Se Jesus fosse espírita

Paulo da Silva Neto Sobrinho

Recebemos, via e-mail, um texto intitulado “Se Jesus fosse espírita!”, com doze proposições para um questionamento sugerido pelo seu autor.

Iremos fazer algumas considerações sobre elas, para que fique claro que, quase todos os que buscam combater o Espiritismo, nada sabem sobre ele, e mais, não conseguem ter uma visão abrangente dos ensinamentos de Jesus, aceitando tudo que consta da Bíblia, como sendo a mais pura verdade, sob o argumento de ser ela totalmente de “inspiração divina”.

Nunca os vemos analisar a Bíblia sem uma forte dose de fanatismo, que, somado a um sectarismo religioso, procuram buscar passagens isoladas para justificar os seus pensamentos, esquecendo-se de que, se a Bíblia for totalmente de inspiração divina, nela não poderá haver erro algum, sob pena de colocarmos Deus como falível ou incoerente.

Como os fariseus de outrora, querem sempre se apresentar como seguidores de Jesus. Entretanto, desafiamos a quem quer que seja a nos mostrar uma prova bíblica sequer, em que Ele tenha combatido qualquer pensamento religioso de sua época. Muito ao contrário, sempre demonstrou um respeito muito grande para com todos. Veja que, mesmo diante de uma adúltera, não pronunciou nenhum julgamento, indo até mesmo contra os preceitos religiosos vigentes, já que a legislação mosaica ordenava que se apedrejasse aquela mulher até a morte.

E hoje, estamos às voltas com os fariseus modernos que, como os de outrora, querem que se cumpra a Lei Mosaica, alegando “estar escrito”.

Vamos, agora, analisar os questionamentos:

1 - Em João 9, quando perguntado acerca de por que o homem nascera cego, ele teria respondido "ele está pagando pecados de vidas passadas".

Se as deformidades e doenças de nascença não forem por causa dos “pecados” de vidas passadas, por qual motivo, dentro de um senso de justiça, as pessoas nascem deformadas ou doentes? Qual a explicação lógica e racional para isso? Se “a cada um segundo as suas obras” é a base da justiça divina, onde estavam as obras destes deserdados, já que nasceram assim? Pecado original não serve como resposta, pois a única coisa que ele poderia é ser, apenas, “muito original”. A responsabilidade dos atos é de quem os pratica, ou seja, ela é totalmente individual.

Narra João (5,1-18) um interessante episódio acontecido com Jesus. Diz ele que junto à porta das ovelhas, chamado em Hebraico Betesda, existia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos. Entre eles havia um homem que estava enfermo há trinta e oito anos e que foi curado pela ação de Jesus. Posteriormente, Jesus o encontra no templo e lhe disse: “Olha que já estás curado, não peques mais, para que não te suceda cousa pior”.

A afirmativa de Jesus não deixa nenhuma sombra de dúvida que a causa da doença daquele homem foi conseqüência de seus “pecados”. Mesmo que, pelo texto, não dê para saber se este homem era enfermo de nascença ou não, isso pouco importa, já que é irrelevante, pois, em qualquer circunstância, todos nós estamos sujeitos à lei de causa e efeito, ou vulgarmente chamada de carma.

Mas, voltando ao caso do cego de nascença, analisemos a pergunta feita a Jesus: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” Ora, por lógica só podemos admitir uma pergunta desta para quem acredita que os erros do passado podem influir no presente, e, no caso em questão, como ele nasceu cego, os seus erros foram cometidos antes do seu nascimento, ou seja, numa vida anterior. Se essa idéia estivesse errada Jesus teria dito primeiramente que: Não existe nenhum pecado antes do nascimento, isso é fantasia, pois nós temos uma só vida.

Bom, agora vejamos a resposta de Jesus à pergunta: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus”. O que quer dizer, no caso deste cego, que a deficiência não foi por causa de pecado anterior, mas para que Ele, Jesus, o curasse, ou seja, manifestassem nele as obras de Deus. Quem quiser compreender a missão desse cego, terá que ler os acontecimentos subseqüentes à cura, narrados nos versículos 13 a 41, onde vemos os fariseus (sempre eles, não importa a época) confrontar com aquele ex-cego sobre quem lhe tinha feito a cura, principalmente por ela ter sido feita num sábado.

2 - Ao invés de curar os leprosos, cegos, surdos e coxos, diria que é o "karma" que eles têm que levar.

A missão de Jesus era trazer a mensagem de Deus aos homens E não tinha como objetivo a cura de ninguém, nem de leprosos, cegos, surdos e coxos, até mesmo porque não curou a todos, mas houve a necessidade de produzir alguns fenômenos, cujo objetivo era despertar no povo o interesse para a mensagem que trazia. Vejam que, mesmo apesar de fazer alguns prodígios, muitos ainda não acreditaram nele. E já pensaram se não fizesse nada?

3 - Ao invés de dizer "vinde a mim os cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo que é suave...", ele teria dito "agüentai com paciência o vosso karma".

Quem realmente segue a Jesus, se conforma diante de seu exemplo, pois, apesar, de sofrer sem merecer, Ele se resignou diante da vontade do Pai, cumprindo tudo o que se havia predito sobre Ele.

Entretanto, Jesus não disse tudo claramente, até mesmo se justificou: “Por isso lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem entendem” (Mt 13, 13). É o que realmente acontece com todos os fanáticos religiosos, que ouvem mas não entendem nada.

Por outro lado, citamos o que Jesus disse em outra oportunidade: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora;” (Jo 16, 12). Significando que Ele não disse tudo que deveria dizer, pois não tinham evolução espiritual para entender.

4 - A história do rico e Lázaro teria sido diferente. Abraão (talvez nem fosse Abraão, uma vez que este estaria provavelmente reencarnado) teria dito ao rico para esperar um pouquinho que ele teria outra chance.

Não adianta ficar pegando tudo ao pé da letra, lembrem-se de que Paulo, há muito tempo atrás, já nos recomendava: ...porque a letra mata, mas o espírito vivifica (2 Cor 3, 6). Esta passagem citada é uma parábola, não há como tomá-la no sentido literal, caso contrário, teremos que admitir que Abraão é Deus, pois Lázaro foi, depois de morto, para o seio dele. Também, teremos que aceitar que todos os ricos irão para o “inferno” e todos os pobres, ou pelo menos os cobertos de chagas e lambidos pelos cães, irão para o “céu”. Entretanto, podemos concluir, com certeza, que todos nós seremos punidos ou recompensados pelas ações que praticarmos (a cada um segundo as suas obras).

Quanto ao termo “inferno” este, se refere a um lugar no interior da Terra, para onde supunham que iriam os mortos. Essa idéia estava associada à sepultura. E pensavam que, quem iria para lá, não sairia jamais. Como não analisam o significado da palavra à época das ocorrências bíblicas, interpretam erradamente várias passagens. A idéia de um inferno eterno, por exemplo, não é mais aceita hoje, a não ser como sendo um período longo, mas que tem fim.

Todavia, certos líderes religiosos ainda a mantêm, com o objetivo de aprisionarem as pessoas mais simples, pois é mais conveniente a eles que elas fiquem amedrontadas, e sejam, assim, mais facilmente manobradas por eles, em defesa de seus interesses - entre eles os polpudos dízimos -, à moda do que fazia a Igreja no passado, embora esta tenha tido uma certa razão, pois a mentalidade das pessoas no passado era mais atrasada, o que a levava a agir erradamente de boa fé. Em outras palavras, conhecia-se menos de Bíblia no passado do que se conhece hoje.

Vejam a passagem: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade, e todo o povo diga: Amém” (Sl 106, 48). A eternidade, se não fosse temporária, não poderia haver mais de uma só. E, no entanto, como estamos vendo, o texto fala em mais de uma.

5 - Teria dito a Nicodemos "isto mesmo, você terá que voltar ao ventre materno, mas em outra vida pela reencarnação".

A resposta de Nicodemos a Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”, é o perfeito entendimento de Nicodemos sobre a afirmação de Jesus da necessidade de nascer de novo, ou seja, entendeu muito bem que seria nascer fisicamente de novo. Entretanto, só não sabia como isso ocorreria. Se não fosse o nascer de novo (ou seja, reencarnar) ele teria dito: não é disso que estou falando, mas ao contrário, reafirma o fato acrescentando: “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo”. Para completar o raciocínio sobre a questão da reencarnação, juntaremos a resposta dada por Jesus aos seus discípulos sobre a pessoa de João Batista: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos (para ouvir) ouça” (Mt 11, 13-14). Como se vê, Jesus afirma categoricamente que João Batista é mesmo o espírito Elias nele reencarnado.

6 - A transfiguração teria sido com Moisés e João Batista (reencarnação de Elias), e não com Moisés e o próprio Elias.

Para que se possa compreender a manifestação do Espírito Elias, é necessário que se tenha estudado o Espiritismo com profundidade, não como acontece com a maioria dos que querem nos combater, pois só lêem, nunca estudam. Assim, sabemos que possuímos um outro corpo de matéria quintessenciada chamado perispírito, identificado pelo apóstolo Paulo como o corpo espiritual. É através dele que um espírito se manifesta. Entretanto, o que não sabem nossos opositores é que ele é maleável, podendo tomar a forma que o espírito queira, desde que, para isso, tenha conhecimento ou evolução para o fazer. Em vista disso, podemos manifestar com qualquer um dos corpos que tivemos em outras vidas.

O que muitos ainda não entendem é que o nosso corpo, após a morte, é espiritual e não material, embora possa ter a forma deste.

E, por que a maioria dos espíritos se manifesta geralmente no último corpo, perguntamos? É justamente por não ter conhecimento de como funcionam as leis do plano espiritual, e como sua mente está impregnada da imagem de seu último corpo, inexoravelmente o perispírito tomará a forma dele. Mas esse não foi o caso do espírito João Batista, que era já de alto nível, e pôde, pois, assim, assumir, com seu perispírito, a aparência do seu corpo anterior, ou seja, o de Elias. E assim aconteceu, porque o episódio envolveu um encontro entre personalidades do Velho Testamento, representando a Lei Antiga, com as do Novo Testamento, representando a Nova Lei: Jesus, Tiago, Pedro e João. E merece destaque o fato de Jesus ter-se comunicado com espíritos de mortos, quebrando a Lei de Moisés. E o mais importante da Transfiguração é justamente essa comunicação, e não tanto o brilho das veste de Jesus, com o que tentam encobrir tal comunicação, que é espírita.

7 - Ele não teria sido batizado, uma vez que não existe batismo no espiritismo.

Perguntamos: Considerando que Jesus foi circuncidado no oitavo dia após nascer, por que os meninos de hoje não o são? Se o batismo é algo importante, por que Jesus não batizou ninguém? Será que o autor está falando em batismo da água ou do fogo, do Espírito? Não vemos em quase todas as correntes religiosas praticarem o batismo da água. Entretanto, João Batista fala que: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. O batismo de fogo (dor e sofrimento) representa a purificação do nosso espírito pela Lei de causa e efeito intimamente ligada à Lei da reencarnação.

8 - Ele não teria contado a história das ovelhas e dos bodes em Mateus 25, uma vez que não existe juízo eterno nem fim dos tempos na doutrina espírita.

Ora, nessa passagem existe o prêmio para os que praticaram a caridade, representada pela assistência prestada aos necessitados, o castigo para os que não a fizeram. Assim, concluímos que a “salvação” não está em dizer que crê que Jesus é o Senhor e Salvador, ou que só pelo fato de uma pessoa pertencer a determinada corrente religiosa, está na prática do amor ao semelhante. Quando nós conseguirmos praticar o amor profundo ao nosso próximo, espontaneamente, aí sim, já estaremos evoluídos, podendo passar pela “Porta Estreita”, onde não é fácil passar, e recebemos o prêmio merecido. E será que esses tais difamadores nossos já passaram por essa "Porta Estreita", dando pouca importância para a prática da vontade do Pai, em que tanto insistiu Jesus?

Não dizemos que não haverá juízo. Existe sim, pelo menos em dois momentos. O primeiro ocorre toda vez que, pela morte, retornamos ao mundo espiritual, quando o nosso Juiz é a nossa própria consciência. O segundo, de tempos em tempos, quando o planeta Terra estiver para ascender à uma categoria superior. Nessa ocasião, os espíritos encarnados e desencarnados, no dizer do Evangelho, vivos e mortos, que não se tiverem sintonia vibratória com essa nova categoria, serão lançados “nas trevas exteriores”, ou seja, em mundos primitivos, “onde haverá choro e ranger de dentes”.

Quanto a questão do castigo eterno já falamos. Entretanto, podemos acrescentar: é vontade de Deus que todos sejam salvos ou não? (Mt 18, 14).

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas cousas aos que lhe pedirem?” (Mt 7, 11). Gostaríamos de que você, meu caro leitor, pensasse um pouco e respondesse: Você daria um lugar de sofrimento eterno irremediável, para seu filho? Não? Imagine, então, se Deus o daria? E será que os amigos do mal, da maldade, terão uma vontade superior à do Pai, que quer que todos sejam salvos?

9 - Ele não teria dito que é Deus tantas vezes e teria repreendido Tomé, quando este disse "meus Senhor e meu Deus", dizendo "não Tomé, não me chame de Deus, eu sou apenas um espírito de luz".

Um absurdo deste só pode ter sido dito por quem não tem o menor conhecimento do que Jesus disse, pois em nenhuma ocasião Ele disse que era Deus, mas apenas, Filho de deus, o que nós também somos. Jesus não disse na oração que nos ensinou Pai – Meu, mas, Pai-Nosso. E sempre se colocou em situação de inferioridade, afirmando que veio cumprir a vontade daquele que o enviou. Por outro lado, queria ver onde está na Bíblia a profecia que diz que Deus viria à Terra? Todas as profecias atribuídas a Jesus, dizem que Ele seria um Messias, ou seja, mensageiro, portanto sendo um mensageiro de Deus, não poderia ser o próprio Deus. Ademais, a palavra Senhor é polêmica na Bíblia, sendo juntamente isso uma das causas das confusões sobre Jesus e Deus.

Entretanto, existe uma passagem interpretada incorretamente onde Ele afirma: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30), significando que comungava a mesmas idéias de Deus, até mesmo porque não cansou de afirmar que estava cumprindo a vontade de Deus. Outra passagem deverá ser levada em conta, para um melhor entendimento desta, vejamos: “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim” (Jo 17, 22-23). Poderemos dizer então que, se pela passagem anterior afirmamos que Jesus é Deus, por essa poderemos aceitar que também nós o somos, pois que, igualmente, devemos ser um só com Jesus e o Pai.

Quanto à passagem onde Tomé diz: Senhor meu e Deus meu! Duas explicações possíveis de se fazerem, ainda. Uma, que como não tinham até então nenhuma prova contundente de que alguém voltara do “mundo dos mortos”, ao ver Jesus ali, isso lhe causou uma forte impressão, e, na sua opinião, pensou que esse fato só poderia ocorrer com um Deus. Outra, a mais provável é que é apenas uma exclamação, como acontece normalmente, quando estamos diante de um fato extraordinário e dizemos: Meu Deus!

10 - Ele teria dito ao malfeitor na cruz em Lucas 23.42-43 "posso até me lembrar de você no meu Reino, mas você vai ter que reencarnar para pagar seus pecados".

Faremos aqui três colocações.

A primeira é que se tomam tudo que consta da Bíblia como verdadeiro, como explicar as narrativas a respeito do “bom ladrão”: Mateus (27, 44) diz: “E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele”, fato confirmado por Marcos (15, 22): “Também os que foram com ele crucificados o insultavam”, mas estranhamente, João, que estava ao pé da cruz, portanto uma testemunha ocular, nada disse sobre isso, apenas cita que dois outros foram crucificados junto com Jesus. Lucas, diferente de Mateus e Marcos, diz sobre o diálogo de Jesus com o ladrão.

A segunda é que se nós lermos atentamente essa passagem, veremos que o tal de “bom ladrão” nem sequer se arrependeu dos crimes que praticou, somente reconheceu que ele e o outro, por justiça, mereciam a condenação, e que Jesus não merecia ser condenado. E, então perguntamos qual a justificativa para o “prêmio”? Por outro lado, onde fica o “a cada um segundo suas obras”? Jesus foi alguma vez contraditório com algo que disse anteriormente? Ademais, Ele disse que ninguém deixará de pagar até o último centavo, e o tal de bom ladrão não deveria pagar o que fez? E será que existe mesmo bom ladrão, bom pecador?

A terceira, é que poderia bem ser uma questão de pontuação. Vejamos a resposta de Jesus da seguinte forma: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso”, de sentido muito bem diferente da que consta normalmente nas Bíblias: “Em verdade te digo, (que) hoje estarás comigo no paraíso”. E sobre isso, também, perguntamos se Jesus foi para o paraíso naquele mesmo dia?

11 - Ele não freqüentaria as sinagogas dos judeus, mas os muitos médiuns dos povos pagãos ao redor de Israel.

Jesus era judeu, por isso é que freqüentava as sinagogas. O autor estará aceitando a mediunidade como uma realidade, já que diz que os povos pagãos tinham médiuns? Mas, dizemos mais ainda que em todos os povos e em todas as religiões os encontramos. Só tiveram nomes diferentes, foram chamados de profetas ou reveladores. Vejam a narrativa em 1 Sm 9, 9, quando Saul, ao procurar a jumentas que seu pai, Quis (algumas traduções dizem Cis), tinha perdido, aceita a sugestão de um servo para buscar “um homem de Deus”, justificando que tudo o que ele prediz acontece: (Antigamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia: Vinde, vamos ter com o vidente; porque ao profeta de hoje, antigamente se chamava vidente.) E só acrescentarmos que, hoje, chamamos os videntes e os profetas de médiuns, palavra criada por Kardec, justamente, para designar essas pessoas.

Moisés não aprovava a o uso da mediunidade indiscriminadamente, mas apenas para os que a utilizavam para coisas elevadas, pois em relação a Eldade e Medade, ele afirma: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta”, isso após um dedo-duro, sempre aparece um, dizer que os dois estavam profetizando fora do acampamento.

12 - Os ensinamentos dele estariam repletos de exortações a fazermos contatos mediúnicos.

Anteriormente foi citada a passagem da transfiguração, onde se questionava a respeito da reencarnação. Mas uma coisa muito importante, como dissemos, evitam falar, ou seja, o contato de Jesus e seus três discípulos médiuns especiais entre os Apóstolo, Tiago, Pedro e João com dois espíritos: Moisés e Elias. Passam a passos largos dela. De fato este episódio é um dos que mais provam os contatos mediúnicos, pois Jesus em pessoa entra em comunicação com os espíritos Moisés e Elias, junto ao monte Tabor. Como Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (Jo 14, 12). E, assim, estamos com Jesus, não fazendo nada mais do que Ele, também, fez. E lembrem-se de que ele pediu aos três discípulos que guardassem silêncio provisório sobre aquela transgressão da Lei de Moisés!

Algumas vezes, argumentam, nesta passagem, que Elias não teria morrido, que ele foi arrebatado ao céu, mesmo apesar das citações: “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1 Cor 15, 50) e “ninguém subiu ao céu, senão quem de lá desceu, a saber, o Filho do homem” (Jo 3, 13)., e “todos voltarão ao pó” do Livro de Gênesis. Mas ao concentrarem suas vistas em Elias, se esquecem que com ele apareceu também Moisés, com quem, ao que nos consta, não aconteceu nada disso, morreu e foi enterrado, normalmente. Assim, quem aparece é o espírito que animou a personalidade conhecida como Moisés. Ademais, a Bíblia não diz em nenhuma parte que Elias não morreu. Mas, podemos concluir que morreu, sim, depois daquele episódio, tomando por base aquelas outras afirmações bíblicas acima citadas.

Concluindo, achamos interessante como algumas pessoas pensam que os Espíritas são um bando de idiotas que não sabem interpretar a Bíblia. Estima-se que a maior concentração de pessoas que possuem curso superior está no meio Espírita, não que o Espiritismo tenha preferência, se podemos nos expressar assim, por elas, mas porque, normalmente, é nelas que se encontram os indivíduos que pensam pelas próprias cabeças, e de modo racional estuda a Bíblia, e não aceitando imposição de idéias bestas de pessoas que se julgam infalíveis (que pretensão!) e donas da verdade. Os Espíritas são, pois, os que buscam a verdade, pouco se importando de qual lado ela se encontra. E, por isso mesmo, lêem tudo, já que não temem nada, principalmente se tiverem, pela Ciência, lógica e bom senso, que mudar de opinião a respeito de qualquer coisa que seja, pois não estão sujeitos a dogmas, mas à verdade.

Mas respondendo ao questionamento inicial, podemos afirmar, ainda, que:

Se ser espírita é acreditar na lei de causa e efeito (carma), como Jesus, também, acreditou nela, podemos afirmar que Ele era um Espírita.

Se ser espírita é acreditar na reencarnação, podemos afirmar que Jesus era um Espírita, pois nunca a condenou, mas afirmou de modo contundente, além de proferir muitas idéias que a sugestionam.

Se ser espírita é acreditar na comunicação com os mortos, sem sombra de dúvidas, podemos aceitar que Jesus era um Espírita, já que Se comunicou com eles.

Se ser espírita é acreditar na mediunidade, podemos afirmar que Jesus, ao participar dum episódio mediúnico, provou ser um Espírita.

Se ser espírita é acreditar no progresso do Espírito, podemos afirmar que Jesus era um espírita, pois foi ele que recomendou “Sede perfeitos como é perfeito o Pai Celestial”.

Assim, meu caro leitor, tire as suas próprias conclusões sobre essa questão, pois a nossa você acabou de ler.

Fev/2002

Bibliografia