Mas não é possível...

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Imaginem, nos dias de hoje, alguém acreditando num ser que vive disputando com o Criador do Universo as almas que saíram de Suas “mãos”. Entretanto, e por incrível que pareça, ainda há os que acreditam piamente nas artimanhas de satanás.

Normalmente são essas pessoas que sempre vivem afirmando: o Espiritismo é obra do demônio. A elas podemos dizer:

1) Se você ainda ignora o que realmente é o Espiritismo tudo bem, você “peca” por ignorância, mas temos certeza que um dia compreenderá, já que você tem a eternidade à sua frente para que possa evoluir.

2) Se você sabe o que é e vive distorcendo os fatos, não podemos deixar de considerar que você está sendo um mau-caráter, já que usa da falsidade para denegrir outras pessoas.

Nós estamos preocupados com os primeiros, pois os segundos certamente “no dia do juízo” Deus tomará conta, assim deixemo-os entregues à Justiça Divina.

Queremos que você que não conhece o Espiritismo tenha mais inteligência (ou quem sabe se o correto seria use mais sua inteligência) que os que nos combatem para entender que:

1) Se só os demônios é que se manifestam nas Casas Espíritas, não conseguimos entender o porquê, já que não acreditamos neles. Não seria mais lógico ter a presença deles onde são acreditados?

2) Se o que fazemos é por seguirmos as orientações do demônio, temos a lhe dizer que alguma coisa deve estar errada. Sabe por que? Porque o suposto demônio que você acredita anda dizendo que devemos nos pautar em Jesus como modelo a ser seguido e como nosso guia. Diz mais ainda: que devemos perdoar todo o mal que nos fizerem (mesmo que sejam calúnias), estabelece como máxima: “fora da caridade não há salvação”. Para os que acreditam nele perguntamos: Será que ele se tornou bonzinho? E “como um reino dividido poderá se manter” se o demônio está indo contra seu próprio objetivo? Como ele consegue deixar de seguir o seu instinto de mau?

3) Não dê atestado de burrice, pois é o que acontece quando ingenuamente damos ouvidos aos outros. Não acredite em tudo que lhe dizem, pois muitas mentiras lhe são passadas como verdade, principalmente por aqueles em que o bom senso indica que não se deve perguntar nada sobre alguém, pois inimigos só falam mal dos adversários.

Agora identificaremos o terceiro grupo que ataca o Espiritismo: são os fanáticos religiosos. Esse grupo, por não pensar por sua própria cabeça, somente faz o que o seu líder religioso manda, quando lhes argumentamos sobre alguma coisa que não têm explicação lógica dizem que irão consultá-lo para responder-nos. São eles que normalmente utilizam a frase: “O próprio Satanás se disfarça em anjo de luz!” (2 Cor 11, 14). Entretanto se esquecem, ou talvez nem mesmo saibam que: “Quem pratica o mal, tem ódio da luz, e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam desmascaradas” (Jo 3, 20). Confirma que um anjo (espírito) mau não pode se disfarçar naquilo que não é, já que suas vibrações negativas lhes desmascarariam. A esses fanáticos só podemos dizer: “Quem afirma que está na luz, mas odeia o seu irmão, ainda está nas trevas” (1 Jo 2, 9), já que normalmente sentem ódio mortal dos que se dizem Espíritas.

Temos dito, principalmente aos que nos conhecem, que ao dizerem que o que estamos fazendo é obra do demônio eles, em verdade, estão menosprezando a nossa capacidade de discernir entre o que é o bem e o mal. Colocam-nos como verdadeiros imbecis que nada sabem. Perguntamos a eles se já nos viram deliberadamente fazer mal a alguém ou se o nosso comportamento perante a sociedade possui algo que possa ser condenado. Sempre não respondem nada a essa pergunta, ficam calados com seu sorriso amarelo.

Vemos por aí, determinadas pessoas querendo misturar Espiritismo com outras crenças ou filosofias que nada tem a ver conosco. Só pelo fato de que entre elas também existe manifestação de Espíritos, acham erroneamente que é Espiritismo. Como sempre diz um grande amigo: “seria o mesmo que dizer que helicóptero é beija-flor só porque que em seu vôo consegue ficar parado no ar”. Outras nos colocam fazendo despachos, magia negra, ou coisa parecida. Essas demonstram completa ignorância do que ocorre numa Casa Espírita, supondo-se que são honestas no que pensam.

Aos que ainda querem falar mal do Espiritismo, recomendamos conhecer primeiro sobre o que irão falar, para isso devem ler, pelo menos, as obras básicas da Codificação Espírita, depois visitem uma Casa Espírita e tirem as suas próprias conclusões. Ah! Se lá você encontrar alguma coisa que vá contra os ensinamentos morais do Cristo, ou contra as leis de convivência social, por favor, nos diga, prometemos nunca mais voltar lá. E, quem sabe, poderemos até passar a freqüentar a sua Igreja, apesar de que achamos isso impossível, não que sua Igreja seja ruim, mas porque você não encontrará nada para nos acusar.

E para finalizar, queremos dizer a todos vocês que a palavra satanás quer dizer adversário. Não é um ser espiritual. Vejam que Jesus nunca expulsou satanás de ninguém. Somente expulsou demônios, e estes nada mais são que espíritos imperfeitos que querendo prejudicar as pessoas sintonizam com elas para atazanar a vida delas. Esses sim se manifestam em sessões espíritas próprias para isso. O objetivo dessas reuniões é moralizá-los, vamos assim dizer, convencendo-os a deixarem de fazer o mal, para o próprio bem deles. A grande maioria ouve os nossos conselhos e mudam de caminho porque nós os tratamos com muito amor e carinho, já que para nós são também filhos de Deus como todos nós. Fazemos o possível para não julgar suas atitudes, já que ninguém está livre de errar. “Atire a primeira pedra quem estiver sem pecado”, é a orientação que procuramos seguir.

Fazemos exatamente o contrário do que se faz em algumas igrejas que os querem expulsar de todas as maneiras, debaixo de rituais onde são completamente humilhados, muito longe da caridade cristã que tanto pregam. Serão mesmos discípulos de Jesus, ou são os falsos profetas da atualidade?

Conhece-se a árvore pelos frutos, vejam o que cada um produz e tire as suas conclusões, meu caro leitor.

Novembro/2002.

(Publicado no jornal: “A Folha de Guanhães”, edição nº 139, Especial Retrospectiva 2002).

Bibliografia: