Pesquisa nas obras de Kardec

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Veja também: O Espiritismo é o que afinal?

Tentando resolver as questões: O Espiritismo é Religião? É Cristão? Representa o Cristianismo? fizemos um trabalho de pesquisa, concentrada principalmente na Revista Espírita, para ver se pelo que Kardec disse poderíamos, finalmente, ter uma definição clara e positiva sobre isso.

Assim, listamos abaixo o que encontramos, e para os que não possam ter tempo de lê-lo, na íntegra, ressaltamos os pontos importantes em negrito, para uma leitura dinâmica, mas suficiente para se chegar a uma conclusão sobre o pensamento de Kardec.

Com o resultado desta pesquisa fizemos o texto: “O Espiritismo é o que Afinal?”, para que outras pessoas possam ser esclarecidas sobre este polêmico assunto entre os Espíritas.

LE – Conclusão V – Provai, enfim, que as conseqüências do Espiritismo não são de tornar os homens melhores, e, portanto, mais felizes, pela prática da mais pura moral evangélica, moral que se glorifica muito, mas que se pratica pouco. Quando houverdes feito isso tereis o direito de atacá-lo. O Espiritismo é forte porque ele se apóia sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; sobretudo, porque mostra essas penas e essas recompensas como conseqüências naturais da vida terrena, e que na, no quadro que ele oferece do futuro, pode ser negado pela mais exigente razão.

LE – Conclusão VII – O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes; o fato das manifestações, os princípios de filosofia e de moral que dela decorrem e a aplicação desses princípios. Daí três classes, ou antes três graus entre os adeptos: 1) os que crêem nas manifestações e se limitam em constatá-las; é para eles uma ciência experimental; 2) os que lhe compreendem as conseqüências morais; 3) os que praticam ou se esforçam por praticar essa moral. Qualquer que seja o ponto de vista; científico ou moral, sob o qual se examinem esses fenômenos estranhos, cada um compreende que é toda uma nova ordem de idéias que surgiu, das quais as conseqüências não podem ser senão uma profunda modificação no estado da Humanidade, e cada um compreende também que essa modificação não pode ocorrer senão no sentido do bem.

RE – 1858 – pg. 2: Não se poderia, pois, contestar a utilidade de um órgão especial, que mantenha o público ao corrente dos progressos desta ciência nova, e o premuna dos exageros da credulidade, tão bem contra o ceticismo. É essa lacuna que nos propomos preencher com a publicação desta revista, com o fim de oferecer um meio de comunicação a todos aqueles que se interessam por estas questões, e de ligar, por um laço comum, aqueles que compreendem a Doutrina Espírita sob o seu verdadeiro ponto de vista moral: a prática do bem e da caridade evangélica com relação a todo o mundo.

RE – 1858 – pg. 3: Talvez nos contestem a qualificação de ciência que damos ao Espiritismo. Ele não poderia, sem dúvida, em alguns casos, ter os caracteres de uma ciência exata, e está precisamente aí o erro daqueles que pretendem julgá-lo e experimentá-lo como uma análise química, como um problema matemático: já é muito que tenha o de uma ciência filosófica. Toda ciência deve estar baseada sobre fatos; mas só os fatos não constituem a ciência; a ciência nasce da coordenação e da dedução lógica dos fatos: é o conjunto de leis que os regem. O Espiritismo chegou ao estado de ciência? Se se trata de uma ciência perfeita, sem dúvida, seria prematuro responder afirmativamente; mas as observações são, desde hoje, bastante numerosas para se poder, pelo menos, deduzir os princípios gerais, e é aí que começa a ciência.

RE – 1858 – pg 5: À citação dos fatos acrescentaremos a busca das causas que puderam produzi-los. Da apreciação desses atos, ressaltarão, naturalmente, úteis ensinamentos sobre a linha de conduta mais conforme a sã moral. Em suas instruções, os Espíritos superiores têm, sempre, por objetivo excitar, nos homens, o amor ao bem pela prática dos preceitos evangélicos; nos traçam, por isso mesmo, o pensamento que deve presidir à redação dessa coletânea.

RE – 1858 – pg. 204: O Espiritismo, com efeito, é um laço fraternal que deve conduzir à prática da caridade cristã todos aqueles que o compreendam em sua essência, porque tende a fazer desaparecer os sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme que dividem os homens; mas essa fraternidade não é a de uma seita; para ser segundo os divinos preceitos de Cristo, ele deve abraçar a Humanidade toda, porque todos os homens são filhos de Deus; se alguns estão afastados, ele manda lamentá-los; proíbe odiá-los. Amai-vos uns aos outros, disse Jesus; não disse: Amai aqueles que pensam como vós; por isso, quando os nossos adversários nos atiram pedras, não devemos nunca lhes devolver as maldições: esses princípios serão sempre daqueles que os professam, de homens que não procurarão nunca na desordem e no mal do seu próximo, a satisfação de seus interesses ou de suas paixões.

RE – 1858 – pg. 301: O ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apóia-se sobre a imortalidade da alma, as penas e as recompensas futuras, o livre arbítrio do homem, a moral do Cristo; portanto, não é anti-religiosa.

RE – 1859 – pg. 5: Se considerarmos agora a moral ensinada pelos Espíritos superiores, ele é toda evangélica, é dizer tudo: prega a caridade cristã em toda a sua sublimidade; faz mais, mostra a necessidade para a felicidade presente e futura, porque as conseqüências do bem e do mal que fizermos estão ali diante dos nossos olhos. Conduzindo os homens aos sentimentos de seus deveres recíprocos, o Espiritismo neutraliza o efeito das doutrinas subversivas da ordem social.

RE – 1859 – pg 86: Graças às comunicações espíritas, isso não é mais uma presunção, uma probabilidade sobre a qual cada um borda à sua maneira, que os poetas embelezam com suas ficções, ou semeiam imagens alegóricas que embelezam com suas ficções, ou semeiam imagens alegóricas que nos enganam, é a própria realidade que nos aparece, porque são os próprio seres do além-túmulo que vê nos pintar a sua situação, dizer-nos o que fazem, que nos permitem assistir, por assim dizer, a todas as peripécias de sua nova vida, e, por esse meio, nos mostram a sorte inevitável que nos espera, segundo nossos méritos e nossos defeitos. Há aí algo de anti-religioso? Bem ao contrário, uma vez que os incrédulos nisso encontram a fé, os tépidos uma renovação de fervor e de confiança. O Espiritismo e, pois, o mais poderoso auxiliar da religião. Uma vez que isso é, é que Deus o permite, e o permite para reanimar nossas esperanças vacilantes, e nos reconduzir ao caminho do bem pela perspectiva do futuro que nos espera.

RE – 1859 – pg 136: O Espiritismo, melhor observado depois que foi vulgarizado, vem lançar a luz sobre uma multidão de questões até aqui insolúveis ou mal resolvidas. Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião, e a prova disso é que conta, entre seus adeptos, com homens de todas as crenças, e que por isso não renunciaram às convicções: os católicos fervorosos que não praticam menos todos os deveres de seu culto, protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos e até budistas e brâmanes; há de tudo, exceto materialistas e ateus, porque essas idéias são incompatíveis com as observações espíritas. O Espiritismo repousa, pois, sobre princípios gerais independentes de todas as questões dogmáticas. Ele tem, é verdade, conseqüências morais como todas as ciências filosóficas; essas conseqüências estão no sentimento do Cristianismo, porque o Cristianismo, de todas as doutrinas, é a mais clara, a mais pura, e é por esta razão que, de todas as seitas religiosas do mundo, os cristãos sãos os mais aptos a compreendê-lo em sua verdadeira essência. O Espiritismo não é, pois, uma religião: de outro modo teria seu culto, seus templos, seus ministros. Cada um, sem dúvida, pode se fazer uma religião de suas opiniões, interpretar ao seu gosto as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância, e creio que seria imprudente dar-lhe a idéia.

RE – 1859 – pg. 192: O Espiritismo, como eu disse, está fora de todas as crenças dogmáticas, com as quais não se preocupa; não o consideramos senão como uma ciência filosófica, que nos explica uma multidão de coisas que não compreendemos, e, por isso mesmo, em lugar de abafar em nós as idéias religiosas, como certas filosofias, fá-las nas naqueles em que elas não existem; mas se quereis, por Doda a força, elevá-lo à categoria de uma religião, vós mesmos o empurrais para um caminho novo.

RE – 1859 – pg. 196: Julho, lançamento do livro “O Que é o Espiritismo?”.

RE – 1860 – pg. 1: Estas cartas, e as numerosas pessoas que nos honram vindo conferenciar conosco sobre essas graves questões, nos convencem, cada vez mais, dos progressos do Espiritismo verdadeiro, e o entendemos por isso o Espiritismo cumprido em todas as suas conseqüências morais.

RE – 1860 – pg. 4: Vós todos que o atacais, quereis, pois, um meio certo de combatê-lo com sucesso? Vou vo-lo indicar. Substituí-o por uma coisa melhor; encontrai uma solução MAIS LÓGICA para todas as questões que ele resolve; daí ao homem uma OUTRA CERTEZA que o torne mais feliz, e compreendei bem a importância dessa palavra certeza, porque o homem não aceita como certo o que não lha pareça lógico; não vos contenteis em não dizer que isso não é, o que é muito fácil; provai, não por uma negação, mas por fatos, que isso não é, jamais foi e NÃO PODE SER; provai, enfim, que as conseqüências do Espiritismo não são as de tornar os homens melhores pela prática da mais pura moral evangélica, moral que louva muito, mas que se pratica pouco. Quando tiverdes feito isso, serei o primeiro a me inclinar diante de vós.

RE – 1860 – pg. 5: Sim, o Espiritismo é forte, mais forte que vós, porque se apóia sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras baseadas no bem e no mal que se fez, vós vos apoiais sobre a incredulidade; ele convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade; vós, vós lhes ofereceis o NADA por perspectiva e o EGOÍSMO por consolação; ele explica tudo, vós não explicais nada; ele prova pelos fatos, e vós não provais nada; como quereis que se oscile entre as duas doutrinas?

RE – 1860 – pg. 157/8: Num discurso pronunciado recentemente no Senado, por S.Em. o cardeal Donnet, nota-se a frase seguinte: “Mas hoje, como outrora, é verdadeiro dizer, com um eloqüente publicista que no gênero humano o Espiritualismo está representado pelo cristianismo”. § Seria sem dúvida, estranho erro, se se pensasse que o ilustre prelado, nessa circunstância, haja entendido o Espiritualismo no sentido da manifestação dos Espíritos. Essa palavra está aqui empregada na verdadeira acepção, e o orador não poderia exprimir-se de outro modo, a menos de se servir de uma perífrase, porque não existe outro termo para expressar o mesmo pensamento. Se não tivéssemos indicado a fonte de nossa citação, certamente se crera saída textualmente da boca de um Espiritualista americano a propósito da Doutrina dos Espíritos, igualmente representada pelo cristianismo, do qual é a mais sublime expressão.

RE – 1860 – pg. 293/4. O Espiritismo está inteiramente fundado sobre o princípio da existência da alma, sua sobrevivência ao corpo, sua individualidade depois da morte, sua imortalidade, as penas e as recompensas futuras. Ele não sanciona estas verdades somente pela teoria, sua essência é de dar-lhes provas patentes; eis porque tantas pessoas, que não criam em nada, foram conduzidas para as idéias religiosas. Toda a sua moral não é senão o desenvolvimento destas máximas do Cristo: Praticar a caridade, restituir o bem para o mal, ser indulgente com seu próximo, perdoar aos inimigos, em uma palavra, agir para com os outros como gostaríamos que eles agissem para conosco.

RE – 1860 – pg. 300: Por toda a parte, não encontrei senão Espíritas sinceros, compreendendo a doutrina sob o seu verdadeiro ponto de vista. Há, Senhores, três categorias de adeptos; uns que se limitam a crer na realidade das manifestações, e que procuram, antes de tudo, os fenômenos; o Espiritismo é simplesmente para eles uma série de fatos mais ou menos interessantes. § Os segundos nele vêem outra coisa além dos fatos; lhe compreendem a importância filosófica; admitem a moral que dele decorre, mas não a praticam; para eles a caridade cristã é uma bela máxima, mas eis tudo. § Os terceiros, enfim, não se contentam em admirar a moral: a praticam e lhe aceitam todas as conseqüências. Bem convencidos de que a existência terrestre é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus curtos instantes para marchar no caminho do progresso que os Espíritos lhes traçam, e, se esforçando por fazer o bem e reprimir os seus maus pendores; suas relações são sempre seguras, porque as suas convicções os distanciam de todo pensamento do mal; a caridade é, em toda coisa, a regra de sua conduta, estes são os verdadeiros Espíritas, ou melhor, os Espíritas cristãos.

RE – 1860 – pg. 333/4: O autor dessa brochura (Carta de um Católico sobre o Espiritismo) se propôs provar que se pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e fervoroso Espírita; sob este aspecto, ele prega pela palavra e pelo exemplo, porque é sinceramente uma e outro. Estabelece por fatos e por argumentos de uma rigorosa lógica, a concordância do Espiritismo com sua religião, e demonstra que todos os dogmas fundamentais encontraram, na Doutrina Espírita, uma explicação de natureza a satisfazer a razão mais exigente, e que a teologia em vão se esforça em dar; de onde conclui que se esses mesmos dogmas fossem ensinados dessa maneira encontrariam bem menos incrédulos e que, portanto, a religião devendo ganhar com essa aliança, um dia virá, pela força das coisas, o Espiritismo estará na religião, ou a religião no Espiritismo.

RE – 1860 – pg 366: Com efeito, o Espiritismo se apóia essencialmente sobre o Cristianismo; não vem substituí-lo, completa-o e veste-o com uma roupa brilhante.

RE – 1861 – pg. 132: O Espiritismo é uma ciência, e, não mais do que outra ciência, não se pode aprender brincando; bem mais, tomar as almas daqueles que não são mais como objetos de distração, seria faltar ao respeito que se lhes deve; especular sobre a sua presença e a sua intervenção, seria uma impiedade e uma profanação.

RE – 1861 – pg. 136/7: A Doutrina Espírita, tal como ela é hoje professada, tem uma amplitude que lhe permite abraçar todas as questões de ordem moral; satisfaz a todas as aspirações, e se o pode dizer à razão mais exigente para quem se dá ao trabalho de estudá-la e não está dominado pelos preconceitos; ela não tem as mesquinhas restrições de certas filosofias; alarga até o infinito o círculo das idéias, e nada é capaz de elevar mais alto o pensamento e de tirar o homem da estreita esfera do egoísmo, na qual se procurou confiná-lo; ela se apóia, enfim, sobre os imutáveis princípios da religião, da qual é a demonstração patente; eis, sem nenhuma dúvida, o que lhe conquistou tão numerosos partidários entre as pessoas esclarecidas de todos os países, e o que a fará prevalecer, num tempo mais ou menos próximo, e isso apesar dos seus adversários, na maioria mais opostos por interesse do que por convicção.

RE – 1861 – pg. 169: Trecho da carta do Sr. Roustaing, de Bordeaux a Kardec: Agradeço com alegria e humildade esses divinos mensageiros por terem vindo nos ensinar que o Cristo está em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo, essa terceira explosão da bondade divina, para cumprir esta palavra final do Evangelho: “Unum ovile et unus pastor”, por terem vindo nos dizer: “Não temais nada! O Cristo (chamado por eles Espírito de Verdade), a Verdade é o primeiro e o mais santo missionário das idéias espíritas. “Estas palavras me tocaram vivamente, e me perguntava: Mas onde está, pois, o Cristo em Missão na Terra?” A Verdade comanda, segundo a expressão do Espírito de Marius, bispo das primeira idades da Igreja, essa falange de Espíritos enviados por Deus em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo”.

RE – 1861 – pg. 301: O Espiritismo, ao contrário, nada tem a destruir, porque se assenta sobre as próprias bases do cristianismo; sobre o Evangelho, do qual não é senão a aplicação. Concebeis a vantagem, não de sua superioridade, mas de sua posição. Não é, pois, assim como alguns o pretendem, sempre porque não o conhecem, uma religião nova, uma seita que se formas às expensas de suas irmãs mais velhas: é uma doutrina puramente moral que não se ocupa, de nenhum modo, dos dogmas e deixa a cada um inteira liberdade de suas crenças, uma vez que não se impõe a ninguém; e a prova disso é que tem adeptos em todas, entre os mais fervorosos católicos, como entre os protestantes, entre os judeus e os muçulmanos. O Espiritismo repousa sobre a possibilidade de se comunicar com o mundo invisível, quer dizer, com as almas; ora, como os judeus, os protestantes, os muçulmanos têm alma como nós, disso resulta que podem se comunicar com elas tão bem quanto conosco, e que, por conseguinte, podem ser Espíritas como nós.

RE – 1861 – pg. 303: ora, o Espiritismo, tornando claro e inteligível para todos o que não o é, evidente o que é duvidoso, conduz à aplicação; ao passo que não se sente jamais a necessidade daquilo que não se compreende; portanto, o Espiritismo, longe de ser o antagonista da religião, dela é o auxiliar; e a prova é que reconduz às idéias religiosas aqueles que a haviam repelido. Em resumo, jamais aconselhou mudar de religião, nem de sacrificar as suas crenças; não pertence em particular a nenhuma religião ou, para dizer melhor, ele está em todas as religiões.

RE – 1861 – pg. 305, Erasto aos Espíritas lionenses: Não poderíeis crer o quanto nos é doce e agradável presidir ao vosso banquete, onde o rico e o artesão se acotovelam bebendo fraternalmente; onde o judeu, o católico e o protestante podem se sentar na mesma comunhão pascal. Não poderíeis crer o quanto estou orgulhoso em distribuir, a todos e a cada um, os elogios e os encorajamentos que o Espírito de Verdade, nosso mestre bem-amado, me ordenou conceder às vossas piedosas coortes;

RE –1861 – pg 341/2: Por que, pois, o Espiritismo, que não é outra coisa que o desenvolvimento e a aplicação da idéia cristã, não triunfaria de alguns zombadores ou antagonistas que, até o presente, apesar de seus esforços, não puderam lhe opor senão uma estéril negação?

RE – 1861 – pg. 343: O mais belo lado do Espiritismo é o lado moral; será por suas conseqüências morais que triunfará, porque ali está sua força, porque ali é invulnerável. Ele escreveu sobre a sua bandeira: Amor e caridade, e diante desse paládio mais poderoso do que o de Minerva, porque vem do Cristo, a própria incredulidade se inclina.

RE – 1861 – pg. 348, Erasto aos Espíritas de Bordeaux: Sei o quanto vossa fé em Deus é profunda, e quão fervorosos adeptos sois da nova revelação; é por isso que vos digo, em toda a efusão de minha ternura por vós, estaria desolado, estaríamos todos desolados, nós que somos, sob a direção do Espírito de Verdade, os iniciadores do Espiritismo na França, se a concórdia das quis destes, até este dia, provas brilhantes viessem a desaparecer de vosso meio. Pg 350: Devo vos fazer ouvir uma voz tanto mais severa, meus bem-amados, quanto o Espírito de Verdade, mestre de nós todos, espera mais de vós.

RE – 1861 – pg. 356: Sim, senhores, este fato é não só característico, mas é providencial. Eis, a este respeito, o que me dizia ainda ontem, antes da sessão, o meu guia espiritual: o Espírito de Verdade. (Allan Kardec)

RE – 1861 – pg. 375/6: Traçamos, em O Livro dos Médiuns (nº 28), o caráter das principais variedades de Espíritas; sendo essa distinção importante para o assunto que nos ocupa, cremos dever lembrá-la. § Podem-se colocar em primeira linha aqueles que crêem, pura e simplesmente, nas manifestações. O Espiritismo não é para eles senão uma ciência de observação, uma série de fatos mais ou menos curiosos; a filosofia e a moral são acessórios, dos quais pouco se preocupam, ou dos quais não supõem a importância. Nós os chamamos Espíritas experimentadores. § Vêm em seguida aqueles que vêem no Espiritismo outra coisa senão os fatos; compreende-lhe a importância filosófica; admiram a moral que dele decorre, mas não a praticam; extasiam-se diante de belas comunicações, como diante de um eloqüente sermão que se escuta sem aproveitá-lo. Sua influência sobre seu caráter é insignificante ou nula; não mudam nada em seus hábitos e não se privariam de um único gozo: o avarento é sempre sovina, o orgulhoso sempre cheio de si mesmo, o invejoso e o ciumento sempre hostis; para eles a caridade cristã não é senão uma bela máxima, e os bens deste mundo dominam, em sua estima, sobre os futuro: esses são os espíritas imperfeitos. § Ao lado daqueles há outros, mais numerosos do que se crê, que não se limitam a admirar a moral espírita, mas que a praticam e lhe aceitam, por si mesmos, todas as conseqüências. Convencidos de que a existência terrestre é uma prova passageira, tratam de aproveitar seus curtos instantes para caminhar na senda do progresso, esforçando-se por fazer o bem e reprimir seus maus pendores; suas relações são sempre seguras, porque sua convicção os distancia de todo pensamento do mal. A caridade é, em todas as coisas, a regra de sua conduta; esses são os verdadeiros Espíritas, ou melhor, os Espíritas cristãos.

RE – 1861 – pg. 376/7: Aquele que, numa reunião, se afastasse das conveniências, provaria não só falta de saber viver e de urbanidade, mas uma falta de caridade; aquele que magoasse com a contradição, e pretendesse impor sua pessoa ou suas idéias, daria prova de orgulho; ora, nem um nem o outro estariam no caminho do verdadeiro Espiritismo, quer dizer, do Espiritismo Cristão. Aquele que crê ter uma opinião mais justa que os outros, fa-la-á bem melhor aceita pela doçura e pela persuasão; o amargor seria de sua parte mau cálculo.

RE – 1862 – 264: A essa primeira questão: O Espiritismo é uma religião, os Espíritos dizem: Não, o Espiritismo não é uma religião, não pretende ser uma religião. O Espiritismo está fundado sobre a existência de um mundo invisível, formado de seres incorpóreos que povoam o espaço, e que não são outros senão as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros globos. Esses seres, que nos rodeiam sem cessar, exercem sobre os homens, como o seu desconhecimento, uma grande influência; desempenham um papel muito ativo no mundo moral e, até um certo ponto, no mundo físico. O Espiritismo está Natureza, e pode-se se dizer que, numa certa ordem de coisas, é uma força como a eletricidade o é em um outro ponto de vista, como a gravidade o é num outro. O Espiritismo nos descortina o mundo invisível; não é novo; a história de todos os povos dele fazem menção. O Espiritismo repousa sobre princípios gerais independentes de toda questão dogmática. Ele tem conseqüências morais, é verdade, no sentido do cristianismo, mas não tem nem culto, nem templos, nem ministros; cada um pode se fazer uma religião de suas opiniões, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância; portanto, o Espiritismo não é uma nova religião.

RE – 1862 – pg. 276: Um dos resultados do Espiritismo bem compreendido, - apoiamo-nos sobre estas palavras: bem compreendido, - é de desenvolver o sentimento da caridade; mas a própria caridade, como se sabe, tem uma acepção muito extensa, desde a simples esmola até o amor aos seus inimigos, que é o sublime da caridade; pode-se dizer que ela resume todos os nobres impulsos da alma para com o próximo. O verdadeiro Espírita, como verdadeiro cristão, pode ter inimigos; - o Cristo não os teve? – Mas não é o inimigo de ninguém, porque está sempre pronto a perdoar e a restituir o bem pelo mal.

RE – 1862 – pg. 278: Não olvideis que a tática de vossos inimigos encarnados ou desencarnados é de vos dividir; provai-lhes que perdem seu tempo se tentam suscitar entre os grupos sentimentos de ciúme e de rivalidade, que seria uma apostasia da verdadeira Doutrina Espírita Cristã.

RE – 1863 pg. 379: A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e conduzirá ao quarto período, que será o período religioso; depois virá o quinto, período intermediário, conseqüência natural do precedente, e que receberá mais tarde sua denominação característica. O sexto e último período será o da renovação social, que abrirá a era do século vente.

RE – 1864 – pg. 97/9: Lançamento do livro Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo: contendo: a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo, sua aplicação à diversas posições da vida. AK, epígrafe: Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade. § Esta obra é para o uso de todo o mundo; cada um pode nela haurir os meios de conformar a sua conduta à moral do Cristo. Os Espíritas nela encontrarão outras aplicações que lhes concernem mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas doravante de maneira permanente entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica ensinada em todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais uma letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado a pô-la em prática, pelos conselhos de seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens, e convidá-los à imitação do Evangelho.

RE – 1864 – pg 106/7: O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.

RE – 1864 – pg. 204: A contradição que existe entre certas crenças religiosas e as leis naturais fez a maioria dos incrédulos, cujo número aumenta à medida que o conhecimento dessas leis se populariza. Se o acordo entre a ciência e a religião fosse impossível, não haveria religião possível. Proclamamos claramente a possibilidade e a necessidade desse acordo, porque, em nossa opinião, a ciência e a religião são irmãs para a maior glória de Deus, e devem se completar uma pela outra, em lugar de se desmentir uma pela outra. Elas se estenderão as mãos quando a ciência não vir na religião nada incompatível com os fatos demonstrados, e que a religião não terá mais a temer a demonstração dos fatos. O Espiritismo, pela revelação das leis que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível, será o traço de união que lhes permitirá se olharem face a face, uma sem rir e a outra sem tremer. É pelo acordo da fé e da razão que ele conduz, cada dia, tantos incrédulos a Deus.

RE – 1865 – pg. 93: Os fenômenos, longe de serem a parte essencial do Espiritismo, dele não é senão o acessório, um meio suscitado por Deus para vencer a incredulidade que invade a sociedade; é sobretudo na aplicação de seus princípios morais. É nisso que se reconhecem os Espíritas sinceros. Os exemplos de reforma moral provocados pelo Espiritismo são já muito numerosos para que se possa julgar os resultados que produzirá com o tempo. É preciso que a sua força moralizadora seja bem grande para triunfar dos atos inveterados pela idade, e da leviandade da juventude. § O efeito moralizador o Espiritismo tem, pois, por causa primeira os fenômenos das manifestações que deu a fé; se esses fenômenos fossem uma ilusão, assim com os incrédulos o pretendem, seria preciso bendizer uma ilusão que dá ao homem a força de vencer seus maus pendores.

RE – 1865 – pg. 188: O campo de combate do Cristianismo nascente era circunscrito; o do Espiritismo se estende sobre toda a superfície da Terra. O Cristianismo não pode ser abafado sob as ondas de sangue; ele cresceu por seus mártires, como a liberdade dos povos, porque era uma verdade. O Espiritismo, que é o Cristianismo apropriado ao desenvolvimento da inteligência e livre dos abusos, crescerá mesmo sob a perseguição, porque ele também é uma verdade.

RE – 1865 – pg. 223: Nova edição do “O Que é o Espiritismo?”.

RE – 1866 – pg. 113/4: Há duas partes no Espiritismo: a dos fatos materiais, e a de suas conseqüências morais. A primeira é necessária como prova da existência dos Espíritos, também é aquela pela qual os Espíritos começaram; a segunda, que dela decorre, é a única que pode levar à transformação da Humanidade pela melhoria individual. A melhoria é, pois, o objetivo essencial do Espiritismo. É para o que deve tender todo espírita sério. Tendo deduzido essas conseqüências segundo as instruções dos Espíritos, definimos os deveres que essa crença impõe; o primeiro inscrevemos sobre a bandeira do Espiritismo: Fora da caridade não há salvação, máxima aclamada, em seu aparecimento, como o facho do futuro, e que logo deu a volta ao mundo em se tornando a palavra de união de todos aqueles que vêem no Espiritismo outra coisa do que um fato material. ... § Foi, pois, de nossa autoridade particular que promulgamos esta máxima? E quando a tivéssemos feito, quem poderia achá-la má? Mas não; ela decorre do ensino dos Espíritos, que eles mesmos a hauriram nos do Cristo, onde ela está escrita com todas as letras, como pedra angular do edifício cristão, mas onde restou enterrada durante dezoito séculos. O egoísmo dos homens evitou que saísse do esquecimento para pô-la em luz, porque teria proclamado sua própria condenação; preferiram procurar sua salvação nas práticas mais cômodas e menos incômodas. No entanto, todo o mundo havia lido e relido o Evangelho, e, como muito poucas exceções, ninguém tinha visto esta grande verdade relegada ao segundo plano. Ora, eis que pelo ensino dos Espíritos ela é subitamente conhecida e compreendida por todo o mundo. Quantas outras verdades encerra o Evangelho, e que ressaltarão em seu tempo! § Inscrevendo no frontispício do Espiritismo a suprema lei do Cristo, abrimos o caminho para o Espiritismo Cristão; fomos instituídos, pois, em desenvolver-lhes os princípios, assim como os caracteres do verdadeiro espírita sob esse ponto de vista.

RE – 1866 – pg. 158, Comunicação do Espírito Louis de France: O Espiritismo é uma ciência essencialmente moral; desde então, aqueles que se dizem seus adeptos não podem cometer uma inconseqüência grava, subtrair-se às obrigações que ele impõe. Pg. 159/60: Ora, o Espiritismo não é outra coisa senão a aplicação verdadeira dos princípios da moral ensinada por Jesus, porque não é senão no objetivo de fazê-la compreender a todos, a fim de que, por ela, todos progridam mais rapidamente, que Deus permite essa universal manifestação do Espírito vindo vos explicar o que vos parecia coisa obscura e vos ensinar toda a verdade. Ele vem, como o Cristianismo bem compreendido, mostrar ao homem a absoluta necessidade de sua renovação interior pelas próprias conseqüências que resultam de cada um de seus atos, de cada um de seus pensamentos; porque nenhuma emanação fluídica, boa ou má, não escapa do coração ou do cérebro do homem sem deixar, em alguma parte, uma marca; o mundo invisível que vos certa é para vós este Livro da Vida onde tudo se inscreve com uma incrível fidelidade, e a Balança da justiça divina não é outra senão uma figura exprimindo que cada um de vossos atos, cada um de vossos sentimentos é, de alguma sorte, o peso que carrega vossa alma e a impede de se elevar, ou aquele que leva o equilíbrio entre o bem e o mal.

RE – 1867 – pg. 271, texto incluído no livro Céu e Inferno: O Espiritismo muito longe de negar ou de destruir o Evangelho, ao contrário, vem confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza que revela, tudo o que disse e fez o Cristo; ele traz a luz sobre os pontos obscuros de seu ensino, de tal sorte que aqueles para quem certas partes do Evangelho eram ininteligíveis, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem sem dificuldade com a ajuda do Espiritismo, e as admitem; vêem melhor e sua importância e podem fazer a parte da realidade e da alegoria; o Cristo lhes pareceu maior: não é mais simplesmente um filósofo, é um Messias divino. – pg. 271: Se se considera, além disso, o poder moralizador do Espiritismo pelo objetivo que ele assinala para todas as ações da vida, pelas conseqüências do bem e do mal que ele faz tocar com o dedo; a força moral, a coragem, as consolações que dá nas aflições por uma inalterável confiança no futuro, pelo pensamento de ter perto de si os seres que se amou, a segurança de revê-los, a possibilidade de conversar com eles, enfim, pela certeza de que tudo o que se fez, tudo que se adquiriu em inteligência, em ciência, em moralidade, até a última hora da vida, nada está perdido, que tudo aproveita ao adiantamento, reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo com relação ao Consolador anunciado. Ora, como é que o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento de regeneração, a promessa de seu advento se encontra do mesmo modo realizada, porque, pelo fato, ele é que é o verdadeiro Consolador.

RE – 1868 – pg. 47, comunicação de Lacordaire: Era preciso, aliás, completar o que não havia podido dizer então, porque não teria sido compreendido. Foi porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, veio em todas as partes do mundo e em todos os povos, revelar as leis do mundo espiritual, das quais Jesus havia adiado o ensinamento, e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as bases lhe forem postas, então virá o Messias que deverá coroar o edifício e presidir à reorganização com a ajuda dos elementos que terão sido preparados.

RE – 1868 – pg. 56/7: comunicação de São Luís a respeito da “Gênese”: Esta obra vem a propósito, neste sentido de que a Doutrina hoje está bem colocada sob o aspecto moral e religioso. Qualquer que seja a direção que ela tome doravante, ela tem precedentes muito enraizados no coração de seus adeptos, para que ninguém possa temer que ela se desvie de seu caminho. § O que importava antes de tudo satisfazer, eram as aspirações da alma; era suprir o vazio deixado pela dúvida nas almas vacilantes em sua fé. Esta primeira missão está hoje cumprida. O Espiritismo entra atualmente numa nova fase; ao atributo de consolador, acrescenta o de instrutor e de diretor do espírito, em ciência e em filosofia, como em moralidade. A caridade, sua base inabalável, dele fez o laço das almas ternas; a ciência, a solidariedade, a progressão, o Espírito liberal dele farão o traço de união das almas fortes. § ... Por este livro, como eu disse, o Espiritismo entra numa nova fase, e esta preparará os caminhos da fase que se abrirá mais tarde, porque cada coisa deve vir a seu tempo. Antecipar o momento propício é tão nocivo quanto deixá-lo escapar.

RE – 1868 – pg 354-62, Discurso de abertura por Allan Kardec na Sociedade de Paris, em 1º de novembro 1868, intitulado: O Espiritismo é uma Religião?, onde de início já cita: “Em qualquer lugar que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, eu me encontro ali no meio delas”. (Mateus, cap. XVII, v. 20.) .... Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! sem dúvida, Senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e disto nos glorificamos, porque é a doutrina que fundamenta os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as bases mais sólidas; as próprias leis da Natureza. § Por que, pois, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que não há senão uma palavra para expressar duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; que ela desperta exclusivamente uma idéia de forma, e que o Espiritismo não a tem. Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo, e dos abusos contra os quais a opinião freqüentemente é levantada. § O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria se ornar de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral. § As reuniões espíritas podem, pois, ser mantidas religiosamente, quer dizer, com recolhimento e o respeito que comporta a natureza séria dos assuntos dos quais ela se ocupa; pode-se mesmo ali dizer, se for possível, as preces que, em lugar de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem ser por isto que se entendam por assembléias religiosas. Que não creia que esteja aí um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não vem senão da falta de uma palavra para cada idéia.

OP – pg. 289, comunicação recebida em 15/04/1860, Um Espírito: O Futuro do Espiritismo. § O Espiritismo está chamado a desempenhar um papel imenso sobre a Terra; será ele que reformará a legislação tão freqüentemente contrária às leis divinas; será ele que reconduzirá a religião do Cristo que, nas mãos dos sacerdotes, se tornou um comércio e um vil tráfico; instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai direto a Deus, sem se deter nas franjas de uma batina, ou no escadote de um altar. Extinguirá para sempre o ateísmo e o materialismo, aos quais certos homens foram levados pelos abusos daqueles que se dizem os ministros de Deus, pregam a caridade com uma espada na mão, sacrificam à sua ambição, e ao espírito de dominação, os direitos mais sagrados da Humanidade.

OP – pg. 298, comunicação de 09/08/1863, sobre o livro E.S.E.: Eis que a hora se aproxima em que será preciso declarar abertamente o Espiritismo por aquilo que ele é, e mostrar a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo; a hora se aproxima em que, diante do céu e da Terra, deverás proclamar o Espiritismo como a única tradição realmente cristã, a única instituição verdadeiramente divina e humana. Escolhendo-te, os Espíritos sabiam da solidez de tuas convicções, e que a tua fé, como uma muralha de bronze, resistiria a todos os ataques.

OP – pg. 299 – comunicação de 14/09/1863: Nossa ação, sobretudo a do Espírito de Verdade, é constante ao teu redor, e tal que não podes recusá-la. ... Sigo com um vivo interesse os progressos de teu trabalho, que são um passo considerável para a frente, e abrem, enfim, ao Espiritismo, o largo caminho das aplicações úteis para o bem da sociedade. Com essa obra, o edifício começa a se livrar de seus alicerces, e já se pode entrever a sua cúpula se desenhar no horizonte. Continua, pois, sem impaciência, como sem cansaço; o monumento estará acabado na hora fixada.

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Jan/2002.

Legenda:

LE= Livro dos Espíritos, Allan Kardec, IDE, Araras, SP

RE= Revista Espírita, Allan Kardec, IDE, Araras, SP, vol. I a XI.

OP= Obras Póstumas, Allan Kardec, IDE, Araras, SP.