Educação para o ano 2000

Marlene Fagundes Carvalho Gonçalves

de Ribeirão Preto, SP

“O universo não é frio e impessoal. A lei não é apenas justiça, mas amor. E o amor se manifesta de ser para ser. (…) Jesus não passa no mundo como um mestre distante dos alunos, mas conhecendo-os a todos, mesmo os fariseus empedernidos, usa com cada um a linguagem doce ou enérgica - mas sempre amorosa - de quem educa. (…) Esse amor é o ponto de apoio de nossa evolução. Assim, dentro dos limites das imperfeições humanas, cada educador deve fazer de seu próprio afeto uma âncora de evolução para aquele a quem deseja educar.”(Incontri, Dora; A Educação Segundo o Espiritismo, SP, FEESP, 1997. Grifo meu)

Chegamos ao ano 2000. Como fica hoje nossas reflexões sobre educação?

Dos tempos em que uma criança sequer olhava para os adultos ao ser indagado sobre algo, até os tempos em que não olha por falta de respeito mesmo, o que aconteceu? O que nos espera agora, em pleno ano 2000?

A forma de se educar a criança variou muito neste último século… De uma educação tradicional, na qual a criança apenas ouvia e repetia, para uma idéia de espontaneidade e liberdade total, a humanidade caminhou em saltos…

Como nos mostra a história da humanidade, vamos sempre de um extremo a outro, para enfim fazermos uma reflexão e buscarmos o meio-termo, o bom senso.

Em termos científicos, o número de estudos sobre a educação cresceu bastante. Muitos estudiosos trouxeram grandes contribuições para esta área. E foi acontecendo uma extrema valorização do aspecto cognitivo, intelectual da criança. Foi esquecida, muitas vezes, a maneira de se ver uma criança como uma pessoa integral, com sentimentos, emoções, motivações e carências… Quando um pequeno “gênio” surgia, mais que depressa eram estimulados ao máximo sua potencialidades intelectuais, privando essas crianças de uma vida normal.

Professores referem-se à sua turma como uma “massa” de 40 alunos. Parecem esquecer-se que cada um desses 40 é uma pessoa inteira, que sente e que precisaria ser olhado e respeitado com alguém diferente dos outros, alguém especial.

O curioso é que Jesus, quando esteve entre nós, apresentava uma forma de olhar e dirigir-se às pessoas, que fazia com que cada um deles se sentisse único no mundo, se sentisse importante e digno de atenção, se sentisse amado.

Hoje sabemos da importância da interação e da troca social para o desenvolvimento infantil. Mas como interagir, propiciar esta troca, se não pudermos olhar para a criança com o respeito que ela merece? 

Na teoria, tudo parece simples. Fala-se de interação como se esta fosse uma palavra mágica. Mas tem-se conseguido chegar perto da criança para percebê-la integralmente? Às vezes não conseguimos isso nem com nossos próprios filhos! Quando Dora Incontri ¹ nos lembra que “o amor se manifesta de ser para ser....”, isso soa como um alerta. Não se pode amar no vazio…

As reflexões hoje, no campo da educação, caminham para a busca do equilíbrio. Buscam-se valorizar ao máximo os sentimentos da criança, mas também reconhece-se a importância da imposição de limites; valoriza-se o respeito à criança, mas também a autoridade necessária à sua fase de desenvolvimento; a importância do afeto e da interação com a criança, bem como a cobrança daquilo que é da responsabilidade dela. Só assim estaremos possibilitando seu desenvolvimento real e crescimento perante o mundo e os homens.

Enfim, estamos buscando o modelo dado por Jesus, de uma “linguagem doce ou enérgica - mas sempre amorosa - de quem educa”. Temos que ter a esperança de que podemos, nós também, fazer alguma coisa enquanto educadores, pois já sabemos que “cada educador deve fazer de seu próprio afeto uma âncora de evolução para aquele a quem deseja educar.”

Estamos entrando no ano 2000 sabendo que grandes mudanças precisam acontecer, e olhar para os modelos deixados por Jesus, é um bom começo…

Bibliografia:

(Jornal Verdade e Luz Nº 168 de Janeiro de 2000)