

Para isso nada melhor do que citarmos alguns trechos do intelectual e historiador judeu contemporâneo de Jesus, Flavio Josefo:

“Ensinam os fariseus que as almas são imortais e que as almas dos justos passam, depois desta vida, a outros corpos” (De Bello Judaico, 2,5,11).

Vejam a advertência que ele faz aos soldados judeus que preferiam desertar, suicidando-se:

“Não vos recordais de que todos os espíritos puros que se encontram em conformidade com a vontade divina vivem no mais humildes dos lugares celestiais, e que no decorrer do tempo eles serão novamente enviados de volta para habitar corpos inocentes? Mas que as almas daqueles que cometeram suicídio serão atiradas às regiões trevosas do mundo inferior” (De Bello Judaico, 1910).

Passemos às demais. Falando sobre a reencarnação, Kardec coloca:

“Assim foi a lógica, a força do raciocínio, que os conduziu a essa doutrina, e porque nela encontraram a única chave que podia resolver os problemas até então insolúveis. No entanto, nosso honroso correspondente se engana sobre um fato importante, nos atribuindo a iniciativa desta doutrina, que chama a filha de nosso pensamento. É uma honra que não nos ocorre: a reencarnação foi ensinada pelos Espíritos a outros senão a nós, antes da publicação de O Livro dos Espíritos; além disso, o princípio foi claramente colocado em várias obras anteriores, não somente as nossas, mas ao aparecimento das mesas girantes, entre outras, em Céu e Terra, de Jean Raynaud, e num encantador livrinho de Louis Jourdan, intitulado Preces de Ludowic, publicado em 1849, sem contar que esse dogma era professado pelos Druidas, aos quais, certamente, não ensinamos. Quando nos foi revelado, ficamos surpresos, e o acolhemos com hesitação, com desconfiança: nós o combatemos durante algum tempo, até que a evidência nos foi demonstrada. Assim, esse dogma, nós o ACEITAMOS e não INVENTAMOS, o que é muito diferente”. (Revista Espírita, 1862, pág 51). (grifo do original).

Seria interessante colocarmos tudo que Kardec aborda em O Livro dos Espíritos, mas o assunto é longo. Entretanto, se nos permite a sua paciência, somente colocaremos:

“Muitos repelem a idéia da reencarnação pelo só motivo de ela não lhes convir. Dizem que uma existência já lhes chega de sobra e que, portanto, não desejariam recomeçar outra semelhante. De alguns sabemos que saltam em fúria só com o pensarem que tenham de voltar à Terra. Perguntar-lhes-emos apenas se imaginam que Deus lhes pediu o parecer, ou consultou os gostos, para regular o Universo. Uma de duas: ou a reencarnação existe, ou não existe; se existe, nada importa que os contrarie; terão que a sofrer, sem que para isso lhes peça Deus permissão. Afiguram-se-nos os que assim falam um doente a dizer: Sofri hoje bastante, não quero sofrer mais amanhã. Qualquer que seja o seu mau-humor, não terá por isso que sofrer menos no dia seguinte, nem nos que se sucederem, até que se ache curado. Conseguintemente, se os que de tal maneira se externam tiverem que viver de novo, corporalmente, tornarão a viver, reencarnarão. Nada lhes adiantará rebelarem-se, quais crianças que não querem ir para o colégio, ou condenados, para a prisão. Passarão pelo que têm de passar. São demasiado pueris semelhantes objeções, para merecerem mais seriamente examinadas. Diremos, todavia, aos que as formulam que se tranqüilizem, que a Doutrina Espírita, no tocante à reencarnação, não é tão terrível como a julgam; que, se a houvessem estudado a fundo, não se mostrariam tão aterrorizados; saberiam que deles dependem as condições da nova existência, que será feliz ou desgraçada, conforme ao que tiverem feito neste mundo; que desde agora poderão elevar-se tão alto que a recaída no lodaçal não lhes seja mais de temer”.

“Suponhamos dirigir-nos a pessoas que acreditam num futuro depois da morte e não aos que criam para si a perspectiva do nada, ou pretendem que suas almas se vão afogar num todo universal, onde perdem a individualidade, como os pingos da chuva no oceano, o que vem a dar quase no mesmo. Ora, pois: se credes num futuro qualquer, certo não admitis que ele seja idêntico para todos, porquanto de outro modo, qual a utilidade do bem? Por que haveria o homem de constranger-se? Por que deixaria de satisfazer a todas as suas paixões, a todos os seus desejos, embora a custa de outrem, uma vez que por isso não ficaria sendo melhor, nem pior?”.

“Credes, ao contrário, que esse futuro será mais ou menos ditoso ou inditoso, conforme ao que houverdes feito durante a vida e então desejais que seja tão afortunado quanto possível, visto que há de durar pela eternidade, não? Mas, porventura, eríeis a pretensão de ser dos homens mais perfeitos que hajam existido na Terra e, pois, com direito a alcançardes de um salto a suprema felicidade dos eleitos? Não. Admitis então que há homens de valor maior do que o vosso e com direito a um lugar melhor, sem daí resultar que vos conteis entre os réprobos. Pois bem! Colocai-vos mentalmente, por um instante, nessa situação intermédia, que será a vossa, como acabastes de reconhecer, e imaginai que alguém vos venha dizer: Sofreis; não sois tão felizes quanto poderíeis ser, ao passo que diante de vós estão seres que gozam de completa ventura. Quereis mudar na deles a vossa posição? - Certamente, respondereis; que devemos fazer? – Quase nada: recomeçar o trabalho mal executado e executá-lo melhor. - Hesitaríeis em aceitar, ainda que a poder de muitas existências de provações? Façamos outra comparação mais prosaica. Figuremos que a um homem que, sem ter deixado a miséria extrema, sofre, no entanto, privações, por escassez de recursos, viessem dizer: Aqui está uma riqueza imensa de que podes gozar; para isto só é necessário que trabalhes arduamente durante um minuto. Fosse ele o mais preguiçoso da Terra, que sem hesitar diria: Trabalhemos um minuto, dois minutos, uma hora, um dia, se for preciso. Que importa isso, desde que me leve a acabar os meus dias na fartura? Ora, que é a duração da vida corpórea, em confronto com a eternidade? Menos que um minuto, menos que um segundo”.

“Temos visto algumas pessoas raciocinarem deste modo: não é possível que Deus, soberanamente bom como é, imponha ao homem a obrigação de recomeçar uma série de misérias e tribulações. Acharão, porventura, essas pessoas que há mais bondade em condenar Deus o homem a sofrer perpetuamente, por motivo de alguns momentos de erro, do que em lhe facultar meios de reparar suas faltas? ‘Dois industriais contrataram dois operários, cada um dos quais podia aspirar a se tornar sócio do respectivo patrão. Aconteceu que esses dois operários certa vez empregaram muito mal o seu dia, merecendo ambos ser despedidos. Um dos industriais, não obstante as súplicas do seu, o mandou embora e o pobre operário, não tendo achado mais trabalho, acabou por morrer na miséria. O outro disse ao seu: Perdeste um dia; deves-me por isso uma compensação. Executaste mal o teu trabalho; ficaste a me dever uma reparação. Consinto que o recomeces. Trata de executá-lo bem, que te conservarei ao meu serviço e poderás continuar aspirando à posição superior que te prometi’. Será preciso perguntemos qual dos industriais foi mais humano? Dar-se-á que Deus, que é a clemência mesma, seja mais inexorável do que um homem? Alguma coisa de pungente há na idéia de que a nossa sorte fique para sempre decidida, por efeito de alguns anos de provações, ainda quando de nós não tenha dependido o atingirmos a perfeição, ao passo que eminentemente consoladora é a idéia oposta, que nos permite a esperança. Assim, sem nos pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das existências, sem preferirmos uma hipótese a outra, declaramos que, se aos homens fosse dado escolher, ninguém quereria o julgamento sem apelação. Disse um filósofo que, se Deus não existisse, fora mister inventá-lo, para felicidade do gênero humano. Outro tanto se poderia dizer sobre a pluralidade das existências. Mas, conforme atrás ponderamos, Deus não nos pede permissão, nem consulta os nossos gostos. Ou isto é, ou não é. Vejamos de que lado estão as probabilidades e encaremos de outro ponto de vista o assunto, unicamente como estudo filosófico, sempre abstraindo do ensino dos Espíritos”.

“Se não há reencarnação, só há, evidentemente, uma existência corporal. Se a nossa atual existência corpórea é única, a alma de cada homem foi criada por ocasião do seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da alma, caso em que se caberia perguntar o que era ela antes do nascimento e se o estado em que se achava não constituía uma existência sob forma qualquer. Não há meio termo: ou a alma existia, ou não existia antes do corpo. Se existia, qual a sua situação? Tinha, ou não, consciência de si mesma? Se não tinha, é quase como se não existisse. Se tinha individualidade, era progressiva, ou estacionária? Num e noutro caso, a que grau chegara ao tomar o corpo? Admitindo, de acordo com a crença vulgar, que a alma nasce com o corpo, ou, o que vem a ser o mesmo, que, antes de encarnar, só dispõe de faculdades negativas, perguntamos:

1º Por que mostra a alma aptidões tão diversas e independentes das idéias que a educação lhe fez adquirir?

2º Donde vem a aptidão extranormal que muitas crianças em tenra idade revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto outras se conservam inferiores ou medíocres durante a vida toda?

3º Donde, em uns, as idéias inatas ou intuitivas, que noutros não existem?

4º Donde, em certas crianças, o instituto precoce que revelam para os vícios ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?

5º Por que, abstraindo-se da educação, uns homens são mais adiantados do que outros?

6º Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes de um menino hotentote recém-nascido e o educardes nos nossos melhores liceus, fareis dele algum dia um Laplace ou um Newton?”

“Qual a filosofia ou a teosofia capaz de resolver estes problemas? É fora de dúvida que, ou as almas são iguais ao nascerem, ou são desiguais. Se são iguais, por que, entre elas, tão grande diversidade de aptidões? Dir-se-á que isso depende do organismo. Mas, então, achamo-nos em presença da mais monstruosa e imoral das doutrinas. O homem seria simples máquina, joguete da matéria; deixaria de ter a responsabilidade de seus atos, pois que poderia atribuir tudo às suas imperfeições físicas. Se almas são desiguais, é que Deus as criou assim. Nesse caso, porém, por que a inata superioridade concedida a algumas? Corresponderá essa parcialidade à justiça de Deus e ao amor que Ele consagra igualmente a todas suas criaturas?”.

“Admitamos, ao contrário, uma série de progressivas existências anteriores para cada alma e tudo se explica. Ao nascerem, trazem os homens a intuição do que aprenderam antes: São mais ou menos adiantados, conforme o número de existências que contem, conforme já estejam mais ou menos afastados do ponto de partida. Dá-se aí exatamente o que se observa numa reunião de indivíduos de todas as idades, onde cada um terá desenvolvimento proporcionado ao número de anos que tenha vivido. As existências sucessivas serão, para a vida da alma, o que os anos são para a do corpo. Reuni, em certo dia, um milheiro de indivíduos de um a oitenta anos; suponde que um véu encubra todos os dias precedentes ao em que os reunistes e que, em conseqüência, acreditais que todos nasceram na mesma ocasião. Perguntareis naturalmente como é que uns são grandes e outros pequenos, uns velhos e jovens outros, instruídos uns, outros ainda ignorantes. Se, porém, dissipando-se a nuvem que lhes oculta o passado, vierdes a saber que todos hão vivido mais ou menos tempo, tudo se vos tornará explicado. Deus, em Sua justiça, não pode ter criado almas desigualmente perfeitas. Com a pluralidade das existências, a desigualdade que notamos nada mais apresenta em oposição à mais rigorosa eqüidade: é que apenas vemos o presente e não o passado. A este raciocínio serve de base algum sistema, alguma suposição gratuita? Não. Partimos de um fato patente, incontestável: a desigualdade das aptidões e do desenvolvimento intelectual e moral e verificamos que nenhuma das teorias correntes o explica, ao passo que uma outra teoria lhe dá explicação simples, natural e lógica. Será racional preferir-se as que não explicam àquela que explica?”.

“À vista da sexta interrogação acima, dirão naturalmente que o hotentote é de raça inferior. Perguntaremos, então, se o hotentote é ou não um homem. Se é, por que a ele e à sua raça privou Deus dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é, por que tentar fazê-lo cristão? A Doutrina Espírita tem mais amplitude do que tudo isto. Segundo ela, não há muitas espécies de homens, há tão-somente cujos espíritos estão mais ou menos atrasados, porém, todos suscetíveis de progredir. Não é este princípio mais conforme à justiça de Deus?”.

“Vimos de apreciar a alma com relação ao seu passado e ao seu presente. Se a considerarmos, tendo em vista o seu futuro, esbarraremos nas mesmas dificuldades”:

1ª Se a nossa existência atual é que, só ela, decidirá da nossa sorte vindoura, quais, na vida futura, as posições respectivas do selvagem e do homem civilizado? Estarão no mesmo nível, ou se acharão distanciados um do outro, no tocante à soma de felicidade eterna que lhes caiba?

2ª O homem que trabalhou toda a sua vida por melhorar-se, virá a ocupar a mesma categoria de outro que se conservou em grau inferior de adiantamento, não por culpa sua, mas porque não teve tempo, nem possibilidade de se tornar melhor?

3ª O que praticou o mal, por não ter podido instruir-se, será culpado de um estado de coisas cuja existência em nada dependeu dele?

4ª Trabalha-se continuamente por esclarecer, moralizar, civilizar os homens. Mas, em contraposição a um que fica esclarecido, milhões de outros morrem todos os dias antes que a luz lhes tenha chegado. Qual a sorte destes últimos? Serão tratados como réprobos? No caso contrário, que fizeram para ocupar categoria idêntica à dos outros?

5ª Que sorte aguarda os que morrem na infância, quando ainda não puderam fazer nem o bem, nem o mal? Se vão para o meio dos eleitos, por que esse favor, sem que coisa alguma hajam feito para merecê-lo? Em virtude de que privilégio eles se vêem isentos das tribulações da vida?

“Haverá alguma doutrina capaz de resolver esses problemas? Admitam-se as existências consecutivas e tudo se explicará conformemente à justiça de Deus. O que se não pôde fazer numa existência faz-se em outra. Assim é que ninguém escapa à lei do progresso, que cada um será recompensado segundo o seu merecimento real e que ninguém fica excluído da felicidade suprema, a que todos podem aspirar, quaisquer que sejam os obstáculos com que topem no caminho”.

“Essas questões facilmente se multiplicariam ao infinito, porquanto inúmeros são os problemas psicológicos e morais que só na pluralidade das existências encontram solução. Limitamo-nos a formular as de ordem mais geral. Como quer que seja, alegar-se-á talvez que a Igreja não admite a doutrina da reencarnação; que ela subverteria a religião”.

“Não temos o intuito de tratar dessa questão neste momento. Basta-nos o havermos demonstrado que aquela doutrina é eminentemente moral e racional. Ora, o que é moral e racional não pode estar em oposição a uma religião que proclama ser Deus a bondade e a razão por excelência. Que teria sido da religião, se, contra a opinião universal e o testemunho da ciência, se houvesse obstinadamente recusado a render-se à evidência e expulsado de seu seio todos os que não acreditassem no movimento do Sol ou nos seis dias da criação? Que crédito houvera merecido e que autoridade teria tido, entre povos cultos, uma religião fundada em erros manifestos e que os impusesse como artigos de fé? Logo que a evidência se patenteou, a Igreja, criteriosamente, se colocou do lado da evidência. Uma vez provado que certas coisas existentes seriam impossíveis sem a reencarnação, que, a não ser por esse meio, não se consegue explicar alguns pontos do dogma, cumpre admiti-lo e reconhecer meramente aparente o antagonismo entre esta doutrina e a dogmática.[...]” (O Livro dos Espíritos, FEB, pág. 144-151).

Agora, com relação à afirmação de que a doutrina da reencarnação fora ensinada por Cristo, esta é totalmente falsa. As passagens que Kardec cita para provar essa sua afirmação são por ele totalmente distorcidas.

Bom, no desenrolar dessa nossa contestação, provaremos quem realmente distorce e que a reencarnação faz parte dos ensinos de Jesus, entretanto só para os “quem tem ouvidos de ouvir, que ouça” (Mt 11,15).

Para começar, é um absurdo dizer que o termo "ressurreição" dos judeus quisesse dizer a mesma coisa que a "reencarnação" dos espíritas. As ressurreições relatadas na Sagrada Escritura são todas dadas no mesmo corpo. E a pessoa ressuscitada fica de novo viva exatamente como era ao morrer, e não nasce de novo como um bebê. Quando Cristo ressuscitou a Lázaro e à filha de Jairo, ambos retornaram a vida nos seus próprios corpos, e não numa nova existência. Quando Cristo dizia que ressuscitaria ao terceiro dia, os judeus compreendiam perfeitamente o que Ele queria dizer, e por isso puseram guardas para vigiar seu túmulo, pois entendiam por ressurreição o retorno à vida no mesmo corpo. Há também no Antigo Testamento a passagem em que Sto. Elias ressuscita o filho da viúva de Sarepta (1Rs 17, 22), que também ocorre em seu próprio corpo, e não numa nova "encarnação". Portanto, ressuscitar é totalmente diferente da Reencarnação dos espíritas.

Temos dito, em várias oportunidades, que se os médicos de hoje vivessem naquele tempo seriam considerados “profetas”, pois com certeza, com os atuais conhecimentos de medicina, iriam ressuscitar inúmeras pessoas. A grande questão é saber se Lázaro, a filha de Jairo e o filho da viúva de Naim estavam realmente mortos ou se passaram por uma EQM - Experiência de Quase Morte, fenômeno que tem despertado o interesse de alguns pesquisadores do nosso tempo.

Observar que no caso da filha de Jairo Jesus disse: “a menina não morreu, está dormindo” (Mt 9,24; Mc 5,39 e Lc 8,52). Em relação a Lázaro (Jo 11,1-44) a coisa é mais complicada, pois apesar de Jesus ter afirmado que “esta doença não é para a morte” e “nosso amigo Lázaro dorme”, o texto bíblico apresenta uma contradição a partir do versículo 13 a 16, dizendo que se trata de morte mesmo. Supomos ser um acréscimo ao texto original, que a nosso ver, aconteceu para que pudessem justificar a tese da ressurreição corporal. Tanto é que se os retirarmos da passagem não fará a narrativa perder a solução de continuidade.

Pensamos que se Jesus tivesse realmente feito um morto, como se diz, bem morrido, voltar à vida, teríamos notícias de uma fila de mães atrás dele para pedir pelos seus filhos, mas não vemos isso nos Evangelhos. Poderemos então dizer que são ressurreições clínicas, se assim podemos nos expressar. Quantas coisas antigamente eram tidas como “milagres”, que, nos dias de hoje, são conhecidas como fenômenos naturais. Para se ter uma idéia está dito que Moisés falava com Deus e esse respondia com o trovão (Ex 19,19), dá para acreditar? Ficamos até imaginando qual seria o comportamento daquele povo diante dos fenômenos naturais como os raios, trovões, tempestades de chuva, deveriam pensar que tudo isso era a ira divina, numa vingança implacável, não é mesmo?

É fato que essas “ressurreições” e outras semelhantes, relatadas na Bíblia, não é realmente o que entendemos por reencarnação. O que Kardec muito bem coloca, é que por essa palavra também compreendiam o que entendemos por reencarnação. Como? Vejamos:

a) Em Lucas (9,7-9): “O tetrarca Herodes, porém, ouviu tudo o que se passava, e ficou muito perplexo por alguns dizerem: ‘É João que foi ressuscitado dos mortos’; e outros: ‘É Elias que reapareceu’; e outros ainda: ‘É um dos antigos profetas que ressuscitou”. Herodes, porém, disse: ‘A João eu mandei decapitar. Quem é esse, portanto, de quem ouço tais coisas?’ E queria vê-lo”. (ver Mt 14,1-2 e Mc 6,14-

Em Lucas (9,18-19): “Um dia Jesus rezava num lugar retirado e seus discípulos estavam com ele. Ele lhes fez a seguinte pergunta; ‘Quem sou eu no dizer das turbas?’ Eles responderam: ‘Para uns, João Batista, para outros, Elias ou algum dos antigos profetas ressuscitado’”. (ver também Mt 16,13-19; Mc 8,27-28).

Por essas passagens podemos perfeitamente saber que, na verdade, o povo acreditava que alguém que já havia morrido poderia voltar como outra pessoa, senão não teria sentido o que o povo pensava a respeito de Jesus. E se isso não fosse possível, com certeza, Jesus teria dito dessa impossibilidade. Assim, fica claro que o conceito de ressuscitar aqui nessas passagens pode muito bem ser entendido por reencarnar.

b) Em Mt 14,1-2: “Naquele tempo, Herodes, o tetrarca, veio a conhecer a fama de Jesus e disse aos seus oficiais: ‘Certamente se trata de João Batista: ele foi ressuscitado dos mortos e é por isso que os poderes operam através dele!’”.

Essa passagem nós a estamos colocando para explicar a questão de João Batista. Ora, se acreditavam que Jesus estava fazendo prodígios porque “os poderes de João Batista operam através dele”, isso, num português bem claro, seria a possibilidade de um morto exercer algum tipo de influência sobre um vivo. Confirmando, pelo menos em tese, que aceitavam a interferência dos mortos sobre os vivos, também entendido como ressurreição, e isso nada mais é que a comunicação entre os dois planos da vida.

Assim, também, podemos dizer que ressurreição, neste caso, seria a volta de um morto à sua condição de espírito.

Informa-nos o Aurélio que ressuscitar significa: V. t. d. 1. Fazer voltar à vida; reviver, ressurgir. 2. Restaurar, renovar, reproduzir: V. int. 3. Voltar à vida; tornar a viver; reviver, ressurgir. 4. Tornar a surgir; reaparecer, ressurgir: 5. Escapar de grande perigo. Se depois de morrermos ressurgimos em espírito, por que também isso não seria uma ressurreição? Será que Jesus pregou a ressurreição da carne ou a do Espírito?

Para responder essa questão é necessário lermos a resposta que Jesus deu aos saduceus, negadores da ressurreição, sobre uma possível situação em que uma mulher, para cumprir a lei mosaica, teve que casar com os sete irmãos. A dúvida deles era: na ressurreição ela seria mulher de qual deles. A isso responde Jesus: “As pessoas deste mundo se casam. Contudo, as que são julgadas dignas de ter parte naquele mundo e na ressurreição dos mortos, lá não se casam. E já não podem morrer outra vez, porque são iguais aos anjos e filhos de Deus, sendo participantes da ressurreição”. (Lc 20, 34-36). São iguais aos anjos, isso significa que todos serão seres espirituais, daí não se justificar mais o casamento, que é coisa para os que possuem corpos materiais.

Seguindo a leitura de Lucas, temos: “E que os mortos ressuscitem, é Moisés quem dá a conhecer através do episódio da Sarça Ardente, quando chama ao Senhor: o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; para ele, então, todos são vivos”. (Lc 20, 37-38). Considerando que Abraão, Isaac e Jacó “todos são vivos” e como ainda não aconteceu o juízo final, para a esperada ressurreição dos corpos, eles estão vivos em Espírito. E concluindo, pela comparação de Jesus, eles já ressuscitaram, ou seja, estão vivendo a vida do Espírito, por isso não morrem mais.

Assim, categoricamente, provamos que Jesus ensinou a ressurreição do Espírito, não a do corpo físico, dogma de sua Igreja. O que se quiser também poderá confirmar em Paulo, quando disse: “a carne e o sangue não poderão herdar o reino de Deus” (1Cor 15,50).

Provamos também que, com o nome de ressurreição, os judeus acreditavam na reencarnação. E a isso podemos acrescentar que Jesus foi judeu, viveu como judeu, assim fatalmente deveria acreditar na reencarnação, já que fazia parte dos princípios judaicos.

Vejamos o depoimento de um rabino citado pelo Dr. Severino Celestino:

“Sobre a Reencarnação, apresentamos, aqui, para ilustrar, o depoimento do Rabino Shamai Ende, colaborador da Revista Judaica ‘Chabad News’, publicação de Dez. a Fev 1998. Vejamos o texto na íntegra: ‘O conceito de Guilgul (Reencarnação) é originado no judaísmo, sendo que uma alma deve voltar várias vezes até cumprir todas as leis da TORÁ. Na verdade, cada alma tem dois tipos de missões neste mundo. A primeira é a missão geral de cumprir todas as mitsvot da Tora. Além disso, cada alma tem uma missão específica. Caso não a tenha cumprido a sua, a alma deve retornar a este mundo para preencher tal lacuna. Somente pessoas especiais sabem exatamente qual é sua missão de vida’.

‘Existem também Reencarnações punitivas para reparar alguma falha cometida numa vida anterior. Neste caso, a alma pode reencarnar até mesmo no corpo de um não-judeu, de animal ou planta’.

‘Atualmente é um pouco diferente, por estarmos vivendo na última geração do exílio e na primeira da gueulá, conforme já anunciado pelo Rebe. Maimônides escreve Leis de Techuvá onde a Tora prometeu, no final do exílio, que o povo fará techuvá e imediatamente será redimido. Assim, as almas desta geração, que vivenciarão a futura redenção, não mais passarão por Reencarnações, devendo retificar o quanto antes tudo que deve ser feito para aproximar a vinda de Maschiach’”. (Analisando as Traduções Bíblicas, pág. 161). (grifo do original).

Mas, não bastasse isso, ainda poderemos dizer que no cristianismo primitivo, a reencarnação era aceita, mas posteriormente, ela foi indiretamente escamoteada dos ensinos religiosos, vejamos:

“Até agora, quase todos os historiadores da Igreja acreditaram que a doutrina da reencarnação foi declarada herética durante o Concílio de Constantinopla em 553. No entanto, a condenação da doutrina se deve a uma ferrenha oposição pessoal do imperador Justiniano, que nunca esteve ligado aos protocolos do Concílio. Segundo Procópio, a ambiciosa esposa de Justiniano, que, na realidade, era quem manejava o poder, era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio. Ela iniciou sua rápida ascensão ao poder como cortesã. Para se libertar de um passado que a envergonhava, ordenou, mais tarde, a morte de quinhentas antigas ‘colegas’ e, para não sofrer as conseqüências dessa ordem cruel em uma outra vida como preconizava a lei do Carma, empenhou-se em abolir toda a magnífica doutrina da reencarnação. Estava confiante no sucesso dessa anulação, decretada por ‘ordem divina’”.

“Em 543 d.C. o imperador Justiniano, sem levar em conta o ponto de vista papal, declarou guerra frontal aos ensinamentos de Orígenes, condenando-os através de um sínodo especial. Em suas Obras De Principiis e Contra Celsum, Orígenes (185-235 d.C), o grande Padre da Igreja, tinha reconhecido, abertamente, a existência da alma antes do nascimento e sua dependência de ações passadas. Ele pensava que certas passagens do Novo Testamento poderiam ser explicadas somente à luz da reencarnação”.

“Do Concílio convocado pelo imperador Justiniano só participaram bispos do Oriente (ortodoxos). Nenhum de Roma. E o próprio Papa, que estava em Constantinopla naquela ocasião, deixou isso bem claro”.

“O Concílio de Constantinopla, o quinto dos Concílios, não passou de um encontro, mais ou menos em caráter privado, organizado por Justiniano, que, mancomunado com alguns vassalos, excomungou e maldisse a doutrina da pré-existência da alma, apesar dos protestos do Papa Virgílio, com a publicação de seus Anathemata.

“A conclusão oficial a que o Concílio chegou após uma discussão de quatro semanas teve que ser submetida ao Papa para ratificação. Na verdade, os documentos que lhe foram apresentados (os assim-chamados ‘Três Capítulos’) versavam apenas sobre a disputa a respeito dos três eruditos que Justiniano, há quatro anos, havia por um edito declarado heréticos. Nada continham sobre Orígenes. Os Papas seguintes, Pelágio I (556-561), Pelágio II (579-590) e Gregório (590-604), quando se referiram ao quinto Concílio, nunca tocaram no nome de Orígenes”.

“A Igreja aceitou o edito de Justiniano – ‘Todo aquele que ensinar esta fantástica pré-existência da alma e sua monstruosa renovação será condenado’ – como parte das conclusões do Concílio. Portanto, a proibição da doutrina da reencarnação não passa de um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica”. (Jesus viveu na Índia, KERSTEN, 1986, pág. 240-241).

Vários outros autores também falam disso. Assim, a reencarnação foi abolida por decreto. É por isso que a Igreja, a quem falta humildade para reconhecer esse erro, diz ferrenhamente que ela não é possível, que Jesus não ensinou, etc.

Kardec se apóia em duas passagens dos Evangelhos para dizer que Cristo foi partidário das vidas sucessivas:

A primeira é a de que Nosso Senhor teria afirmado que S. João Batista seria uma reencarnação de Sto. Elias (Mt 11, 14: "e se vós o quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir"). Ora, esta é uma interpretação totalmente equivocada das palavras de Cristo, que estava comparando a missão de S. João Batista (de preparar os caminhos para a primeira vinda de Cristo) com a missão de Sto. Elias, que há de vir no tempo do Anticristo, para preparar o mundo para a segunda vinda de Nosso Senhor, como juiz no juízo final. Sem que isto signifique que o fim do mundo venha a se dar imediatamente após a vinda do Anticristo. Ninguém sabe quando virá o Anticristo, nem quando será o fim do mundo.

Já o anjo que veio anunciar a Zacarias o nascimento de S. João explicou: "e irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias" (Lc 1, 17), isto é, com o seu zelo e força. Os espíritas entendem essa passagem ao pé da letra, isto é, que o "espírito de Elias" significa a sua alma. Referindo-se a esse texto, Santo Agostinho escreveu que só a "perversidade herética" pode ver aí uma afirmação da reencarnação (In Heptateuchum IV 18).

Contra esse argumento dos espíritas, vemos nas próprias palavras de Cristo que S. João é o Elias que "há de vir" (no futuro), e que portanto ainda não veio. E o próprio S. João Batista respondeu que não era Sto. Elias quando interrogado (Jo 1, 21). E para terminar com a história, de acordo com a tradição judaica, Sto. Elias não morreu, mas foi levado aos céus por uma carruagem de fogo, em corpo e alma (4Rs 2, 11-12). Se não "desencarnou", não poderia então "reencarnar".

A questão de João Batista ser Elias tem provocado verdadeiro malabarismo verbal aos que querem insistir que não há reencarnação. Mas vejamos.

Essa história se inicia quando o profeta Malaquias faz a seguinte previsão:

“Vejam! Estou mandando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente. De repente, vai chegar ao seu Templo o Senhor que vocês procuram, o mensageiro da Aliança que vocês desejam. Olhem! Ele vem! - diz Javé dos exércitos”. (3,1).

“Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Iahweh, grande e terrível. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais, para que eu não venha ferir a terra com anátema” (3,23-24).

Agora vejamos a passagem citada relativa ao anúncio do nascimento de João Batista:

“Ele caminhará à sua frente, com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto”. (Lc 1, 17).

Jesus faz a seguinte declaração: “É de João que a Escritura diz: ‘Eis que eu envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’” (Mt 11, 10). Ao relacionar João Batista com a profecia de Malaquias, que em 3,1 diz de um mensageiro, identificado em 3,23-24 como sendo Elias; Jesus, em interpretação isenta de dogmatismo, está dizendo que João Batista é o mensageiro Elias.

A frase citada na profecia “fará voltar o coração dos pais para os filhos” fecha com a citada por Lucas “a fim de converter os corações dos pais aos filhos”, o que quer dizer: o menino que iria nascer, João Batista, seria mesmo Elias, ou seja, João Batista foi Elias em nova encarnação.

Com base nessas passagens, analisemos quando no Monte Tabor, aparecem Moisés e Elias conversando com Jesus, aí os discípulos ficaram em dúvida. Pensaram: ora, as escrituras dizem que Elias “há de vir”, entretanto estamos vendo Elias aqui, será que então ele não veio? Pela narrativa: “Os discípulos lhe perguntaram: ‘Por que dizem os escribas que Elias deve vir antes?’ Respondeu-lhes: ‘Elias há de vir para restabelecer todas as coisas’”. (Mt 17,11).

Mas prestem atenção nestes versículos, que são a seqüência do anterior:

“Mas eu vos digo que Elias já veio e não o reconheceram, mas fizeram com ele o que quiseram. ... Então, os discípulos compreenderam que Jesus lhes tinha falado a respeito de João Batista”. (Mt 17,12-13).

Recapitulemos: a profecia de Malaquias diz que Elias deveria vir, ao anúncio do nascimento de João Batista se diz que ele viria “com o espírito e o poder de Elias” para converter os corações dos pais aos filhos, conforme anunciado. Jesus afirma categoricamente que Elias já veio e não o reconheceram, ao que os discípulos entenderam que estava falando de João Batista, precisa ser mais claro do que isso? Alguém poderá alegar: Jesus não disse que João Batista era Elias, foram os discípulos que entenderam. Mesmo considerando que em outras ocasiões Jesus demonstrou conhecer o pensamento das pessoas, não utilizaremos isso como prova, preferimos as próprias palavras de Jesus: “E, se quiserdes compreendê-los, João é o Elias que estava para vir”. Como sabia que muitos não iriam acreditar, com certeza, muitos católicos estão entre eles, acrescentou: “Quem tiver ouvidos, que escute bem” (Mt 11,14-15).

Observe agora, caro leitor, como é o comportamento desse crítico que tenta convencer as pessoas a pensar pelo lado que ele quer, pois só falou da expressão “há de vir”, que está no futuro porque Jesus aludia à profecia, e não ao fato presente. Propositadamente não citou a afirmativa complementar de Jesus: “Elias já veio e não o reconheceram” (Mt 17,12), daí podemos ver com que tipo de pessoa nós estamos lidando; repetimos suas palavras: “vemos nas próprias palavras de Cristo que S. João é o Elias que ‘há de vir’ (no futuro) é que, portanto, ainda não veio”.

Sobre as palavras de Santo Agostinho, em que pese o respeitarmos como pessoa humana, a nós o que disse não representa nada como base de prova de alguma coisa e, com certeza, se ele vivesse no tempo de Jesus, chamaria ao Mestre de herético, como são todos os que não “rezam pela Bíblia Católica”.

Kardec faz uma abordagem em O Livro dos Espíritos, perguntas 392 a 399, sobre o esquecimento do passado, que, se o nosso crítico tivesse estudado, teria encontrado a explicação do porquê João Batista disse não ser Elias. Sério problema dos críticos é não estudar; na pressa em dar combate, não entendem os assuntos abordados, passam a falar coisas sem sentido algum para quem tem conhecimento do assunto. Mas, como é desagradável ler, imagine então estudar? Todo crítico de valor fala do que estudou; os mal informados combatem sem nem mesmo saber o que estão fazendo, não é mesmo?

Mas ao se concentrar na resposta, se esquece que a pergunta é que é o ponto fundamental. Se não acreditassem que uma pessoa pudesse voltar, qual seria o sentido do questionamento: “És tu Elias?”. Essa pergunta só poderia ser feita por quem acreditava que os mortos pudessem voltar. E essa história de que Elias foi arrebatado, só fanático acredita. A Bíblia de Jerusalém, portanto, uma Bíblia católica, em nota de rodapé, falando sobre essa passagem coloca: “O texto não diz que Elias não morreu, mas facilmente se pôde chegar a essa conclusão” (pág. 508-509). Jesus disse: “O espírito é que dá vida; a carne de nada serve” (Jo 6,63) e Paulo completa “a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50). Assim, não há sentido algum dizer que Elias foi arrebatado. Mas de qualquer forma se o leitor quiser, poderá ver nossos argumentos no texto: “O arrebatamento de Elias”, disponível em:

http://geocities.yahoo.com.br/apologia_gae/assuntos_biblicos/o_arrebatamento_de_elias.htm

Apela o crítico para a tradição para justificar o arrebatamento, entretanto Jesus combateu a tradição dos de Sua época: “... Assim vocês esvaziaram a palavra de Deus com a tradição de vocês”. (Mt 15,6). E Paulo não deixou por menos: “Cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo” (Col 2,8).

Se Elias realmente foi “arrebatado”, gostaríamos que nos explicasse como ele está vivendo no “céu” sem oxigênio, pois, a determinada altura, esse elemento, essencial à vida humana, não existe mais. E o “tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3,19), como fica? E se o próprio Jesus passou pela experiência da morte, e dolorosa por final, por que esse privilégio de Elias? Alguém poderia nos explicar isso?

E comenta também Frei Boaventura Kloppenburg no livro "Espiritismo: Orientação para Católicos" que Elias apareceu ao lado de Moisés e de Nosso Senhor no monte da transfiguração. Ora, se S. João Batista fosse reencarnação de Elias, era ele que devia aparecer, e não Elias, pois, segundo os espíritas, quando um espírito se "materializa", ele sempre se apresenta na forma de sua última encarnação.

A respeito da aparência do Espírito é necessário ver o que Kardec coloca no livro A Gênese, FEB, pág 281-282:

“Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual”.

“Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção; doutras, são produto de um pensamento inconsciente. Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera”.

“É assim, por exemplo, que um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo na época em que o segundo o conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época, muitas encarnações. Apresenta-se com o vestuário, os sinais exteriores - enfermidades, cicatrizes, membros amputados, etc. - que tinha então. Um decapitado se apresentará sem a cabeça. Não quer isso dizer que haja conservado essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido. Se, pois, de uma vez ele foi negro e branco de outra, apresentar-se-á como branco ou negro, conforme a encarnação a que se refira a sua evocação e à que se transporte o seu pensamento”. (grifo nosso)

Assim, podemos ver que a base para sustentar que o espírito se materializa sempre na forma da sua última encarnação não é verdadeira. Infelizmente, sempre vemos é que quase todos os críticos não têm um conhecimento profundo daquilo que se propõem a combater. Fato lamentável, pois é o mínimo que deveriam fazer.

O Espírito pelo seu pensamento molda, vamos assim dizer, o seu perispírito com a forma que desejar. Quanto maior evolução, maior capacidade de fazer isso, o que dá a possibilidade do Espírito Elias se manifestar ou como Elias mesmo ou como João Batista, ou com qualquer aparência de uma de suas inúmeras encarnações anteriores. Se tivessem estudado, evitariam essa afirmação ridícula.

A outra passagem que Kardec diz ser a favor da reencarnação seria Jo 3, 3: "Se alguém não nascer de novo, não pode entrar no reino de Deus". Ora, a Igreja sempre ensinou que esta passagem se refere ao batismo, pois quando Nicodemos indagou de Cristo a verdade sobre essas palavras, Ele disse: "Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer por meio da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus" (Jo 3, 5).

É aí que está todo o problema: a Igreja se julga toda poderosa para definir e interpretar a Bíblia segundo o que acha verdadeiro, entretanto, a prática demonstra que são doutrinas de homens, fugindo, portanto, daquilo que Jesus ensinou.

Se o batismo fosse algo tão importante assim, por que ele não consta entre os Dez Mandamentos? Por que será que Jesus não batizou ninguém? Por que ao invés de dizer “vá e não peques mais” ou “a tua fé de salvou” não disse: “vá e batize” ou “teu batismo de salvou”? Não encontramos Jesus, em nenhum momento, dizendo coisas assim; aliás, Ele não era mesmo adepto a nenhum tipo de ritual.

Quanto à questão de Nicodemos, ele como fariseu e membro do Sinédrio, não poderia ignorar o batismo, entretanto, a pergunta que faz a Jesus não é a esse respeito, mas disse: “Como é que pode o homem nascer, quando já é velho? Porventura poderá entrar de novo no seio de sua mãe e nascer?” O que demonstra que Nicodemos entendeu perfeitamente que era mesmo nascer de novo, a dúvida dele era como isso poderia ocorrer. Jesus, por sua vez, não contradiz o pensamento de Nicodemos, dizendo: Não é o que está pensando, estou falando do batismo. Outro fator que justificam as perguntas de Nicodemos da forma que foram feitas é que os fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos (At 23,6-8), que conforme já demonstramos, quando falamos de João Batista ser Elias, poderia ser também entendido dentro do conceito de reencarnação.

Quando, ao final, do diálogo com Nicodemos, Jesus acrescentou: “O vento sopra para onde quer e ouves sua voz, mas não sabes donde vem, nem para aonde vai. Assim, é quem nasceu do Espírito”, a comparação nada tem a ver com batismo, já que isso não era costume do povo judeu, que adotava como ritual a circuncisão. Daí podemos afirmar que ela está mais ligada à questão da reencarnação mesmo, já que não sabemos de onde viemos nem para onde iremos após a morte.

Era de interesse da Igreja forçar a interpretação da passagem para ter como justificar o ritual do batismo, que apesar de Jesus ter dito “daí de graça o que de graça recebestes”, cobram por este sacramento. Vemos também que padres se tornam mais exigentes que o Mestre, ao impedirem as mães solteiras de batizarem seus filhos. Se o batismo é necessário para irmos para ao “céu”, esses pobres coitados serão lançados fora pelo “poder” dos padres da Igreja.

Diz também Frei Kloppenburg (op.cit) que no Evangelho grego o termo empregado é ánoothen que não seria "nascer de novo", mas "nascer do alto", o que, se for verdade, destrói o argumento espírita.

Vejamos agora a questão da palavra grega “anoothen”. Como não sabemos nada de grego e nem aramaico (e muitas outras línguas), preferimos buscar informações de quem tem conhecimento desse assunto, para não dar uma idéia de que “estamos querendo arrotar camarão depois de ter comido sardinha”.

O Livro Analisando as Traduções Bíblicas do Dr. Severino Celestino da Silva, no capítulo XVII – A Reencarnação no Novo Testamento, págs. 238-242, referindo-se à passagem de João 3, 1-12, trata essa questão da seguinte forma:

“Este é o texto que tem dado mais trabalho aos exegetas que querem negar a Reencarnação. No entanto, é o mais claro e contundente de todos, por isso, existe um verdadeiro malabarismo por parte destes, no sentido de obscurecer o verdadeiro e claro sentido desta passagem. Iniciamos pelo vocábulo ‘anóten’ que em grego pode significar ‘de novo’ e ‘do alto’”.

“Nesta passagem, esse vocábulo significa realmente ‘de novo’, porém a maioria dos exegetas emprega o termo ‘do alto’ para justificar a sua descrença na Reencarnação. Este malabarismo envolve também a questão gramatical na tradução do texto, como veremos mais adiante. Colocaremos, aqui, muitas observações e conceitos empregados, sobre este texto, feitos por Torres Pastorino na sua obra ‘Sabedoria do Evangelho’, com relação ao texto grego. Concordamos plenamente com todos os seus conceitos, razão por que o usaremos para reforçar nossa exegese. A análise do texto hebraico é de autoria e responsabilidade nossa”.

“Muitos começam com a afirmação de que Jesus teria dito: ‘AQUELE QUE NÃO NASCER ‘DO ALTO’. Observe, no entanto, que a pergunta feita por Nicodemos, em seguida, denota que ele entendeu que Jesus falava realmente em nascer ‘de novo’ e não ‘do alto’: Como pode ‘o homem, depois de velho, entrar pela segunda vez (duteron) no ventre materno?’”.

“Esta ambigüidade de entendimento só acontece na língua grega, porque no hebraico, que foi realmente a língua em que Jesus dialogou com Nicodemos, este problema não existe. O texto é bem claro e jamais pode significar ‘do alto’. Diz o seguinte: (‘im lô iauled ish mimkôr ‘al lô-iukal lirôt et-malkut haelohim’) im=se, =não, iualed=incompleto do grau qal[1] do verbo ‘nolad’=nascer, ish=um homem, mimikôr=palavra composta, formada por mi=de + makôr=fonte de água viva, origem. Existe a expressão hebraica ‘Mekôr chaim’ que quer dizer ‘fonte da vida’. Observe que não existe nada referente ‘ao alto’, no texto grego, como muitos querem se fazer entender. Assim, o Cristo fala que aquele que não nascer em origem, no sentido de se voltar à fonte original da vida, ou seja, nascer novamente, ‘não poderá’ (lô-iuchal=incompleto do verbo iachôl=poder) ver o reino de Deus (lirôt et-malkut haelohim)’”.

“Assim, no diálogo, a palavra grega ‘anóten’ tem o sentido e significado de ‘de novo’, portanto, Jesus falava de retorno, ou seja, de Reencarnação mesmo, como foi visto no texto hebraico”.

“Lembramos, ainda, que Nicodemos já era um cidadão de idade avançada e o Cristo lhe fala da Reencarnação (Nascer de Novo), como uma esperança e reconforto para ele, mostrando-lhe que a vida não termina com a morte, nem os velhos devem temer a morte, pois podem renascer e começar tudo novamente”.

“Na seqüência, Cristo confirma que era isso mesmo que Ele queria dizer: ‘Quem não nascer de água (materialmente, com o corpo denso, dado que o nascimento físico é feito através da bolsa d’água do líquido aminiótico), veja o cap. VII deste livro, Salmo 23 e de espírito (pneumatos), ou seja, que adquira nova personalidade no mundo terreno, em cada nova existência, a fim de progredir). Se Nicodemos entendeu ao pé da letra as palavras de Jesus, o Mestre as confirma ao pé da letra e reforça o seu ensino. Com efeito, o espírito, ao reentrar na vida física, pode ser considerado o mesmo espírito que reinicia suas experiências, esquecido de todo passado’”.

“A questão gramatical: no texto em grego não há artigo diante das palavras ‘água’ (ek ydatos=de água) ‘e espírito’ (kai pneumatos), portanto, o texto fala em nascer ‘de água e de espírito’. Não é portanto, nascer da água do batismo, nem do espírito, mas de água (por meio da água) e de espírito (pela Reencarnação do espírito)”.

“O primeiro versículo do Gênesis (1:1) fala que no princípio criou Deus os Céus e a terra. A palavra ‘céus’ em hebraico ‘Shamaim’ ([2])- significa: ‘Carrega água’, ‘Ali existe água’; ‘fogo e água’ que misturados um ao outro, formaram o Céus”.

“Como podemos observar, tudo começou com as águas. Água é vida e essa era a crença geral naquela época. É lógico que o Cristo não falava de batismo e sim de retorno através da água. Lembramos ainda que 99% da constituição das células reprodutoras são água”.

“Daí a explicação que segue: ‘o que nasce da carne (ek tês sarkos) com artigo (tês) em grego, é carne”, isto é com corpo físico, com toda a hereditariedade física herdada do corpo dos pais; “e o que nasce do espírito (ek tou pneumatos) é espírito”, ou seja, o espírito que reencarna provém do espírito da última encarnação com toda a hereditariedade pessoal (cármica) que traz do passado’”.

“E Jesus prossegue: ‘Por isso não te admires de eu te dizer: é-vos necessário nascer de novo’. Observe a diferença de tratamento: ‘dizer-TE’ no singular, e ‘é-VOS’ no plural, porque o renascimento é para todos, não apenas para Nicodemos. E mais: ‘o espírito sopra (isto é, age, reencarna, se manifesta onde quer), e não sabes de onde veio (ou seja, sua última encarnação), nem para onde vai (qual será a próxima)’”.

“As palavras de Jesus foram de modo a embaraçar Nicodemos, que indaga: ‘como pode ser isso’? E Jesus: ‘Tu que (entre nós dois) é Mestre de Israel, te perturbas com estas coisas terrenas? Que te não acontecerá então, se te falar das coisas celestiais (espirituais)?’”.

Logicamente Jesus não podia esperar que Nicodemos entendesse as interpretações mais profundas desse ensinamento, nem tão pouco estava querendo ensinar-lhe o batismo, nesta passagem, como muitos querem justificar”.

“Se o Cristo falava realmente do batismo para Nicodemos, por que não o convidou a se batizar? E por que o próprio Cristo não o batizou? Leia em João 4:2 que Cristo não batizava, quem batizava eram os discípulos. E por que diante de tantas curas, milagres e encontros, como no da ‘Adúltera’, com ‘Zaqueu’, com o ‘Centurião’, com a ‘Cananéia’, Cristo nunca falou em batismo? Não seria uma oportunidade para este convite? No entanto, sua recomendação era para a mudança interior: ‘vai e não peques mais para que coisa pior não te venha acontecer’”.

“E Jesus conclui exemplificando: ‘como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim o Filho do Homem será erguido da Terra’. (Veja a história da serpente erguida no deserto no Livro Números – vicrá- 21:4-9)”.

“Aqui o Cristo prevê o que aconteceria a Ele, ou seja, a sua morte na cruz para que hoje seja erguido na terra como filho de Deus e dirigente de toda a nação terrena”.

“Paulo, em sua epístola a Tito 3:4-5, interpreta bem esta citação do Cristo: ‘Mas quando apareceu a vontade de Deus, nosso salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras da justiça que tivéssemos feito, mas segundo sua misericórdia nos salvou pelo lavatório da reencarnação, e pelo renascimento de um espírito santo’”.

“Aqui, Paulo deixa bem claro que Deus nos salvou não porque o tivéssemos merecido, mas por Sua misericórdia, servindo-se da reencarnação a qual é um ‘lavatório’ (de água) e um ‘renascimento do espírito”’ A palavra grega do texto a que se refere Paulo é ... (a palavra está em grego que não temos condições de reproduzir) ‘Palingenesia’ – isto é, ‘renascimento’, ‘Novo Nascimento’, REENCARNAÇÃO”. (os grifos são do original).

Mas a refutação mais eficiente desse argumento kardecista, a meu ver, são as palavras de São Paulo na sua epístola aos Colossenses: "tendo sido sepultados com ele (Cristo) no batismo, no qual vós também ressuscitastes mediante a fé na ação de Deus, que o ressuscitou dos mortos. E a vós, que estáveis mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando-vos todos os pecados" (Coloss 2, 12-13). Ora, São Paulo está usando a mesma analogia, com os mesmos termos que Nosso Senhor emprega para se referir ao batismo: que nós somos por ele sepultados para o pecado, ressuscitando para a vida da graça.

O que precisamos definir é a quem seguimos se a Paulo ou a Jesus. Nós Espíritas, não abrimos mão de seguirmos incondicionalmente a Jesus; nenhum ensinamento que venha contrariar o que dele recebemos tem valor para nós, pouco nos importa de onde venha (Mt 10,24).

Por outro lado, vejamos como os católicos, são incoerentes, pois é Paulo quem diz que “a carne e o sangue não poderão herdar o reino de Deus” (1 Cor 15,50), que ressuscitaremos no corpo espiritual, que é incorruptível e glorioso (1 Cor 15,35-49), entretanto pregam a ressurreição da carne. Deveriam ter uma visão mais ampla da Bíblia, para não ficar pegando passagens isoladas para justificar seus dogmas.

Além disso, São Paulo também escreveu em outra epístola que “o homem só morre uma vez e, depois disso, se segue o juízo” (Heb 9, 27).

Essa passagem é velha conhecida, pois todos os detratores do Espiritismo a usam para justificar que não há reencarnação. Só poderíamos pensar assim se Jesus não tivesse dito nada sobre isso ou que, essa passagem, estivesse assim escrita: “ao homem está destinado a viver só uma vez”. Aí sim seria algo contra a reencarnação, mas não é esse o caso. Sempre também aproveitamos dessa passagem para perguntar: se logo depois segue o juízo, de que servirá então o juízo final nos fins dos tempos?

Mas Cristo não só não era favorável à Reencarnação, como ensinou o contrário. Vemos na parábola do rico epulão e do pobre Lázaro que, quando estes morreram, foram imediatamente julgados, indo um para o inferno e outro para o céu. Essa parábola também contém um ensinamento contra a necromancia, de que vou tratar na segunda parte desse texto. E Cristo fala em penas e recompensas eternas após a morte (como, por exemplo, Mt 25, 41: "ide malditos para o fogo eterno"), e não em um ciclo de vidas que teria por finalidade a perfeição da alma.

Questionaremos novamente, se logo após a morte somos julgados, por que então dizem que haverá um juízo no final dos tempos onde serão julgados os vivos e os mortos? Os mortos não estão sendo julgados pela segunda vez? Por qual motivo? O primeiro julgamento não foi perfeito?

O próprio crítico reconhece que é uma parábola, assim temos que ver o sentido, não a letra que mata. O que fica claro é que seremos responsabilizados pelas nossas ações quando da morte. Que o batismo aqui não representou absolutamente nada, pois nem foi citado. Que fazer parte de uma Igreja, da mesma forma, nada representa. Que, por sua vez, o perdão de padre não colocará ninguém no céu.

A condição final, após todo o processo evolutivo, é estarmos no reino dos céus junto a Deus, os que teimam em não aplicar os ensinamentos de Jesus ficarão no “inferno”, que é o próprio planeta Terra, tão eternamente enquanto dure. Não há como pegar as palavras de Jesus fora disso, pois, caso contrário, nós teremos que admitir que a justiça humana é melhor que a divina, já que, na maioria dos países, não se dá pena perpétua aos criminosos. A pena imposta sempre tem por objetivo recuperar o preso e reintegrá-lo à sociedade. Se Deus nos colocar no inferno eterno, quando irá nos recuperar? E a palavra eterno não tinha outra idéia senão de um período longo do qual não se sabia a duração, nada de ser para todo o sempre. Devemos também entender o simbolismo de certas palavras, como por exemplo, o fogo, que significava elemento purificador.

Esses exemplos bastam para provar que, não só Cristo não ensinou a reencarnação, mas que aceitar essa mentira vai contra seus ensinamentos, e que, portanto, quem acredita em reencarnação não é cristão.

Os argumentos que trouxemos à nossa base de raciocínio provam que, à época de Jesus, se acreditava na reencarnação, que Jesus também disse sobre ela. Agora muitíssimo mais “difícil que convencer Espírita” é fazer um fanático enxergar isso.

Já que gostam tanto de Paulo, trazemos sua fala em nossa defesa: “Julgais as coisas só pelas aparências. Se alguém tem a certeza de pertencer a Cristo, considere que nós somos de Cristo com ele”. (2Cor 10,7). E conforme já dissemos alhures, Jesus não legou a nenhuma instituição e a nenhum indivíduo como sendo o responsável para fazer carteirinha de Cristão aos que se definisse como tal.

Para os kardecistas, só isso já deveria bastar. Mas além de ser contra os ensinamentos de Cristo, a doutrina da reencarnação não é lógica, nem condiz com a Justiça de Deus.

Considerando que o lugar onde nascemos é Deus que escolhe, como explicar a Sua justiça se nos faz nascer num lugar onde o próprio meio contribui para que nos tornemos bandidos, cuja conseqüência inevitável é o inferno? Onde encontrar uma lógica nisso? Alguém conseguiria explicar, sem abrir mão da lógica, como um ser infinito como Deus o é, poderia ficar ofendido com o que fazemos?

Só conseguimos fazer alguma coisa se antes a aprendermos, não há como contestar isso. Se uma criança consegue pintar, sem ter participado de nenhum curso de pintura, não é mais lógico dizer que ela aprendeu em uma vida anterior, do que apelar para o “dom” de Deus? Se for “dom”, por que só uns privilegiados o recebem? Agora transforme esse “dom” em experiência individual, adquirida em outras vidas, se tudo não se torna lógico, sem contrariar a justiça divina?

É muito comum encontrarmos crianças com sentimento de ódio para com um dos seus genitores. Partindo da hipótese de uma vida só, teremos que admitir que foi Deus quem colocou tal ódio no coração dessa criança, mas admitindo a lógica da reencarnação, iremos perceber que isso poderia ser explicado por desentendimentos de outras vidas, não resolvidos, que ainda se encontram gravados na memória integral, refletindo na vida atual.

Pela “lei do cão” (inferno) somente uns poucos “eleitos” conseguirão entrar no reino de Deus. Pela reencarnação todos um dia irão estar junto de Deus. Onde haverá misericórdia maior, já que esse atributo divino não poderá estar dissociado do atributo da justiça?

Agora, pela nossa maneira de ver, quem não acredita na reencarnação é católico, protestante ou qualquer outra coisa, menos cristão, já que pretendem ser tão radicais.

Por exemplo, pela doutrina da reencarnação, a vida deve ser vista como uma punição, e não um bem em si. Ora, se a vida fosse um castigo, ansiaríamos por deixá-la, visto que todo homem quer que seu castigo acabe logo. Ninguém quer ficar em castigo longamente. Entretanto, ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Logo, a vida não é um castigo. Pelo contrário, a vida humana é o maior bem natural que possuímos.
Conseqüentemente, se a reencarnação fosse verdadeira, todo nascimento seria motivo de tristeza, e toda morte motivo de alegria. Ora, é exatamente o contrário!

Para economia de tempo, como o crítico pegou trecho de outro autor, iremos apresentar nossos argumentos, feitos anteriormente, a esse propósito.

A reencarnação é somente para pagarmos os nossos pecados anteriores? Essa é a pergunta clássica sob o objetivo da reencarnação. O principal motivo de reencarnarmos é porque somente através de várias vidas é que temos condições de progredir: “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai Celestial”. O espírito, criado simples e ignorante por Deus, de acordo com o seu livre-arbítrio, vai através de suas várias vidas se aperfeiçoando moral e espiritualmente. É a reencarnação a sua caminhada na senda do progresso, rumo ao Pai. A perfeição que o espírito pode conseguir é relativa, não absoluta, pois se assim fosse, estaria a criatura se igualando ao criador; isso nos colocaria diante do absurdo do ser criado se tornar um Deus.

É, pois, por falta de conhecimento, que muitos dizem ter a reencarnação somente o objetivo de expiação. E, diga-se de passagem, esse pensamento ocorre até mesmo entre os Espíritas.

Assim, a vida no corpo físico é uma oportunidade que Deus dá a cada um de nós, para evoluirmos e ao mesmo tempo, nos harmonizarmos perante Sua justiça.

Se um espírito rebelde encarnado ou desencarnado acha que sua reencarnação é uma punição, é problema dele e não da justiça divina, que quer apenas recuperá-lo.

Se, por algum motivo, estamos expiando algo que fizemos no passado, mesmo sem lembrarmos do que fizemos, não quer dizer que isso seja injusto, uma vez que o esquecimento é um fato que acontece quando estamos ligados a um corpo físico, ou seja, no plano espiritual lembramos-nos de tudo, muito embora, para alguns isso demore um certo tempo. Injusto mesmo é pagarmos por algo que não fizemos, como é o caso do tal pecado original, onde toda a humanidade vem pagando pelo pecado de Adão e Eva. Isso contraria a passagem bíblica: “Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais. Cada um será executado por causa de seu próprio crime” (Dt 24,16). Mais contundente ainda fica isso nas palavras de Jesus: “a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27). Além disso, se o Batismo liquida com o pecado original, por que ainda a pessoa continua com ele durante a vida, ao qual se deve uma série de problemas, segundo os teólogos?

Aos que acreditam que a nossa existência é uma só, gostaria que nos respondessem: Por que algumas crianças nascem aleijadas, cegas, mudas, surdas, idiotas, etc? Explique-nos com base em que justiça isso se processa? Mas, não nos venham com a esdrúxula explicação que isso é mistério de Deus. Como explicar também que muitas crianças sabem fazer determinada coisa sem a terem aprendido, como, por exemplo, pintar sem ter feito nenhum curso?

Se para Deus “mil anos é como se fosse um dia” (Sl 90,4) como explicar uma pena eterna diante disso? E mais, como conciliar a pena eterna com: “O Senhor é misericordioso e compassivo, longânimo e assaz benigno” (Sl 103,8). Deus sendo infinitamente misericordioso, como Ele castigaria alguém eternamente por erros de menos de “um dia”? E somos nós mesmos que pagamos os pecados, sim, pois Jesus disse que ninguém deixará de pagar até o último centavo. E com essa afirmação, ficamos sabendo também que, pago o último centavo, estaremos quites. E assim, como ficaria a tal de pena que não termina? Eterno é um tempo longo (aionios em Grego, conforme os entendidos), mas que tem fim.

Recomendo-lhe a leitura de um curto trabalho do site da Montfort que apresenta alguns argumentos metafísicos e filosóficos contra a reencarnação:

http://www.montfort.org.br/cadernos/reencarnacao.html

Por nossa vez, recomendamos a leitura do nosso texto contra-argumentando todos os itens abordados no trabalho citado, que poderá ser acessado pelo link:

http://geocities.yahoo.com.br/apologia_gae/respostas_detratores/reencarnacao_argumentos_contrarios.htm

O principal erro que faz Kardec aceitar a reencarnação como dogma é um erro com relação à noção de justiça. Pois Kardec acredita num princípio errado, que é aceito como verdadeiro desde a Revolução Francesa, e que tem seu ápice com o marxismo: o falso princípio de que a justiça venha da igualdade.
Pois Kardec diz em sua argumentação com relação à lógica da reencarnação que "Deus, em sua justiça, não pode ter criado almas mais ou menos perfeitas" (LE, q.222, p.127), insinuando que seria uma injustiça da parte de Deus criar almas em diferentes "níveis de evolução" (desculpe o termo absurdo).

Será que é pervertendo o princípio, já consagrado, do direito de que todos são iguais perante a lei, que irão derrubar a reencarnação? O ser humano estaria demonstrando maior senso de igualdade que Deus? Quem admite tamanha barbaridade só pode ser alguém que nunca foi um genitor, pois gostaria de ver um pai humano, com todo o poder nas suas mãos, dar condições diferentes a seus filhos, já que qualquer pai normal inevitavelmente daria tudo para todos.

Aos que não acreditam na reencarnação as coisas parecem absurdas, já que normalmente essas pessoas são portadoras de um egoísmo eclesiástico que os impedem enxergar com os olhos da razão. Mas em qualquer análise que se possa fazer de textos tentando estabelecer a justiça da desigualdade, poderá ser percebido o uso de sofisma, que só engana aos incautos.

Assim, Kardec explica porque há seres mais ou menos perfeitos no mundo. Para Kardec, "Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes" (LE, q.115, p.83) e "não os criou maus, (...) aqueles que são maus, assim se tornaram por sua vontade" (LE, q.121, p.84). Kardec também afirma que "todos se tornarão perfeitos" (LE, q.116, p.83), mas que, para os espíritos maus, (atenção para a gagueira!) "as eternidades serão mais longas (sic!)" (LE, q.125, p.85). Assim sendo, nega que exista o inferno, pois isso iria contra a bondade de Deus e que "se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus, e Deus não seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes" (LE, q.131, p.87)

Vejamos o que Kardec coloca após a pergunta 125:

“Por estas palavras - as eternidades - se deve entender a idéia que os Espíritos inferiores fazem da perpetuidade de seus sofrimentos, cujo termo não lhes é dado ver, idéia que revive todas as vezes que sucumbem numa prova”.

Muitas vezes uma palavra é usada como força de expressão. Vejamos: “Seu olhar se estende de eternidade em eternidade, e para ele nada é extraordinário” (Eclo 39,20), não irá o nosso caro articulista dizer que também é gagueira da Bíblia, vai?

Como já provamos, anteriormente, a malícia do nosso crítico, agora mais uma vez vem ele carregando seus argumentos para ridicularizar Kardec, entretanto, a sua má-fé fica evidente, quando lemos a nota colocada por Kardec que explica a “gagueira”, que só podemos ver em nosso crítico de plantão,já que o tiro lhe saiu pela culatra.

Ora, essas afirmações estão carregadas de sofismas e contradições. O primeiro é dizer que a justiça provenha da igualdade de todos os homens, que todos tem direito a iguais direitos, sem distinguir entre direitos naturais e direitos acidentais. Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho argumentam exatamente o contrário: a justiça vem da desigualdade, pois Deus criou as coisas com desigualdade. Recomendo-lhe outro trabalho do site da Montfort se você quiser argumentos com relação a esse ponto:
http://www.montfort.org.br/veritas/desigualdade.html

Sempre estão apelando para os santos, mas não eram eles seres humanos como todos nós, que tinham suas idéias preconcebidas, sectárias muitas vezes, e é disso que tomam como argumento? E ainda cometem o disparate de dizer, que as afirmações de Kardec estão carregadas de sofismas e contradições. Porém, o mesmo poderemos dizer desses santos.

É só visitar o site recomendado para saber quem usa de sofismas e contradições. Não obstante a isso, sugerimos por contra-peso a análise serena e equilibrada do confrade Deolindo Amorim, disponível em: www.espirito.com.br/portal/artigos/diversos/reencarne/reencarnacao-e-desigualdades.html. E que o prezado leitor tire suas próprias conclusões.

Em At 10,34: “Dou-me conta, em verdade, que Deus não faz acepção de pessoas...”, o que foi confirmado em Rm 2,11: “Porque Deus não faz acepção de pessoas”. Se isso é verdadeiro, como explicar as desigualdades?

Lemos em Sb 11,23-24: “Mas te compadeces de todos, pois tudo podes, fechas os olhos diante dos pecados dos homens, para que se arrependam. Sim, tu amas tudo o que criastes, não te aborrecem com nada do que fizeste; se alguma coisa tivesses odiado, não a terias feito”. Se Deus ama a tudo que criou, como explicar a diferença de tratamento, pois só tratamos diferentemente se amamos alguém mais que outra pessoa.

E mais objetivamente, encontramos em 2Cor 8,14-15: “Neste momento, o que está sobrando para vocês vai compensar a carência deles, a fim de que o supérfluo deles venha um dia compensar a carência de vocês. Assim haverá igualdade, como está na Escritura: ‘A quem recolhia muito, nada lhe sobrava; e a quem recolhia pouco, nada lhe faltava’”. Se nas coisas materiais já se preocupava na igualdade, por que seria diferente nas outras questões?

Mas, dentro da visão Espírita, podemos dizer que realmente a desigualdade é justa, pois, em verdade, cada um está colhendo o que ele mesmo plantou e a lei da reencarnação coloca cada um exatamente onde seus atos passados indicam ser justo. As desigualdades são o cumprimento da Lei de Justiça, que atinge a todos os nossos atos e aqueles que ainda não foram atingidos por essa lei, o serão numa encarnação futura. Se usarmos indevidamente de nosso livre arbítrio para ferir ou matar alguém, se não for na vida presente, em outra vida se cumprirá, com certeza, seus efeitos, pois “todos aqueles que usam da espada, pela espada morrerão!” (Mt 26,52) ou “a cada um segundo suas obras” (Mt 16,27).

Lembro-lhe apenas que Cristo disse que Deus dá a um servo cinco talentos, dois para outro e um talento só para um terceiro homem. E que ensinou que Deus cobrará desigualmente os favores e graças que deu desigualmente, pois disse: "A quem muito foi dado, muito será pedido" (Lc 12, 48).

Quem sabe se de tanto viver em meio à opulência é que enxerga essa parábola pela quantidade de talentos? Mas o que importa é que todos receberam talentos; é aí que reside a igualdade, meu caro? A questão da quantidade está na habilidade que cada um adquiriu com seu próprio esforço, daí a diferença entre eles. Outra coisa que fica clara é que devemos multiplicar nossos bens a favor do próximo. Ficamos a pensar como será esse dia para os católicos, já que a eles muito foi dado, entretanto, parece que enterraram os talentos nos cofres do Vaticano, que dizem ter Deus confiado a seus líderes.

E com relação à existência de demônios, Kardec se contradiz consigo próprio. Ora, não havia ele dito, duas páginas atrás, que os espíritos são criado por Deus "simples e ignorantes" e que estes se tornam maus "pela sua vontade"? Por que ele vem dizer agora que "se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus"?
O que Kardec nega é que possam existir seres que, pelo seu livre-arbítrio, escolham o mal. Ora, Kardec nega isso por que acredita no princípio iluminista de Rousseau de que o homem é bom e sem inclinação para o mal, conseqüência do pecado original. E extrapola isso aos anjos também (pois Kardec não acredita que os anjos sejam seres de natureza diversa da do homem, mas sim que eles sejam "homens evoluídos"). Por isso ele nega a existência de demônios, e conseqüentemente, do inferno.

Vamos colocar as questões propostas por Kardec com a respectiva resposta dos Espíritos, para ver se o crítico pelo menos entendeu o que está lá.

Perg. 87 - Há demônios, no sentido que se dá a esta palavra?

- Se houvesse demônios, eles seriam obra de Deus, e Deus seria justo e bom se houvesse criado seres devotados eternamente ao mal e infelizes? Se há demônios, eles habitam em teu mundo inferior e em outros semelhantes. São esses homens hipócritas que fazem de um Deus justo, um Deus mau e vingativo e crêem lhe serem agradáveis pelas abominações que cometem em seu nome.

Perg. 115 – Entre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?

- Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência. Deu a cada um determinada missão com o fim de esclarecê-los e fazê-los alcançar, progressivamente, a perfeição para o conhecimento da verdade e para aproximá-los dele....

Perg. 121 – Por que certos Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal?

- Não têm eles o livre arbítrio? Deus não os criou maus; criou-os simples e ignorantes, isto é, com aptidão tanto para o bem como para o mal. Aqueles que são maus, assim se tornaram por sua vontade.

Esse é pior do que aquele que ouviu o galo cantar e não sabe onde, pois não consegue nem mesmo interpretar um texto por demais simples. A questão de se tornarem maus “pela sua vontade” não é da vontade de Deus que Kardec está falando, é pela própria vontade do Espírito que usando o seu livre arbítrio, pode escolher o caminho que achar melhor, entretanto, arcará com as conseqüências de sua decisão.

Mas o que se está falando é exatamente que os Espíritos possuem livre arbítrio e usando-o podem escolher o caminho do bem como do mal. Vejamos uma fala de Kardec:

“Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de partida, são criadas iguais, com uma mesma aptidão para progredir, em virtude do seu livre arbítrio; que todas são da mesma essência, e que não há entre elas senão a diferença do progresso realizado: que todas têm a mesma destinação e atingirão o mesmo objetivo; mais ou menos prontamente segundo o seu trabalho e sua boa vontade” (A Gênese, pág. 26-27).

Estamos optando pela falta de entendimento, para não repetir que é por má-fé, mas qualquer que seja o caso seria, no mínimo, má vontade, já que acha desagradável ler livros Espíritas.

E devemos ressaltar que quando Kardec coloca “se houvesse demônios”, está partindo do que os outros acreditam, não que acredite neles.

Aos que acreditam no inferno, colocaremos: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira”. (Sl 103,8-9), nos digam como conciliar isso com o inferno eterno. Algum pai humano daria um castigo por toda a vida a uma criança pequena que não tem consciência de seus atos? Como querem que Deus faça isso?

Uma pergunta que fica sem resposta nos livros do Kardec é a seguinte: se o homem encarna para pagar pecados de uma vida anterior, onde estava o homem quando pecou pela primeira vez? Se você perguntar isso para um espírita, provavelmente ele vai lhe responder que não são todas as encarnações que são para expiação de pecados. Fui buscar o que o Kardec diz com relação a isso. É claro que ele não trata diretamente da questão do início do ciclo de reencarnações, mas veja o que o Kardec diz ser o objetivo das encarnações:

"Q.132: Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? R: Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para alguns é uma expiação, para outros é uma missão" (LE, q.132, p.89).

"a encarnação é imposta a uns como expiação e a outros como missão" (LE, introd. §VI, p. 19).

Kardec é bem claro, e não fala de outras possibilidades; logo, ou uma alma se encarna para pagar pecados (expiação) ou para ensinar espíritos mais atrasados em relação a ele (missão). Ora, no caso de encarnação como missão, supõe-se que esse espírito já seja "evoluído", quer dizer que ele já tenha passado por uma série de encarnações expiatórias. Logo, isso não se aplica à primeira encarnação dessa alma. Então permanece a pergunta: como e onde o espírito pecou pela primeira vez? Qual é o motivo da primeira encarnação de um espírito?

É de bom alvitre colocarmos as questões citadas pelo crítico, para que não possam pairar dúvidas quanto ao sentido real das palavras de Kardec, já que provamos, por várias vezes, a intenção de se desvirtuá-las.

“Perg. 132 – Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?

- Deus lhes impõe a encarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição. Para alguns é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisso é que está a expiação. A encarnação tem também outro objetivo que é o de colocar o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação. Para realizá-la é que, em cada mundo, ele toma um aparelho em harmonia com a matéria essencial desse mundo, cumprindo aí, daquele ponto de vista, as ordens de Deus, de tal sorte que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta”. (O Livro dos Espíritos, pág. 89). (grifo nosso).

Vejamos agora o que consta da Introdução de O Livro dos Espíritos:

“Os Espíritos não pertencem perpetuamente à mesma ordem. Todos progridem, passando por diferentes graus da hierarquia espírita”.

Esse progresso ocorre pela encarnação, que é imposta a uns como expiação e a outros como missão. A vida material é uma prova que devem suportar por várias vezes, até que hajam alcançado a perfeição absoluta. É uma espécie de exame severo ou depurador, de onde eles saem mais ou menos purificados”. (Pág. 19). (grifo nosso).

Observa Kardec: “A encarnação não é, pois, normalmente, uma punição para o Espírito, como alguns o pensam, mas uma condição inerente à inferioridade do Espírito e um meio de progredir”. (A Gênese, pág. 189).

É interessante, a essa altura, colocar outra questão para nos ajudar na compreensão do que os Espíritos querem dizer com missão.

“Perg. 573 – Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?

- Instruir os homens, ajudar seu progresso, melhorar suas instituições por meios diretos e materiais. Mas as missões são mais ou menos gerais e importantes: aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. Tudo se encadeia na Natureza; ao mesmo tempo em que o Espírito se depura pela encarnação, ele concorre, sob essa forma, para o cumprimento dos caminhos da Providência. Cada um tem sua missão neste mundo, posto que cada um pode ser útil para alguma coisa.

“Perg. 575 – As ocupações vulgares nos parecem mais deveres que missões propriamente ditas. A missão, segundo a idéia ligada a essa palavra, tem uma característica menos exclusiva e sobretudo menos pessoal. Nesse ponto de vista, como se pode reconhecer que um homem tem uma missão real sobre a Terra?

- Pelas grandes coisas que ele realiza, pelo progresso a que conduz seus semelhantes”. (O Livro dos Espíritos, pág. 241).

Vejamos agora a pergunta sem resposta, conforme a visão do crítico.

Perg. 607 – Foi dito que a alma do homem, em sua origem, está no estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e ensaia para a vida (190); onde o Espírito cumpre essa primeira fase?

- Numa série de existências que precedem o período a que chamais humanidade.

- A alma pareceria, assim, ter sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação?

- Não dissemos que tudo se encadeia na Natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer totalmente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e ensaia para a vida, como dissemos. É, de alguma sorte, um trabalho preparatório, como o da germinação, em seguida ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. É então que começa para ele o período de humanidade, e com ela a consciência de seu futuro, a distinção do bem e do mal e a responsabilidade dos seus atos; como depois do período da infância vem o da adolescência, depois da juventude e, enfim, a idade madura. Não há de resto, nessa origem, nada que deva humilhar o homem. Os grandes gênios são humilhados por terem sidos fetos informes no seio de sua mãe? Se alguma coisa deve humilhá-lo é a sua inferioridade diante de Deus e sua impotência para sondar a profundeza dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa harmonia admirável que torna tudo solidário na Natureza. Crer que Deus haja feito alguma coisa sem objetivo e criado seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas.

- Esse período de humanização começa sobre a Terra?

- A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana; o período de humanização começa, em geral em mundos ainda mais inferiores. Isso, entretanto, não é uma regra absoluta e poderá acontecer que um Espírito, desde seu começo humano esteja apto a viver sobre a Terra. Esse caso não é freqüente e seria antes uma exceção. (O Livro dos Espíritos, pág. 252)

E ao dar uma explicação na questão 613, coloca Kardec:

“O ponto de partida do Espírito é uma dessas questões que se prendem ao princípio das coisas e estão no segredo de Deus. Não é dado ao homem conhecê-las de maneira absoluta, e ele não pode fazer, a esse respeito, senão suposições, construir sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos, estão longe de conhecerem tudo; sobre o que eles não sabem, podem também ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas”. (O Livro dos Espíritos, pág. 254).

Portanto, estamos comprovando que Kardec fala sim da primeira encarnação do Espírito, mas como nosso crítico deve ter esperado que falasse sobre Adão e Eva, ficou em dúvida. E deve ficar claro que a encarnação tem por objetivo a evolução do Espírito, que por esse processo, um dia chegará junto a Deus. Isso não acontece com as teorias da unicidade da vida e a do inferno.

Como o objetivo da encarnação é o progresso do Espírito, não há sentido em se perguntar onde e quando o Espírito pecou pela primeira vez, isso só acontece com pessoas apegadas às lendas bíblicas como a de Adão e Eva. Os Espíritos são criados simples e ignorantes, usando o seu livre arbítrio escolhem entre fazer o bem ou o mal. Quando? Pergunte a cada um dos Espíritos e saberá a resposta. A individualidade é a característica do Espírito, no dizer popular “cada um é cada um”; não há, portanto uma regra para o início do “pecado”, já que cada um de nós, em determinado momento de nossa vida como Espírito, cometemos erros, ou seja, não há um erro coletivo que todos tenham cometido como erroneamente sugerem com o caso Adão e Eva.

Poderemos, ainda, fazer o seguinte questionamento: seria justo alguém pagar pelo pecado do outro? Não, seria a resposta esperada pela lógica. Entretanto, atribuem a Deus tamanho disparate, quando imputa a toda humanidade o pecado de Adão e Eva, em flagrante contradição com: “O filho não sofre o castigo da iniqüidade do pai, como o pai não sofre o castigo da iniqüidade do filho: a justiça do justo será imputada a ele, exatamente como a impiedade do ímpio será imputada a ele”. (Ez 18,20).

Convém aqui tratar de um outro absurdo kardecista, embora não relacionado diretamente com a reencarnação. Segundo os espíritas, Cristo teria sido um desses espíritos em missão. Logo, para os kardecistas, Cristo não é Deus; é apenas um espírito superior, que se submeteu a uma encarnação no planeta Terra para ensinar os espíritos desse planeta (!!). Ora, isso vai contra o que se lê na Sagrada Escritura, que afirma em diversas passagens que Cristo é Deus. Se Cristo não fosse Deus, por que diria "eu e o Pai somos um" (Jo 10, 30) e que "o Pai está em mim, e eu no Pai" (Jo 10, 39)? Por que ele não negou quando os judeus o acusaram dizendo: "tu, sendo homem, te fazes Deus" (Jo 10, 32)? Se Cristo não fosse Deus, por que então os reis magos O adoraram no presépio (Mt 2, 11)? E, se Cristo não fosse Deus, por que Ele não repreenderia a São Tomé por lhe dizer "Senhor meu e Deus meu" (Jo 20, 28)?

Em O Livro dos Espíritos Kardec pergunta aos Espíritos:

“Perg. 625 – Qual é o tipo mais perfeito, que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?

- Vede Jesus.

Ao comentar a resposta diz:

“Jesus é para o homem o modelo de perfeição moral que a Humanidade pode pretender sobre a Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão da sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que apareceu na Terra”.

“Se alguns daqueles que pretenderam instruir o homem na lei de Deus, algumas vezes a extraviaram por meio de falsos princípios, foi por se deixarem dominar, eles mesmos, por sentimentos muito terrestres e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma com aquelas que regem a vida do corpo. Vários deram como leis divinas o que não eram senão leis humanas criadas para servir às paixões e dominar os homens”. (O Livro dos Espíritos, pág. 258-259).

Essa questão de Jesus ser Deus não poderia prevalecer, pois não encontramos, em momento algum, Jesus se colocando como tal. As citadas profecias, que dizem conter a Bíblia, não falam da vinda de Deus, mas de um mensageiro. Era para os judeus uma grande blasfêmia falar o nome de Deus, ainda mais se dizer o próprio Deus; veja que só pelo fato de Jesus se dizer Filho de Deus ele foi crucificado.

Argumenta o crítico: “Se Cristo não fosse Deus, por que diria ‘eu e o Pai somos um’ (Jo 10,30)”. Por essa fala de Jesus significa dizer que os pensamentos são idênticos, até mesmo porque disse, por várias vezes, que veio para cumprir a vontade daquele que o enviou, que não fazia nada por si mesmo, mas que agia em nome do Pai, demonstrando, categoricamente, a sua subordinação a Deus. Quem é subordinado está em situação de inferioridade a alguém que lhe é superior.

Alguém poderia conciliar estas palavras de Jesus, fosse ele o próprio Deus?

“Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, e sim como tu queres”. (Mt 26,39).

“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27,46).

“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lc 23,46).

O grande problema de muitos é que ficam satisfeitos apenas com uma passagem bíblica, se esquecem que outras podem ajudar o esclarecimento da questão ou podem ser mesmo até contrárias, por isso, é importantíssimo nós termos uma visão de conjunto. Assim, vejamos:

“Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que digo não vêm de mim. Quem realiza estas obras é o Pai, que permanece em mim. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai em mim”. (Jo 14,10-11). Essa passagem dá plenamente para justificarmos a idéia que Jesus estava querendo dizer que comungava o mesmo pensamento que Deus, não que era o próprio Deus, como pregam os que se apegam à literalidade da letra. Se fosse realmente Deus não teria dito “eu estou no Pai”, mas sim “eu sou o Pai”.

Um pouco mais à frente disse Jesus: “Eu vos afirmo e esta é a verdade: quem crê em mim fará as obras que eu faço. E fará até maiores...” (Jo 14, 12). Se formos analisar ao pé da letra, poderemos dizer que um dia faremos coisas maiores que Deus, pode um absurdo desse?

Observar que nem mesmo saímos do Evangelho de João: “Nesse dia, compreendereis que eu estou no Pai, vós em mim e eu em vós” (Jo 14,20) e mais à frente: “Eu lhes dei a glória que tu me deste, pra que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviastes e que os amastes como tu me amaste” (Jo 17,22-23). Se seguirmos a mesma linha de raciocínio, a traçada pelo crítico, poderemos afirmar que também somos Deus (???). Entretanto não é nada disso, da mesma forma que Jesus comunga com o Pai, quer que nós comunguemos também com ele, só isso.

E, finalizando, um pouco mais à frente diz: “Porque o Pai é maior do que eu” (Jo 14,28). Xeque mate!

A outra passagem que apresenta é “O Pai está em mim, e eu no Pai” (Jo 10,39), tudo bem. Só que “estar” não é “ser”. A vontade do Pai está em Jesus, porque ele veio para cumprir a palavra do Pai, entretanto ele não é o Pai. Como distorcem as interpretações para justificar seus dogmas!

Mas já que nosso crítico gosta da literalidade, que nos explique essa fala de Jesus: “Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes,...”. (Jo 10,8).

Teria ocorrido o episódio com os reis magos? Mas se afinal ocorreu seria o caso de perguntarmos: adoraram ou prestaram homenagem? Na sua Igreja as pessoas adoram os santos, terá esse ato o mesmo sentido que quer dar ao que aconteceu com os magos? Os católicos não chegam quase a adorar ao papa, do mesmo modo que beijam sua mão, fazem coisa semelhante diante das imagens dos santos, poderá dizer, por isso, que ele é Deus? Após a transfiguração os discípulos não queriam também fazer uma tenda para Moisés e Elias, cuja finalidade era a adoração? Como justificar coisas que devem ser feitas, buscando apoio na ignorância humana?

A frase de Tomé não pode ser vista como uma declaração de que Jesus era Deus, mas uma exclamação, como comumente a gente faz diante de uma coisa extraordinária que está acontecendo. Por exemplo: alguém caminhando, por uma rua numa grande metrópole, encontra um amigo que não vê há muito tempo e ao vê-lo, diz: Meu Deus! É você? Tiremos a pontuação: Meu Deus é você, com isso não irá afirmar que essa pessoa estaria querendo dizer que o amigo dela é Deus, não é mesmo? E aqui, mais uma vez, a opinião de Jesus está sendo preterida em favor de outra pessoa.

Poder-se-iam citar outras provas bíblicas de que Cristo é Deus, mas isso fugiria do objetivo primeiro desse trabalho. Por hora, basta ressaltar que isso é mais uma prova de que os kardecistas não são cristãos, mas que eles apenas seguem alguns ensinamentos morais de Nosso Senhor, ensinamentos que escolhem, e rejeitam tudo o que vai contra o que diz os seus próprios caprichos religiosos ou que lhes impingem as manifestações mediúnicas, que são a única autoridade que eles respeitam.

Para maior aprofundamento, podemos indicar o nosso texto “A Divindade de Jesus”, onde também trazemos inúmeras passagens para provar que Jesus não é Deus. Visite o link: www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/a-divindade-de-jesus.html

Ainda bem que quem define quem é cristão não é a Igreja Católica, mas a própria pessoa. A seguir os falsos profetas, preferimos seguir aos Espíritos, pois entre eles está o maior de todos: Jesus, que é o Mestre de todos.

Rejeitamos tudo que vai contra a lógica e não aceitamos os dogmas impostos pela Igreja Católica; talvez seja isso que irrite tanto esse adversário gratuito que encontramos, mas temos que nos conformar, pois o próprio Cristo teve os dele.

Faça um teste. Pergunte a um kardecista o que ele acha dessas palavras de Cristo: “Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe e a nora da sua sogra" (Mt 10,34). Pergunte como eles conciliam essas palavras à doutrina paz-e-amor cheia de falsa caridade que eles tanto defendem e praticam.

Para eles talvez seja mesmo difícil essa conciliação, já que parece crerem que Jesus tenha vindo de espada na mão, conforme nos leva a deduzir do que coloca.

A espada que Jesus trouxe foi os seus ensinamentos que iria dividir, como de fato dividiu e ainda divide os homens, já que cada um quer impor seu modo de pensar ao que Ele colocou. Não está você agora mesmo de espada na mão contra nós, os Espíritas? Quantas denominações religiosas existem, cada uma dizendo ser a verdadeira representante de Cristo?

Vejamos o que coloca Kardec sobre isso:

“Quando Jesus declara: ‘Não creais que eu tenha vindo trazer a paz, mas, sim, a divisão”, seu pensamento era este:

“Não creais que a minha doutrina se estabeleça pacificamente; ela trará lutas sangrentas, tendo por pretexto o meu nome, porque os homens não me terão compreendido, ou não me terão querido compreender. Os irmãos, separados pelas suas respectivas crenças, desembainharão a espada um contra o outro e a divisão reinará no seio de uma mesma família, cujos membros não partilhem da mesma crença. Vim lançar fogo à Terra para expungi-la dos erros e dos preconceitos, do mesmo modo que se põe fogo a um campo para destruir nele as ervas más, e tenho pressa de que o fogo se acenda para que a depuração seja mais rápida, visto que do conflito sairá triunfante a verdade. À guerra sucederá a paz; ao ódio dos partidos, a fraternidade universal; às trevas do fanatismo, a luz da fé esclarecida. Então, quando o campo estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que virá restabelecer todas as coisas, isto é, que, dando a conhecer o sentido verdadeiro das minhas palavras, que os homens mais esclarecidos poderão enfim compreender, porá termo à luta fratricida que desune os filhos do mesmo Deus. Cansados, afinal, de um combate sem resultado, que consigo traz unicamente a desolação e a perturbação até ao seio das famílias, reconhecerão os homens onde estão seus verdadeiros interesses, com relação a este mundo e ao outro. Verão de que lado estão os amigos e os inimigos da tranqüilidade deles. Todos então se porão sob a mesma bandeira: a da caridade, e as coisas serão restabelecidas na Terra, de acordo com a verdade e os princípios que vos tenho ensinado”. (Evangelho Segundo Espiritismo, pág. 359).

Agora a justificativa que encontramos para praticar a caridade é fácil: basta ler e entender a essência dos ensinamentos de Jesus, que a encontrará. Lembra-se da parábola do Bom Samaritano (Lc 10,30-37)? Não deixar de ler também: Mt 7, 21-27; 16,27 e 25,31-46.

2) Necromancia

Toda a doutrina dos livros espíritas de Allan Kardec foi ensinada, segundo ele, pelos "espíritos superiores". O Livro dos Espíritos é um livro em forma de questionário (o que, já de início, mostra o baixo nível intelectual do espiritismo), onde constam as perguntas de Kardec aos "espíritos superiores", que manifestavam suas respostas através do fenômeno das "mesas girantes", uma variante da famosa "brincadeira do copo".

Em 11 de junho de 1857, o Courrier de Paris, publica um artigo sobre a Doutrina Espírita, assinada por G. Du Chalard, de onde transcrevemos os trechos:

“Aquele que escreveu a introdução, colocando no cabeçalho de O Livro dos Espíritos, deve ter alma aberta a todos os nobres sentimentos”.

“Para que não se possa, aliás, suspeitar de nossa boa-fé e nos acusar de tomar partido, diremos, com toda sinceridade, que jamais fizemos um estudo aprofundado das questões sobrenaturais”.

“A todos os deserdados da Terra, a todos aqueles que caminham ou que caem, molhando com suas lágrimas a poeira do caminho, diremos: lede O Livro dos Espíritos, isso vos tornará mais fortes”.

“O corpo da obra, diz o senhor Allan Kardec, deve ser reivindicado, inteiramente, pelos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente classificado por perguntas e por respostas. Estas últimas são, algumas vezes, verdadeiramente sublimes, isso não nos surpreende. Mas não foi preciso um grande mérito a quem soube provocá-las?” (Revista Espírita, 1858, págs. 33-35).

Acrescentaríamos apenas que a forma de perguntas e respostas é a didática mais indicada para se passar determinados tipos de ensinamentos. Até mesmo a Igreja Católica adota esse método nos livrinhos de catecismo, não é um fato? Se esse método demonstra baixo nível intelectual, então estamos qual farinha do mesmo saco de nossos irmãos católicos.

Sobre a forma por que obteve as respostas, deixemos o próprio Kardec responder ao crítico:

“Freqüentemente, se nos dirigem perguntas sobre a maneira pela qual obtivemos as comunicações que são objeto de O Livro dos Espíritos. Resumimos, aqui, tanto mais voluntariamente, as respostas que nos fizeram, a esse respeito, pois isso nos dará ocasião de cumprir um dever de gratidão, para com as pessoas que quiseram nos prestar seu concurso”.

“Como explicamos, as comunicações por pancadas, dito de outro modo, pela tiptologia, são muito lentas e muito incompletas, para um trabalho de longo fôlego, também não empregamos, jamais, esse meio; tudo foi obtido pela escrita e por intermédio de vários médiuns psicógrafos. Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são, textualmente, as que foram dadas pelos Espíritos; a maioria, foi escrita sob nossos olhos, algumas foram tomadas de comunicações que nos foram dirigidas por correspondentes, ou que recolhemos, por toda parte onde estivemos, para estudá-las: os Espíritos parecem, para esse efeito, multiplicar, aos nossos olhos, os sujeitos de observação”.

“Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho, foram a senhorita B***, cuja complacência nunca nos faltou; o livro foi escrito, quase por inteiro, por seu intermédio e na presença de um numeroso auditório, que assistia às sessões, e nelas tomavam o mais vivo interesse. Mais tarde, os Espíritos prescreveram-me a revisão completa em conversas particulares, para fazerem todas as adições e correções que julgaram necessárias. Essa parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, que se prestou, com a maior complacência e o mais completo desinteresse, a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que determinavam os dias e as horas de suas lições. O desinteresse não seria, aqui, um mérito particular, uma vez que os Espíritos reprovam todo o tráfico que se possa fazer com sua presença; a senhorita Japhet, que é, igualmente, sonâmbula muito notável, tinha seu tempo utilmente empregado; mas compreendeu que era, igualmente, dele fazer um emprego aproveitável, consagrando-o à propagação da Doutrina. Quanto a nós, declaramos, desde o princípio, e nos apraz confirmar aqui, que jamais entendemos fazer, de O Livro dos Espíritos, objeto de uma especulação, devendo os produtos serem aplicados em coisas de utilidade geral; é, por isso, que seremos, sempre, reconhecidos para com aqueles que se associaram, de coração, e por amor ao bem, à obra à qual nos consagramos”. (Revista Espírita, 1858 pág. 36) (grifo nosso).

A tentativa de ridicularizar o método empregado por Kardec foi completamente frustrada, o crítico deveria ter estudado com amor ao invés de lido com desgosto.

Se toda a doutrina espírita fosse "revelada" pelos mortos, refutar e renegar a comunicação com eles (necromancia), seria negar e refutar a validade de toda doutrina espírita.
A questão não é saber se a necromancia é ou não é possível. Que possa haver tentativa de comunicação com os mortos não se nega. O problema é se Deus proibiu ou permitiu essa tentativa de comunicação.

Primeiramente cabe-nos definir o que é realmente necromancia. Encontramos no Dicionário Bíblico Universal a seguinte definição: Necromancia = meio de adivinhação interrogando um morto.

Parabéns pela lucidez desse nosso crítico, em aceitar a possibilidade da comunicação com os mortos. Diremos até mesmo coerente, pois caso contrário não teria como justificar o petitório que os católicos fazem a seus santos, que estão mortos. Se se provar que qualquer santo tenha atendido algum pedido de um fiel, a prova da comunicação está estabelecida, pois é a única coisa que poderá explicar isso. Não adianta apelar para milagre, pois, seja ou não, o fato é que o santo ouviu um pedido de um fiel e o atendeu; isso se trata, quer goste ou não, de comunicação com os mortos. E considerando que os católicos se comunicam com os mortos, para onde vai a proibição, ou ela só vale para os “que não rezam pela Bíblia deles”?

Nas sessões espíritas se procura consultar as almas de pessoas que já faleceram. É claro que uma grande parte dessas sessões não passam de truques e fraudes que nada têm de sobrenatural.

E quem lhe disse que as sessões espíritas são para se consultar os mortos? Existem vários tipos de sessões, como, por exemplo, as de cura e as de desobsessão, que não se faz isso. Somente ocorre consulta quando há algum caso em particular para o qual necessitamos de orientação específica. E que mal há nisso. Os católicos não ficam pedindo aos santos para lhes mostrar o caminho certo? Não vemos grandes diferenças nisso a não ser pura implicância.

O que seria mais viável: Deus ter colocado entre suas leis a possibilidade do intercâmbio entre os vivos e os mortos, ou proibi-lo para depois castigar os contraventores. E mais; muitas das vezes, senão a esmagadora maioria, são os próprios espíritos que vêm sem serem chamados. Se isso acontece, não temos alternativa a não ser em dizer que há permissão de Deus para isso, pois os Espíritos de elevada conduta moral nunca iram desobedecer a uma determinação divina. Coisa que os santos também não o fariam; entretanto temos notícias de santo aparecendo para alguns dos seus devotos. Novamente, qual a diferença?

Quanto ao que se afirma das sessões serem em “uma grande maioria truques e fraudes”, gostaríamos que provasse onde isso ocorre, pois assim nos estariam prestando um grande favor, uma vez que não compactuamos com isso. Se não houver prova, então será calúnia.

Mas para provar que as comunicações não são truques e fraudes, que de fato acontecem, podemos lhe apresentar o Padre François Brune, autor do livro Os Mortos nos Falam, que diz categoricamente:

“Interrogar sobre as origens, no pensamento ocidental, desta recente ideologia do nada, não é o meu propósito. O mais escandaloso é o silêncio, o desdém, até mesmo a censura exercida pela Ciência e pela Igreja, a respeito da descoberta inconteste mais extraordinária de nosso tempo: o após vida existe e nós podemos nos comunicar com aqueles que chamamos de mortos”.

“Escrevi este livro para tentar derrubar esse espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente. Para eles, dissertar sobre a eternidade é tolerável; dizer que se pode vivê-la torna-se mais discutível; afirmar que se pode entrar em comunicação com ela é considerado insuportável”.

O padre e teólogo que sou quis, como se diz, certificar-se completamente da verdade. Por que todos esses testemunhos deveriam ser, a priori, considerados suspeitos? Quando o conteúdo das mensagens e das comunicações gravadas reúne, como eu o demonstro, os maiores textos místicos de diversas tradições, existe nisso mais que uma simples coincidência. Eu acompanhei, pois, e estudei aproximadamente os resultados das pesquisas mais recentes nesse campo. As conclusões deste trabalho ultrapassaram as minhas previsões: não somente a credibilidade científica das experiências de comunicação com os mortos encontra-se confirmada e não pode mais ser posta em dúvida, mas a prodigiosa riqueza dessa literatura do além reanimou em mim o que séculos de intelectualismo teológico haviam extinguido”.

“Todos sabem, a Igreja nutre a maior desconfiança em relação a esse tipo de fenômenos: Ela prega a eternidade, é verdade, mas não aceita que se possa vivê-la e entrar em comunicação com ela. Eu mostro que não foi sempre assim”.

“Este livro não tem a ambição de convencer. Não existem piores surdos do que aqueles que não querem ouvir. E já tenho minha posição quanto a esta surdez. Os céticos, que necessitarem de “provas” suplementares poderão se reportar às obras que cito na bibliografia. Pareceu-me mais importante tentar realizar um esboço de síntese da vida no além a partir da imensa documentação já reunida até hoje. Pretendo conseguir menos convicção que adesão. Se vocês lerem este livro com os olhos do coração, serão transformados. Seu intelecto poderá, ainda, levantar algumas objeções – é esta a sua função – mas seu coração estará convertido. O essencial estará atingido” (Introdução). (grifo nosso).

Veja bem, caro leitor, ele é um padre, e como se diz popularmente, ainda não largou a batina. Seria até melhor se, os que estão querendo pregar o contrário, pregassem primeiro aos de casa? Não é isso o que o bom senso exige?

Temos testemunho da existência da necromancia na própria Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, o rei Saul evoca a presença da alma do profeta Samuel, já morto. E este aparece, e profetiza a derrota de Saul. Além disso, a prática da necromancia era proibida pela lei judaica com pena de morte. Ora, Deus não poderia proibir uma coisa que não existisse.
Logo, a questão não é saber se ela é possível, mas se a prática da necromancia nos é permitida e lícita, e se esta é um meio confiável de se atingir a verdade.

Muito bem, parece que o nosso crítico já descobriu um forte argumento que usamos para os que dizem não ser possível a comunicação com os mortos, parabéns!

Mas, quanto à questão da punição com a morte, perguntamos: não estaria ela contrariando o mandamento: Não matarás? Considerando que “... seus preceitos todos merecem confiança: são estáveis para sempre e eternamente, vão cumprir-se com verdade e retidão” (Sl 111,7-8) ou se o preferir: “Eu sou Javé, e não mudo” (Ml 3,6) como ficaria nessa história?

É questão importante sim saber se ela é possível ou não, pois se o for, como sabemos que é, essa possibilidade está entre os desígnios de Deus, não há alternativa a não ser que admita que aconteça algo que Deus não queira.

Nesse sentido, não encontramos na Bíblia uma passagem sequer que dê uma boa conotação à necromancia. Os necromantes são chamados no Antigo Testamento de magos. Por vezes, também se referem a eles como pessoas que possuem "o espírito de Piton" (como por exemplo em 1Rs 28, 7), isto é, o espírito da serpente, que é o símbolo do demônio. E os "magos" e os "pitões" são condenados em diversas passagens da Sagrada Escritura, das quais vou citar apenas alguns exemplos:
Deut 28, 10-12: "Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os adivinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões [os médiuns] ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada".
Lev 20,27: "O homem ou mulher em que houver espírito pitônico [mediunidade] ou de adivinho, sejam punidos de morte".
Lev 20,6: "Aquele que recorrer aos magos e aos adivinhos para ter uma comunicação com eles, voltar-me-ei contra esse homem e o exterminarei do meio de seu povo".

Se a serpente é o símbolo do demônio, ficamos sem entender por que então Jesus nos recomenda a sermos prudentes como as serpentes (Mt 10,16)? É óbvio que iria mesmo querer nos relacionar com o demônio, pois é o que acontece com todo crítico. Se Jesus foi chamado de príncipe deles (Mt 10,25), ai de nós então.

A passagem não é 1Rs 28,7, mas 1Sm 28,7. Entretanto, iremos até o versículo 8, na versão de duas Bíblias católicas:

Barsa: E disse Saul para os seus servos: Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de Piton, e eu irei ter com ela, e a consultarei. E os servos lhe disseram: Em Endor há uma mulher que tem o espírito de Piton. Mudou pois Saul seus hábitos: e tomou outros vestidos, e partiu ele, e dois homens o acompanhavam, e chegaram de noite a casa da mulher, e disse-lhe: Adivinha-me pelo espírito de Piton, e faze-me aparecer quem eu te disser.

Jerusalém: Saul disse então aos seus servos: ‘Buscai-me uma mulher que pratique a adivinhação para que eu lhe fale e a consulte’. E os servos lhe responderam: ‘Há uma mulher que pratica a adivinhação em Endor’. Então Saulo disfarçou-se, vestiu outra roupa e, de noite, acompanhado de dois homens, foi ter com a mulher, e lhe disse: ‘Peço-te que pratiques para mim a adivinhação, evocando para mim quem eu te disser’.

Realmente o conceito é mesmo de consultar os mortos para fins de adivinhação - o que confere com o significado do Dicionário, que colocamos um pouco mais atrás. Mas isso não tem nada a ver com Espiritismo; não fazemos isso de forma alguma. O que será desta vez: calúnia ou ignorância do nosso crítico?

O que achamos ótimo em críticos como esse é que sempre exigem que cumpramos o Dt 18, dizendo ser provindo de Deus. Tudo bem, se querem assim. Mas devemos exigir que sejam mais coerentes e cumpram também, entre inúmeras outras, essas só para exemplo:

Ex 21, 12: - Quem ferir a outro de modo que este morra, também será morto.

Ex 21, 15: - Quem ferir a seu pai ou a sua mãe, será morto.

Ex 21, 16: - O que raptar a alguém, e o vender, ou for achado na sua mão, será morto.

Ex 21, 17: - Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto.

Ex 22, 16: - Se alguém seduzir qualquer virgem, que não estava desposada, e se deitar com ela, pagará seu dote e a tomará por mulher.

Ex 22, 18: - A feiticeira não deixarás viver.

Ex 22, 19: - Quem tiver coito com animal, será morto.

Ex 22, 20: - Quem sacrificar aos deuses, e não somente ao Senhor, será destruído.

Ex 31, 14: - Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós outros; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo.

Lv 11, 7-8: - Também o porco, porque tem unhas fendidas, e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo, da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadáver; estes vos serão imundos.

Lv 11, 21-22: - Mas de todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés, cujas pernas traseiras são mais compridas, para saltar com elas sobre a terra, estes comereis. Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie.

Lv 19, 11: - Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;

Lv 19, 26: - Não comereis cousa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis.

Lv 19, 27: - Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba.

Lv 20, 9: - Se um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, será morto: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue cairá sobre ele.

Lv 20, 10: - Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.

Lv 20, 13: - Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram cousa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles.

Lv 20, 18: - Se um homem se deitar com a mulher no tempo da enfermidade dela, e lhe descobrir a nudez, descobrindo a sua fonte, e ela descobrira a fonte do seu sangue, ambos serão eliminados do meio do seu povo.

Lv 20, 27: - O homem ou mulher que sejam necromantes, ou sejam feiticeiros, serão mortos: serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles.

Lv 26, 7: - Perseguireis os vossos inimigos, e cairão à espada diante de vós.

Dt 21, 18-21: - Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe, e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, pegarão nele seu pai e sua mãe e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz: é dissoluto e beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; assim eliminarás o mal do meio de ti: todo o Israel ouvirá e temerá.

Dt 23, 1 - Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na assembléia do Senhor.

Dt 23, 2: - Nenhum bastardo entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará nela.

Dt 25, 5: - Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer, sem filhos, então a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de cunhado.

Dt 25, 11-12: - Quando brigarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar o marido da mão do que o fere, e ela estender a mão, e o pegar pelas suas vergonhas, cortar-lhe-ás a mão: não a olharás com piedade.

Assim, já que dizem que o Espiritismo é “abominável” a Deus, também lhes diremos que “pesos diferentes são abomináveis ao Senhor” (Pv 20, 23).

E, por falta de um conhecimento maior dos fatos, muitos ficam sem saber como aconteciam as consultas a Deus, relatadas em suas páginas da Bíblia. Diremos, para o leitor não ficar curioso. Os sacerdotes, “consultadores oficiais”, possuíam duas pedras coloridas, que diziam sagradas, chamadas de Urim e Tumim, com as quais faziam suas consultas a Deus. Após perguntar o que se queria saber, jogavam-se essas pedras e conforme a disposição que elas caiam, entendiam como um sim ou um não, que para eles significava a resposta dada por Deus. É isso aí amigo, as consultas a Deus eram feitas com base na sorte, idêntico, quando jogamos uma moeda para cima a fim de decidir por alguma coisa. Lembra o árbitro num campo de futebol, “decidindo” qual time irá iniciar o jogo. Isso sim é que deveria ter sido proibido. Não esqueça a palavra sorte, pois voltaremos a essa questão, mais à frente.

Mas já que se afirma que os magos eram os necromantes e que são condenados, pergunto: Seriam os três reis magos também necromantes? Por que não foram condenados? Ou será que está relacionando médiuns com magos para denegrir os que possuem, de forma ostensiva, essa faculdade humana? Ela existe em todos os lugares, na Igreja Católica, por exemplo, os carismáticos, que dizem receber “o Espírito Santo”, nada mais são que médiuns. Só que esse Espírito Santo não é “o”, mas “um” Espírito Santo, ou seja, um espírito bom, nada mais que isso. Por que será que tudo para o nosso lado é ruim, só o que vem deles é bom?

Ora, se Deus “abomina” a necromancia (Deut 28, 12), é óbvio que as almas que realmente O amam jamais a praticariam. E isso não se aplica apenas às almas, usando a terminologia kardecista, encarnadas, mas também e principalmente às desencarnadas. Pois uma pessoa, antes da morte, pode ainda cair em tentação e pecar, mas as almas que morrem em estado de graça e vão para o céu (que são os bem-aventurados, ou, como diria Kardec, os “bons espíritos”), estas não têm a menor possibilidade de pecar. Se tivessem, não teriam ido para o céu, já que o julgamento de Deus onisciente é infalível.

Muito bom terem colocado as coisas dessa forma. Mateus narra a transfiguração de Jesus, no monte Tabor (17,1-9), episódio que culminou com a manifestação dos Espíritos Moisés e Elias, que entraram em diálogo com Jesus. Perguntamos: isso é necromancia? Isso é obra do demônio? Se comunicar com os mortos é proibido, Jesus contrariou essa determinação? Moisés e Elias já estavam no céu, portanto, pecaram ou não pecaram ao se comunicarem com Jesus? E antes que venham com a mesma velha história de que é Jesus, lembramos foi ele mesmo quem disse: “quem crê em mim fará as obras que eu faço. E fará até maiores...” (Jo 14,12). Assim, se Jesus fez, porque nós não podemos fazer, já que ele mesmo disse que tudo que ele fez nós poderíamos fazer, e ainda maiores?

E os santos e santas que afirmam que apareceram aos fiéis católicos, pecaram ou não?

Fica claro então porque não se pode esperar que sejam bons os “espíritos” que aparecem nas evocações feitas nos centros espíritas. É por isso que se atribui todas as comunicações “do além” aos espíritos malignos que andam dispersos no mundo para perdição das almas, ou seja, aos demônios.

Demorou a aparecer esse papo comum a evangélicos, que sempre dizem que tudo nas Casas Espíritas é obra do demônio. É claro que o que manifesta nas suas igrejas é o “Espírito Santo”.

Se realmente conhecesse o Espiritismo, como era de se esperar de um crítico que mereça respeito, veria que alguma coisa está errada. Os espíritos malignos ou demônios nos dizem: tenham em Jesus um guia e modelo a ser seguido, façam a caridade incondicionalmente, perdoem aos seus inimigos, reconheçam a ignorância dos seus críticos, enfim, façam sempre bem ao próximo. Se isso é obra do demônio, vamos dar graças a Deus porque os Espíritas conseguiram um feito maior que todas as outras religiões, muito mais antigas, não conseguiram. Sabe o que é? Conseguimos fazer o demônio se transformar em uma criatura do bem, daí podemos muito bem saber o que é o Espiritismo conforme nos diz Jesus “é pelo fruto que se distingue se a árvore é boa ou má, toda árvore boa produz bons frutos” (Mt 12, 33).

Mas perceba então que o fenômeno observado nas sessões espíritas não é propriamente necromancia, pois os demônios não são exatamente pessoas mortas, e sim anjos caídos. A necromancia propriamente dita é um fenômeno raro, que só ocorre com a permissão de Deus, pois normalmente os mortos não podem voltar ao mundo. Um argumento bíblico da raridade do fenômeno, é que a própria necromante que evocou o espírito de Samuel para Saul se assustou quando viu o espírito de Samuel. O que prova que até para uma necromante esse fenômeno é uma surpresa.

Em O Livro dos Médiuns (Cap. IV – Sistemas, item 46, págs. 62-66, FEB), Kardec aborda os sistemas que os opositores do Espiritismo possuem para contradizê-lo, entre eles destacamos um que se enquadra no presente caso:

“Sistema pessimista, diabólico ou demoníaco. - Entramos aqui numa outra ordem de idéias. Comprovada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. Sem dúvida que o meio mais simples consistia em lhe perguntar isso. Algumas pessoas, contudo, entenderam que esse processo não oferecia garantias bastantes e assentaram de ver em todas as manifestações, unicamente, uma obra diabólica. Segundo essas pessoas, só o diabo, ou os demônios, podem comunicar-se. Conquanto fraco eco encontre hoje este sistema, é inegável que gozou, por algum tempo, de certo crédito, devido mesmo ao caráter dos que tentaram fazer que ele prevalecesse. Faremos, entretanto, notar que os partidários do sistema demoníaco não devem ser classificados entre os adversários do Espiritismo: ao contrario. Sejam demônios ou anjos, os seres que se comunicam são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é admitir a possibilidade da comunicação do mundo visível com o mundo invisível, ou, pelo menos, com uma parte deste último”.

“Compreende-se que a crença na comunicação exclusiva dos demônios, por muito irracional que seja, não houvesse parecido impossível, quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da humanidade. Mas, desde que se sabe que os Espíritos são simplesmente as almas dos que hão vivido, ela perdeu todo o seu prestígio e pode-se dizer que toda a verossimilhança, porquanto, admitida, o que se seguiria é que todas essas almas eram demônios, embora fossem as de um pai, de um filho, ou de um amigo e que nós mesmos, morrendo, nos tomaríamos demônios, doutrina pouco lisonjeira e nada consoladora para muita gente. Bem difícil será persuadir a uma mãe de que o filho querido, que ela perdeu e que lhe vem dar, depois da morte, provas de sua afeição e de sua identidade, é um suposto satanás. Sem dúvida, entre os Espíritos, há-os muito maus e que não valem mais do que os chamados demônios, por uma razão bem simples: a de que há homens muito maus que, pelo fato de morrerem, não se tomam bons. A questão está em saber se só eles podem comunicar-se conosco. Aos que assim pensem, dirigimos as seguintes perguntas”:

1º Há ou não Espíritos bons e maus?

2º Deus é ou não mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os demônios, se assim lhes quiserdes chamar?

3º Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não o podem fazer. Sendo assim, uma de duas: ou isto se dá pela vontade, ou contra a vontade de Deus. Se contra a Sua vontade, é que os maus Espíritos podem mais do que Ele; se, por vontade Sua, por que, em Sua bondade, não permitiria Ele que os bons fizessem o mesmo, para contrabalançar a influência dos outros?

4º Que provas podeis apresentar da impossibilidade em que estão os bons Espíritos de se comunicarem?

5º Quando se vos opõe a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o demônio usa de todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, com efeito, haver Espíritos hipócritas, que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria; mas, admitis que a ignorância pode falsificar o verdadeiro saber e uma natureza má imitar a verdadeira virtude, sem deixar vestígio que denuncie a fraude?

6º Se só o demônio se comunica, sendo ele o inimigo de Deus e dos homens, por que recomenda que se ore a Deus, que nos submetamos à vontade de Deus, que suportemos sem queixas as tribulações da vida, que não ambicionemos as honras, nem as riquezas, que pratiquemos a caridade e todas as máximas do Cristo, numa palavra: que façamos tudo o que é preciso para lhe destruir o império, dele, demônio? Se tais conselhos o demônio é quem os dá, forçoso será convir em que, por muito manhoso que seja, bastante inábil é ele, fornecendo armas contra si mesmo (1).

7º Pois que os Espíritos se comunicam, é que Deus o permite. Em presença das boas e das más comunicações, não será mais lógico admitir-se que umas Deus as permite para nos experimentar e as outras para nos aconselhar ao bem?

8º Que direis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que o afastasse de si; que o privasse do contacto com as pessoas que o pudessem desviar do mal? Ser-nos-á lícito supor que Deus procede como um bom pai não procederia, e que, sendo ele a bondade por excelência, faça menos do que faria um homem?

9º A Igreja reconhece como autênticas certas manifestações da Virgem e de outros santos, em aparições, visões, comunicações orais, etc. Essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos demônios?

“Acreditamos que algumas pessoas hajam professado de boa-fé essa teoria; mas, também cremos que muitas a adotaram unicamente com o fito de fazer que outras fugissem de ocupar-se com tais coisas, pelo temor das comunicações más, a cujo recebimento todos estão sujeitos. Dizendo que só o diabo se manifesta, quiseram aterrorizar, quase como se faz com uma criança a quem se diz: não toques nisto, porque queima. A intenção pode ter sido louvável; porém, o objetivo falhou, porquanto a só proibição basta para excitar a curiosidade e bem poucos são aqueles a quem o medo do diabo tolhe a iniciativa. Todos querem vê-lo, quanto mais não seja para saber como é feito e muito espantados ficam por não o acharem tão feio como o imaginavam”.

“E não se poderia achar também outro motivo para essa teoria exclusiva do diabo? Gente há, para quem todos os que não lhe são do mesmo parecer estão em erro. Ora, os que pretendem que todas as comunicações provêm do demônio não serão a isso induzidos pelo receio de que os Espíritos não estejam de acordo com eles sobre todos os pontos, mais ainda sobre os que se referem aos interesses deste mundo, do que sobre os que concernem aos do outro? Não podendo negar os fatos, entenderam de apresentá-los sob forma apavorante. Esse meio, entretanto, não produziu melhor resultado do que os outros. Onde o temor do ridículo se mostre impotente, forçoso é se deixem passar as coisas”.

“O muçulmano, que ouvisse um Espírito falar contra certas leis do Alcorão, certamente acreditaria tratar-se de um mau Espírito. O mesmo se daria com um judeu, pelo que toca a certas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, de um ouvimos que o Espírito que se comunica não podia deixar de ser o diabo, porque se permitira a liberdade de pensar de modo diverso do dele, acerca do poder temporal, se bem que, em suma, o Espírito não houvesse pregado senão a caridade, a tolerância, o amor do próximo e a abnegação das coisas deste mundo, preceitos todos ensinados pelo Cristo”.

“Não sendo os Espíritos mais do que as almas dos homens e não sendo estes perfeitos, o que se segue é que há Espíritos igualmente imperfeitos, cujos caracteres se refletem nas suas comunicações. É fato incontestável haver, entre eles, maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais preciso se faz que estejamos em guarda. Mas, porque se encontram no mundo homens perversos, é isto motivo para nos afastarmos de toda a sociedade? Deus nos outorgou a razão e o discernimento para apreciarmos, assim os Espíritos, como os homens. O melhor meio de se obviar aos inconvenientes da prática do Espiritismo não consiste em proibi-la, mas em fazê-lo compreendido. Um receio imaginário apenas por um instante impressiona e não atinge a todos. A realidade claramente demonstrada, todos a compreendem”.

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(1) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes); mas, com relação a este assunto, como acerca de tudo o que diz respeito à parte religiosa, recomendamos a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o Espiritismo , do Dr. Grand, ex-cônsul da França (à venda na Livraria Ledoyen, in-18; preço 1 franco), bem como a que vamos publicar sob o título: Os contraditores do Espiritismo, do ponto de vista da religião, da ciência e do materialismo.

A idéia que antigamente se fazia de demônios não é exatamente a que a liderança religiosa de hoje passa a seus fiéis, cuja finalidade é ter uma coisa para amedrontá-los, daí o propalar a sua existência. Quem tem o cuidado de estudar o Evangelho, verá que demônio é sinônimo de Espírito (ler Mt 8,28-34, Mc 5,1-20, Lc 8,26,39; Mc 1,21-28, Lc 4,31-37; Mt 15,21-28, Mc 7,24-30; Mt 17,14-21, Mc 9,14-29, Lc 9,37-43; Mt 8,16, Mc 1,32-34, Lc 4,40-41). E espíritos existem tanto os bons quanto os maus, pois os que foram para o lado de lá são exatamente o que estavam encarnados do lado de cá. E se formos mais fundo nessa questão, veremos que buscaram no paganismo persa a sustentação para esse ser devotado eternamente ao mal, em luta permanente com Deus. Por ignorância não tiveram ainda a capacidade de perceber que o bem é que é tudo, não existe nenhuma potência dedicada ao mal, já que tudo que existe é obra de Deus.

Não conseguimos entender uma coisa: “Uma vez que os filhos têm em comum a carne e o sangue, por isso também ele participou da mesma condição, a fim de destruir pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo:...” (Hb 2,14). Se Jesus destruiu o diabo, como então vocês ainda ficam falando dele?

Aos que ainda acreditam em anjos decaídos, perguntamos: os anjos, segundo pensam, não são seres criados puros por Deus? Se foram criados puros, como aconteceu deles decaírem, algum defeito de “fabricação”? A passagem de Isaías (14,3-22), que buscam para sustentar a idéia de anjos decaídos, é pura interpretação de conveniência, pois a passagem fala do rei da Babilônia, nada mais.

Não é fenômeno raro com supõe o crítico, que com absoluta certeza, não sabe nada sobre esse assunto. Deveria ler o livro do Pe. François Brune, já citado por nós.

Com base em quê está afirmando “normalmente os mortos não podem voltar ao mundo”? Em que base científica se apóia para dizer isso? Esperamos que não venha nos dizer que é a Bíblia.

Infelizmente apresentou a Bíblia para justificar a raridade. Vejamos o que nos apresenta como justificativa: “Um argumento bíblico da raridade do fenômeno, é que a própria necromante que evocou o espírito de Samuel para Saul se assustou quando viu o espírito de Samuel. O que prova que até para uma necromante esse fenômeno é uma surpresa”. Mais uma vez o nosso crítico demonstra não ser capaz de interpretar texto da Bíblia. Vejamos a narrativa 1Sm 28, 3-14:

Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos.

Os filisteus se concentraram e acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé. Quando viu o acampamento dos filisteus, Saul teve medo e começou a tremer. Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas. Então Saul disse a seus servos: "Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta". Os servos responderam: "Há uma necromante em Endor".

Saul se disfarçou, vestiu roupa de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher. Saul disse a ela: "Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser". A mulher, porém, respondeu: "Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que está armando uma cilada, para eu ser morta?" Então Saul jurou por Javé: "Pela vida de Javé, nenhum mal vai lhe acontecer por causa disso". A mulher perguntou: "Quem você quer que eu chame?" Saul respondeu: "Chame Samuel".

Quando a mulher viu Samuel aparecer, deu um grito e falou para Saul: "Por que você me enganou? Você é Saul!" O rei a tranqüilizou: "Não tenha medo. O que você está vendo?" A mulher respondeu: "Vejo um espírito subindo da terra". Saul perguntou: "Qual é a aparência dele?" A mulher respondeu: "É a de um ancião que sobe, vestido com um manto". Então Saul compreendeu que era Samuel, e se prostrou com o rosto por terra.

Grifamos no texto algumas frases, das quais podemos entender o porquê da surpresa da mulher. O rei Saul havia expulsado do país os necromantes e adivinhos, ele disfarçado foi procurá-la, essa ao ver o Espírito Samuel, descobre que quem está ali diante dela é o próprio rei Saul que havia proibido essas coisas, pensou que o rei a tinha enganado para matá-la, daí a razão de ter se assustado. São esses os fatos que podemos, sem nenhuma apelação, tirar da narrativa.

Quando, um pouco atrás, falamos das consultas a Deus que eram feitas pela sorte, pedimos para se lembrarem dessa palavra, vamos confirmar isso neste texto: “Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas”. Fechando plenamente com a informação que passamos.

E por que a necromancia é proibida por Deus? Simples: por que ela não é eficiente. O próprio Kardec admite, em diversas ocasiões, que nem sempre os espíritos que se revelam são bons espíritos:
"Podem evocar-se todos os Espíritos: tanto aqueles que animaram homens obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido. (...) Deles (dos maus espíritos) só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro." (LE , Introd. §VI, p.21-22).
Os espíritos superiores também advertem os espíritas: "Recordai, espíritas, que se é absurdo repelir sistematicamente todos os fenômenos de além-túmulo, não é prudente aceitá-los cegamente" (LM, cap. V, no. 98, p. 108).

Ótimo, o crítico demonstrou conhecer o pensamento íntimo de Deus, Parabéns! Mas se esse meio não é eficiente, por que então os católicos pedem ajuda aos santos para resolver seus problemas do dia-a-dia? Mudam-se os termos, evocar, invocar e consultar, mas, na essência, é tudo a mesma coisa.

Kardec agiria como um fanático se dissesse que somente os bons Espíritos é que se manifestam. A manifestação é uma lei natural, que tanto serve para os bons quanto para os maus, seria, guardada as devidas proporções, os demônios, os anjos e os próprios santos do catolicismo.

Transcreveremos as colocações de Kardec, para não distorcermos o seu pensamento:

“As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos solicitam para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os maus nos solicitam ao mal: é para eles uma alegria nos ver sucumbir e nos assemelharmos a eles”.

“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas ocorrem pela influência, boa ou má, que eles exercem sobre nós com o nosso desconhecimento; cabe ao nosso julgamento discernir as boas e más inspirações. As comunicações ostensivas ocorrem por meio da escrita, da palavra, ou outras manifestações materiais, e mais freqüentemente por intermédio dos médiuns que lhes servem de instrumento”.

“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou por evocação. Podem-se evocar todos os Espíritos: aqueles que animaram homens obscuros, como aqueles de personagens mais ilustres, qualquer que seja a época na qual tenham vivido; os de nossos parentes, de nossos amigos ou de nossos inimigos, e com isso obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a sua situação no além-túmulo, sobre seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes são permitidas nos fazer”.

Os Espíritos são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se alegram nas reuniões sérias onde dominem o amor do bem e o desejo sincero de se instruir e se melhorar. Sua presença afasta os Espíritos inferiores que aí encontram, ao contrário, um livre acesso, e podem agir com toda a liberdade entre as pessoas frívolas ou guiadas só pela curiosidade, e por toda parte onde se encontrem os maus instintos. Longe de deles obter bons avisos ou ensinamentos úteis, não se deve esperar senão futilidades, mentiras, maus gracejos ou mistificações, porque eles tomam emprestado, freqüentemente, nomes venerados para melhor induzir ao erro”. (o grifado em negrito é nosso, o sublinhado foi apenas o que colocou o crítico).

Observar que Kardec foge do fanatismo, colocando as coisas de forma racional. E o que ele fala, no que estamos colocando, está distorcido pelo crítico; caberá ao nosso leitor fazer o julgamento.

Quanto ao conselho dos Espíritos superiores, não é contrário ao que podemos encontrar até mesmo na Bíblia, senão vejamos: “Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus...” (1Jo 4,1). Preocupados deveríamos ficar se não tivéssemos sido alertados, pois aí sim, poderíamos cair nas malhas dos enganadores; entretanto, como “Somente lobos caem em armadilhas para lobos” (Erasto, ESE, pág. 327), usamos as orientações para não sermos ludibriados, como pensam que somos os que não conhecem verdadeiramente o Espiritismo.

Como saber então se podemos ou não confiar no que os espíritos dizem?

Kardec propõe a seguinte solução:

"Reconhecem-se a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos pela sua linguagem; os bons não aconselham senão o bem e não dizem senão coisas boas: tudo neles atesta a elevação; os maus enganam, e todas as suas palavras carregam a marca da imperfeição e da ignorância." (LM, cap. IV, p.56) (!!!)

Kardec nos passou as coordenadas para que pudéssemos separar o joio do trigo, entretanto, dificuldade, muito maior do que a nossa, encontram os católicos em distinguir os anjos, pois conforme está escrito “Satanás se disfarça em anjo de luz” (2Cor 11,14). Gostaríamos de saber como fazem para distinguir um anjo “verdadeiro” de satanás, disfarçado em anjo de luz.

Muitas vezes, em nosso dia-a-dia, encontramos certa dificuldade prática em saber se uma pessoa é boa ou má. Suponhamos que esteja falando com uma pessoa nos EUA, que não tenha nenhuma informação sobre ela, como saber se é uma pessoa boa ou má? Essa dificuldade não poderá nos levar à conclusão de que todos os americanos são bons ou que todos são maus, temos que ter algum critério para distingui-los. Assim, é que Kardec estabeleceu determinados critérios que irão nos ajudar a fazer essa distinção.

Novamente não temos outra alternativa senão colocar a fala de Kardec, quando aborda a questão dos sistemas inventados pelos críticos do Espiritismo para combatê-lo, cujo teor é o seguinte:

Sistema multispírita ou polispírita. - Todos os sistemas a que temos passado revista, sem excetuar os que se orientam no sentido de negar, fundam-se em algumas observações, porém, incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa for vermelha de um lado e branca do outro, aquele que a houver visto apenas por um lado afirmará que ela é branca, outro declarará que é vermelha. Ambos estarão em erro e terão razão. No entanto, aquele que a tenha visto dos dois lados dirá que a casa é branca e vermelha e só ele estará com a verdade. O mesmo sucede com a opinião que se forme do Espiritismo: pode ser verdadeira, a certos respeitos, e falsa, se se, generalizar o que é parcial, se se tomar como regra o que constitui exceção, como o todo o que é apenas a parte. Por isso dizemos que quem deseja estudar esta ciência deve observar muito e durante muito tempo. Só o tempo lhe permitirá apreender os pormenores, notar os matizes delicados, observar uma imensidade de fatos característicos, que lhe serão outros tantos raios de luz. Se, porém, se detiver na superfície, expõe-se a formular juízo prematuro e, conseguintemente, errôneo. Eis aqui as conseqüências gerais deduzidas de uma observação completa e que agora formam a crença, pode-se dizer, da universalidade dos espíritas, visto que os sistemas restritivos não passam de opiniões insuladas:

1º Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, às quais também se dá o nome de Espíritos;

2º Os Espíritos constituem o mundo invisível; estão em toda parte; povoam infinitamente os espaços; temos muitos, de contínuo, em torno de nós, com os quais nos achamos em contacto;

3º Os Espíritos reagem incessantemente sobre o mundo físico e sobre o mundo moral e são uma das potências da Natureza;

4º Os Espíritos não são seres à parte, dentro da criação, mas as almas dos que hão vivido na Terra, ou em outros mundos, e que despiram o invólucro corpóreo; donde se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que nós, morrendo, nos tornamos Espíritos;

5º Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância;

6º Todos estão submetidos à lei do progresso e podem todos chegar à perfeição; mas, como têm livre-arbítrio, lá chegam em tempo mais ou menos longo, conforme seus esforços e vontade;

7º São felizes ou infelizes, de acordo com o bem ou o mal que praticaram durante a vida e com o grau de adiantamento que alcançaram. A felicidade perfeita e sem mescla é partilha unicamente dos Espíritos que atingiram o grau supremo da perfeição;

8º Todos os Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens; indefinido é o número dos que podem comunicar-se;

9º Os Espíritos se comunicam por médiuns, que lhes servem de instrumentos e intérpretes;

10º Reconhecem-se a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos pela linguagem de que usam; os bons só aconselham o bem e só dizem coisas proveitosas; tudo neles lhes atesta a elevação; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.

Os diferentes graus por que passam os Espíritos se acham indicados na Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, parte II, capítulo I, n. 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se apreciar a natureza dos Espíritos que se manifestam, assim como suas boas e más qualidades”. (O Livro dos Médiuns, FEB, Cap. IV – Sistema, item 49, págs. 68-69).

O que temos observado desde o início e aqui queremos chamar sua atenção, caro leitor, é que esse crítico, procura deliberadamente ridicularizar o Espiritismo e para isso busca um texto isolado, explorando frases soltas, detalhes secundários, perdendo de vista a floresta por causa das árvores, o que fora do devido contexto pode levar a uma interpretação equivocada, para seus argumentos, mostrando toda a má-fé em suas pretensões.

Ora, se eles evocam os mortos para saber a verdade, como podem saber se o que eles dizem é verdade? Percebe você a incoerência? É mais ou menos como se se dissesse a uma criança na escola para só confiar no professor de matemática, se ele demonstrasse o teorema corretamente. Agora, se ela está na escola para aprender, como ela poderia saber, de antemão, se o professor está certo ou errado? Usando a razão, bradam os espíritas. Mas esta questão não é tão simples assim. Eu não sei qual é a sua área profissional, mas eu conheço algumas "provas" matemáticas de que 2+2=5. Se eu lhas expor, e você não for da área de exatas, há uma boa chance que você não encontre o erro nessas "provas". Mas há erro nelas! Porém são erros sutis, que passam desapercebidos aos que estão menos familiarizados com teoremas matemáticos.

A incoerência é do critico, pois, em momento algum, Kardec coloca que a evocação dos Espíritos é somente para saber a verdade. Como se as nossas reuniões fossem para isso. Deveria conhecer as coisas antes de vociferar aos quatro ventos o que não sabe.

Mas para resolver a questão do 2+2=5, poderemos lhe dizer que não somos tão ingênuos a ponto de aceitar a primeira informação como verdadeira. Na codificação, por exemplo, Kardec afirma que somente com a concordância de vários Espíritos e vinda por vários médiuns é que aceitou a coisa como verdadeira. Vejamos:

“Quem fez a Doutrina Espírita? São suas palavras, e não minha imaginação; são os próprios atores do mundo invisível, as testemunhas oculares das coisas de além-túmulo que a ditaram, e ela não foi estabelecida senão sobre a concordância da imensa maioria das revelações feitas de todos os lados e por milhares de pessoas que jamais vi. Não fiz, pois, em tudo isso senão recolher e coordenar metodicamente o ensino dado pelos Espíritos; sem ter nenhuma conta às opiniões isoladas, adotei as da maioria, afastando todas as idéias sistemáticas, individuais, excêntricas ou em contradição com os dados positivos da ciência”. (Revista Espírita, 1863, pág 278).

Como, não querendo agir como algumas filosofias religiosas, que se julgam exclusivas donas da verdade, Kardec fez questão de não colocar nada como verdade absoluta, pois essa só a Deus pertence, assim diz:

“Desde que o Espiritismo não se declara nem estacionário nem imutável, ele assimilará todas as verdades que forem demonstradas, de qualquer parte que venham, fosse da de seus antagonistas, e não permanecerá jamais atrás do progresso real. Ele assimilará essas verdades, dizemos nós, mas somente quando forem claramente demonstradas, e não porque agradaria alguém de dar por elas, ou seus desejos pessoais ou os produtos de sua imaginação”. (Revista Espírita, 1866, pág. 9).

“O Espiritismo não coloca, pois, como princípio absoluto senão o que é demonstrado com evidência, ou que ressalta logicamente da observação. Tocando em todos os ramos da economia social, aos quais presta o apoio de suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que elas sejam, chegadas ao estado de verdades práticas, e saídas do domínio da utopia, sem isto ele se suicidaria; cessando de ser o que ele é, mentiria à sua origem e ao seu objetivo providencial. O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais transbordado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está no erro sobre um ponto, ele se modificará sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita”. (Revista Espírita 1867, pág 278-279). (grifo do original).

Por isso Deus nos proíbe a necromancia; para nos proteger dos erros sutis que vêm "do além". O homem, tendo uma tendência à superstição, muitas vezes prefere acreditar na mentira, naquilo que lhe parece "sobrenatural" do que na própria razão. Logo a necromancia é um perigo para a integridade intelectual de uma alma.

É, realmente, esse crítico deve ter algum privilégio em relação a Deus, pois demonstra, mais uma vez, conhecer a intimidade de Deus. O que os fanáticos não compreendem é que nem tudo que consta da Bíblia provém de Deus, muitas coisas foram colocadas por Moisés como normas sociais ou religiosas, que para dar maior força, disse serem provindas da divindade e diante da ignorância do povo a coisa “colou”. Mas, nos dias de hoje, para acreditar nisso somente os fanáticos que são cegos e que só enxergam o que querem a sua liderança religiosa.

Quem considera os fenômenos como supersticiosos e sobrenaturais são os de sua corrente religiosa, pois, a nós Espíritas, tudo está dentro das leis da natureza. Sendo para nós fatos naturais não ficamos de boca aberta de espanto quando tais fenômenos ocorrem, deixamos isso aos ignorantes do assunto. Mas vejamos o que Kardec coloca:

“Aos olhos daqueles que olham a matéria como uma única força da natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso ou sobrenatural; e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição. A esse título a religião, fundada na existência de um princípio imaterial, seria um enredo de superstições; não ousam dizê-lo bem alto, mas o dizem baixinho, e crêem salvar as aparências concedendo que é preciso uma religião para o povo, e para fazer com que as crianças sejam sábias; ora, de duas coisas uma: ou o princípio religioso é verdadeiro ou é falso; se é verdadeiro, ele o é para todo o mundo; se é falso, não é melhor para os ignorantes do que para as pessoas esclarecidas”.

“O Espiritismo não aceita, pois, todos os fatos reputados maravilhosos ou sobrenaturais; longe disso, demonstra a impossibilidade de um grande número deles e o ridículo de certas crenças que constituem, propriamente falando, a superstição. É verdade que, no que ele admite, há coisas que, para os incrédulos, são puramente do maravilhoso, ou seja, da superstição; que seja, mas, ao menos, não discuti senão esses pontos, porque sobre os outros não há nada a dizer, e estareis procurando convencer quem já está convertido. Em atacando o que ele mesmo refuta, provais vossa ignorância da coisa, e vossos argumentos se perdem”. (O Livro dos Médiuns, pág. 21-23).

Perigo para a integridade da alma são essas religiões que pregam um Deus sanguinário, insensível à nossa pequenez, penalizando-nos com penas bem acima da gravidade de nossos erros, que colocam como destino final o inferno eterno, que não dizem às pessoas aquilo, que embora verdadeiro, contrarie seus dogmas impostos a ferro e fogo, que distorceram quase todos os ensinamentos de Cristo, que levaram os “hereges” à fogueira, que espoliaram os bens dos que condenavam à morte e muitas outras coisas.

O rapaz espírita que discutia com meu amigo, do qual falei no início desta carta, é uma prova concreta do que estou dizendo: para ele, não importavam os argumentos lógicos; o mais importante, para ele, era a "revelação sobrenatural" que ele estava recebendo do tal espírito. Se é que ele não estava blefando, pois muitas vezes, os "fenômenos" espíritas não passam de pura charlatanice.

Voltando ao que já dissemos anteriormente, acreditamos que o crítico tenha todas as provas de que, muitas vezes, os fenômenos espíritas não passam de pura charlatanice. E esperamos que não use dois pesos e duas medidas e considere do mesmo modo como charlatanice as provas apresentadas pelo Pe. François Brune, sobre a possibilidade da comunicação entre os vivos e os mortos. E, por favor, some a essa última, também as aparições dos santos, das santas, de Maria, etc.

E outra, como nem tudo que reluz é ouro, o fato de sintonizar, ver ou ouvir Espíritos não faz de ninguém um Espírita, já que essa faculdade, voltamos a dizer, é do ser humano. E mesmo que tivesse acontecido, ele não fala em nome do Espiritismo, como também temos absoluta certeza que ele não fala em nome da Igreja Católica. E se existe, em qualquer meio, os que podemos dizer “ovelhas” negras, isso não invalida os fatos ou a crença de ninguém. E em perfeito juízo, não podemos dizer que todos são ovelhas negras, somente porque existem alguns. Recentemente a Igreja Católica esteve envolvida em uma série de escândalos com seus padres pedófilos, se lembram disso? Não somos loucos para afirmar que todos os padres o são e nem poderemos responsabilizar a Igreja pelo que eles fizeram.

Kardec aponta uma outra forma de se identificar se um espírito que fala é bom ou mau (veja que bobagem ele diz:
"Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade (...). A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância" (LE, Introd. § VI, p. 22).
Veja que bobagem!! Então, se um demônio aparecesse a eles e falasse com modos... dizendo "por obséquio", "com licença" e "obrigado", seria ele um espírito evoluído!?! É muita gagueira para uma doutrina só!! É claro que quem deseja enganar pode adotar estilo educado, para mais facilmente embair as vítimas de seus logros.

A bobagem é do nosso crítico que, por desgosto, não leu tudo quanto deveria, para entender de Espiritismo. Idiotice é achar que “linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade” se resume apenas a ter bons modos no tratamento coloquial, coisa que só mesmo um beócio falaria, pois fica claro que Kardec se refere ao conteúdo da mensagem. A malícia do crítico é realmente de estranhar para quem se diz cristão, pois Kardec fala muito mais sobre a questão de identificação dos Espíritos, conforme qualquer um poder ler em O Livro dos Médiuns, Cap. XXIV, identidade dos Espíritos, FEB, pág. 324 a 346, vê-se, portanto, que é muito material. Por ora, transcreveremos apenas o item 267, que é o suficiente para provar a que o crítico quer levar as pessoas a pensarem erroneamente a respeito do Espiritismo:

“Podem resumir-se nos princípios seguintes os meios de se reconhecer a qualidade dos Espíritos”:

1º Não há outro critério, senão o bom-senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. Absurda será qualquer fórmula que eles próprios dêem para esse efeito e não poderá provir de Espíritos superiores.

2º Apreciam-se os Espíritos pela linguagem de que usam e pelas suas ações. Estas se traduzem pelos sentimentos que eles inspiram e pelos conselhos que dão.

3º Admitido que os bons Espíritos só podem dizer e fazer o bem, de um bom Espírito não pode provir o que tenda para o mal.

4º Os Espíritos superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, sem eiva de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.

5º Não se deve julgar da qualidade do Espírito pela forma material, nem pela correção do estilo. É preciso sondar-lhe o íntimo, analisar-lhe as palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer ofensa à lógica, à razão e à ponderação não pode deixar dúvida sobre a sua procedência, seja qual for o nome com que se ostente o Espírito. (N. 224.)

6º A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto ao fundo. Os pensamentos são os mesmos, em qualquer tempo e em todo lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidos, conforme as circunstâncias, as necessidades e as faculdades que encontrem para se comunicar; porém, jamais serão contraditórios. Se duas comunicações, firmadas pelo mesmo nome, se mostram em contradição, uma das duas é evidentemente apócrifa e a verdadeira será aquela em que nada desminta o conhecido caráter da personagem. Sobre duas comunicações assinadas, por exemplo, com o nome de São Vicente de Paulo, uma das quais propendendo para a união e a caridade e a outra tendendo para a discórdia, nenhuma pessoa sensata poderá equivocar-se.

7º Os bons Espíritos só dizem o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com desassombro, sem se preocuparem com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido.

8º Reconhecem-se ainda os Espíritos levianos, pela facilidade com que predizem o futuro e precisam fatos materiais de que não nos é dado ter conhecimento. Os bons Espíritos fazem que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha; nunca, porém, determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação.

9º Os Espíritos superiores se exprimem com simplicidade, sem prolixidade. Têm o estilo conciso, sem exclusão da poesia das idéias e das expressões, claro, inteligível a todos, sem demandar esforço para ser compreendido. Têm a arte de dizer muitas coisas em poucas palavras, porque cada palavra é empregada com exatidão. Os Espíritos inferiores, ou falsos sábios, ocultam sob o empolamento, ou a ênfase, o vazio de suas idéias. Usam de uma linguagem pretensiosa, ridícula, ou obscura, à força de quererem pareça profunda.

10º Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se. Os maus são imperiosos; dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam, haja o que houver. Todo Espírito que impõe trai a sua inferioridade. São exclusivistas e absolutos em suas opiniões; pretendem ter o privilégio da verdade. Exigem crença cega e jamais apelam para a razão, por saberem que a razão os desmascararia.

11º Os bons Espíritos não lisonjeiam; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva. Os maus prodigalizam exagerados elogios, estimulam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles a quem desejam captar.

12º Os Espíritos superiores desprezam, em tudo, as puerilidades da forma. Só os Espíritos vulgares ligam importância a particularidades mesquinhas, incompatíveis com idéias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e de fraude, da parte de um Espírito que tome um nome imponente.

13º Deve-se desconfiar dos nomes singulares e ridículos, que alguns Espíritos adotam, quando querem impor-se à credulidade; fora soberanamente absurdo tomar a sério semelhantes nomes.

14º Deve-se igualmente desconfiar dos Espíritos que com muita facilidade se apresentam, dando nomes extremamente venerados, e não lhes aceitar o que digam, senão com muita reserva. Aí, sobretudo, é que uma verificação severa se faz indispensável, porquanto isso não passa muitas vezes de uma máscara que eles tomam, para dar a crer que se acham em relações íntimas com os Espíritos excelsos. Por esse meio, lisonjeiam a vaidade do médium e dela se aproveitam freqüentemente para induzi-lo a atitudes lamentáveis e ridículas.

15º Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que hajam aconselhar. Elas, qualquer que seja o caso, nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitas todas as que não apresentam este caráter, ou sejam condenáveis perante a razão, e cumpre refletir maduramente antes de tomá-las, a fim de evitarem-se mistificações desagradáveis.

16º Também se reconhecem os bons Espíritos pela prudente reserva que guardam sobre todos os assuntos que possam trazer comprometimento. Repugna-lhes desvendar o mal, enquanto que aos Espíritos levianos, ou malfazejos apraz pô-lo em evidência. Ao passo que os bons procuram atenuar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a cizânia, por meio de insinuações pérfidas.

17º Os bons Espíritos só prescrevem o bem. Máxima nenhuma, nenhum conselho, que se não conformem estritamente com a pura caridade evangélica, podem ser obra de bons Espíritos.

18º Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança.

19º Os Espíritos maus, ou simplesmente imperfeitos, ainda se traem por indícios materiais, a cujo respeito ninguém se pode enganar. A ação deles sobre o médium é às vezes violenta e provoca movimentos bruscos e intermitentes, uma agitação febril e convulsiva, que destoa da calma e da doçura dos bons Espíritos.

20º Muitas vezes, os Espíritos imperfeitos se aproveitam dos meios de que dispõem, de comunicar-se, para dar conselhos pérfidos. Excitam a desconfiança e a animosidade contra os que lhes são antipáticos. Especialmente os que lhes podem desmascarar as imposturas são objeto da maior animadversão da parte deles. Alvejam os homens fracos, para os induzir ao mal. Empregando alternativamente, para melhor convencê-los, os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até demonstrações materiais do poder oculto de que dispõem, se empenham em desviá-los da senda da verdade.

21º Os Espíritos dos que na Terra tiveram uma única preocupação, material ou moral, se se não desprenderam da influência da matéria, continuam sob o império das idéias terrenas e trazem consigo uma parte dos preconceitos, das predileções e mesmo das manias que tinham neste mundo. Fácil é isso de reconhecer-se pela linguagem de que se servem.

22º Os conhecimentos de que alguns Espíritos se enfeitam, às vezes, com uma espécie de ostentação, não constituem sinal da superioridade deles. A inalterável pureza dos sentimentos morais é, a esse respeito, a verdadeira pedra de toque.

23º Não basta se interrogue um Espírito para conhecer-se a verdade. Precisamos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos; porquanto, os Espíritos inferiores, ignorantes que são, tratam frivolamente das questões mais sérias. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem, para que, no mundo espírita, se ache de posse da soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e dilatar-lhe os conhecimentos.

24º Da parte dos Espíritos superiores, o gracejo é muitas vezes fino e vivo, nunca, porém, trivial. Nos Espíritos zombadores, quando não são grosseiros, a sátira mordaz é, não raro, muito apropositada.

25º Estudando-se cuidadosamente o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral, reconhecem-se-lhes a natureza e o grau de confiança que devem merecer. O bom-senso não poderia enganar.

26º Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é preciso, primeiro, que cada um saiba julgar-se a si mesmo. Muita gente há, infelizmente, que toma suas próprias opiniões pessoais como paradigma exclusivo do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que lhes contradiga a maneira de ver, a suas idéias e ao sistema que conceberam, ou adotaram, lhes parece mau. A semelhante gente evidentemente falta a qualidade primacial para uma apreciação sã: a retidão do juízo. Disso, porém, nem suspeitam. E o defeito sobre que mais se iludem os homens.

Todas estas instruções decorrem da experiência e dos ensinos dos Espíritos. Vamos completá-las com as próprias respostas que eles deram, sobre os pontos mais importantes.

A partir daí, no item 268, Kardec traz importantíssimas explicações das colocações do item 267, para as quais pedimos ao leitor estudar se não quiser ser enganado.

E para defender a necromancia contra os que acreditam que só os "maus espíritos" possam se comunicar, pergunta Kardec: “Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não o podem fazer. Sendo assim, uma de duas: ou isto se dá pela vontade, ou contra a vontade de Deus. Se contra a Sua vontade, é que os maus Espíritos podem mais do que Ele; se por vontade Sua, por que, em Sua bondade, não permitiria Ele que os bons fizessem o mesmo, para contrabalançar a influência dos outros?” (LM, cap. IV, no. 46, p. 64)
Nesta pergunta identificamos dois erros.
O primeiro erro é associar a vontade de Deus com o poder dos maus “espíritos” de se comunicarem. Que a necromancia é contra a vontade de Deus, isso as Sagradas Escrituras nos mostram. Mas ainda sim, Deus permite que isso ocorra, ainda que contra a Sua vontade.
É o mesmo que ocorre, por exemplo, com quem é assassino. Não há duvida que o assassinato vai contra a vontade de Deus, mas ainda sim Deus permite que estes ocorram, pois deu aos homens o livre-arbítrio em suas ações. Agora, o fato de um assassino conseguir realizar uma obra que vai contra a vontade de Deus não faz dele mais poderoso que Deus. Muito pelo contrário: uma alma que pratica o pecado se torna escrava dele, e, se não se arrepender antes da morte, perecerá no fogo eterno por causa do pecado.
Da mesma forma, o fato dos maus espíritos poderem se comunicar, ainda que contra a vontade de Deus, não faz deles seres mais poderosos que Deus.
O segundo sofisma presente nessa pergunta de Kardec é a de que Deus, em Sua bondade, permitiria aos “bons espíritos” se comunicarem, para “contrabalançar" a influência dos outros”. Ora, isso não é verdade! Se o homem ofende a Deus e, apesar das proibições, evoca os mortos e indaga deles a verdade, Deus não é obrigado a ir contra o que Ele mesmo proibiu só para mostrar que a pessoa está em erro. Deus faz isso, mas de outras formas, usa outros meios. Ele pode dar graças – e sempre o faz – que permitam a pessoa compreender o que é certo, sem haver uma "revelação" mediúnica.

A linha de raciocínio de Kardec é clara. Ele está dizendo das pessoas que dizem que só se manifestam os demônios, podemos incluir o nosso critico nesse meio, que não há lógica nessa afirmação, pois se os maus podem se manifestar, os bons também poderiam pela mesma forma. Os que admitem que só os maus se manifestam estão atribuindo a Deus certa injustiça, já que não permite aos bons essa mesma oportunidade.

Querer se apoiar na “Sagradas Escrituras” para justificar o desejo de Deus, é tão infantil, que dá dó dos que a usam para isso. Por dois motivos podemos dizer que não é a palavra de Deus, em toda sua inteireza. O primeiro é que se fosse mesmo a palavra de Deus eles a cumpririam integralmente, mas como não fazem é de se supor que alguma coisa não atribuem a Deus. Se os católicos podem questionar alguma coisa, nós nos reservamos ao direito de questionar tudo, uma vez que se fossem realmente coisas de Deus não caberia nenhum questionamento, nem o deles. Segundo se provarmos alguma incoerência na Bíblia, podemos derrubar a tese de ser ela a palavra de Deus, já que não podemos admitir, em hipótese alguma, Deus cometendo qualquer tipo de incoerência.

Vejamos algumas coisas, só para exemplo:

Dt 5, 9: “... sou um Deus ciumento, que puno a iniqüidade dos pais sobre os filhos, até a terceira e quarta geração dos que me odeiam”.

Comparar com:

Dt 24, 16: “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais. Cada um será executado por seu próprio pecado”.

Pv 26, 4: “Não responda ao insensato conforme a sua idiotice, para não te igualares a ele”.

Comparar com:

Pv 26,5: “Responde ao insensato conforme a sua idiotice, para que ele não se creia sábio aos próprios olhos”.

Jo 5, 31: “Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não será verdadeiro”.

Comparar com:

Jo 8,14: “Embora eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é válido...”.

Mas ao que parece Deus não conhece nem mesmo de geografia, pois quem sai do Egito passando pelo Mar Vermelho sairá na Arábia Saudita, não no Monte Sinai. E, se seguirmos a rota do êxodo, traçada na Bíblia, confirmaremos que o povo hebreu não passou mesmo pelo Mar Vermelho. Poderá ver um estudo que fizemos sobre essa questão no link:

http://geocities.yahoo.com.br/apologia_gae/assuntos_biblicos/mar_vermelho.htm

Poderíamos listar inúmeras outras, mas não será necessário, podemos sugerir o nosso livro “A Bíblia à Moda da Casa” e um texto que pode ser encontrado na Internet com mais algumas considerações: http://geocities.yahoo.com.br/apologia_gae/respostas_detratores/a_palavra_de_deus_na_biblia.htm .

Ainda poderemos acrescentar como contradição dos católicos a questão da adoração de imagens que também é proibida nas “Sagradas Escrituras”, entretanto, não dão a mínima para isso, apesar dela ser clara, mas usam de sofismas para sair desse impasse.

Anteriormente falamos que Moisés, usando da expressão “Deus disse”, impôs, ao povo hebreu, inúmeras coisas necessárias à sua própria evolução, mas que na essência não podem ser atribuídas a Deus. Leis sociais, regras de convivência, normas para rituais, entre outras. Podemos também incluir nesse rol a proibição da evocação dos mortos, pois tais coisas eram feitas para fins de adivinhação, o que não tem nada a ver com o que fazemos, e de certa forma também podemos dizer que proibimos.

Aos que ainda insistem em ser ela a palavra de Deus, perguntamos: o mandamento “não desejar a mulher do próximo” é de Deus ou dos homens? Se for de Deus podemos dizer que as mulheres podem desejar o homem das outras, sem problema algum, já que o que não é proibido é permitido? Ou esse mandamento apenas reflete a cultura da época? E, vejamos uma coisa interessante, pois apesar de sempre o apresentarem isolado, ele, pelo texto bíblico, está desta forma: “Não cobice a casa do seu próximo, nem a mulher do próximo, nem o escravo, nem a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo". (Ex 20,17=Dt 5,21) Na verdade, esse mandamento apenas se resume em “não cobiçar o que pertence a seu próximo”, mas como na época era muito acentuada a cultura machista, a mulher era também considerada uma propriedade do homem, por isso ela aparece junto com os outros bens: escravo, escrava, boi e jumento. Se alguém ainda achar que isso é de Deus, tudo bem, não podemos e não queremos fazer absolutamente nada, senão respeitar a opinião.

Mas como todo crítico do Espiritismo, a maioria não sabe como se iniciaram os fenômenos que são atribuídos como os de sua origem. Esses fenômenos ocorridos no vilarejo de Hydesville, EUA, aconteceram, no seio de uma família protestante, por iniciativa do espírito, portanto, não houve evocação alguma. A questão é que se aconteceu é porque houve permissão de Deus, da mesma forma como ele permite que os santos apareçam para os católicos.

A única revelação que admitem seria a dos carismáticos que recebem o “Espírito Santo”? Será que Deus permitiria que isso acontecesse só no meio católico? Deus é Deus de toda a Humanidade ou só dos católicos? A resposta dirá que ele age de forma imparcial, o que permite a um permitirá a outro, já que “não faz acepção de pessoas”.

É até hilariante, senão trágico as coisas em que acreditam: “se uma alma não se arrepender antes da morte, perecerá no fogo eterno por causa do pecado”. O que temos dito é que, quando formos julgados iremos pedir a São Judas Tadeu, santo católico para as causas impossíveis, para ser nosso advogado, e diante do tribunal divino, apelaremos para sermos julgados pela justiça dos homens. Preferimos a justiça dos homens, que nos colocaria em tempo certo na prisão, para pagarmos pelo nosso crime, mas depois promove a nossa reintegração na sociedade, coisa que Deus, a Suprema Bondade, não faz, segundo o que podemos concluir do que acreditam os dogmáticos.

O homem, quando não quer uma coisa não faz, entretanto, Deus apesar, de não permitir algo a coisa acontece? Qual a lógica disso?

Acreditam na manifestação dos anjos e dos demônios; para nós eles só se manifestam por permissão de Deus, da mesma forma que para nós os bons e os maus espíritos também se manifestam porque Deus o permite. No fundo tudo é a mesma coisa, só se mudam os nomes. Será que é tão difícil entender isso? Negam o aspecto científico do Espiritismo, supomos que negando o nosso provem o deles, então nos provem cientificamente: a manifestação dos anjos e dos demônios, a ressurreição da carne, a virgindade de Maria; antes, durante e após o parto, sua ascensão de corpo e alma ao céu, etc.

Cristo nos ensina isso claramente na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (Lc. 16, 19-31). O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro (que é um “bom espírito”) até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento (o inferno).” (vv.27-28). É uma sugestão que parece boa. Kardec aprovaria essa proposta, embora não acreditasse no inferno. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v.29). “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v.31).

No caso “a resposta do céu”, conforme diz o contraditor, foi negativa porque os irmãos do rico eram insensíveis ao sofrimento alheio e como nem mesmo aos vivos ouviram (Moisés e os Profetas), muito menos ouviriam os mortos.

A possibilidade da comunicação dos mortos está confirmada, em dois momentos. O primeiro é o próprio pedido do rico, que se não acreditasse nisso não faria esse pedido. Como iremos para o lado de lá com o que pensávamos do lado de cá, concluímos que, quando encarnado pensava dessa forma, pensamento provavelmente comungado por todos. O segundo é a resposta que não foi que não poderia acontecer, mas que era, no caso, completamente inútil. Essa verdade é inquestionável, pois os “mortos” estão vindo avisar aos vivos e eles não estão acreditando, você é um exemplo disso. É justamente isso que estão fazendo em relação ao Espiritismo. Por outro lado, se hoje acontecem as aparições dos santos, é porque antigamente também aconteciam aparições dos mortos, uma vez que as leis de Deus são imutáveis.

Eis, nesta parábola, a mais pura e simples rejeição do espiritismo. Deus nos dá os meios de conhecer a verdade. Nós temos as Sagradas Escrituras (ou, como é dito na parábola, Moisés e os Profetas), e sabemos por ela quem tem a chave para interpretá-la: a Santa Igreja Católica, edificada por Cristo sobre Pedro, a quem Ele deu as chaves do reino dos Céus (Mt 17, 18-19). E pela Igreja, temos também outro meio para conhecer o caminho reto, que é a sua Tradição, que vem sendo transmitida desde os apóstolos, conforme diz São Paulo: "Guardai as tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta" (2 Thess. 2, 14). Eis o meio que Deus nos dá para conhecer a verdade: uma instituição visível (a Igreja Católica Apostólica Romana), que é o depósito da Fé. Por ela aprendemos o que Deus quer de nós, no que devemos crer, e o que é a verdadeira caridade. E por ela esperamos um dia sermos recompensado com o céu, apesar de indignos pelos nossos pecados, praticando os mandamentos e recebendo constantemente os sacramentos que foram instituídos por Cristo.

Essa é a interpretação que você deu a essa parábola, entretanto, achamos que ela se aplica justamente a vocês, já que provam exatamente o que nela está: “mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão”, uma vez que os mortos estão ressuscitando e dizendo o que eles estão passando e vocês surdos, como deveria ser o caso dos irmãos do rico, não ouvem, não acreditam e ainda por cima, combatem.

Se Deus tivesse mesmo entregado à Igreja Católica a sua revelação, podemos dizer que ele não soube escolher muito bem, pois apesar dos seus dois mil anos de existência, ainda não conseguiu fazer desse planeta Terra um mundo melhor, aliás, cerca de três quartos da humanidade não é católica, comprovando sua completa incompetência. Nós não acreditamos nisso, pois Deus nunca colocaria nas mãos de um incapaz uma missão importante, não é mesmo?

Em relação a Pedro ter as chaves do reino dos céus, leiamos um texto de Santo Agostinho:

“Porque tu me disseste: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo; também eu te digo; Tu és Pedro... Pois, antes se chamava Simão. Ora, este nome Pedro lhe foi imposto pelo Senhor. E vai nisto uma figura, para que significasse a Igreja. Porquanto a pedra é Cristo; Pedro é o povo cristão, pois, pedra é nome principal. Tanto assim que Pedro vem de pedra, e não pedra de Pedro – assim como Cristo não vem de cristão, mas cristão vem de Cristo. Diz, portanto: Tu és Pedro, e sobre esta pedra, que acabas de confessar, sobre esta pedra que conhecestes, dizendo: Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo – edificarei a minha Igreja. Quer dizer: sobre mim mesmo, o Filho de Deus vivo, edificarei a minha Igreja. Sobre mim é que te edificarei, e não a mim sobre ti”. (ROHDEN, 1995).

Completa Rohden: “Como se vê, o maior doutor da Igreja latina não considera a pessoa de Pedro como sendo a pedra, o fundamento da Igreja. A pedra, o fundamento da Igreja, é Cristo, o Filho de Deus vivo”. Nada mais a dizer.

Sobre a questão da tradição, como já falamos anteriormente, nada mais acrescentaremos.

Se toda a crença católica se resume nisso, ótimo, seja bem feliz o nosso opositor, entretanto não seria pedir demais para que também nos dê a oportunidade de sermos conforme nós quisermos, da mesma maneira que deixamo-lo agir como melhor lhe convém.

Os espíritas “não escutam nem a Moisés nem aos Profetas e, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão”. Isso é fato: se aparecesse, numa dessas sessões, um espírito que afirmasse a doutrina católica, logo seria taxado de "espírito inferior" e renegado. Logo, a necromancia não funciona.

E nem poderíamos seguir Moisés e aos Profetas, sabe por que? É que preferimos seguir a Jesus. Deixamos aos católicos e aos incoerentes, a oportunidade de segui-los. E se eles aparecessem em nossas sessões, com certeza, não diria para seguir a Doutrina Católica, que nem mesmo conheceram; o máximo que diriam é para seguir a Jesus, cujos ensinamentos têm caráter Universal, não sectário, nem a uns poucos “privilegiados”, que os distorceram para justificar seus dogmas. Qualquer espírito que venha querer estabelecer princípios sectários e de privilégios, com razão, é espírito inferior mesmo, não podemos nem devemos dar crédito a ele.

Aprendamos com essas palavras de Jesus a universalidade de seus ensinos: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor”. (Jo 10,16).

O teólogo Rohden faz uma importante declaração, que fazemos questão de repetir:

“O homem religioso, identificado com esse espírito de Jesus, não defende uma Igreja ou religião – mas vive Deus em toda a sua realidade. Quem defende uma Igreja ou determinada religião pode ser um bom teólogo, rabino ou sacerdote, mas não é religioso, pois ser religioso quer dizer descobrir Deus dentro de si, como Jesus, e viver em permanente conformidade com essa gloriosa descoberta, que é o amor incondicional e universal” (Lampejos Evangélicos, pág. 89).

3) "Gagueiras"

Essa é a parte que realmente pode causar algum efeito nesses soberbos espíritas. Para colocar a doutrina de Kardec no nível intelectual baixíssimo que ela tem, você pode começar mostrando o seu racismo. Recomendo que você leia a série de artigos "Allan Kardec - uma racista brutal e grosseiro" do site da Montfort:
http://www.montfort.org.br/veritas/kardec.html
http://www.montfort.org.br/veritas/kardec2.html
http://www.montfort.org.br/veritas/kardec3.html
Há outras passagens racistas nos escritos do Kardec, mas as apontadas nos textos acima são as mais evidentes e brutais. Só isso já basta, a meu ver, para escandalizar uma alma realmente sincera. Negar o racismo do Kardec ou fechar os olhos para ele é a maior prova de má-fé que um espírita pode dar.

É comum a determinadas pessoas que não tendo condições e competência para combater o pensamento de uma outra, passam a ridicularizá-la, pensando que com isso atingirão o que ela disse.

Transcreveremos algumas observações de Kardec:

“Examinando os diversos ataques dirigidos contra o Espiritismo, disso ressalta um ensinamento sério e triste ao mesmo tempo; os que vêm do partido cético e materialista são caracterizados pela negação, a zombaria mais ou menos espirituosa, por sarcasmos o mais freqüentemente todos e maçantes, ao passo que, e é lamentável dizê-lo, é nos do partido religioso que se encontram as mais grosseiras injúrias, os ultrajes pessoais, as calúnias; é do púlpito que caem as palavras mais ofensivas; é em nome da Igreja que se tem publicado o ignóbil e mentiroso panfleto sobre o pretenso orçamento do Espiritismo. Disso dei algumas amostras na Revista, e não disse tudo, por deferência, e porque sei que todos os membros do clero estão longe de aprovarem semelhantes coisas. É útil, no entanto, que mais tarde se saiba de que armas se serviram para combater o Espiritismo. Infelizmente os artigos e jornais são fugidios como as folhas que os contêm; as próprias brochuras não têm senão uma existência efêmera, e em alguns anos o nome dos mais fogosos e dos mais biliosos antagonistas será provavelmente esquecido! Não há senão um meio de prevenir esse efeito do tempo, é de colecionar todas essas diatribes, de qualquer lado que venham, e delas fazer uma coletânea, que não será uma das páginas menos instrutivas da história do Espiritismo. Os documentos não me faltam para esse trabalho, e tenho o desgosto de dizer que são as publicações feitas em nome da religião que, até este dia, deles fornece o mais forte contingente. Constato com prazer que vossa brochura pelos menos faz exceção sob o aspecto da urbanidade, senão o é pela força dos argumentos”.

“Segundo vós, senhor abade, tudo no Espiritismo não é senão incerteza, trevas espessas, ilusões, caos, utopias; então convinde que não é muito perigoso porque ninguém disso nada deve compreender. O que a Igreja pode ter de medo de uma coisa tão ridícula? Se assim não é, por que esse desdobramento de forças? Ao ver essa fúria, dir-se-ia que ela tem medo. Comumente não se atira o canhão de alarme contra uma mosca que voa. Não há contradição em dizer de um lado que o Espiritismo é temível, que ameaça a religião, e de outro isso que não é nada?” (Revista Espírita, 1863, pág. 275-276).

“A Doutrina Espírita não é, pois, obra minha, mas dos Espíritos; ora, se esses Espíritos são as almas dos homens, ela não pode ser a obra do demônio. Se fosse minha concepção pessoal, vendo seu prodigioso sucesso, não poderia senão me felicitar por isso; mas não poderia me atribuir o que não é meu. Não, ela não é obra de um só, nem homem nem Espírito, que, quem quer que fosse, não teria podido lhe dar uma sanção suficiente, mas de uma multidão de Espíritos, e aí está o que faz a sua força, porque cada um está em condições de receber-lhe a confirmação. O tempo, como dissestes, dela fará boa justiça? Seria preciso para isso que ela deixasse de ser ensinada, quer dizer, que os Espíritos cessassem de existir e de se comunicarem por toda a Terra; seria preciso, além disso, que ela deixasse de ser lógica e de satisfazer às aspirações dos homens. Acrescentais que esperais que eu retorne de meu erro; não o penso, e, francamente, não são os argumentos de vossa brochura que me farão mudar de opinião, nem desertar do posto onde a Providência me colocou, posto onde tenho todas as alegrias morais a que um homem pode aspirar sobre a Terra, vendo frutificar aquilo que semeou. É uma felicidade muito grande e bem doce, vos asseguro, a visão dos felizes que se faz, de tantos homens arrancados ao desespero, ao suicídio, à brutalidade das paixões e conduzidos ao bem; uma única de suas bênçãos me paga largamente de todas as minhas fadigas e de todos os insultos; essa felicidade não está no poder de ninguém de ma tirar; não a conheceis, uma vez que gostaríeis de ma tirar; eu vo-la desejo de toda a minha alma; tentai-a, e vereis”. (Revista Espírita, 1863, pág. 279).

“O Espiritismo não é mais a obra de um único Espírito como não é a de um único homem; é a obra dos Espíritos em geral. Segue-se que a opinião de um Espírito sobre um princípio qualquer não é considerada pelos Espíritos senão como uma opinião individual, que pode ser justa ou falsa, e não tem valor senão quando é sancionada pelo ensino da maioria, dado sobre diversos pontos do globo. Foi esse ensino universal que fez o que ele é, e que fará o que será. Diante desse poderoso critério caem necessariamente todas as teorias particulares que sejam o produto de idéias sistemáticas, seja de um homem, seja de um Espírito isolado. Uma idéia falsa pode, sem dúvida, agrupar ao seu redor alguns partidários, mas não prevalecerá jamais contra aquela que é ensinada por toda a parte”. (Revista Espírita, 1865, pág. 307).

Percebe-se que estão atirando “pedras” na pessoa errada, se querem derrubar o Espiritismo que atinjam o responsável por ele ter vindo ao mundo. E, quer gostem ou não, quer acreditem ou não, pouca diferença faz, o responsável é o próprio Mestre Jesus. E tão certo disso estamos, que vemos uma semelhança com o que acontece hoje, com o que ocorreu quando esteve aqui encarnado, época que também sofreu violento ataque dos que, incomodados com seus ensinos, o colocaram na cruz. Hoje os fariseus modernos fazem o mesmo com o Espiritismo, serão eles os antigos reencarnados?

Mas para contestar todas as colocações nos textos citados do site MontForte, elaboramos nossos contra-argumentos, que poderá ser encontrado no endereço:

http://geocities.yahoo.com.br/apologia_gae/respostas_detratores/allan_kardec_um_racista_brutal_e_grosseiro.htm

Outra coisa que choca muito os espíritas é mostrar as contradições entre a ciência e o kardecismo. Há também um trabalho sobre isso no site da Montfort:

http://www.montfort.org.br/veritas/ciencia-espiritismo.html

Engana-se o contraditor, pois o que mais choca aos Espíritas não é isso, mas é vê-lo sendo combatido, não por ateus ou por materialistas convictos, como se poderia esperar, mas pelos que se dizem espiritualistas. Mesmo que conseguisse mostrar contradições entre a Ciência e o Espiritismo, não haveria problema algum, pois Kardec não coloca nada como verdade absoluta. Vejamos o que disse:

“O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita” (A Gênese, pág. 40).

Será que tudo que advogam os católicos está de acordo com a ciência? Poderiam nos explicar as diversas raças humanas se partimos de Adão e Eva? A existência do dia antes da criação do Sol? A divisão do Mar Vermelho em duas muralhas, sem que o povo hebreu tenha passado por ele, mas a uma distância de cerca de 360 km? E muitas outras coisas mais.

Mas preferimos que veja o nosso texto contestando o que foi colocado no site.

www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/a-ciencia-desmente-o-espiritismo.html.

Outra gagueira que vale a pena mencionar é a do "perispírito". Segundo Kardec, o perispírito seria um invólucro semi-material ao qual todos os seres, corpóreos ou incorpóreos, estariam submetidos. Os seres corpóreos, como nós homens, possuem, além deste invólucro semi-material, um outro invólucro material, ao qual denominamos corpo. As almas, após a morte, se livram do invólucro material, mas não do perispírito (LM, Cap. I, no.2, p.15 ; LE, Introdução §IV, p.19). E Kardec eleva o perispírito ao nível da divindade: “A Natureza inteira está imersa no fluido divino (o perispírito); (...) cada átomo desse fluido, se assim podemos exprimir-nos, possui o pensamento, isto é, os atributos essenciais da Divindade” (GEN, Cap. II, no. 24, p. 51. O negrito é do original. O sublinhado é meu.).

Devemos explicar que a existência do perispírito já foi comprovada cientificamente. Os russos o denominaram corpo bioplasmático. Vejamos o que encontramos a respeito desse assunto:

“Já há quase 50 anos, a existência de um corpo fluídico em todos os seres vivos recebeu inesperada confirmação da ciência materialista. O técnico em eletricidade, Semion Kirlian, coadjuvado por sua esposa Valentina, na Rússia, construiu em 1939 uma câmara elétrica de alta freqüência na qual se podem obter fotografias coloridas, de grande beleza, de uma parte imaterial nos animais e plantas. Nesse longo lapso de tempo, físicos e biólogos estudaram profundamente o fenômeno de Kirlian que, bem mais tarde, vulgarizou-se no Ocidente. Grande número de curiosos criaram suas próprias máquinas para tirar tais fotos, que se caracterizam por um halo luminoso magnífico, composto de miríades de cintilações de variada nuança. Ora, mesmo uma moeda inerte gera um (fraco) halo luminoso em torno de si. Daí, partiu-se para a identificação do fenômeno kirliano com o bem conhecido efeito corona – que é um halo luminoso azulado, que se forma em torno dos condutores elétricos expostos ao ar, preocupante para as companhias de eletricidade, porque representa certa perda de energia ao longo dos cabos de alta tensão durante o trajeto, que chega a medir centenas de quilômetros.

“Entre as fotos de tecidos vivos e as fotos de objetos inanimados há uma diferença acentuada, como acaba de assinalar-se: naquelas, a luz é tremeluzente, mais extensa, multifilamentosa e de cores diversas, embora predomine a azul; nestas, ela é estreita, uniforme e imóvel. Mais ainda, a vida introduz variações apreciáveis na irradiação; esta diverge conforme o estado de sanidade dos tecidos e até o estado emocional do indivíduo. Condições em que há dores e emoções fortes, ou cansaço, determinam o escape de luz mais intensa, ou cores brilhantes. Pensou-se que a diferença relativa a vivos e inerte, bem como as variações na cintilação no primeiro caso, fossem devidas a distintos teores de água nos tecidos orgânicos, mas a idéia não teve curso.

“Os próprios físicos russos deram àquela parte revelada pelas fotos kirlianas a designação de corpo de energia, corpo energético ou corpo bioplasmático, tendo tido esta expressão mais difusão. Tal energia, afirmam os cientistas, é de natureza desconhecida. Alguns deles consideraram a “energia” do corpo bioplasmático como uma “espécie de plasma”, hipótese com nulos visos de veracidade. Plasma, na Física, vem a ser um estado da matéria no qual as moléculas estão dissociadas em átomos e estes fracionados em íons, isto é, partículas com cargas elétricas, associadas até mesmo a núcleos atômicos (prótons e nêutrons) e a elétrons (pequeninos corpúsculos que giram nas órbitas em torno do núcleo). O conjunto assume as características de algo como um gás, no qual a feição decisiva é a carga elétrica. Não é um estado comum da matéria terráquea, mas estima-se que 99% de toda a matéria do universo estejam no interior das estrelas sob a forma de plasma; aí, o plasma físico é sustentado por temperaturas altíssimas e adequados campos magnéticos, mui poderosos”.

“Todavia, sensata e honestamente, proclamaram aqueles sábios: “O homem não é uma simples máquina”, contra as concepções básicas do seu governo, a respeito da vida e do mundo. O citado organismo “bioplasmático” não passa do anterior e modesto perispírito, o molde do corpo físico ou modelo organizador biológico... (Fronteiras do Espiritismo e da Ciência, Carlos Toledo Rizzini, LAKE, 1ª ed. 1987: IV– enfoques científicos sobre fluídos, II – O Corpo Fluídico, pág. 144-146).

Vejamos a opinião de outro autor:

“A descoberta progressiva da antimatéria, a partir dos idos de 1930 – justamente quando nascia a Parapsicologia na Universidade de Duke – levou os físicos de todo o mundo à descoberta do espírito. Foi precisamente para aprofundar o conhecimento da antimatéria que o casal Kirlian conseguiu inventar uma câmara fotográfica de alta freqüência – ou melhor, que opera sobre um campo imantado de energia de alta freqüência – para fotografar além da matéria. A câmara Kirlian realizou prodígios. Dotada de aparelhagem ótica, permitiu aos fotógrafos observarem os aspectos surpreendentes de uma nova realidade. A surpresa maior foi a descoberta de que as coisas e os seres não possuem apenas a estrutura material que conhecemos, mas uma estrutura interna e inteiramente desconhecida, de natureza energética. Essa estrutura não é opaca e sem luz, como as da matéria, mas transparente e luminosa. A conclusão preliminar a que chegaram é a de que essa estrutura energética constitui o fundamento, o molde e a fonte vital dos organismos materiais.

“Trata-se – explicaram – de um verdadeiro organismo totalmente unificado, que age como unidade e produz o seu próprio campo eletromagnético, base dos campos biológicos”. Bastaria isso para dar-nos a confirmação da intuição genial de Claude Bernard, e pai da Medicina moderna, quando sustentou a necessidade de um modelo energético para manter a estrutura orgânica do corpo humano, com a especificação estrutural das células ante as mutações e renovações constantes de todo o organismo no decorrer da existência.

“Mas o casal Kirlian foi além, ao verificar, em suas experiências, que o brilho do corpo energético não é constante nos seres vivos, revelando maior ou menor intensidade, e que essas variações indicam modificações dos estados interiores dos seres, sejam eles vegetais, animais ou humanos. Chegaram mesmo a afirmar que as atividades psíquicas do homem são anotadas corpo energético em forma de hieróglifos luminosos e coloridos. ‘Conseguimos inventar – dizem os Kirlian – um aparelho que pode grafar esses hieróglifos, mas precisamos de auxílio para a sua interpretação’. Verificaram ainda que o estado emocional dos pesquisadores influi no objeto a ser fotografado, produzindo essas alterações. Essa descoberta, puramente ocasional, abre uma nova possibilidade no campo da comunicação, confirmam os resultados das pesquisas parapsicológicas no tocante às influências telepáticas reciprocamente exercidas entre os homens”.

“Não há mistérios na existência desses hieróglifos luminosos e coloridos, nem na possibilidade de grafá-los para interpretações posteriores. Esse processo corresponde de certa maneira à gravação das ondas eletromagnéticas do cérebro no eletroencefalograma. Teremos logo mais de construir aparelhos captadores das ondas luminosas do corpo energético para o estudo das condições de saúde. Por outro lado, essa bioluminescência não é de natureza elétrica ou eletromagnética, pertencendo a uma classe de energia ainda desconhecida. Esta última conclusão lembra a de Vassíliev quando afirmou que o pensamento é ‘uma energia física de tipo ainda não conhecido, produzida pela forma mais evoluída de matéria que constitui o córtex cerebral’”.

“O relacionamento dessas descobertas com a Medicina se acentua quando as experiências soviéticas revelam que as doenças orgânicas podem ser previstas pelo exame da luminescência do corpo energético. Investigações com vegetais e animais demonstraram essa possibilidade. Alterações mórbidas das plantas começam nas modificações de brilho e coloração de sua estrutura energética, o mesmo se dando no tocante aos animais. Scheila Ostrander e Lyn Schroeder consideram em seu livro Psychic Discoveries Behind the Iron Curtin (Edição Prentice-Hall, New York) que as conseqüências dessa descoberta do corpo energético atingirão quase todas, senão todas as áreas do nosso conhecimento atual. Podemos avançar um pouco mais, admitindo que se trata de uma verdadeira revolução copérnica. Essas duas pesquisadoras universitárias norte-americanas foram à Rússia e entrevistaram os cientistas soviéticos. As declarações dos cientistas equivalem a revelações proféticas, lembram as visões bíblicas do mundo espiritual e particularmente as referências do apóstolo Paulo ao corpo espiritual. Eufóricos, como que se libertando inesperadamente da asfixia materialista, os cientistas afirmam que o homem não é apenas uma máquina orgânica. Os tomes do materialismo científico tocaram as chagas do Cristo e estão ao mesmo tempo surpresos e deslumbrados”.

“O pedido de ajuda ao casal Kirlian foi atendido. Biólogos, físicos, biofísicos e bioquímicos soviéticos reuniram-se em Alma Ata, centro de pesquisas espaciais da URSS, e realizaram pesquisas intensivas com a câmara kirlian. Em 1968 uma comissão designada oficialmente para examinar o assunto, composta de elementos exponenciais das ciências, iniciou trabalhos de investigação planejada no mesmo local, chegando a conclusões definitivas sobre a realidade do corpo energético, a que deram o nome de corpo bioplasmático ou corpo bioplástico. Essa comissão era integrada pelos Profs. Grischenko, Gibadulin, Vorobev, Inyushin, Shouiski e Fedorova. A câmara kirlian teve a aprovação oficial da Academia de Ciências e passou a ser considerada como o mais avançado instrumento de pesquisas científicas da União Soviética. Mas, ao mesmo tempo, abriu-se uma nova frente de luta para o materialismo oficial do Estado. Os cientistas soviéticos estão convocados para a batalha impossível de demonstrar que o corpo bioplástico não passa de um organismo de plasma biológico, talvez de um plasma constituído de partículas ainda desconhecidas.

“A propósito, os cientistas definiram inicialmente o corpo bioplástico com as seguintes palavras: ‘É uma espécie de constelação do tipo elementar, que se aproxima à natureza do plasma, constituída de elétrons ionizados e parece que excitados, de prótons e provavelmente de outras partículas atômicas’. Essa tentativa de explicação lembra a teoria de Paul Dirac, físico inglês, que em 1932 anunciou a existência de um oceano de elétrons livres que constituiria a essência da realidade. Tudo o que conhecemos como real, dizia Dirac, não é mais do que uma película exterior, muito tênue, ocultando-nos o real verdadeiro. O Prof. Sonioyukovitch, da Universidade de Moscou, propõe a utilização da antimatéria como energia propulsora de naves espaciais. O elemento propulsor seria a luz ou essa luminescência do corpo bioplástico revelado pela câmara kirlian. E o Prof. Lev Landau, Prêmio Nobel de Física, também russo, propõe uma nova Física em face da descoberta da antimatéria. Como se vê, a revolução copérnica da Física está em marcha e o seu ponto culminante é a descoberta do corpo bioplástico”.

“No tocante à Parapsicologia, essa descoberta vem revelar a fonte dos fenômenos paranormais. O elemento extrafísico do homem, proposto pelo Prof. Rhine, está confirmado pelos físicos e biólogos soviéticos. Isso é tanto mais impressionante quanto foram os parapsicólogos russos, tendo à frente Vassíliev, os mais ardorosos impugnadores da teoria de Rhine. Convém lembrar, a bem da verdade, que Kardec foi o primeiro a sustentar a existência do corpo energético, dando-lhe a designação técnica de perispírito. Esse perispírito ou corpo espiritual do homem também existiria nos objetos e nos seres vegetais e animais. Kardec afirmou a natureza mista desse corpo, que seria formado pelo que ele chamou de fluido universal, uma espécie de plasma cósmico, substância de tudo quanto existe no Universo, constituído de partículas materiais e não-materiais ou espirituais. Todos os fenômenos mediúnicos – hoje chamados paranormais – procederiam desse organismo que, segundo o Espiritismo, liga o espírito ao corpo.

“O avanço da Parapsicologia na descoberta de novas dimensões da realidade – como acentuamos desde a primeira edição deste livro – tem sido amparado pelo avanço da Física. Mais uma vez podemos afirmar que as perspectivas apontadas na segunda parte deste volume estão se confirmando mais rapidamente do que pensávamos. Já agora essas perspectivas, criticadas por alguns estudiosos do assunto como exageros de imaginação, recebem a inesperada sanção dos físicos. Nenhuma das áreas do conhecimento escapará ao impacto das descobertas parapsicológicas, como compreenderam Ostrander e Schoroeder. Dentro em pouco veremos o problema do espírito voltar à sua antiga posição: será o problema central das Ciências. E com isso a unidade do Conhecimento estará restabelecida em torno do homem. Porque é ele, como Ser, o problema essencial da Filosofia e como alma o problema central da Religião. Ser, espírito e alma, o homem assim encarado, em seus três aspectos, pelas três formas dominadoras do campo do Conhecimento, será realmente a imagem de Deus na Terra”.

“Mas como, para ser a imagem digna de Deus, o homem deve também ser imortal, os cientistas soviéticos resolveram aplicar a câmara kirlian numa série de pesquisas sobre o fenômeno da morte. O materialismo estaria salvo se as experiências demonstrassem que o corpo bioplástico morre com o corpo biológico. Observando os momento finais dos moribundos e documentando essas observações com fotografias em seqüência verificaram que há uma dispersão progressiva de pontos luminosos, como se o corpo bioplástico se desprendesse do corpo físico num fluxo crescente de partículas. Isso tanto no homem como no animal. À proporção em que as partículas se perdem no ar o corpo material perde toda a luminescência, tornando-se opaco. Só então o corpo do animal e do homem se cadaverizam. Ao mesmo tempo, detectores de vibrações biológicas continuam a captar vibrações de campos de força vital à distância do cadáver”.

“Esse curioso processo de desprendimento das partículas bioplásticas coincide perfeitamente com numerosas observações espíritas, feitas por videntes, junto a leitos mortuários, e com explicações mediúnicas dadas por entidades espirituais. Léon Denis explica em seu livro Depois da Morte: ‘A separação é quase sempre lenta, o desprendimento da alma se opera gradualmente. Começa algumas vezes muito tempo antes da morte e se completa com a ruptura dos últimos laços fluídicos que unem o corpo ao espírito’. Denis foi discípulo e continuador de Kardec. Em O Livro dos Espíritos Kardec explica: ‘A observação prova que no instante da morte o desprendimento do espírito não se completa subitamente; ele se realiza gradualmente, com lentidão variável, segundo os indivíduos’. Nas descrições dos videntes é comum a referência a um desprendimento gradual de elementos do perispírito (ou corpo bioplástico) que vão se juntando aos poucos a certa distância do cadáver”.

“Condicionados pela concepção materialista, os cientistas soviéticos, ao verificarem esse desprendimento de partículas, perguntam se não é o corpo bioplástico que também está se desintegrando. Falta-lhes o conhecimento das pesquisas psíquicas intensivas sobre o momento do desenlace. Se tivessem esse conhecimento ficariam assombrados ao ver nas suas experiências a confirmação em minúcias de observações feitas há mais de um século. A captação de campos de força vital à distância do cadáver é suficiente para confirmar o afastamento do corpo bioplástico, que em geral repousa em fase de refazimento”.

“Tudo quanto acabamos de expor justifica a designação de corpo bioplástico dada pelos físicos soviéticos ao perispírito. O episódio da morte mostra que a primeira parte da expressão, o prefixo bio, que quer dizer vida, corresponde precisamente à função vital desse corpo. O sufixo plasmático, ou sua significação plasma, refere-se à função plasmadora desse corpo energético. As experiências soviéticas justificaram amplamente essa parte. Uma delas, relatada no livro das pesquisadoras norte-americanas, refere-se ao enxerto de um braço embrionário no lugar destinado à perna de um animal em desenvolvimento. O braço desenvolveu-se como perna, demonstrando que a influência do campo organizador (ou plasmador) é capaz de adaptar a estrutura estranha às exigências do campo. É evidente que a designação de corpo bioplasmático, geralmente simplificada para corpo bioplástico, resultou precisamente das séries de experiências realizadas pelos cientistas para verificar as funções específicas do corpo energético. Essas funções fundamentais correspondem exatamente às do perispírito na teoria espírita”. (Parapsicologia, Hoje e Amanhã, J. Herculano Pires, EDICEL, 9 ed. 1987, GI – Gravação do Inaudível, A Física descobre a fonte do Paranormal, pág. 107-113).

Devemos, por amor à verdade, colocar a fala de Kardec, já que nosso crítico vem sistematicamente desvirtuando o pensamento de Kardec, que ao fazer comentários sobre a Providência divina, diz:

A Providência

“A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial”.

«Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta é a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência”.

“No estado de inferioridade em que ainda se encontram, só muito dificilmente podem os homens compreender que Deus seja infinito. Vendo-se limitados e circunscritos, eles o imaginam também circunscrito e limitado. Imaginando-o circunscrito, figuram-no quais eles são, à imagem e semelhança deles. Os quadros em que o vemos com traços humanos não contribuem pouco para entreter esse erro no espírito das massas, que nele adoram mais a forma que o pensamento. Para a maioria, é ele um soberano poderoso, sentado num trono inacessível e perdido na imensidade dos céus. Tendo restritas suas faculdades e percepções, não compreendem que Deus possa e se digne de intervir diretamente nas pequeninas coisas”.

“Impotente para compreender a essência mesma da Divindade, o homem não pode fazer dela mais do que uma idéia aproximativa, mediante comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que, ao menos, servem para lhe mostrar a possibilidade daquilo que, à primeira vista, lhe parece impossível”.

“Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. Sendo ininteligente, esse fluido atua mecanicamente, por meio tão-só das forças materiais. Se, porém, o supusermos dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele já não atuará às cegas, mas com discernimento, com vontade e liberdade: verá, ouvirá e sentirá”.

“As propriedades do fluido perispirítico dão-nos disso uma idéia. Ele não é de si mesmo inteligente, pois que é matéria, mas serve de veículo ao pensamento, às sensações e percepções do Espírito. Esse fluido não é o pensamento do Espírito; é, porém, o agente e o intermediário desse pensamento. Sendo quem o transmite, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido. Na impossibilidade em que nos achamos de o isolar, a nós nos parece que ele, o pensamento, faz corro com o fluido, que com este se confunde, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito Pela causa, dizer que o fluido se torna inteligente”.

“Seja ou não assim no que concerne ao pensamento de Deus, isto é, quer o pensamento de Deus atue diretamente, quer por intermédio de um fluido, para facilitarmos a compreensão à nossa inteligência, figuremo-lo sob a forma concreta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas as partes da criação: a Natureza inteira mergulhada no fluido divino. Ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma natureza e têm as mesmas propriedades que ele, cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da Divindade e estando o mesmo fluido em toda parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude. Nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não esteja saturado dele. Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo”.

“Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele. Os nossos pensamentos são como os sons de um sino, que fazem vibrar todas as moléculas do ar ambiente”.

“Longe de nós a idéia de materializar a Divindade. A imagem de um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma comparação apropriada a dar de Deus uma idéia mais exata do que os quadros que o apresentam debaixo de uma figura humana. Destina-se ela a fazer compreensível a possibilidade que tem Deus de estar em toda parte e de se ocupar com todas as coisas”. (A Gênese, págs. 60 a 63). (grifo nosso e o sublinhado é o que citou o crítico).

O desgosto em ler sobre o Espiritismo (ou será por má-fé?) não deixou o nosso crítico ver que Kardec usa de uma comparação para tentar explicar como o pensamento de Deus penetra em tudo. O fluido divino na questão não é o perispírito, como entendeu desgostosamente o crítico, mas seria o fluido cósmico universal ou conforme o texto, o fluido inteligente universal, que penetra todo o cosmo. No cap. VI, A Criação Universal, Kardec traz mais informações sobre ele.

Ora, se o perispírito possui os atributos essenciais da divindade, então o perispírito é Deus? Se o perispírito é Deus, e nós somos parte dele, ao qual nós retornamos plenamente quando morremos, a encarnação seria então uma emanação da divindade? Ora, isso é a propriamente a doutrina da Gnose!

Kardec confirma ser gnóstico em outra passagem, onde ele afirma: "Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito" (LE, Introdução §IV, p.18-19). Ora, a doutrina da Gnose, afirma que no homem existem três partes distintas: o corpo, a alma e o éon, que é a partícula divina dentro de nós, o nosso verdadeiro Eu, aprisionado na matéria e na razão. Kardec, por sua vez, afirma que o homem possui três partes: o corpo, a alma e o perispírito, e eleva o perispírito ao nível da divindade... ou seja, é um gnóstico completo; só deu um novo nome ao "éon" dos gnósticos.

O tiro saiu pela culatra, a gagueira é de quem não entendeu o que Kardec colocou, conforme acabamos de explicar no item anterior. Vemos a grande preocupação desse crítico em relacionar Espiritismo com doutrina da Gnose, querendo por esse caminho colocar ambos como coisas desprezíveis. Falta-lhe o mínimo respeito ao pensamento alheio.

Como outro componente do site Montfort já tentou fazer esse relacionamento e nós temos um texto contra-argumentando, achamos desnecessário tratar novamente desse assunto, mas pedimos aos leitores que, por gentileza, o leiam em: http://geocities.yahoo.com.br/apologia_gae/respostas_detratores/reencarnacao_argumentos_contrarios.htm

Sendo gnóstico, Kardec é contra a matéria, considerada como coisa má. Os seus livros transbordam de frases que confirmam isso. Eis alguns exemplos:

“Quando seu espírito (o do homem) não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver próximo dele (de Deus), então ele o verá (a Deus) e o compreenderá” (LE., q.11, p.47. O sublinhado é meu.)

“A matéria é o laço que retém o espírito.” (LE, q.22, p.51).

“O que é o homem senão um espírito aprisionado num corpo?” (LM, Cap. I, no.5, p.16)

“Os sofrimentos que (o Espírito) experimenta, algumas vezes, no momento da morte, são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.” (LE, q.154, p.99).

E aquela em que fica mais claro o erro de Kardec:

“O suicida assemelha-se ao prisioneiro que escapa da prisão antes de cumprir a sua pena e que, ao ser preso de novo, será tratado com mais severidade” (ESE, Cap. XXVIII, no. 71, p.388)

Essas passagens mostram como o espiritismo é pessimista, contra a matéria e, portanto, gnóstico.

Percebemos que causa espécie ao crítico o fato de que nós, os Espíritas, darmos mais valor ao Espírito do que ao corpo físico. Não é por menos, pois não é nele que pensa ressuscitar um dia, mesmo contrariando o que diz a Ciência?

Todos nós concordamos que temos uma semelhança com Deus, conforme se diz em Gn 1,27: “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou;...”. A questão é em que consiste essa semelhança? A resposta nós podemos encontrá-la em Jesus, que diz: “Deus é espírito” (Jo 4,24). Diante disso poderemos questionar o que é o mais importante o corpo ou o espírito? Novamente Jesus responde: “O Espírito é que dá a vida, a carne não serve para nada” (Jo 6,63). Assim, nós, os Espíritas, seguindo a Jesus, valorizamos o Espírito e é com ele que iremos retornar ao mundo espiritual, já que o físico “tu és pó e ao pó hás de tornar” (Gn 3,19). Sem falar que Paulo afirmou “a carne e o sangue não podem herdar o reino dos céus” (1Cor 15,50), numa demonstração inequívoca que compreendia que a ressurreição se dará no corpo “espiritual” (1Cor 15,44), o corpo “incorruptível” (1Cor 15,42), cuja “habitação não foi feita por mãos humanas” (2Cor 5,1).

E vamos colocar o que Kardec disse, para, mais uma vez, mostrar qual a intenção do nosso crítico.

Perg. 22 – Define-se, geralmente, a matéria como sendo o que tem extensão, impressiona os nossos sentidos e é impenetrável. São exatas estas definições?

- Do vosso ponto de vista essas definições são exatas, porque não falais senão do que conheceis. Mas a matéria existe em estados que vos são desconhecidos. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que nenhuma impressão vos cause aos sentidos; entretanto, é sempre matéria, embora para vós não o seja.

- -- Que definição podeis dar da matéria?

- A matéria é o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação. (O Livro dos Espíritos, pág. 51) (sublinhado o que colocou o crítico).

Vejamos agora em O Livro dos Médiuns:

“Resta agora a questão de saber se o Espírito pode se comunicar com o homem, quer dizer, se pode trocar pensamentos com ele. E por que não? O que é o homem senão um Espírito aprisionado em um corpo? Por que o Espírito livre não poderia se comunicar com o Espírito cativo, como o homem livre com o que está aprisionado? Desde que admitais a sobrevivência da alma, é racional não admitir a sobrevivência das afeições? Uma vez que as almas estão por toda a parte, não é natural pensar que a de um ser que nos amou durante a vida venha para perto de nós, que deseja se comunicar conosco e que se sirva, para isso, dos meios que estão à sua disposição? Durante sua vida não agia sobre a matéria do seu corpo? Não era ela quem lhe dirigia os movimentos? Por que, pois, após a morte, de acordo com um outro Espírito ligado a um corpo, não emprestaria esse corpo vivo para manifestar seu pensamento, como um mudo pode se servir de um falante para ser fazer compreender?”. (pág. 16-17). (sublinhado o que colocou o crítico).

Recapitulando, se você, discutindo com um espírita, chegar até esse ponto, você já terá explicado para ele que a reencarnação não existe; que a necromancia é ineficiente e contra a vontade de Deus; que o Kardec é racista, contra a matéria e gnóstico; e que seu pretenso caráter cientificista é uma farsa.

Aos fanáticos de plantão é melhor se prevenirem, pois às incontáveis evidências de reencarnação somar-se-á, muito em breve, ao aparecimento, em definitivo, da prova científica. Só esperamos que a liderança católica não demore séculos para admitir essa verdade, como o fez com Galileu. Quanto à comunicação com os mortos, fato idêntico acontecerá, mas não precisamos lançar mão disso, apenas pedimos coerência. Já que os católicos se comunicam com os santos, por que nós também não podemos comunicar com quem queremos?

Kardec já dizia:

“Talvez nos contestem a qualificação de ciência que damos ao Espiritismo. Ele não poderia, sem dúvida, em alguns casos, ter os caracteres de uma ciência exata, e está precisamente aí o erro daqueles que pretendem julgá-lo e experimentá-lo como uma análise química, como um problema matemático: já é muito que tenha o de uma ciência filosófica. Toda ciência deve estar baseada sobre fatos; mas só os fatos não constituem a ciência; a ciência nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos; é o conjunto de leis que o regem. O Espiritismo chegou ao estado de ciência? Se se trata de uma ciência perfeita, sem dúvida, seria prematuro responder afirmativamente; mas as observações são, desde hoje, bastante numerosas para se poder, pelo menos, deduzir os princípios gerais, e é aí que começa a ciência”. (Revista Espírita, 1858, pág 3).

“O Espiritismo está inteiramente fundado sobre o princípio da existência da alma, sua sobrevivência ao corpo, sua individualidade depois da morte, sua imortalidade, as penas e as recompensas futuras. Ele não sanciona estas verdades somente pela teoria, sua essência é de dar-lhes provas patentes; eis porque tantas pessoas, que não criam em nada, foram conduzidas para as idéias religiosas. Toda a sua moral não é senão o desenvolvimento destas máximas do Cristo: Praticar a caridade, restituir o bem para o mal, ser indulgente com seu próximo, perdoar aos inimigos, em uma palavra, agir para com os outros como gostaríamos que eles agissem para conosco. Achais, pois, estas idéias muito estúpidas? Romperam com toda a crença religiosa aqueles que se apóiam sobre as próprias bases da religião? Não, direis, mas basta ser católico para ter estas idéias; tê-las, seja; mas praticá-las é outra coisa, ao que parece. É bem evangélico a vós; católico, insultar bravas pessoas que não vos fizeram mal, que não conheceis e que tiveram bastante confiança em vós, para vos receber entre elas? Admitíamos que estejam no erro; será prodigalizando-lhes injúria, irritando-as que as conduzireis?” (Revista Espírita, 1860, pág 293/294).

Ora, se nada disso adiantou, a melhor solução é ridicularizar o Kardec. É mostrar suas loucuras. Se não servir para o convencer, pelo menos vai mostrar o ridículo que ele está defendendo. E isto pode prevenir incautos que ainda não aderiram à necromancia espírita.
Um exemplo para demonstrar o baixo nível de Kardec: lê-se na introdução do Livro dos Espíritos que "os espíritos superiores não respondem a questões ociosas e ridículas" (LE, Introdução, §XVI, p. 39).
Mas, algumas páginas a seguir, vemos Kardec fazer aos "espíritos superiores" uma pergunta de fundamental importância: "A chama ou centelha (dos espíritos) têm uma cor qualquer?" Pergunta importantíssima essa, à qual os espíritos respondem: "Para vós, ela varia da sombra ao brilho do rubi, segundo seja o espírito mais ou menos puro." (LE, q.88, p.73).
Ou, pior ainda, veja essa pergunta que Kardec faz ao pretenso espírito de Erasto: "(Kardec:) É possível trazer flores de outro planeta? (Erasto:) Não, isso não é possível." (LM, cap.V, no.8, p.110).
Já está bom ou é preciso mais? Como este texto já vai por demais longo, para terminar, cito mais algumas "gagueiras" que podem ser encontradas na leitura dos livros do Kardec. Sirva-se delas à vontade, e consulte as referências se quiser lê-las em versão integral:
O espírito de Galileu revela a Kardec que o espaço é infinito (GEN, cap. VI, p. 87) (*** Observação: o capítulo VI do livro "O Gênese", o Kardec atribui a autoria ao "espírito" de Galileu... então todas as gagueiras desse capítulo, que são muitas, seriam "revelações de Galileu" ***);
O tempo está ligado à eternidade (GEN, cap. VI, p.88);
Panteísmo: Os espaços interplanetários são preenchidos por uma matéria etérea, rarefeita (o éter?), que encerra todos os elementos de todos os universos (sic!). Essa matéria é eterna, é a mãe fecunda e primacial de todas as coisas (GEN, cap. VI, p.98);
O movimento dos astros é circular (GEN, cap. VI, p.100);
Os satélites são o resultado do "destacamento" de matéria dos planetas (GEN, cap. VI, p. 101);
Marte não possui satélites (GEN, cap. VI, p. 103);
O universo é eterno (GEN, cap. VI, p. 113);
Há vida inteligente em outros planetas (GEN, cap. VI, p. 115);
Todos os globos são habitados, inclusive as estrelas (LE, q. 55, p. 60);
A alma da Terra é a coletividade dos Espíritos encarregados de elaborar e dirigir seus elementos construtivos (GEN, cap.VIII, p. 147);
A alma é o pensamento (LM, Cap. III, p. 59);
Materialismo: A imaterialidade absoluta não existe (LM, Cap. III, p. 50);
Faltava a chave para compreender o verdadeiro sentido dos Evangelhos: esta chave está no espiritismo (** nem menção às chaves de Pedro **) (ESE, Introdução, no.1, p. 17);
Kardec afirma que Adão existiu, e no mesmo parágrafo dá razão a quem nega que ele tenha existido (LE, q. 51, p.59);
A humanidade é um ser coletivo (GEN, cap. XVIII, p.351);
e etc.... muitos etc's...

É interessante dizer o que sempre estamos falando aos que estão iniciando no Espiritismo: Só faz pergunta idiota quem tem conhecimento, assim, aos que nada sabem, toda questão deve ser respondida levando-se em conta a necessidade do aprendiz, de forma a lhe tirar as dúvidas, sejam elas quais forem.

Quando nós contestamos um outro texto desse crítico “A Ciência desmente o Espiritismo” solicitamos-lhe que enviasse seu currículo para podermos fazer uma comparação com o de Kardec, assim o leitor teria uma idéia de quem possui baixo nível ou não.

Novamente a utilização de frase soltas, vejamos o contexto, iremos sublinhar a frase colocada pelo crítico:

Perg. 88 – Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante?

- Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea.

--Essa chama ou centelha tem uma cor qualquer?

- Para vós, ele varia da sombra ao brilho do rubi, segundo seja o Espírito mais ou menos puro.

Explica Kardec:

“Representam-se ordinariamente os gênios com um flama ou estrela sobre a fronte; é uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na na altura da cabeça porque aí está a sede da inteligência”. (Pág. 73)

Observar que a segunda questão foi conseqüência da primeira. Seria a mesma coisa que perguntássemos ao crítico se ele acredita no diabo e depois lhe perguntássemos: ele tem chifres? Em O Livro dos Médiuns falando a respeito dos fenômenos de transporte, temos o seguinte:

“O fenômeno de transporte apresenta uma particularidade notável, e é que alguns médiuns só o obtém em estado sonambúlico, o que facilmente se explica. Há no sonâmbulo um desprendimento natural, uma espécie de isolamento do Espírito e do perispírito, que deve facilitar a combinação dos fluidos necessários. Tal o caso dos transportes de que temos sido testemunha. As perguntas que se seguem foram dirigidas ao Espírito que os operara, mas as respostas se ressentem por vezes da deficiência dos seus conhecimentos. Submetemo-las ao Espírito Erasto, muito mais instruído do ponto de vista teórico, e ele as completou, aditando-lhes notas muito judiciosas. Um é o artista, o outro o sábio, constituindo a própria comparação dessas inteligências um estudo instrutivo, porquanto prova que não basta ser Espírito para tudo saber.

1ª Dize-nos, peço, por que os transportes que acabaste de executar só se produzem estando o médium em estado sonambúlico?

"Isto se prende à natureza do médium. Os fatos que produzo, quando o meu está adormecido, poderia produzi-los igualmente com outro médium em estado de vigília."

2ª Por que fazes demorar tanto a trazida dos objetos e por que é que avivas a cobiça do médium, excitando-lhe o desejo de obter o objeto prometido?

"O tempo me é necessário a preparar os fluidos que servem para o transporte. Quanto à excitação, essa só tem por fim, as mais das vezes, divertir as pessoas presentes e o sonâmbulo."

NOTA DE ERASTO. O Espírito que responde não sabe mais do que isso; não percebe o motivo dessa cobiça, que ele instintivamente aguça, sem lhe compreender o efeito. Julga proporcionar um divertimento, enquanto que, na realidade, provoca, sem o suspeitar, uma emissão maior de fluido. É uma conseqüência da dificuldade que o fenômeno apresenta, dificuldade sempre maior quando ele não é espontâneo, sobretudo com certos médiuns.

3ª Depende da natureza especial do médium a produção do fenômeno e poderia produzir-se por outros médiuns com mais facilidade e presteza?

"A produção depende da natureza do médium e o fenômeno não se pode produzir, senão por meio de naturezas correspondentes. Pelo que toca à presteza, o hábito que adquirimos, comunicando-nos freqüentemente com o mesmo médium, nos é de grande vantagem."

4ª As pessoas presentes influem alguma coisa no fenômeno?

"Quando há da parte delas incredulidade, oposição, muito nos podem embaraçar. Preferimos apresentar nossas provas aos crentes e a pessoas versadas no Espiritismo. Não quero, porém, dizer com isso que a má-vontade consiga paralisar-nos inteiramente."

5ª Onde foste buscar as flores e os confeitos que trouxeste para aqui?

"As flores, tomo-as aos jardins, onde bem me parece.

6ª E os confeitos? Devem ter feito falta ao respectivo negociante.

"Tomo-os onde me apraz. O negociante nada absolutamente percebeu, porque pus outros no lugar dos que tirei."

7ª Mas, os anéis têm valor. Onde os foste buscar? Não terás com isso causado prejuízo àquele de quem os tiraste?

"Tirei-os de lugares que todos desconhecem e fi-lo por maneira que daí não resultará prejuízo para ninguém."

NOTA DE ERASTO. Creio que o fato foi explicado de modo incompleto, em virtude da deficiência da capacidade do Espírito que respondeu. Sim, de fato, pode resultar prejuízo real; mas, o Espírito não quis passar por haver desviado o que quer que fosse. Um objeto só pode ser substituído por outro objeto idêntico, da mesma forma, do mesmo valor. Conseguintemente, se um Espírito tivesse a faculdade de substituir, por outro objeto igual, um de que se apodera, já não teria razão para se apossar deste, visto que poderia dar o de que se iria servir para substituir o objeto retirado.

8ª Será possível trazer flores de outro planeta?

"Não; a mim não me é possível."

- (A Erasto) Teriam outros Espíritos esse poder?

"Não, isso não é possível, em virtude da diferença dos meios ambientes."

9ª Poderias trazer-nos flores de outro hemisfério; dos trópicos, por exemplo?

"Desde que seja da Terra, posso.

10ª Poderias fazer que os objetos trazidos nos desaparecessem da vista e levá-los novamente?

"Assim como os trouxe aqui, posso levá-los, à minha vontade."

11ª A produção do fenômeno dos transportes não é de alguma forma penosa, não te causa qualquer embaraço?

"Não nos é penosa em nada, quando temos permissão para operá-los. Poderia ser-nos grandemente penosa, se quiséssemos produzir efeitos para os quais não estivéssemos autorizados."

NOTA DE ERASTO. Ele não quer convir em que isso lhe é penoso, embora o seja realmente, pois que se vê forçado a executar uma operação por assim dizer material.

12ª Quais são as dificuldades que encontras?

"Nenhuma outra, além das más disposições fluídicas, que nos podem ser contrárias."

13ª Como trazes o objeto? Será segurando-o com as mãos?

"Não; envolvo-o em mim mesmo."

NOTA DE ERASTO. A resposta não explica de modo claro a operação. Ele não envolve o objeto com a sua própria personalidade; mas, como o seu fluido pessoal é dilatável, combina uma parte desse fluido com o fluido animalizado do médium e é nesta combinação que oculta e transporta o objeto que escolheu para transportar. Ele, pois, não exprime com justeza o fato, dizendo que envolve em si o objeto.

14ª Trazes com a mesma facilidade um objeto de peso considerável, de 50 quilos por exemplo?

"O peso nada é para nós. Trazemos flores, porque agrada mais do que um volume pesado."

NOTA DE ERASTO. É exato. Pode trazer objetos de cem ou duzentos quilos, por isso que a gravidade, existente para vós, é anulada para os Espíritos. Mas, ainda aqui, ele não percebe bem o que se passa. A massa dos fluidos combinados é proporcional à dos objetos. Numa palavra, a força deve estar em proporção com a resistência; donde se segue que, se o Espírito apenas traz uma flor ou um objeto leve, é muitas vezes porque não encontra no médium, ou em si mesmo, os elementos necessários para um esforço mais considerável.

15ª Poder-se-ão imputar aos Espíritos certas desaparições de objetos, cuja causa permanece ignorada?

"Isso se dá com freqüência; com mais freqüência do que supondes; mas isso se pode remediar, pedindo ao Espírito que traga de novo o objeto desaparecido."

NOTA DE ERASTO. É certo. Mas, às vezes, o que é subtraído, muito bem subtraído fica, pois que para muito longe são levados os objetos que desaparecem de uma casa e que o dono não mais consegue achar. Entretanto, como a subtração dos objetos exige quase que as mesmas condições fluídicas que o trazimento deles reclama, ela só se pode dar com o concurso de médiuns dotados de faculdades especiais. Por isso, quando alguma coisa desapareça, é mais provável que o fato seja devido a descuido vosso, do que à ação dos Espíritos.

16ª Serão devidos à ação de certos Espíritos alguns efeitos que se consideram como fenômenos naturais?

"Nos dias que correm, abundam fatos dessa ordem, fatos que não percebeis, porque neles não pensais, mas que, com um pouco de reflexão, se vos tornariam patentes."

NOTA DE ERASTO. Não atribuais aos Espíritos o que é obra do homem; mas, crêde na influência deles, oculta, constante, a criar em torno de vós mil circunstâncias, mil incidentes necessários ao cumprimento dos vossos atos, da vossa existência.

17ª Entre os objetos que os Espíritos costumam trazer, não haverá alguns que eles próprios possam fabricar, isto é. produzidos espontaneamente pelas modificações que os Espíritos possam operar no fluido, ou no elemento universal?

"Por mim, não, que não tenho permissão para isso. Só um Espírito elevado o pode fazer."

18ª Como conseguiste outro dia introduzir aqueles objetos, estando fechado o aposento?

"Fi-los entrar comigo, envoltos, por assim dizer, na minha substância. Nada mais posso dizer, por não ser explicável o fato."

19ª Como fizeste para tornar visíveis estes objetos que, um momento antes, eram invisíveis?

"Tirei a matéria que os envolvia."

NOTA DE ERASTO. O que os envolve não é matéria propriamente dita, mas um fluido tirado, metade, do perispírito do médium e, metade, do Espírito que opera.

20ª (A Erasto) Pode um objeto ser trazido a um lugar inteiramente fechado?

Numa palavra: pode o Espírito espiritualizar um objeto material, de maneira que se torne capaz de penetrar a matéria?

"É complexa esta questão. O Espírito pode tornar invisíveis, porém, não penetráveis, os objetos que ele transporte; não pode quebrar a agregação da matéria, porque seria a destruição do objeto. Tornando este invisível, o Espírito o pode transportar quando queira e não o libertar senão no momento oportuno, para fazê-lo aparecer. De modo diverso se passam as coisas, com relação aos que compomos. Como nestes só introduzimos os elementos da matéria, como esses elementos são essencialmente penetráveis e, ainda, como nós mesmos penetramos e atravessamos os corpos mais condensados, com a mesma facilidade com que os raios sol ares atravessam uma placa de vidro, podemos perfeitamente dizer que introduzimos o objeto num lugar que esteja hermeticamente fechado, mas isso somente neste caso.

NOTA. Quanto à teoria da formação espontânea dos objetos, veja-se adiante o capítulo intitulado: Laboratório do mundo invisível. (O Livro dos Médiuns, FEB, págs. 124-129).

Dentro desse contexto, vemos que ridículo é quem critica.

Sobre as comunicações assinadas por Galileu, Kardec coloca essa observação, para alertar aos leitores que o que se segue não tem a concordância universal, é, pois, a opinião pessoal de um Espírito, que cabe a cada um fazer o seu julgamento. E o próprio Galileu coloca:

“Há questões que nós mesmos, Espíritos amantes da Ciência, não podemos aprofundar e sobre as quais não poderemos emitir senão opiniões pessoais, mais ou menos hipotéticas. Sobre essas questões, calar-me-ei, ou justificarei a minha maneira de ver. A com que nos ocupamos, porém, não pertence a esse numero. Àqueles, portanto, que fossem tentados a enxergar nas minhas palavras unicamente uma teoria ousada, direi: abarcai, se for possível, com olhar investigador, a multiplicidade das operações da Natureza e reconhecereis que, se se não admitir a unidade da matéria, impossível será explicar, já não direi somente os sóis e as esferas, mas, sem ir tão longe, a germinação de uma semente na terra, ou a produção dum inseto”. (A Gênese, FEB, pág. 109).

Vejamos a questão do espaço ser infinito:

O espaço e o tempo

“Já muitas definições de espaço foram dadas, sendo a principal esta: o espaço é a extensão que separa dois corpos, na qual certos sofistas deduziram que onde não haja corpos não haverá espaço. Nisto foi que se basearam alguns doutores em teologia para estabelecer que o espaço é necessariamente finito, alegando que certo número de corpos finitos não poderiam formar uma série infinita e que, onde acabassem os corpos, igualmente o espaço acabaria. Também definiram o espaço como sendo o lugar onde se movem os mundos, o vazio onde a matéria atua, etc. Deixemos todas essas definições, que nada definem, nos tratados onde repousam”.

“Espaço é uma dessas palavras que exprimem uma idéia primitiva e axiomática, de si mesma evidente, e a cujo respeito as diversas definições que se possam dar nada mais fazem do que obscurecê-la. Todos sabemos o que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é infinito, a fim de que os nossos estudos ulteriores não encontrem uma barreira opondo-se às investigações do nosso olhar”.

“Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qualquer. e porque, apesar da dificuldade com que topamos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer. Para figurarmos, quanto no-lo permitam as nossas limitadas faculdades, a infinidade do espaço, suponhamos que, partindo da Terra, perdida no meio do infinito, para um ponto qualquer do Universo, com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que percorre milhares de léguas por segundo, e que, havendo percorrido milhões de léguas mal tenhamos deixado este globo, nos achamos num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida estrela. Passado um instante, seguindo sempre a mesma direção, chegamos a essas estrelas longínquas que mal percebeis da vossa estação terrestre. Daí, não só a Terra nos desaparece inteiramente do olhar nas profundezas do céu, como também o próprio Sol, com todo o seu esplendor, se há eclipsado pela extensão que dele nos separa. Animados sempre da mesma velocidade do relâmpago, a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas de mundos, ilhas de luz etérea, estradas estelíferas, paragens suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma profusão com que semeou as plantas nas pradarias terrenas”.

“Ora, há apenas poucos minutos que caminhamos e já centenas de milhões de milhões de léguas nos separam da Terra, bilhões de mundos nos passaram sob as vistas e, entretanto, escutai! em realidade, não avançamos um só passo que seja no Universo”.

“Se continuarmos durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes seculares e sempre com a mesma velocidade do relâmpago, nem um passo igualmente teremos avançado, qualquer que seja o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto para onde nos encaminhemos, a partir desse grãozinho invisível donde saímos e a que chamamos Terra”.

“Eis aí o que é o espaço!” (A Gênese, FEB, pág. 103-105).

E em relação ao tempo:

“Como a palavra espaço, tempo é também um termo já por si mesmo definido. Dele se faz idéia mais exata, relacionando-o com o todo infinito”.

“O tempo é a sucessão das coisas. Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito. Suponhamo-nos na origem do nosso mundo, na época primitiva em que a Terra ainda não se movia sob a divina impulsão; numa palavra: no começo da Gênese. O tempo então ainda não saíra do misterioso berço da Natureza e ninguém pode dizer em que época de séculos nos achamos, porquanto o balancim dos séculos ainda não foi posto em movimento”.

“Mas, silêncio! soa na sineta eterna a primeira hora de uma Terra insulada, o planeta se move no espaço e desde então há tarde e manhã. Para lá da Terra, a eternidade permanece impassível e imóvel, embora o tempo marche com relação a muitos outros mundos. Para a Terra, o tempo a substitui e durante uma determinada série de gerações contar-se-ão os anos e os séculos”.

“Transportemo-nos agora ao último dia desse mundo, à hora em que, curvado sob o peso da vetustez, ele se apagará do livro da vida para aí não mais reaparecer. Interrompe-se então a sucessão dos eventos; cessam os movimentos terrestres que mediam o tempo e o tempo acaba com eles”.

“Esta simples exposição das coisas que dão nascimento ao tempo, que o alimentam e deixam que ele se extinga, basta para mostrar que, visto do ponto em que houvemos de colocar-nos para os nossos estudos, o tempo é uma gota dágua que cai da nuvem no mar e cuja queda é medida”.

“Tantos mundos na vasta amplidão, quantos tempos diversos e incompatíveis. Fora dos mundos, somente a eternidade substitui essas efêmeras sucessões e enche tranqüilamente da sua luz imóvel a imensidade dos céus. Imensidade sem limites e eternidade sem limites, tais as duas grandes propriedades da natureza universal”.

“O olhar do observador, que atravessa, sem jamais encontrar o que o detenha, as incomensuráveis distâncias do espaço, e o do geólogo, que remonta além dos limites das idades, ou que desce às profundezas da eternidade de fauces escancaradas, onde ambos um dia se perderão, atuam em concordância, cada um na sua direção, para adquirir esta dupla noção do infinito: extensão e duração”.

“Dentro desta ordem de idéias, fácil nos será conceber que, sendo o tempo apenas a relação das coisas transitórias e dependendo unicamente das coisas que se medem, se tomássemos os séculos terrestres por unidade e os empilhássemos aos milheiros, para formar um número colossal, esse número nunca representaria mais que um ponto na eternidade, do mesmo modo que milhares de léguas adicionadas a milhares de léguas não dão mais que um ponto na extensão”.

“Assim, por exemplo, estando os séculos fora da vida etérea da alma, poderíamos escrever um número tão longo quanto o equador terrestre e supor-nos envelhecidos desse número de séculos, sem que na realidade nossa alma conte um dia a mais. E juntando, a esse número indefinível de séculos, uma série de números semelhantes, longa como daqui ao Sol, ou ainda mais consideráveis, se imaginássemos viver durante uma sucessão prodigiosa de períodos seculares representados pela adição de tais números, quando chegássemos ao termo, o inconcebível amontoado de séculos que nos passaria sobre a cabeça seria como se não existisse: diante de nós estaria sempre toda a eternidade”.

“O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente”.

“Se séculos de séculos são menos que um segundo, relativamente à eternidade, que vem a ser a duração da vida humana?!” (A Gênese, FEB, 105-107).

Vejamos o significado de Panteísmo no Dicionário Houaiss: s.m. (1836 cf. SC) FIL doutrina filosófica caracterizada por uma extrema aproximação ou identificação total entre Deus e o universo, concebidos como realidades diretamente conexas ou como uma única realidade integrada, em antagonismo ao tradicional postulado teológico segundo o qual a divindade transcende absolutamente a realidade material e a condição humana.

Quando Kardec coloca que o espaço interplanetários são preenchidos por uma matéria etérea, rarefeita, não está dizendo que essa matéria é Deus, única justificativa para a doutrina panteísta. Mas vejamos o texto:

A criação universal

“Após haver remontado, tanto quanto o permitia a nossa fraqueza, em direção à fonte oculta donde dimanam os mundos, como de um rio as gotas dágua, consideremos a marcha das criações sucessivas e dos seus desenvolvimentos seriais”.

“A matéria cósmica primitiva continha os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os universos que estadeiam suas magnificências diante da eternidade. Ela é a mãe fecunda de todas as coisas, a primeira avó e, sobretudo, a eterna geratriz. Absolutamente não desapareceu essa substância donde provêm as esferas siderais; não morreu essa potência, pois que ainda, incessantemente, dá à luz novas criações e incessantemente recebe, reconstituídos, os princípios dos mundos que se apagam do livro eterno”.

“A substância etérea, mais ou menos rarefeita, que se difunde pelos espaços interplanetários; esse fluido cósmico que enche o mundo, mais ou menos rarefeito, nas regiões imensas, opulentas de aglomerações de estrelas; mais ou menos condensado onde o céu astral ainda não brilha; mais ou menos modificado por diversas combinações, de acordo com as localidades da extensão, nada mais é do que a substância primitiva onde residem as forças universais, donde a Natureza há tirado todas as coisas. (1)”

“Esse fluido penetra os corpos, como um oceano imenso. É nele que reside o princípio vital que dá origem à vida dos seres e a perpetua em cada globo, conforme à condição deste, princípio que, em estado latente, se conserva adormecido onde a voz de um ser não o chama. Toda criatura, mineral, vegetal, animal ou qualquer outra - porquanto há muitos outros remos naturais, de cuja existência nem sequer suspeitais - sabe, em virtude desse princípio vital e universal, apropriar as condições de sua existência e de sua duração”.

“As moléculas do mineral têm uma certa soma dessa vida, do mesmo modo que a semente do embrião, e se grupam, como no organismo, em figuras simétricas que constituem os indivíduos”.

“Muito importa nos compenetremos da noção de que a matéria cósmica primitiva se achava revestida, não só das leis que asseguram a estabilidade dos mundos, como também do universal princípio vital que forma gerações espontâneas em cada mundo, à medida que se apresentam as condições da existência sucessiva dos seres e quando soa a hora do aparecimento dos filhos da vida, durante o período criador”.

“Efetua-se assim a criação universal. É, pois, exato dizer-se que, sendo as operações da Natureza a expressão da vontade divina, Deus há criado sempre, cria incessantemente e nunca deixará de criar”. (A Gênese, FEB,. 115-117).

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(1) Se perguntásseis qual o princípio dessas forças e como pode esse princípio estar na substância mesma que o produz, responderíamos que a mecânica numerosos exemplos nos oferece desse fato. A elasticidade, que faz com que uma mola se distenda, não está na própria mola e não depende do modo de agregação das moléculas? O corpo que obedece à força centrífuga recebe a sua impulsão do movimento primitivo que lhe foi impresso.

Dentro do mesmo pensamento do crítico, como analisar: “O espírito do Senhor enche o universo e ele, que mantém unidas todas as coisas, não ignora nenhum som” (Sb 1, 7), e “Para onde irei, longe do teu sopro? Para onde fugirei, longe de tua presença? Se subo ao céu, tu aí estas. Se me deito no abismo, aí te encontro. Se levanto vôo para as margens da aurora, se emigro para os confins do mar, aí me alcançará tua esquerda, e tua direita me sustentará” (Sl 139, 7-10), não seria exatamente o panteísmo na Bíblia?

Parece que o crítico se perdeu no labirinto de seus impropérios, pois não dá para conciliar panteísmo com materialismo, ou um ou outro, os dois são incompatíveis.

Quando é abordada a questão dos sóis e os planetas, é que vamos encontrar outro item dito pelo crítico:

Os sóis e os planetas

“Sucedeu que, num ponto do Universo, perdido entre as miríades de mundos, a matéria cósmica se condensou sob a forma de imensa nebulosa, animada esta das leis universais que regem a matéria. Em virtude dessas leis, notadamente da força molecular de atração, tomou ela a forma de um esferóide, a única que pode assumir uma massa de matéria insulada no espaço”.

“O movimento circular produzido pela gravitação, rigorosamente igual, de todas as zonas moleculares em direção ao centro, logo modificou a esfera primitiva, a fim de a conduzir, de movimento em movimento, à forma lenticular. Falamos do conjunto da nebulosa”.

“Novas forças surgiram em conseqüência desse movimento de rotação: a força centrípeta e a força centrífuga, a primeira tendendo a reunir todas as partes no centro, tendendo a segunda a afastá-las dele. Ora, acelerando-se o movimento, à medida que a nebulosa se condensa, e aumentando o seu raio, à medida que ela se aproxima da forma lenticular, a força centrífuga, incessantemente desenvolvida por essas duas causas, predominou de pronto sobre a atração central”.

“Assim como um movimento demasiado rápido da funda lhe quebra a corda, indo o projétil cair longe, também a predominância da força centrífuga destacou o circo equatorial da nebulosa e desse anel uma nova massa se formou, isolada da primeira, mas, todavia, submetida ao seu império. Aquela massa conservou o seu movimento equatorial que, modificado, se lhe tornou movimento de translação em torno do astro solar. Ao demais, o seu novo estado lhe dá um movimento de rotação em torno do próprio centro”.

“A nebulosa geratriz, que deu origem a esse novo mundo, condensou-se e retomou a forma esférica; mas, como o primitivo calor, desenvolvido por seus diversos movimentos, só com extrema lentidão se atenuasse, o fenômeno que acabamos de descrever se reproduzirá muitas vezes e durante longo período, enquanto a nebulosa não se haja tornado bastante densa, bastante sólida, para oferecer resistência eficaz às modificações de forma, que o seu movimento de rotação sucessivamente lhe imprime”.

“Ela, pois, não terá dado nascimento a um só astro, mas a centenas de mundos destacados do foco central, saídos dela pelo modo de formação mencionado acima. Ora, cada um de seus mundos, revestido, como o mundo primitivo, das forças naturais que presidem à criação dos universos gerará sucessivamente novos globos que desde então lhe gravitarão em torno, como ele, juntamente com seus irmãos, gravita em torno do foco que lhes deu existência e vida. Cada um desses mundos será um Sol, centro de um turbilhão de planetas sucessivamente destacados do seu equador. Esses planetas receberão uma vida especial, particular, embora dependente do astro que os gerou”.

“Os planetas são, assim, formados de massas de matéria condensada, porém, ainda não solidificada, destacadas da massa central pela ação de força centrífuga e que tomam, em virtude das leis do movimento, a forma esferoidal, mais ou menos elíptica, conforme o grau de fluidez que conservaram. Um desses planetas será a Terra que, antes de se resfriar e revestir de uma crosta sólida, dará nascimento à Lua, pelo mesmo processo de formação astral a que ela própria deveu a sua existência. A Terra, doravante inscrita no livro da vida, berço de criaturas cuja fraqueza as asas da divina Providência protege, nova corda colocada na harpa infinita e que, no lugar que ocupa, tem de vibrar no concerto universal dos mundos”. (A Gênese, FEB, págs. 118-119).

Ao dizer movimento circular está se referindo à nebulosa na fase inicial de criação do cosmo.

Mais à frente falando dos satélites, lemos:

Os satélites

“Antes que as massas planetárias houvessem atingido um grau de resfriamento bastante a lhes operar a solidificação, massas menores, verdadeiros glóbulos líquidos, se desprenderam de algumas no plano equatorial, plano em que é maior a força centrífuga, e, por efeito das mesmas leis, adquiriram um movimento de translação em torno do planeta que as gerou, como sucedeu a estes com relação ao astro central que lhes deu origem”.

“Foi assim que a Terra deu nascimento à Lua, cuja massa, menos considerável, teve que sofrer um resfriamento mais rápido. Ora, as leis e as forças que presidiram ao fato de ela se destacar do equador terreno, e o seu movimento de translação no mesmo plano, agiram de tal sorte que esse mundo, em vez de revestir a forma esferoidal, tomou a de um globo ovóide, isto é, a forma alongada de um ovo, com o centro de gravidade fixado na parte inferior”.

“As condições em que se efetuou a desagregação da Lua pouco lhe permitiram afastar-se da Terra e a constrangeram a conservar-se perpetuamente suspensa no seu firmamento, como uma figura ovóide cujas partes mais pesadas formaram a face inferior voltada para a Terra e cujas partes menos densas lhe constituíram o vértice, se com essa palavra se designar a face que, do lado oposto à Terra, se eleva para o céu. É o que faz que esse astro nos apresente sempre a mesma face. Para melhor compreender-se o seu estado geológico, pode ele ser comparado a um globo de cortiça, tendo formada de chumbo a face voltada para a Terra”.

“Daí, duas naturezas essencialmente distintas na superfície do mundo lunar: uma, sem qualquer analogia com o nosso, porquanto lhe são desconhecidos os corpos fluidos e etéreos; a outra, leve, relativamente à Terra, pois que todas as substâncias menos densas se encaminharam para esse hemisfério. A primeira, perpetuamente voltada para a Terra, sem águas e sem atmosfera, a não ser, aqui e ali, nos limites desse hemisfério subterrestre; a outra, rica de fluidos, perpetuamente oposta ao nosso mundo”. (1) (A Gênese, FEB, pág. 120-121).

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(1) Esta teoria da Lua, nova inteiramente, explica, pela lei da gravitação, o motivo por que esse astro apresenta sempre a mesma face para a Terra. Tendo o centro de gravidade num dos pontos de sua superfície, em vez de estar no centro da esfera, e sendo, em conseqüência, atraído para a Terra por uma força maior do que a que atrai as partes mais leves, a Lua pode ser tida como uma dessas figuras chamadas vulgarmente João-paulino, que se levantam constantemente sobre a sua base, ao passo que os planetas, cujo centro de gravidade está a distâncias iguais da superfície, giram regularmente sobre o próprio eixo. Os fluidos vivificantes, gasosos ou líquidos, por virtude da sua leveza especifica, se encontrariam acumulados no hemisfério superior, perenemente oposto à Terra. O hemisfério inferior, o único que vemos, seria desprovido de tais fluidos e, por isso, impróprio à vida que, entretanto, reinaria no outro. Se, pois, o hemisfério superior é habitado, seus habitantes jamais viram a Terra, a menos que excursionem pelo outro, o que lhes seria impossível, desde que este carece das condições indispensáveis à vitalidade.

Por muito racional e científica que seja essa teoria, como ainda não foi confirmada por nenhuma observação direta, somente a título de hipótese pode ser aceita e como idéia capaz de servir de baliza à Ciência. Não se pode, porém, deixar de convir em que é a única, até ao presente, que dá uma explicação satisfatória das particularidades que apresenta o globo lunar.

Não entendendo o “destacamento” entre aspas, fomos buscar no Aurélio o significado, onde, entre outros, encontramos: Separar, apartar; lançar, separar-se, desligar-se. Continuamos sem entender as aspas, pois entre os significados há uma palavra para a explicação do fenômeno.

Embora a questão de vida inteligente esteja ligada à pluralidade dos mundos habitados, queremos citar que países como os EUA gastam imensas fortunas para tentar contactar vida inteligente no Universo, apenas por gastar, pois segundo parece concluir o nosso critico há vida somente no planeta Terra, mantendo, portanto, uma visão supostamente bíblica, ou seja, não científica. A grande questão é que o homem não conseguindo imaginar algo diferente do que conhece, sempre pensou que deveria encontrar no Universo seres iguais ou semelhantes a nós. Será que nessa imensidão cósmica não existe nada de novo ou diferente do que conhecemos? Se não há, não seria isso um grande desperdício de espaço, ou melhor, um infinito desperdício de espaço?

No cap. VIII de A Gênese, Kardec coloca as várias teorias sobre a origem da Terra, entre elas vamos encontrar a questão da teoria da “alma da Terra”, em que cita artigo da Revista Espírita de setembro de 1868. Vejamos o artigo, que explica melhor a situação:

Alma da Terra

“A questão precedente nos conduz naturalmente à alma da Terra, freqüentemente debatida e diferentemente interpretada”.

“A alma da Terra desempenha um papel principal na teoria da formação do nosso globo pela incrustação de quatro planetas; teoria da qual demonstramos a impossibilidade material segundo as observações geológicas e os dados da ciência experimental (ver A Gênese, Cap. VII, nº 4 e seguintes). Para o que concerne à alma, nos apoiaremos igualmente sobre os fatos”.

“Esta questão prejulga uma outra: A Terra é um ser vivo? Sabemos que certos filósofos, mais sistemáticos do que práticos, consideram a Terra e todos os planetas como seres animados, fundando-se sobre o princípio de que tudo vive na Natureza, desde o mineral até o homem. De início, cremos que há uma diferença capital entre o movimento molecular de atração e de repulsão, de agregação e de desagregação do mineral e o princípio vital da planta; há efeitos diferentes que acusam causas diferentes, ou pelo menos uma modificação profunda na causa primeira, se ela for única”. (A Gênese, cap. X, nº 16 a 19).

“Mas admitamos por um instante que o princípio da vida tenha sua fonte no movimento molecular, não se poderia contestar que seja mais rudimentar ainda no mineral do que na planta; ora, daí a uma alma cujo atributo essencial é a inteligência, a distância é grande; ninguém, cremos, pensou, em dotar um calhau ou um pedaço de ferro da faculdade de pensar, de querer e de compreender. Mesmo fazendo todas as concessões possíveis a esse sistema, quer dizer, em nos colocando no ponto de vista daqueles que confundem o princípio vital com a alma propriamente dita. A alma do mineral não estaria senão no estado de germe latente, uma vez que nele não se revela por nenhuma manifestação”.

“Um fato não menos patente do que aquele que acabamos de falar é que o desenvolvimento orgânico está sempre em relação com o desenvolvimento do princípio inteligente; o organismo se completa à medida que as faculdades da alma se multiplicam. A escala orgânica segue constantemente, em todos os seres, a progressão da inteligência, desde o pólipo até o homem; e isso não poderia ser de outra maneira, uma vez que falta à alma um instrumento apropriado à importância das funções que ela deve preencher. De que serviria à ostra ter a inteligência do macaco sem os órgãos necessários à sua manifestação? Se, pois, a Terra fosse um ser animado servindo de corpo a uma alma especial, esta alma deveria ser ainda mais rudimentar do que a do pólipo, uma vez que a Terra não tem mesmo a vitalidade da planta, ao passo que, pelo papel que se atribui a essa alma, sobretudo na teoria da incrustação, dela se faz um ser dotado de razão e do livre arbítrio mais completo, um Espírito superior, em uma palavra, o que não é nem racional, nem conforme à lei geral, porque jamais o Espírito foi mais aprisionado e mais dividido. A idéia da alma da Terra, entendida nesse sentido, tão bem quanto aquela que faz da Terra um animal, deve, pois, ser alinhada entre as concepções sistemáticas e quiméricas”.

“O animal, o mais ínfimo, aliás, tem a liberdade de seus movimentos; ele vai onde quer, e caminha quando isso lhe apraz; ao passo que os astros, esses seres supostamente vivos e animados por inteligências superiores, seriam submetidos a movimentos perpetuamente sistemáticos, sem jamais poder sair de sua rota; seriam, em verdade, bem menos favorecidos do que o último pulgão. Se, segundo a teoria da incrustação, as almas dos quatro planetas que formaram a Terra, tiveram a liberdade de reunir seus envoltórios, elas teriam, pois, a de ir onde quisessem, de mudar à sua vontade as leis da mecânica celeste; por que não a têm mais?”

Há idéias que se refutam a si mesmas, e sistemas que caem desde que lhes pesquisem seriamente as conseqüências. O Espiritismo seria com razão ridicularizado por seus adversários se se fizesse editor responsável de utopias que não suportam o exame. Se o ridículo não o matou, é que ele não mata senão o que é ridículo”. (grifo nosso).

“Pela alma da Terra, pode-se entender, mais racionalmente, a coletividade dos Espíritos encarregados da elaboração e da direção de seus elementos constitutivos, o que já supõe um certo grau de adiantamento e de desenvolvimento intelectual; ou melhor ainda, o Espírito ao qual está confiada a alta direção dos destinos morais e do progresso de seus habitantes, missão que não pode ser reconhecida senão a um ser eminentemente superior em saber e em sabedoria. Neste caso, propriamente falando, não é a alma da Terra, porque esse Espírito não está nela encarnado, nem subordinado ao seu estado material; é um chefe nomeado para a sua direção, como um general é nomeado para conduzir um exército. Um Espírito, encarregado de uma missão tão importante quanto aquela do governo de um mundo, não poderia ter caprichos, ou Deus seria muito imprevidente confiando a execução de seus decretos soberanos a seres capazes de fazê-los fracassar por sua má vontade; ora, segundo a doutrina da incrustação, será a má vontade da alma da lua que seria a causa da Terra ter ficado incompleta”. (Revista Espírita, 1868, págs. 261-263) (grifo nosso).

Assim, procurando explicar uma teoria que não é sua, Kardec faz uma comparação, para que se possa entender essa teoria.

E falando sobre os sistemas que os antagonistas engendraram para explicar os fenômenos espíritas, é que nos traz os vários sistemas e dentre eles o Sistema da alma material, de onde transcrevemos:

Sistema da alma material. - Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma. Segundo esta opinião, a alma e o perispírito não seriam distintos uma do outro, ou, melhor, o perispírito seria a própria alma, a se depurar gradualmente por meio de transmigrações diversas, como o álcool se depura por meio de diversas destilações, ao passo que a Doutrina Espírita considera o perispírito simplesmente como o envoltório fluídico da alma, ou do Espírito. Sendo matéria o perispírito, se bem que muito etérea, a alma seria de uma natureza material mais ou menos essencial, de acordo com o grau da sua purificação”.

“Este sistema não infirma qualquer dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois que nada altera com relação ao destino da alma; as condições de sua felicidade futura são as mesmas; formando a alma e o perispírito um todo, sob a denominação de Espírito, como o gérmen e o perisperma o formam sob a de fruto, toda a questão se reduz a considerar homogêneo o todo, em vez de considerá-lo formado de duas partes distintas”.

“Como se vê, isto não leva a conseqüência alguma e de tal opinião não houvéramos falado, se não soubéssemos de pessoas inclinadas a ver uma nova escola no que não é, em definitivo, mais do que simples interpretação de palavras. Semelhante opinião, restrita, aliás, mesmo que se achasse mais generalizada, não constituiria uma cisão entre os espíritas, do mesmo modo que as duas teorias da emissão e das ondulações da luz não significam uma cisão entre os físicos. Os que se decidissem a formar grupo à parte, por uma questão assim pueril, provariam, só com isso, que ligam mais importância ao acessório do que ao principal e que se acham compelidos à desunião por Espíritos que não podem ser bons, visto que os bons Espíritos jamais insuflam a acrimônia, nem a cizânia. Daí o concitarmos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra tais sugestões e a não darem a certos pormenores mais importância do que merecem. O essencial é o fundo”.

“Julgamo-nos, entretanto, na obrigação de dizer algumas palavras acerca dos fundamentos em que repousa a opinião dos que consideram distintos a alma e o perispírito. Ela se baseia no ensino dos Espíritos, que nunca divergiam a esse respeito. Referimo-nos aos esclarecidos, porquanto, entre os Espíritos em geral, muitos há que não sabem mais, que sabem mesmo menos do que os homens, ao passo que a teoria contraria é de concepção humana. Não inventamos, nem imaginamos o perispírito, para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a experiência no-la confirmou (O Livro dos Espíritos, n. 93). Apóia-se também no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, n. 257) e, sobretudo, no fenômeno das aparições tangíveis, fenômeno que, de conformidade com a opinião que estamos apreciando, implicaria a solidificação e a desagregação das partes constitutivas da alma e, pois, a sua desorganização. Fora mister, além disso, admitir-se que esta matéria, que pode ser percebida pelos nossos sentidos, é, ela própria, o principio inteligente, o que não nos parece mais racional do que confundir o corpo com a alma, ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza intima da alma, essa desconhecemo-la. Quando se diz que a alma é imaterial, deve-se entendê-lo em sentido relativo, não em sentido absoluto, por isso que a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma, ou o Espírito, são alguma coisa. Qualificando-a de imaterial, quer-se dizer que sua essência é de tal modo superior, que nenhuma analogia tem com o que chamamos matéria e que, assim, para nós, ela é imaterial”. (O Livro dos Espíritos, ns. 23 e 82).

“Eis aqui a resposta que, sobre este assunto, deu um Espírito”:

"O que uns chamam perispírito não é senão o que outros chamam envoltório material fluídico. Direi, de modo mais lógico, para me fazer compreendido, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e das idéias. Falo aqui dos Espíritos elevados. Quanto aos Espíritos inferiores, os fluidos terrestres ainda lhes são de todo inerentes; logo, são, como vedes, matéria. Daí os sofrimentos da fome, do frio, etc., sofrimentos que os Espíritos superiores não podem experimentar, visto que os fluidos terrestres se acham depurados em torno do pensamento, isto é, da alma. Esta, para progredir, necessita sempre de um agente; sem agente, ela nada é, para vós, ou, melhor, não a podeis conceber. O perispírito, para nós outros Espíritos errantes, é o agente por meio do qual nos comunicamos convosco, quer indiretamente, pelo vosso corpo ou pelo vosso perispírito, quer diretamente, pela vossa alma; donde, infinitas modalidades de médiuns e de comunicações. "

“Agora o ponto de vista científico, ou seja: a essência mesma do perispírito. Isso é outra questão. Compreendei primeiro moralmente. Resta apenas uma discussão sobre a natureza dos fluidos, coisa por ora inexplicável. A ciência ainda não sabe bastante, porém lá chegará, se quiser caminhar com o Espiritismo. O perispírito pode variar e mudar ao infinito. A alma é o pensamento: não muda de natureza. Não vades mais longe, por este lado; trata-se de um ponto que não pode ser explicado. Supondes que, como vós, também eu não perquiro? Vós pesquisais o perispírito; nós outros, agora, pesquisamos a alma. Esperai, pois." - Lamennais.

“Assim, Espíritos, que podemos considerar adiantados, ainda não conseguiram sondar a natureza da alma. Como poderíamos nós fazê-lo? É, portanto, perder tempo querer perscrutar o principio das coisas que, como foi dito em O Livro dos Espíritos (ns. 17 e 49), está nos segredos de Deus. Pretender esquadrinhar, com o auxílio do Espiritismo, o que escapa à alçada da humanidade, é desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, é fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. Aplique o homem o Espiritismo em aperfeiçoar-se moralmente, eis o essencial. O mais não passa de curiosidade estéril e muitas vezes orgulhosa, cuja satisfação não o faria adiantar um passo. O único meio de nos adiantarmos consiste em nos tornarmos melhores. Os Espíritos que ditaram o livro que lhes traz o nome demonstraram a sua sabedoria, mantendo-se, pelo que concerne ao princípio das coisas, dentro dos limites que Deus não permite sejam ultrapassados e deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais sedutoras do que sólidas, e que um dia virão a cair, ante a razão, como tantas outras surgidas dos cérebros humanos. Eles, ao justo, só disseram o que era preciso para que o homem compreendesse o futuro que o aguarda e para, por essa maneira, animá-lo à prática do bem. (Vede, aqui, adiante, na 2ª parte, o cap. 1º: Da ação dos Espíritos sobre a matéria.)”. (O Livro dos Médiuns, FEB, pág. 69-73).

Quanto a Kardec não falar sobre as “chaves de Pedro”, nem poderia, pois o Cristo não as colocaria na mão de um homem vacilante, que pouco tempo depois o negaria três vezes e que no cristianismo primitivo não exerceu qualquer tipo de liderança. Anteriormente colocamos a fala de Santo Agostinho sobre esse assunto, citada por Rohden.

Sobre Adão, colocamos as questões de O Livro dos Espíritos:

Perg. 50. A espécie humana começou por um único homem?

“Não; aquele a quem chamais Adão não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra.”

Perg. 51. Poderemos saber em que época viveu Adão?

“Mais ou menos na que lhe assinais : cerca de 4.000 anos antes do Cristo.”

“O homem, cuja tradição se conservou sob o nome de Adão, foi dos que sobreviveram, em certa região, a alguns dos grandes cataclismos que revolveram em diversas épocas a superfície do globo, e se constituiu tronco de uma das raças que atualmente o povoam. As leis da Natureza se opõem a que os progressos da Humanidade, comprovados muito tempo antes do Cristo, se tenham realizado em alguns séculos, como houvera sucedido se o homem não existisse na Terra senão a partir da época indicada para a existência de Adão. Muitos, com mais razão, consideram Adão um mito ou uma alegoria que personifica as primeiras idades do mundo”.

Perg. 52. Donde provêm as diferenças físicas e morais que distinguem as raças humanas na Terra?

“Do clima, da vida e dos costumes. Dá-se aí o que se dá com dois filhos de uma mesma mãe que, educados longe um do outro e de modos diferentes, em nada se assemelharão, quanto ao moral.”

Perg. 53. O homem surgiu em muitos pontos do globo?

“Sim e em épocas várias, o que também constitui uma das causas da diversidade das raças. Depois, dispersando-se os homens por climas diversos e aliando-se os de uma aos de outras raças, novos tipos se formaram.”

a) - Estas diferenças constituem espécies distintas?

“Certamente que não; todos são da mesma família. Porventura as múltiplas variedades de um mesmo fruto são motivo para que elas deixem de formar uma só espécie?”

Perg. 54. Pelo fato de não proceder de um só indivíduo a espécie humana, devem os homens deixar de considerar-se irmãos?

“Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tendem para o mesmo fim. Estais sempre inclinados a tomar as palavras na sua significação literal.”

Não há contradição alguma no que foi colocado a respeito de Adão, tivesse o nosso crítico mais prazer em ler sobre o Espiritismo teria notado isso, entretanto, o desgosto e a pressa em encontrar algo contraditório o fez ficar cego, aliás, como todo fanático o é.

Ao falar dos Sinais dos Tempos, Kardec diz:

“A previsão dos movimentos progressivos da Humanidade nada apresenta de surpreendente, quando feita por seres desmaterializados, que vêem o fim a que tendem todas as coisas, tendo alguns deles conhecimento direto do pensamento de Deus. Pelos movimentos parciais, esses seres vêem em que época poderá operar-se um movimento geral, do mesmo modo que o homem pode calcular de antemão o tempo que uma árvore levará para dar frutos, do mesmo modo que os astrônomos calculam a época de um fenômeno astronômico, pelo tempo que um astro gasta para efetuar a sua revolução”.

A Humanidade é um ser coletivo em quem se operam as mesmas revoluções morais por que passa todo ser individual, com a diferença de que umas se realizam de ano em ano e as outras de século em século. Acompanhe-se a Humanidade em suas evoluções através dos tempos e ver-se-á a vida das diversas raças marcada por períodos que dão a cada época uma fisionomia especial”.

“De duas maneiras se opera, como já o dissemos, a marcha progressiva da Humanidade: uma, gradual, lenta, imperceptível, se se considerarem as épocas consecutivas, a traduzir-se por sucessivas melhoras nos costumes, nas leis, nos usos, melhoras que só com a continuação se podem perceber, como as mudanças que as correntes dágua ocasionam na superfície do globo; a outra, por movimentos relativamente bruscos, semelhantes aos de uma torrente que, rompendo os diques que a continham, transpõe nalguns anos o espaço que levaria séculos a percorrer. É, então, um cataclismo moral que traga em breves instantes as instituições do passado e ao qual sobrevém uma nova ordem de coisas que pouco a pouco se estabiliza, à medida que se restabelece a calma, e que acaba por se tornar definitiva. Àquele que viva bastante para abranger com a vista as duas vertentes da nova fase, parecerá que um mundo novo surgiu das ruínas do antigo. O caráter, os costumes, os usos, tudo está mudado. É que, com efeito, surgiram homens novos, ou, melhor, regenerados. As idéias, que a geração que se extinguiu levou consigo, cederam lugar a idéias novas que desabrocham com a geração que se ergue”. (A Gênese, FEB, pág. 410-411)

Alguns itens que deixamos de propósito de comentar, é porque já o fizemos no texto “A Ciência Desmente o Espiritismo?”.

Espero ter conseguido ajudá-lo. Mais uma vez, recomendo-lhe que, mais do que tentar argumentar, que você reze muito pelas almas dessas pessoas que você pretende fazer apostolado, pois só mesmo a graça de Deus para vencer a teimosia e a soberba dos espíritas, e fazê-los ver os erros em que eles acreditam.

E diríamos mais, coloquem todos os católicos para rezar por nós, quem sabe conseguiremos paciência para suportar os críticos, sem caráter, que vivem a caluniar o Espiritismo. Se a Igreja Católica, como acredita, é a representante de Cristo aqui na Terra, devemos convir que Jesus não soube escolher alguém a altura dessa missão, pois, conforme já mencionamos, apesar de dois milênios de fundação ela, a Igreja Católica, ainda não conseguiu catolicizar o planeta, uma vez que somente cerca de um terço da humanidade é católico. O que vemos é justamente o contrário, cada vez mais vem perdendo terreno para as outras correntes religiosas.

A questão da “soberba” podemos ver quem a possui. Só para se ter uma idéia do que passam a seus fiéis a respeito de como devem ler a Bíblia colocamos, a seguir, o que consta como “norma” de interpretação, ou seria melhor dizer como forma de encabrestar seus adeptos:

“1 – Uma vez que as S. Escrituras foram inspiradas por Deus, não contêm erro algum, assim pois, qualquer interpretação que aceite um erro ou contradição entre passagens bíblicas, não pode ser verdadeira”.

“2 – Uma vez que a Igreja recebeu a promessa de contar com a ajuda do Espírito Santo (Jo 14, 16), não se pode aceitar uma interpretação que seja contrária a alguma de suas definições”.

3 – Sendo a tradição parte integrante da revelação divina, não se pode admitir nenhuma interpretação que vá contra a opinião unânime dos Santos Padres ou Doutores da Igreja primitiva”. (Bíblia Barsa, Introdução: A Igreja e a Bíblia, pág. XIV.)

Kardec já dizia:

“Vós que combateis o Espiritismo, se quereis que renunciemos a ele para seguir-vos, dai, pois, mais e melhor do que ele; curai, com maior segurança, as feridas da alma. Dai mais consolações, mais satisfações ao coração, esperanças mais legítimas, certezas maiores; fazei do futuro um quadro mais racional, mais sedutor; mas não penseis em destruí-lo, vós, com a perspectiva do nada; vós, com a alternativa das chamas do inferno ou da beata e inútil contemplação perpétua”. (A Gênese, IDE, pág. 32).

Um exemplo interessante do quanto os espíritas são teimosos e pertinazes no erro se passou aqui mesmo no Brasil. Um sobrinho de Chico Xavier chamado Amauri Pena, por alguns anos, seguiu a "carreira" do tio, e já aos 13 anos "psicografava" poemas de poetas renomados como Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, entre outros. Porém, em 1958, cansado da "carreira" como escritor, ele revelou numa entrevista para um jornal mineiro: "tudo o que tenho psicografado até hoje, apesar das diferenças de estilo, foi criado da minha própria imaginação, sem que eu precisasse de interferência de almas de outro mundo". Nessa entrevista, entre outras confissões, ele declarou que é muito fácil imitar estilos de autores famosos.
Os espíritas logo trataram de responder às acusações. Um notável escritor espírita da época ("Irmão Saulo") explicou que mediunidade de Amauri é fato "inegável e irretratável", e que ela "não depende da opinião dos médiuns". Para ele, Amauri negou seus dons para poder voltar à mediocridade da vida comum. (!!)
Eis o caráter científico e racional dos espíritas!

Vamos aos fatos narrados por Marcel Souto Maior, em As Vidas de Chico Xavier. Dados sobre esse autor: nasceu em 1966, por coincidência no mesmo dia de seu biografado: 2 de abril. Jornalista, nos últimos quatro anos trabalhou no Jornal do Brasil, onde exerceu a função de subeditor do Caderno B e da revista Programa. Antes, atuou como repórter do Correio Braziliense. Nunca se identificou com qualquer corrente religiosa.

Vejamos o que ele nos diz:

O Sobrinho de Chico Xavier

“Em julho de 1958, enquanto o Brasil rebolava com o bambolê, palavras escandalosas atingiam Chico Xavier em cheio. Seu sobrinho, Amauri Pena Xavier, 25 anos, que morava em Sabará, apareceu na redação do Jornal Diário de Minas para ‘desabafar’. Precisava se livrar de um peso na consciência: há muitos anos escrevia poemas, atribuía a obra ao espírito de Castro Alves e dizia ter sido escolhido pela espiritualidade para divulgar na Terra um novo Lusíadas. Pois bem: era tudo mentira”.

“- Aquilo que tenho escrito foi criado pela minha própria imaginação, sem interferência do outro mundo ou de qualquer estilo de grandes autores. Como ele, descobri isso muito cedo. Tio Chico é inteligente, lê muito e, com ou sem auxílio do outro mundo, vai continuar escrevendo seus versos e seus livros”.

“Os espíritas próximos a Amauri levaram um susto. O rapaz prometia. Escrevia num caderno, desde criança, poemas impressionantes. Seu trabalho foi acompanhado de perto, durante muito tempo, pelo professor Rubens Costa Romanelli, um dos fundadores da União da Juventude Espiritual de Minas Gerais, secretário do jornal O Espírita Mineiro, Espíritas experientes ficavam surpresos com o poema épico intitulado ‘Os Cruzílidas’”.

“Os versos, escritos por Amauri e assinados por Camões, contavam a história espiritual do descobrimento do Brasil, a epopéia no outro mundo durante o descobrimento do país. Cabral teria sido acompanhado de perto pelos espíritos”.

“Amauri exibiu as oitavas lusitanas aos jornalistas, renegou os espíritos, atribuiu a autoria dos versos a si mesmo e levantou novas suspeitas contra o tio. A imprensa ignorou a qualidade de seus textos e explorou ao máximo a chance de transformar Chico Xavier em escândalo”.

“O jornal O Globo estampou em manchete, com direito a ponto de exclamação, na primeira página de sua edição de 16 de julho”:

“’Desmascarado Chico Xavier pelo sobrinho e auxiliar!’”

“O texto, curto, era taxativo”:

“Depois de se submeter ao papel de mistificador durante anos, o jovem Amauri Pena, sobrinho de Chico Xavier resolveu, por uma questão de consciência, revelar toda a verdade! Chico Xavier era, desde muito cedo, um devorador de livros”.

“A velha polêmica parecia à beira da ressurreição. Para piorar a situação, o Jornal do Brasil se dedicava a estampar na primeira página milagres da Igreja Católica. Amauri colocava o espiritismo em xeque e o JB transformava em manchete a notícia da cura de uma menina, Ana Luísa, que, ao ouvir pelo rádio informações sobre a agonia de Pio XII, fechou os olhos e pediu”:

“- Papa, lembre-se de mim, antes de morrer”.

“Tuberculosa, de acordo com a última radiografia, ela ficou curada em instantes”.

“O jornal Diário da Tarde decidiu apurar melhor a confissão do sobrinho de Chico Xavier e mandou um repórter a Sabará para entrevistar Amauri. O rapaz estava em Belo Horizonte. O delegado Agostinho Couto recebeu o jornalista e deu a folha corrida do ‘confessor’. Alcoólatra inveterado, ‘um desordeiro’, ele já tinha sido apanhado tentando roubar uma casa e fora expulso da cidade várias vezes pelo policial. O pai de Amauri, Jaci Pena, confirmou as acusações”:

“- Meu filho é um doente da alma. Todo mundo sabe disso. É dado a bebidas. Ontem mesmo eu o apanhei caído no jardim no maior pileque. Chico conhece Amauri. As declarações dele não alteram nada”.

“Só faltava entrevistar o outro envolvido na polêmica: Chico Xavier. No dia 29 de julho, o repórter do Diário de Minas, responsável pelo furo jornalístico, conversou com o tio de Amauri Pena. Chico, na época bastante magoado, disfarçou a tristeza e exibiu seu talento para medir palavras. O discurso seguiu à risca o regulamento cristão”.

“Para começar, Chico negou, com humildade, que Amauri Pena fosse seu ‘auxiliar’”:

“- Meu sobrinho, até agora, não freqüentou reuniões espíritas ao meu lado, mas posso acrescentar que ele tem estado num grupo de espíritas muito respeitáveis em Belo Horizonte, junto dos quais sempre recebeu orientação com muito mais segurança que junto a mim”.

“Em seguida, perdoou o autor da denúncia”:

“- Meu sobrinho está muito moço e, pelo que observo, é portador de um idealismo ardente, em sua sinceridade para consigo mesmo. De minha parte, peço a Jesus, com muita sinceridade, para que ele seja muito feliz no caminho que escolher”.

“Para encerrar, deu exemplo de respeito às crenças ou descrenças alheias”:

“- Não recebi as palavras dele como acusação nem desafio. Tenho a felicidade de possuir muitos amigos que, em matéria religiosa, não pensam pela minha mesma convicção”.

“Na despedida, ainda escreveu um bilhete para se publicado no jornal do dia seguinte”:

“‘Se algo posso falar ou pedir, nesta hora, rogo a todos os corações caridosos uma oração a Nossa Mãe Santíssima em meu favor, a fim de que eu possa – se for a vontade da Divina Providência – continuar cumprindo honestamente o meu dever de médium espírita sem julgar ou ferir quem quer que seja’”.

“A calma era aparente. Em uma carta a Wantuil de Freitas, no dia 10 de dezembro, ele fez referência a um ‘familiar deliberadamente vendido aos adversários implacáveis de nossa causa’. E, mais uma vez, destacou Waldo Vieira como alguém capaz de livrá-lo ‘dos perigos que rondam a tarefa’”.

“A polêmica acabou ali. Amauri, sempre bêbado, acabou internado em um sanatório na cidade de Pinhal em São Paulo e morreu pouco tempo depois. Seu último desejo: divulgar um documento com um pedido de desculpas ao tio. Os diretores da Federação Espírita Brasileira decidiram adiar a retratação. Os adversários podiam insinuar que o jovem havia sido forçado a se arrepender”.

“Amauri morreu e deixou como herança um mistério para os espíritas. Por que ele teria atacado o tio? A versão mais aceita no meio é a de que ele assumiu a autoria dos poemas e levantou suspeitas contra Chico para impressionar e agradar uma moça católica por quem estava apaixonado. Outra versão, mais apimentada, coloca dinheiro na roda: ele teria sido subornado por um padre para desmoralizar o espírita de Pedro Leopoldo. Amauri nunca mandou explicações do além”. (As Vidas de Chico Xavier, Marcel Souto Maior, Rocco, Rio de Janeiro, RJ, 9ª edição, 1994, páginas 122 a 125).

Que os leitores tirem suas conclusões!

Falando em Chico Xavier, os espíritas tupiniquins costumam dizer, junto com Kardec, que o que realmente importa é a "caridade", e citam Chico Xavier como grande exemplo de "espírito caridoso". Um dos grandes lemas do Kardec é "Fora da Caridade não há salvação" (ESE, cap. XV, p. 245), lema esse de forte alusão à máxima católica de que fora da Igreja não há salvação. Para os espíritas (e para todas as pessoas que assistem muita TV), o que uma pessoa acredita ou deixa de acreditar é secundário.

Mas essa é uma filosofia totalmente torta; se só importa fazer o bem, a pergunta é: O QUE SIGNIFICA FAZER O BEM? Não importa o que se acredite que seja o bem? E se alguém achar que o bem é ficar rico? E se alguém achar que o bem é viver a vida, e desprezar os mandamentos de Deus? E se outra pessoa achar que o bem é assassinar?

Veja como é contraditório dizer que a crença de uma pessoa não importa!!

Mas quem definiu a caridade como base fundamental para a “salvação” não fomos nós, mas aquele que vocês dizem seguir, entretanto, na prática não o seguem. Jesus já dizia de pessoas assim: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Fechais o reino dos céus aos homens! Porque vós mesmos não entrais, nem deixais entrar aqueles que quereriam!” (Mt 23,13).

Temos a definição de Jesus para a questão de fazer o bem: “Amar ao próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39) e “tudo o que quereis que os outros vos façam, façais o mesmo também a eles” (Mt 7,12). Portanto, não temos dúvida nenhuma, pois sabemos o que fazer; entretanto, parece que não é o que acontece com você, já que no fundo não segue a Jesus, por isso a sua dúvida em que consiste fazer o bem.

Enquanto que a máxima Espírita pode ser aplicada por todos, independente de religião, a da Igreja é sectária e exclusivista; o que não coaduna com os ensinamentos de Cristo, que possuem caráter universalista.

Podemos até citar Chico, mas como exemplo de Espírita caridoso, apenas. Fato reconhecido por muitas pessoas não espíritas, só fanático não vê.

Secundário é a religião que a pessoa abraça, caro crítico, pois se fosse como quer estaríamos desvirtuando o ensinamento de Cristo na parábola do Bom Samaritano. E é bom que se lembre que o samaritano, exemplo que Jesus manda seguir, era considerado “herético” pelo sacerdote e pelo levita, homens conhecedores das Escrituras, que, no entanto não a praticavam, os quais representam todos aqueles que só ficam a criticar a religião dos outros, os que não fazem da sua religião uma prática do amor ao próximo.

Mas vejamos o que Pedro conseguiu enxergar, ele que segundo os católicos tem as chaves dos céus:

“De fato agora compreendo que Deus não faz distinção de pessoas; mas todos os que o adoram e praticam o bem são aceitos por ele, seja qual for sua nação (Atos 10,34). (grifo nosso).

Se a crença de uma pessoa importasse tanto assim o mundo deveria estar muito melhor sem guerras, sem discórdia. Entretanto, não é o que vemos, pois em todas as contendas os participantes são crentes de carteirinha.

Pergunte a essas pessoas o que elas entendem por CARIDADE. Cite a elas São Paulo: "Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos... etc." (I Cor 13,1-18). Mostre para elas por esta passagem, que não importa nem mesmo darmos tudo o que temos, se não fizermos isso com caridade. Logo, a caridade não está no ato, mas na intenção. E a caridade só pode ser verdadeira se for feita por amor a Deus, e não por amor à minha "evolução espiritual", ou mesmo pelo "sentimento interior" da boa ação. Eis o que é CARIDADE: fazer tudo por amor de Deus.

Mas é justamente isso que o Espiritismo prega, que façamos a caridade por amor a Deus, onde está nosso erro então? Ah! já sei, o acusador leu com desgosto os princípios do Espiritismo, não é mesmo? Os católicos não ensinam nada sobre caridade, pois a sua própria Igreja os salva. As poucas vezes que dizem dela falam que “se não fizermos o bem iremos para o inferno”; querem que as pessoas sejam boas por TEMOR a Deus, não por AMOR como acontece no Espiritismo.

Entretanto, se pensarmos bem, para eles pouco importa mesmo o que fazemos, já que, segundo acreditam, Cristo morreu na cruz para nos salvar, o que nos coloca inevitavelmente como todos já salvos, então: “comamos e bebamos”.

Apesar de todo o escárnio, seguimos em frente, aplicando a orientação “do primeiro papa” católico: “Vossa conduta entre os pagãos (hoje poderíamos colocar entre os católicos) seja exemplar, para que, apesar de vos caluniarem como malfeitores, à vista de vossas boas obras glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1Pe 2,12).

E o que vale mais, o corpo ou a alma? Claro que é a alma. Nem mesmo os espíritas negam isso. Então, de que forma se pode ajudar mais a uma pessoa: dando bens para o corpo, como comida e agasalho, ou dando instrução e suporte para salvação de sua alma?

Deixemos Jesus responder:

"Nem todo aquele que me diz 'Senhor, Senhor', entrará no Reino do Céu. Só entrará aquele que põe em prática a vontade do meu Pai, que está no céu. Naquele dia muitos me dirão: 'Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos tantos milagres?' Então, eu vou declarar a eles: Jamais conheci vocês. Afastem-se de mim, malfeitores! Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas a casa não caiu, porque fora construída sobre a rocha. Por outro lado, quem ouve essas minhas palavras e não as põe em prática, é como o homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, e a casa caiu, e a sua ruína foi completa!" (Mateus 7, 21-27).

"Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar'. Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?' Então o Rei lhes responderá: 'Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.' Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar'. Também estes responderão: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?' Então o Rei responderá a esses: 'Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram'. Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna." (Mateus 25, 31-46)

Podemos, só para completar e tudo ainda ficará em família, colocar as palavras de Tiago, irmão do Senhor:

“Meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Por acaso a fé poderá salvá-lo? Por exemplo: um irmão ou irmã não têm o que vestir e lhes falta o pão de cada dia. Então alguém de vocês diz para eles: ‘Vão em paz, se aqueçam e comam bastante’; no entanto, não lhes dá o necessário para o corpo. Que adianta isso? Assim também é a fé: sem as obras, ela está completamente morta. Alguém poderia dizer ainda: ‘Você tem a fé, e eu tenho as obras. Pois bem! Mostre-me a sua fé sem as obras, e eu, com as minhas obras, lhe mostrarei a minha fé’" Você acredita que existe um só Deus? Muito bem! Só que os demônios também acreditam, e tremem! Insensato, quer ver como a fé sem as obras não tem valor?”. (Tg 2,14-20).

Objetivamente falando, vemos que Chico Xavier foi um dos maiores responsáveis pela difusão dos erros espíritas no Brasil, que ele propagou mentiras e besteiras através de seus livros de baixo nível intelectual (tente qualquer dia desses ler seu bestseller "Nosso Lar"; melhor: leia só um resumo para não perder muito tempo da sua vida). Logo, ele ensinou mentiras (com seus livros), enganou as pessoas (divulgando o espiritismo), e deu mau exemplo. Portanto, ele fez muito mal para as almas. Espero que ele tenha se arrependido de seus erros antes de morrer, e que Deus tenha pena de sua alma.
Bom, acho que com isso você já tem bastante material para discutir. Quaisquer dúvidas, não hesite em me escrever que terei prazer em o ajudar.
In Iesu et Mariae,
Fabiano Armellini.
© Associação Cultural Montfort
Dúvidas relacionadas aos artigos: duvidas@montfort.org.br
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http://www.montfort.org.br/perguntas/espiritismo10.html

Há, nessa fala do crítico, alguma coisa que não conseguimos entender, pois Chico Xavier é reconhecido por milhões de pessoas como uma pessoa digna, um homem-amor, um exemplo a ser seguido. Os títulos de Cidadania Honorária recebidos, a indicação como Prêmio Nobel da Paz (1981), a escolha como o Mineiro do Século (2002), a homenagem prestada pelo Congresso Nacional em junho/2003, quando do primeiro aniversário de sua morte, inclusive coisa inédita naquela magna Casa, tudo isso prova o respeito e consideração de todo povo brasileiro para com ele. É claro que os detratores contumazes ficam de fora.

Perguntamos ao crítico por que ele não foi ao Congresso Nacional falar o que pensava, quem sabe abriria os olhos dos nossos representantes, dizendo-lhes que o cidadão Chico Xavier: foi o divulgador dos erros Espíritas, propagou mentiras e besteiras, escreveu livros de baixo nível intelectual, enganou pessoas, deu mau exemplo, etc. evitando assim a homenagem que lhe prestaram?

Vejamos algumas opiniões sobre Chico Xavier, que transcrevemos da Revista das Religiões, nº 1, maio 2003, Editora Abril:

“‘Certamente ele seria beatificado e canonizado pelo papa João Paulo II se fosse um membro da Igreja Católica’, afirma dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo de São Paulo e um ícone do Catolicismo na América Latina” (pág. 13).

“‘Seu modelo de caridade em favor dos pobres merece louvor’, diz dom Aluísio Roque Oppermann, arcebispo de Uberaba há sete anos”. (pág. 14).

Qual das opiniões nós devemos ter como de maior valor: a do crítico ou a dos expoentes de sua Igreja? Não é preciso responder, já que a resposta é óbvia demais.

Conclusão

A falta de argumentos leva, lamentavelmente, todos os críticos de plantão a buscar uma arma útil para derrubar o Espiritismo, mas tudo em vão. Não é denegrindo a Doutrina ou seus adeptos que conseguirão o seu objetivo. Desde abril de 1857, quando do lançamento de O Livro dos Espíritos, o Espiritismo vem sofrendo sistemático e inigualável ataque; entretanto, se mantêm firme, resistindo tudo isso há quase um século e meio. Esse fato deveria levar os nossos críticos a pensarem um pouco mais. Muitos antes deles tentaram, vários cientistas e pesquisadores que foram atrás de provas de falsidade e não as encontraram, os críticos atuais com seu método parecem colocar como idiotas todas essas pessoas, julgando-se mais capazes que todos eles. Ouvimos, não sabemos onde, alguma coisa sobre “soberbos”.

Na tentativa de ridicularizar o Espiritismo levam de roldão todos os eminentes sábios que o pesquisaram, tais como:

Camille Flammarion nasceu em Montigney-le-Roy (Alto Marne), França, no dia 26 de Fevereiro de 1842 e desencarnou em Juvissy, no mesmo país, no dia 04 de junho de 1925. Foi um dos mais destacados astrônomos do seu tempo.

William Crookes, sábio inglês, membro da Sociedade Real de Londres, autor de várias descobertas, entre as quais a matéria em seu estado radiante, foi um dos grandes pesquisadores dos fenômenos espíritas, submetendo-os a rigorosa observação científica.

As fascinantes materializações de Katie King, através da médium Florence Cook, realizadas sob controle da mais avançada instrumentação da época, se encontram descritas no livro de sua autoria “Fatos Espíritas”.

César Lombroso nasceu em Verona, Itália, a 06 de novembro de 1835, e foi um grande médico e antropologista. Em 1882, em seu opúsculo “Studi sull’ipnotismo” ridicularizava as manifestações espíritas; entretanto, em 1888 publicava, no jornal “Fanfulla della Domenica”, um artigo em que se mostrava menos intransigente, salientando, após breve raciocínio, lógico e cheio de bom-senso: “Quem sabe se eu e meus amigos, que rimos do Espiritismo, não laboramos em erro.”

Em 1891, dispôs-se a pesquisar os fenômenos na condição de crítico, e, convencendo-se da veracidade incontestável dos fatos, propõe-se a uma série de pesquisas com a médium Eusápia Palladino, que se encontram descritas no livro de sua autoria “Hipnotismo e Mediunidade”.

Ernesto Bozzano, nasceu em 1862, em Gênova, Itália. Professor da Universidade de Turin, foi, antes de se converter ao Espiritismo, materialista, cético positivista.

Mais tarde, dedicou-se aos estudos espíritas, orientado por um guia espiritual essencialmente científico, o que fez com que Bozzano formasse sua base no terreno puramente empírico.

Oliver Lodge, nasceu a 12 de junho de 1851, em Penkhull, Inglaterra. Educado no Grammar School de Newport e no University College de Londres, foi um dos mais reputados físicos da época.

Fez importantes investigações sobre a sede da força eletro-motiva na célula voltaica, sobre as ondas eletromagnéticas e a telegrafia sem fio. Ganhou fama mundial como inventor, tendo contribuído grandemente para o desenvolvimento da eletricidade.

Somente após os cinqüenta anos de idade, é que Lodge voltou sua atenção para as manifestações psíquicas, tendo dado inestimável testemunho da sobrevivência e da comunicação dos Espíritos.

Gustave Geley, cientista e profundo psiquista, nasceu a 14 de julho de 1865, faleceu a 14 de julho de 1924 em virtude de um desastre de avião, quando viajava de Varsóvia a Paris. Era médico em Nancy, tendo abandonado a carreira para dedicar-se ao estudo dos fenômenos metapsíquicos. Fundou o Instituto Metapsíquico Internacional de Paris, do qual foi diretor. Fez inúmeras experiências sobre materializações, notadamente na obtenção de moldagens em gesso de mãos ectoplásmicas.

Alexandre Aksakoff, nasceu em Ripievka, Rússia, no dia 27 de maio de 1832, e desencarnou em 04 de janeiro de 1903. Foi diplomata e conselheiro privado do Imperador Alexandre III, Czar da Rússia.

Começou a estudar os fenômenos espíritas em 1855, quando se encontrava na Alemanha, em missão diplomática.

Foi colaborador de William Crookes nas experiências de materializações do Espírito de Katie King; fez parte da Comissão de Milão para investigação dos fenômenos produzidos por Eusápia Paladino.

Alfred Russel Wallace, nasceu em 1823 e desencarnou em 1903.

Foi um dos maiores cientistas que investigaram a sobrevivência e a comunicabilidade dos Espíritos; daí por que Wallace jamais foi esquecido.

Em 1865, investigou os fenômenos das mesas girantes ainda tão em voga na Europa; a mediunidade de Mr. Marshall, de Mr. Cuppy e outras, estabelecendo, mais tarde, que os fenômenos espíritas “são inteiramente comprovados tão bem como quaisquer fatos que são provados em outras ciências.”

Eugéne Auguste Albert de Rochas, nasceu em 30 de maio de 1837 e desencarnou em 02 de setembro de 1914. Foi engenheiro, coronel do Exército e Administrador da Escola Politécnica de Paris.

Por meio de passes longitudinais, aplicados em alguns sensitivos, De Rochas conseguia provocar, nesses pacientes, a regressão de memória, fazendo com que eles se lembrassem, com toda precisão, de fatos ocorridos em várias encarnações passadas.

Essas experiências são bastante conhecidas. O autor assistiu a um trabalho de hipnose, no qual o operador, através de passes, provocou a regressão da memória de um sensitivo até os primeiros meses de sua existência, progredindo, depois. Quando na idade de dez ou doze anos, aproximadamente, apresentava todas as características próprias dessa idade.

Frederich Zöllner, astrônomo famoso e professor da Universidade de Leipzig, goza de grande reputação nos meios científicos.

Após inúmeras experiências realizadas no campo da fenomenologia espírita, publicou os resultados dessas investigações no livro intitulado “Física Transcendental”.

Para finalizar, deixaremos alguns pensamentos de Kardec:

“A Doutrina Espírita, intimamente ligada às idéias religiosas, esclarecendo-nos sobre a nossa natureza, nos mostra a felicidade na prática das virtudes evangélicas; lembra o homem quanto aos seus deveres para com Deus, a sociedade e a si mesmo; ajudar a sua propagação é dar um golpe mortal na praga do ceticismo, que nos invade como um mal contagioso; honra, pois, àqueles que empregam, nessa obra, os bens com que Deus os favoreceu na Terra!” (Revista Espírita, 1858, pág 91)

“O Espiritismo, com efeito, é um laço fraternal que deve conduzir à prática da caridade cristã todos aqueles que o compreendam em sua essência, porque tende a fazer desaparecer os sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme que dividem os homens; mas essa fraternidade não é a de uma seita; para ser segundo os divinos preceitos do Cristo, ela deve abraçar a Humanidade toda, porque todos os homens são os filhos de Deus; se alguns estão afastados, ele manda lamentá-los; proíbe odiá-los. Amai-vos uns aos outros, disse Jesus: não disse: Amai aqueles que pensam como vós; por isso, quando os nossos adversários nos atiram pedras, não devemos nunca lhes devolver as maldições: esses princípios serão sempre daqueles que os professam, de homens que não procuração nunca na desordem e no mal do seu próximo, a satisfação de seus interesses ou de suas paixões”. (Revista Espírita, 1858, pág. 204).

“Quando uma coisa está na verdade e que o tempo de sua eclosão chegou, apesar de tudo ela caminha sozinha. A poderosa ação do Espiritismo está atestada pela sua expansão persistente, apesar do pouco esforço que fez para se difundir. É um fato constatado, que os adversários do Espiritismo dispensaram mil vezes mais força para abatê-lo, sem a isto chegar, do que seus partidários não o empregaram para propagá-lo. Ele avança por assim dizer sozinho, semelhante a um curso de água que se infiltra nas terras, e abre uma passagem à direita se se o detém à esquerda, e pouco a pouco mina as pedras mais duras e acaba por fazer desmoronar as montanhas”. (Revista Espírita, 1867, pág. 3).

“O Poder do Ridículo”

“[...] É preciso distinguir o que se pode chamar o ridículo intrínseco, quer dizer, inerente à própria coisa, e o ridículo extrínseco, vindo de fora, e derramado sobre uma coisa. Sem dúvida, este último pode ser lançado sobre tudo, mas não fere senão o que é vulnerável; quando se ataca uma coisa que não lhe dá nenhum ponto de apoio, ele desliza sem lhe levar nenhum insulto. A caricatura mais grotesca de uma estátua irrepreensível não lhe tirará nada de seu mérito, e não a faz decair na opinião, porque cada um pode apreciá-la por si mesmo”.

“O ridículo não tem força senão quando toca justo, que faz ressaltar com espírito e fineza os defeitos reais: é então que ele mata; mas quando cai no falso, não mata nada de todo, ou antes ele mata a si mesmo. [...]”

“Todo o mundo não tendo nem o mesmo gosto nem a mesma maneira de ver, o que é verdadeiro, bom e belo para uns, pode não sê-lo para outros; quem, pois, será juiz? O ser coletivo que se chama todo o mundo, e contra as decisões da qual as opiniões isoladas protestam em vão. Algumas individualidades podem ser momentaneamente extraviadas pela crítica ignorante, malevolente e inconsciente, mas não as massas, cujos julgamentos acabam sempre por triunfar. Se a maioria dos convivas em um banquete encontra uma comida de seu gosto, tivésseis querido dizer que é má, não os impediríeis de comê-la, ou pelo menos dela gostar”.

"Isso nos explica porque o ridículo, derramado em profusão sobre o Espiritismo, não o matou. Se não sucumbiu, não foi por falta de ter sido revirado em todos os sentidos, travestido, desnaturado, grotescamente vestido por seus antagonistas; e, no entanto, depois de dez anos de uma agressão obstinada, está mais forte do que nunca, é que ele é como a estátua da qual falamos há pouco”. (Revista Espírita, 1869 pág 41).

E como ponto final:

“Quanto a você, por que julga o seu irmão? E você, por que despreza o seu irmão? Todos nós devemos comparecer diante do tribunal de Deus. Porque a Escritura diz: ‘Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus.’ Portanto, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Paremos, portanto, de julgar uns aos outros. Ao contrário, preocupem-se em não ser causa de tropeço ou escândalo para o irmão”. (Rm 14,10-13).

Agosto/2004.

Referências bibliográficas:

[1] Esclarece-nos o autor do livro, Dr. Severino que: O termo QAL ou qal é uma palavra hebraica que significa "Fácil" que tem o sentido gramatical de "forma fácil" ou "simples" de conjugação do verbo na língua hebraica. O verbo em hebraico possui sete graus de conjugação (Qal, nif'al, piel, pual, hif'iil, haf'al e hitpa'el.) Nesse caso específico foi colocado com relação ao verbo nascer (nolad-em hebraico). O incompleto que é o futuro do verbo na forma QAL que é a mais simples das conjugações.

[2] ) Neste ponto Dr. Severino coloca a palavra em grego, na fonte SIL EZRA, que não colocamos por não a possuirmos.