César Lombroso diante do Espiritismo

Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

Éramos, ainda, jovem estudante de Direito, quando nosso saudoso Mestre de Direito Penal, Prof. Dr. Noé Azevedo, já nos falava de César Lombroso, considerado, naqueles tempos, como Autoridade Máxima no campo da Antropologia Criminal. Explicava-nos, Noé Azevedo, que para Lombroso os delinqüentes eram criaturas portadoras de anomalias físicas e morais e que deveriam ser tomados como ponto de partida para as análises de suas personalidades, dando estrutura a uma nova Ciência Penal. Aprendemos, ainda, que Lombroso, após demorados e pacientes estudos, após colher centenas de casos abonadores de suas idéias, legou aos seus contemporâneos sua célebre obra - “L’UOMO DELINQÜENTE”. Aludido livro teve larga repercussão e logo alcançou a segunda edição. Com o livro - “L’uomo Delinqüente”, Lombroso deu um forte impulso ao Direito Penal, mostrando-nos que o “criminoso é um doente e absurdo seria puni-lo. Deve, portanto, o criminoso receber adequado tratamento e ser posto simplesmente na impossibilidade de causar dano”. Lombroso apresentou uma solução simples e cristã para se recuperar o criminoso. O Professor Dr. Sérgio Sighele, referindo-se a Lombroso, disse: “que o criador da Antropologia Criminal fez pelos delinqüentes o que Pinel, há mais de um século, fez pelos loucos; não apenas obra de ciência, mas principalmente obra de humanidade” (apud - “Hipnotismo e Mediunidade” -de C. Lombroso - 2.ª ed. - FEB).

Sim, meus amigos, Lombroso criou a Antropologia Criminal que deu nova fisionomia ao Direito Penal e transformou o conteúdo jurídico, social e biológico do delito. Muito teríamos que falar sobre Lombroso sob o aspecto científico, mas, neste comentário, nosso objetivo maior, por certo, é mostrarmos Lombroso diante da fenomenologia mediúnica.

Sabemos que Lombroso nasceu em Verona, (Itália), no dia 6 de novembro de 1835. Foi de origem humilde e revelou-se sempre um excelente estudante. Desde os primeiros anos de Escolinha Primária até formar-se em Medicina, Lombroso revelou uma Inteligência Brilhantíssima. Tanto batalhou que, após sério concurso, conseguiu a Cátedra de Antropologia Criminal na Universidade de Turim. Travou tremendas batalhas aos opositores das suas idéias, mas, nunca deu-se por vencido. Foi um Homem de coragem, Alta Moral e de Princípios Rígidos.

Foi lenta e árdua, porém, contínua e segura, a marcha de Lombroso rumo ao Espiritismo. De início, ridicularizava as manifestações psíquicas. Motejava dos médiuns e das ‘mesas girantes”. Chegava mesmo a insultar os Espíritas. Entretanto, certa feita, através de uma carta do seu amigo Ercole Chiaia, chegou ao seu conhecimento a figura de uma mulher Napolitana, analfabeta, de classe humilde, robusta e que se chamava EUSÁPIA PALADINO. Como céptico recusou-se a assistir sessões, tendo como Médium a grande Médium Eusápia Paladino. Mas seu amigo Chiaia tanto insistiu, que Lombroso, fez absoluta questão de impor as condições. Os demais participantes das reuniões, inclusive a Médium, aceitaram todas as condições impostas por Lombroso. Assim, na presença de Lombroso, sob fiscalização rigorosa, estando a Médium segura por duas pessoas, desenrolaram-se fenômenos de transportes de objetos, de materializações parciais, de tiptologia, (mensagem transcendental obtida por meio de pancadas), de vozes diretas e outros da mesma estirpe. Depois de tudo o que presenciou, induvidosamente, Lombroso rendeu-se à Verdade e confessou:

“Io sono molto vergognato e dolente di aver combattuto com tanta tenacia la possibilitá dei fatti cosi detti spiritici; ma i fatti esistono, ed io dei fatti mi vanto di essere schiavo”.

Traduzindo: “Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos fatos chamados espiríticos; mas os fatos existem e eu deles me orgulho de ser escravo”.

Os trabalhos de Lombroso com a Médium Eusápia Paladino foram se sucedendo e foram progredindo. Sob a ectoplasmia desprendida por Eusápia, Lombroso, sempre vigilante, obteve revelações maravilhosas. Aludidas revelações venceram a desconfiança científica de Lombroso e não deixaram também de iluminar a sua Consciência Moral. Em uma determinada sessão, robusteceu-se, ainda mais, a plena convicção de Lombroso, ante a materialização do Espírito de sua mãe. Eusápia prometeu uma surpresa a Lombroso e esta concretizou-se através da materialização do Espírito de sua própria mãe. Sim, meus amigos, o Espírito da mãe de Lombroso materializou-se e aproximando do seu filho lhe disse: “Cesare, fio mio” e depois retirando, por um momento, o véu que lhe cobria a face, deu-lhe um beijo. E Lombroso confessa que, no instante, em que ocorria a materialização do Espírito da sua mãe, Eusápia tinha as mãos presas por duas pessoas e que também a estatura de Eusápia era bem mais alta do que a do Espírito materializado da sua mãe. Eis aí, meus amigos, a Verdade através de um depoimento de um Homem de Ciência, de um Sábio. Será que alguém poderá contestá-la, cremos que não...

Lombroso desencarnou no dia 19 de outubro de 1909, em Turim, aos 74 anos de idade. Perante nossa Doutrina, sem dúvida, foi um Pesquisador Incansável, doando-nos um livro magnífico: “Hipnotismo e Mediunidade” do qual tiramos elementos para este nosso modesto trabalho. Perante a Disciplina que o levou à Cátedra é considerado, até hoje, um dos mais geniais e dos mais insignes Mestres Italianos. Lombroso expirou serenamente nos braços de sua talentosa filha Dra. Gina, que se referiu a esse momento final com essas palavras:

“A sua Alma passou para o Infinito como um rio que, ao chegar à foz tranqüila, se expande no mar...”

Podemos dizer, para fechamento deste nosso modesto comentário, que o Espírito de Lombroso, esteja onde estiver, pelas suas virtudes, paira nas mais altas esferas, Ele que foi um homem de coração aberto aos ideais do progresso e que fez da existência um Hino de Amor à Verdade e ao Próximo.

(Jornal Verdade e Luz Nº 186 de Julho de 2001)