Segurança

Valdomiro Halvei Barcellos

A delinqüência está implantada na Terra em proporções catastróficas, imprevisíveis, seu nível esta exigindo de todos os homens probos e lúcidos acuradas reflexões.

Sociólogos, educadores, psicólogos, religiosos, políticos, cidadãos comuns, preocupados com a expressiva mole de delinqüentes de toda a lavra, especialmente os perversos e violentos, aprofundam pesquisas, improvisam soluções, experimentam métodos, aderem aos impositivos da precipitação, oferecem sugestões que triunfam por um dia e sucumbem no imediato, tudo prosseguindo como antes, se não mais turbulento, mais inquietador.

Os milênios de cultura e civilização parece que em nada contribuíram a benefício do homem.O ser humano esta mais esclarecido, porém não civilizado.

CAUSAS DA VIOLÊNCIA

A Política de conquista e expansão, geradora do vandalismo, por parte de algumas civilizações, resultando, numa visão superficial, por via de conseqüências desse estado sócio-moral decorrente: a delinqüência, a perversidade e a violência que fluem abundantes, dos campos das guerras sujas e cruéis;

necessidade da moderna tecnologia em libertar os países super-desenvolvidos do excesso de armamentos bélicos e dos equipamentos militares ultrapassados, gerando focos de conflitos a céus abertos entre povos em fases embrionárias de desenvolvimento ou sub-desenvolvidos, martirizados e destroçados às expensas dos interesses econômicos alienígenos, dominadores arbitrários;

condicionamento psicológico do homem à técnica da matança desenfreada e selvagem, atormentado pelo medo contínuo às demoradas contingências da insegurança, incerteza e angústia disso resultantes, adestrado para matar antes e examinar depois, a fim de a si mesmo poupar-se, obrigando-se a cruciais Situações, ingerindo drogas para sustentar-se, açular sensações, aniquilar sentimentos, só, mui dificilmente, poderá reencontrar-se, mesmo que transladado dos campos de combate para as comunidades pacíficas e ordeiras;

injustiça social, parece ser a causa eficiente de nosso Pais, vigente entre as diversas classes humanas, de que padecem os trabalhadores e os menos favorecidos sempre arrojados às posições subalternas ou nenhures, mal remunerados, ou sem salário algum, subnutridos, abandonados, atirados aos redutos sórdidos das favelas, guetos e malocas, vivendo de "expedientes", dependentes uns dos outros, em aventuras, urdem na mais penosa miséria econômica, da qual se derivam as condições mosológicas deploráveis - causas de enfermidades orgânicas e psíquicas de diagnose difícil quão ignoradas, geradoras de ódios, brutalidades e sevícias, nos quais se desarticulam os padrões do sentimento, substituídos por frieza emocional resultante de inditosa esquizofrenia paranóide - os desforços contra a Sociedade indiferente que os relega a estágio primitivo, sub-humano;

indiferença social; condições morais das famílias abastadas - tendo-se em conta que a delinqüência flui, também, abundante e referta, assustadora e rude, em tais meios assinalados pela linhagem social e pela tradição - cujos exemplos, nem sempre salutares, substituem o cumprimento dos retos deveres pelo suborno ou os transferem para a realização a empregados e ou pedagogos remunerados, enquanto os pais se permitem desconsiderações recíprocas, desprezo a leis e costumes, impondo os seus caprichos e desaires como normas aceitas, convenientes, sobre as quais estatuem as diretrizes do comportamento, agindo de maneira desprezível, apesar da aparência respeitável...;

leviandade de mestres e educadores imaturos;

honorários indignos pagos aos Educadores pelos relevantes serviços e misteres de preparação das mentes e caracteres em formação, contribui, igualmente, com larga quota de responsabilidade no capítulo da delinqüência juvenil, da agressividade e da violência vigentes, ameaçadoras, câncer perigoso a dizimar com crueldade o organismo social do Planeta;

vida estrangulada nos congestionamentos urbanos, onde as cifras da delinqüência se fazem superlativas, cada dia ultrapassando as anteriores;

falência da ética religiosa do passado, que depois da constrição proibitiva a todos os processos evolutivos viam-se ultrapassadas, sentindo necessidade de atualização para a sobrevivência, saltando do estágio primário da proibição pura e simples para o acumpliciamento e acomodação a pseudo valores novos, não comprovados pela qualidade de conteúdo;

orquestração, por parte da mídia, assim como da arte cinematográfica e televisiva das ocorrências configuradas como crime ou contravenção;

sistema policial ultrapassado;

"justiça lenta";

"superlotação carcerária";

"crime organizado";

ENTENDENDO O DELINQÜENTE

O delinqüente padece, não raro, de distúrbios endógenos ou exógenos que o impelem ou predispõem à violência, que se desdobra ante os demais contributos sociais, econômicos, mesológicos...

Sem qualquer dúvida, a desarmonia endocrínica, resultante da exigência hereditária, as distonias psíquicas se fazem vigorosos impositivos para a alienação e a delinqüência. Muitos traumas psicológicos e recalques que procedem do próprio espírito aturdido e infeliz espocam como complexos destrutivos da personalidade, expulsando-os para os porões do desajuste da emoção e para a rebeldia sistemática a que se agarram, buscando sobreviver, não raro enlouquecendo pela falta de renovação e pela intoxicação dos fluidos e miasmas psíquicos que cultivam.

Além disso, os distúrbios orgânicos, as seqüelas de enfermidades várias, os traumatismos ocasionados por golpes e quedas são outra fonte de desarranjos do discernimento, ensejando a fácil eclosão da violência e da agressividade.

O MOMENTO ATUAL

As causas são alarmantes, há que se tomar providencias urgentes e emergenciais. Todos os segmentos da Sociedade têm que se engajar no combate a violência.

A reforma dos Códigos de Justiça se impõe para agilizar o andamento dos Processos. Políticas de:

Educação-Moral, conforme estudamos nas obras Básicas da Doutrina Espírita.

REFORMA SOCIAL

A reforma social deve partir da reforma moral do ser humano, de dentro para fora, do indivíduo para a sociedade. O instrumento adequado para a realização desse ideal é a EDUCAÇÃO, no seu mais amplo e abrangente sentido, como promotora da cultura intelectual e da elevação dos padrões éticos, sem esquecer o trabalho de adequação do corpo físico...

Não podemos pensar em educação sem proporcionarmos condições de Saúde "saco vazio não para em pé", aqui também O Momento Atual requer um esforço concentrado total.

EDUCAÇÃO

A valorização da Vida e o Respeito pela Vida conduzirão pais, mestres, educadores, religiosos e psicólogos a uma engrenagem de entendimento fraternal com objetivos harmônicos e metódicos - exemplos capazes de sensibilizar a alma infantil e conduzi-la com segurança às metas felizes que devem perseguir.

Por coerência, espiritualmente renovado e educado, o homem investirá contra a chaga vergonhosa da injustiça social, contra os torpes métodos que fomentam a miséria econômica e seus fâmulos, contra o inditoso e constritivo meio-ambiente pernicioso, contra o orgulho, o egoísmo e a indiferença.

O Homem iluminado interiormente pela flama da Consciência Cósmica, que se segue a Consciência de Si (Psí), sabendo-se herdeiro de si mesmo, modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva, retificadora.

Os Homens são, pois, seus feitos.

A sociedade é os homens que a constituem.

A vida humana resulta dos Espíritos que a compõem.

Nesse cometimento todos estamos engajados e ninguém se pode omitir, porquanto somos igualmente responsáveis pelas ocorrências da delinqüência, perversidade e violência - esses teimosos remanescentes da natureza animal do homem em luta consigo mesmo para insculpir o bem e libertar dos grilhões do primarismo terreno a sua natureza espiritual.

Educação, o aprendizado da Vida. Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. (Aurélio). Idéias básicas: desenvolvimento físico, intelectual e moral, portanto, dentro do dualismo corpo/espírito e integração individual e social. É tanto necessário cuidar do físico como do componente espiritual, dois aspectos distintos que exigem tratamento diferenciado, mas integrado, visando uma finalidade única: a otimização de suas condições evolutivas. Podemos observar ainda que na conceituação do processo educacional o dicionarista caracteriza com prioridade dois aspectos fundamentais: o intelectual e o moral.

A falta de ética adequada na estruturação do processo educacional pode acarretar conseqüências calamitosas para toda a comunidade humana. Seria contraditório e moralmente inaceitável um processo educacional que treinasse e produzisse indivíduos anti-sociais. Entende-se o ser humano como entidade eminentemente social, que não vive só. É nas inúmeras comunidades espalhadas pelo mundo que homens e mulheres convivem, aprendem, trabalham e buscam suas realizações pessoais. A idéia diretora de toda essa programação humana é a educação física, intelectual e moral do ser humano, visando à sua melhor integração individual e social.

Iniciar desde já o emprego de maciços recursos orçamentários na área da SAÚDE e EDUCAÇÃO: o Governo, a Classe Empresarial, a Classe Rural, a Classe Agrícola, a Classe "A", a Classe dos Banqueiros, a Classe Esportiva que já vem dando Bons exemplos.

Temos, também, o Terceiro Setor com a Lei do Voluntariado, já dando mostra de um Caminho de Luz e não poderia deixar de lembrar as Sociedades assistenciais de todos os segmentos filosóficos e religiosos, há tanto tempo exemplificando estoicamente qual é o caminho.

Temos ouvido apregoar a Distribuição de Renda. Entendo que seja distribuição de recursos amoedados. Não surtirá efeitos. Melhora judiciosa de salários sim. Distribuição igualitária não. Pois que as pessoas são desiguais; os méritos as capacidades as inteligências são desiguais; os níveis de consciência são diferentes. Então pensamos que os governantes em particular e os Cidadãos em geral devem pensar e executar a divisão de Bem-Estar o que é diferente. Pois o Ser Humano deve viver Bem (com BEM-ESTAR) no seu nível, social, moral, intelectual, para que dinamizando-o, dê um SALTO QUÂNTICO.

CONCLUSÃO

A simples preocupação dos interessados - E A QUESTÃO NOS DIZ RESPEITO A TODOS NÓS -, não resolve, se medidas urgentes e práticas, mediante uma política educativa generalizada, não se fizerem impor, antes da erupção de males maiores e das suas conseqüências em progressão geométrica, apavorantes, com as cidades transformadas em imensos palcos para o espetáculo cada vez mais rude da delinqüência e dos seus famigerados comparsas; bem como Políticas resultantes de Altos Estudos Estratégicos elaboradas por Personalidades de Notório Saber.

Tem-se procurado reprimir a delinqüência sem se combaterem as causas fecundas da multiplicação. Muito fácil, parece, a tarefa repressiva, inútil, porém, quando não se transforma em um fator a mais para a própria violência.

A terapêutica para tão urgente questão há de ser preventiva, exigindo dos adultos que se repletem de Amor, a fim de que moralizando-se, possam educar as gerações novas, propiciando-lhes clima salutar de sobrevivência psíquica e realização humana.

Os distônicos mento-psicossomáticos catalogados com psicopatologias e sociopatias qualificadas receberão a benção da reclusão em ambientes humanizados e não animalizados como os atuais;

Portadores de perturbação psíquica de qualquer procedência e violenta serão amados e atendidos por uma Medicina mais humana e mais interessada nos pacientes que preocupada em auferir lucros e homenagens com que muitos profissionais se envilecem, em tortuosa correria para a fama e o poder...

PARA MEDITAR

ARISTOCRACIA

Aristos, o melhor, e kratos, poder. Poder dos melhores.

As Aristocracias tiveram sua razão de ser; nasceram do estado da Humanidade:

a Patriarcal;

a da Autoridade da Força Bruta, que dividiu a sociedade em duas classes, a dos superiores e a dos inferiores, os que mandam e os que obedecem gerando a aristocracia do Nascimento, com força mercenária e Poder Divino;

a Burguesa;

a da Inteligência.

A inteligência nem sempre constitui penhor de moralidade e o homem mais inteligente pode fazer péssimo uso de suas faculdades. Doutro lado, a moralidade, isolada, pode, muita vez, ser incapaz. A reunião dessas duas faculdades, INTELIGÊNCIA E MORALIDADE, são, pois, necessária a criar uma preponderância legítima, a que a massa se submeterá cegamente, porque lhe inspirará plena confiança, pelas suas luzes e pela sua justiça.

Será essa a última aristocracia, a que se apresentará como conseqüência, ou, antes como sinal do advento do reinado do bem na Terra. Ela se erguerá muito naturalmente pela força mesma das coisas. Quando os homens de tal categoria forem bastante numerosos para formarem uma maioria imponente, a massa lhes confiará seus interesses.

Todas preencheram ou preencherão seu tempo, conforme os países, porque nenhuma teve por base o princípio moral; só este princípio pode constituir uma supremacia durável, porque terá a animá-la sentimentos de justiça e caridade. A essa aristocracia chamaremos: aristocracia intelecto-moral.

Mas, semelhante estado de coisas será possível com o egoísmo, o orgulho, a cupidez que reinam soberanos na Terra? Responderemos terminantemente: sim, não só é possível, como se implantará, por ser inevitável.

Já hoje a inteligência domina; é soberana, ninguém o pode contestar. É tão verdade isto, que já se vê o homem do povo chegar aos cargos de primeira ordem. Essa aristocracia não será mais justa, mais lógica, mais racional, do que a da força bruta, do nascimento, ou do dinheiro? Por que, então, seria impossível que se lhe juntasse a moralidade? - Porque, dizem os pessimistas, o mal domina sobre a Terra. Quem ousará dizer que o bem nunca o sobrepujará? Os costumes e, por conseguinte as instituições sociais, não valem cem vezes mais hoje do que na Idade Média? Cada século não se assinala por um progresso? Por que, então, a humanidade pararia, quando ainda tem tanto a fazer? Por instinto natural, os homens procuram o seu bem-estar; senão o acharem completo no reino da inteligência, procurá-lo-ão algures, e onde poderão encontrá-lo, senão no reino da moralidade? Para isso, torna-se preciso que a moralidade sobrepuje numericamente. Não há contestar que muitíssimo se tem que fazer; mas, ainda uma vez, fora tola pretensão dizer-se que a Humanidade chegou ao apogeu, quando é vista a avançar continuamente pela senda do progresso.

Digamos, antes de tudo, que os bons, na Terra, não são absolutamente tão raros como se julga; os maus são numerosos, é infelizmente verdade; o que, porém, faz pareçam eles ainda mais numerosos é que têm mais audácia e sentem que essa audácia lhes é indispensável ao bom êxito. De tal modo, entretanto, compreendem a preponderância do bem, que, não podendo praticá-lo, com ele se mascaram.

Os bons, ao contrário, não fazem alarde das suas boas qualidades; não se põem em evidencia, donde o parecerem pouco numerosos. Pesquisai, no entanto, os atos íntimos praticados sem ostentação e, em todas as camadas sociais, deparareis com criaturas de natureza boa e leal em número bastante a vos tranqüilizar o coração, de maneira a não desesperardes da Humanidade. Depois cumpre também dizê-lo, entre os maus, muitos há que apenas o são por arrastamento e que se tornariam bons, desde que submetidos a uma influencia boa.

TODA CONTRIBUIÇÃO DE AMOR COMO DE PACIÊNCIA, TODA DÁDIVA DE LUZ COMO DE SABERES SÃO VALIOSAS OFERENDAS PARA O AMANHÃ DE PAZ E VENTURA QUE ANELAMOS.

Bibliografia: