Reencarnação, a prova definitiva

Paulo da Silva Neto Sobrinho

É comum a quem não acredita na reencarnação pedir provas de que ela realmente exista. Por outro lado, muitos querem, a todo custo, levar este princípio para o campo religioso, quando, a nosso ver, não tem nada a ver com religião, por se tratar de uma lei da natureza.

A grande maioria dos sistemas religiosos adota essa crença, ficando, fora deste contexto, quase que apenas as ditas religiões cristãs. Fato que muitos não sabem é que no cristianismo primitivo era aceita, sem maiores problemas, inclusive, fazia parte da cultura dos judeus.

Mas não queremos aqui tratar deste assunto por este ângulo, queremos isto sim, mostrar que a prova já existe, só falta um pouco mais de tempo para se consolidar de maneira decisiva, de modo que, a ciência, dita oficial, a aceite sem o mínimo de reservas.

Vejamos então uma experiência narrada no livro “Vidas Sucessivas”, Albert de Rochas, para tirarmos nossas conclusões:

Foi em 1887. Havia na Espanha um grupo espírita chamado “A Paz”, cujo fundador e presidente era Fernandez Colavida, apelidado do outro lado dos Pirineus de Kardec Espanhol.

Em todas as suas sessões, esse grupo fazia o estudo e o controle dos fenômenos espíritas. Minha esposa e eu éramos, naquela época, membros desse grupo.

Ora, certo dia, o sr. Fernandez quis experimentar se podia provocar sobre um sonâmbulo a recordação de suas existências passadas. Eis como agiu. Estando o médium magnetizado em alto grau, ordenou-lhe que dissesse o que havia feito na véspera, na antevéspera, uma semana antes, um mês, um ano e, conduzindo-o assim, ele o fez recuar até a infância, que descreveu como todos os seus detalhes.

Sempre estimulado, o médium contou sua vida no espaço, a morte em sua última encarnação e, conduzido continuamente, chegou a quatro encarnações, das quais a mais antiga fora uma experiência completamente selvagem. É interessante observar que, a cada existência, as feições do médium modificavam-se completamente.

Para trazê-lo de volta ao seu estado normal, ele o fez retornar até sua existência presente, depois o despertou.

Não desejando ser acusado de ter-se enganado, ele fez o médium ser magnetizado por um outro magnetizador, que deveria sugerir-lhe que as existências passadas não eram verdadeiras. Apesar desta sugestão, o médium expôs novamente as quatro existências como o havia feito alguns dias antes.

Obtive o mesmo resultado sobre o mesmo fato com um outro médium. (1)

(1) Os primeiros estudos foram controlados por todos os membros que formam o grupo “A Paz”. A. R.

Essa experiência se fez por magnetização do sujet, em outras palavras hipnose, que, levado a um sono profundo, foi induzido a regredir mentalmente, primeiro aos fatos ocorridos nesta vida, depois aos de vidas anteriores. E pela data pode-se bem perceber que o assunto não era modismo.

Numa segunda experiência, é feita ao sujet a sugestão de que as existências passadas não eram verdadeiras, e apesar disso ele expõem as quatro existências exatamente como tinha feito antes, atesta a preocupação do pesquisador em fugir da fraude ou do engano.

A questão que levantamos em cima deste caso é a seguinte, que para melhor compreensão iremos colocar num esquema gráfico.

Cada número corresponde a uma determinada quantidade de anos. Na linha do tempo o ponto “0” representa o início da vida atual, enquanto que os números negativos o período anterior.

Considerando que os fatos da vida atual são perfeitamente comprováveis, e certamente aceitos como reais, ou seja, que o indivíduo tenha realmente, em regressão, “viajado no tempo”, por que somente os períodos anteriores à vida atual seriam fruto da imaginação? Só porque na maioria das vezes não podemos comprovar? Mas se os fatos da vida atual foram retirados da memória do individuo porque os outros não seriam, já que o método aplicado é o mesmo?

Mas, por que os períodos anteriores não são comprováveis? A bem da verdade, deveríamos dizer que são mais difíceis de se comprovar, porque o período de intermissão – período entre a última desencarnação e a nova encarnação – é, em média, de 250 anos, conforme nos informa Dr. Hernani de Guimarães Andrade. Fica, portanto, muito difícil uma comprovação num espaço de tempo desses, pois muitas informações não possuem registro para que se possa comprová-las. Entretanto, nos casos de crianças, que se lembram espontaneamente de uma reencarnação anterior, as coisas podem ficar muito mais fáceis. E em alguns casos já pesquisados os indícios são muito fortes.

Em recente reportagem na revista ISTOÉ, se falou do estudo do psicólogo Júlio Peres, do Instituto de Terapia Regressiva Vivencial Peres, que fez um mapeamento de ondas cerebrais de pacientes em regressão para se saber qual ou quais as áreas do cérebro que estariam em atividade naquele momento. Assim, alguns pacientes foram submetidos a uma tomografia com emissão de radifármaco (método spect), cujos exames foram analisados pelo médico Andrew Newberg, especialista em estados modificados de consciência da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos. Estes estudos revelaram que as áreas do cérebro mais requisitadas durante a regressão de memória são as do lobo médio temporal e as do lobo pré-frontal esquerdo, que respondem pela memória e pela emoção. Ou seja, não é fruto da imaginação. “Se o paciente estivesse criando uma estória, o lobo frontal seria acionado e a carga emocional não seria tão intensa”, conforme a explicação de Júlio Peres.

Outra pesquisa que vem sendo feita mais recentemente é o da análise das impressões digitais. O delegado de polícia João Alberto Fiorini, da Agência de Inteligência do Paraná, especialista em impressões digitais, está desenvolvendo pesquisa científica em sua área para comprovar a reencarnação.

Como suas pesquisas estão se iniciando praticamente agora, só conseguiu comprovar três casos, entretanto, as perspectivas futuras são animadoras, já que com o seu trabalho sendo divulgado mais pessoas poderão apresentar os seus casos para análise.

O que estamos notando é que o cerco está se apertando cada vez mais, e fatalmente muito breve, estaremos diante da ciência oficial admitindo a reencarnação como uma Lei natural.

Não sabemos se isso irá modificar o comportamento das pessoas, já que todos compreenderão que a justiça divina nos fará quitar todo o mal que tivermos praticado, uma vez que um dos objetivos da reencarnação é justamente esse.

Uma coisa é certa, as religiões cristãs tradicionais terão que se ajustarem à nova realidade. Mas, pensamos, que isso terá um preço o qual elas não se furtarão de pagar. É que seus adeptos poderão se insurgir contra elas, alegando que deveriam saber disso, mas preferiram ficar ao lado dos materialistas. Concluirão que não existe mais inferno, fato sempre dito como verdade pelos líderes religiosos, aí sim para elas será um verdadeiro “inferno”. Compreenderão finalmente, que Deus nos ama, num amor incondicional, que faz, que quer queiramos ou não, estejamos no futuro junto a ele, numa comunhão com todos os outros espíritos criados por Ele.

Mas, é obvio que muitos ainda não acreditarão, deixamos a eles a oportunidade de apresentarem suas contra-provas. E que nos expliquem também como justificar a existência dos gênios precoces e por qual mecanismo um indivíduo consegue fazer algo que nesta vida atual não tenha aprendido, como, por exemplo, pintar? De onde tiram algumas crianças, que ainda não sabem o que é o bem e o mal, um ódio inexplicável pelos pais?

Quer queiramos ou não, o fato é que existe uma certa interferência das religiões nessa questão, por mais que alguns cientistas neguem, estão atrelados às suas correntes religiosas e o preconceito cria obstáculos à plena aceitação dessa realidade.

O escritor Hermínio C. Miranda, nos dá as razões do porquê da Igreja Católica em se manter firme em não aceitar a reencarnação, o que a nosso ver, poderia ser aplicado às demais correntes ditas cristãs. Diz esse erudito estudioso: “... o simples acolhimento da doutrina das vidas sucessivas teria precipitado a invalidação de princípios vitais à Igreja, como o da unicidade da vida, céu, inferno, juízo final, pecado original e, por via de conseqüência, sacramentos, exclusividade salvífica, mediação sacerdotal entre a criatura e Deus, divindade de Jesus e outros tantos aspectos que a Igreja considera, naturalmente, inegociáveis, porque eternos, imutáveis, irremovíveis. É preciso, ainda, lembrar que tudo isso está assentado em bases materiais e econômico-financeiras que garantem incalculável massa crítica de poder político, do qual a instituição não está disposta nem preparada para abrir mão, senão à custa de um suicídio institucional”.

Não podemos deixar de citar o eminente pesquisador “made in Brazil”, o nosso mestre Dr. Hernani Guimarães Andrade, que enfaticamente nos disse:

“Não fosse a ‘teimosia’ dos chefes religiosos e a ‘indiferença’ dos atuais ‘donos’ da Ciência, a reencarnação já estaria fazendo parte das leis definitivamente aceitas, pelo nosso atual sistema científico. Seria levada á conta das leis biológicas conhecidas e que explicam a biogênese, especialmente o processo da vivificação da matéria orgânica, sem embargo da ação da entropia. A entropia, ou ‘Segundo princípio da Termodinâmica’ tem sido uma barreira quase intransponível para as tentativas de explicação da origem da vida, apenas lançando-se mão dos postulados materialistas-reducionistas da Ciência oficial”.

“Ao meu modesto modo de ver, a obra do Dr. Ian Stevenson, Reincarnation and Biology: A Contribution to the Etiology of Birth Marks and Birth Defects [1], e a sinopse desse livro, Where Reincarnation and Biology Intersects: A Synops, não-só representa a evidência definitiva da reencarnação, como ‘deita uma pá de cal’, em cima de qualquer argumentação negativista contra a ‘Lei da Reencarnação’. Não há mais lugar para dúvidas. De agora em diante, restará apenas a sofisticada e inútil controvérsia acerca da natureza ‘daquilo’ que passa de uma encarnação para outra... (ver. Você e a Reencarnação, pp. 100-107)”

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Fev/2003.

Referências bibliográficas:

[1] Volume I: Birthmarks, 1.200 páginas e Volume II: Birth Defects and Other Anomalies, 1.100 páginas.