Busquemos a Verdade e ela nos libertará

Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

“A Verdade é como o Sol; um eclipse pode obscurecê-la, mas não pode anulá-la” (Kniger - Escritor Alemão - de 1752 usque 1796)

Meus amigos, vivemos no mundo das ilusões. A Verdade, às vezes, não está naquilo que vemos, mas precisamente no que não vemos. A Verdade demanda estudos e, acima de tudo, equilíbrio e Bom Senso. Surpreendemo-nos com a realidade das coisas, jogando com as Faculdades do nosso Espírito e não com os nossos sentidos. Os nossos sentidos, muitas vezes, nos enganam. Ainda, hoje, em nossos dias, muita gente supõe que o nosso Planeta Terra seja fixo, porque ninguém o vê mover-se. Muitos irmãos imaginam que as cores são propriedades dos corpos, entretanto, em verdade, as cores são aparências ou impressões particulares produzidas na retina pela luz. Nos desertos arenosos, são conhecidos os fenômenos que se denominam “miragens”. O viandante, por ilusão ótica, vê na atmosfera, as imagens de objetos que, na realidade, não existem. O viandante vê uma coisa e atrás da sua visão existe uma realidade diferente. Vivemos, meus amigos, neste nosso mundo, cercados pelas ilusões. Dentre as ilusões que nos cercam, a maior delas é a morte. Nada, nada mesmo, nos parece mais real do que a morte. A morte, sob nossa falsa visão, é o epílogo fatal da vida. Para o vulgo, em geral, é o ponto final. Morreu, acabou-se. Mas, meus amigos, a Verdade oculta-se atrás da aparência da morte. Quem enxerga um cadáver, considerando a morte, no seu aspecto externo, ali, por certo, está o fim de tudo. Entretanto, a morte não passa de uma simples dissimulação da Vida. A Vida que se oculta sob a aparência da morte, eis a Realidade Verdadeira. Sim, é a Vida que vence, é a Vida que triunfa sempre, sobrepondo-se a todas as metamorfoses. É preciso que saibamos compreender que a Vida, em si mesma, não é o que vemos; o que vemos são apenas as manifestações da Vida, como a Luz é a manifestação da corrente elétrica. Quereis saber o que é a Alma? Já dizia Santo Agostinho: “olhai um corpo morto sem ela”. O corpo, com todos os seus órgãos, não passa de um cadáver se lhe escapa a Alma. Nós não vemos a Vida, em si mesma, (a Alma), nos não vemos o vento, nos não vemos a corrente elétrica, nós não vemos o oxigênio que respiramos, entretanto, tudo isso constitui uma Realidade Oculta. Como vemos a “forma” não vemos a “essência”, tomamos o efeito pela causa, concedendo à morte o império sobre a Vida, quando, em verdade, é esta que fatalmente reina sobre aquela. Difícil, meus amigos, tem sido convencermos o homem deste fato, de que a morte não existe, de que a morte é uma simples transformação. Isso porque a ilusão da morte vem dominando o homem e o homem, até hoje, infelizmente, considera a morte como ponto final. Obstina-se o homem, ainda, em nossos dias, em considerar a morte como flagrante realidade. Infelizmente, o homem esquece ou ignora a passagem do Mestre Jesus pela Terra, assinalando o acontecimento mais extraordinário da História da Humanidade. E o objetivo precípuo do Mestre foi justamente revelar a todos nós A IMORTALIDADE ATRAVÉS DE UM TESTEMUNHO POSITIVO, PALPÁVEL E CATEGÓRICO. Sim, Meus caros amigos, Jesus veio a este nosso mundo exemplificar o Poder da Vida sobre a morte; ressuscitou, com o seu corpo espiritual, e depois da sua agonia no Calvário, para provar a imortalidade da Alma, apareceu aos seus Discípulos na estrada de Emaús e finalmente apareceu aos seus Apóstolos no Cenáculo em Jerusalém.

Meus amigos, o Cristianismo, hoje, nas leiras de luz do Espiritismo, é por excelência a religião da vida em oposição à religião da morte. Disse o nosso Mestre Jesus:

“Deus não é Deus de mortos; para Ele todos vivem”.

O importante, nesta nossa vida, é não perdermos a Esperança e procurarmos sempre a Verdade. Ela, a Verdade, por certo, abrirá nossos olhos e nos fará enxergar as coisas como são na realidade. À luz da Verdade, caminharemos com mais segurança e saberemos separar o joio do trigo.

Guardemos as maravilhosas Palavras do Eminente Orador Sacro - Jean Baptiste Massilon que viveu na França de 1663 usque 1742:

“A Verdade, essa Luz Celeste, é a única coisa no mundo que se faz objeto dos cuidados e das investigações do homem. Só Ela é a Vida da nossa Virtude, a regra do nosso coração, a fonte dos verdadeiros prazeres, o fundamento de nossas esperanças, o consolo de nossos temores, o alívio de nossos males, o remédio de nossas penas. Todos os nossos cuidados deveriam limitar-se a conhecê-la, toda a nossa loquacidade a publicá-la e todo o nosso zelo a defendê-la”.

Meus amigos: “VITAM IMPENDERE VERO”, expressão que imortalizou o Poeta Juvenal e que podemos, assim, traduzir: Consagrar a vida à verdade. Consagremos a nossa vida à Verdade e viveremos felizes...

(Jornal Verdade e Luz Nº 187 de Agosto de 2001)