Educar as crianças para não ser necessário repreender os homens

Naiara Taici Ferreira de Oliveira

de Ribeirão Preto, SP

Nos dias de hoje questionamos o encaminhamento do ser humano na vida terrena.... O que está por acontecer? Como será o futuro?

Oportunamente, lembramo-nos das palavras de Dora Incontri, em um de seus ensaios: “No mundo atribulado de transição em que vivemos, só existe uma fórmula infalível para que a aurora do 3.° milênio surja límpida e bela no horizonte humano: a Educação”.

Estamos no 3.° milênio e temos muito trabalho pela frente. É necessário que compreendamos nossa responsabilidade quanto à educação de nossas crianças hoje para que não repreendamos o homem no amanhã.

Educar é desenvolver, cultivar, fazer brotar uma palavra: elevar. Educar é fazer crescer, desabrochar toda a integridade física e espiritual.

Para isso é preciso amor e auto-educação. Amar para educar e auto-educar-se para amar. Não é possível alguém se aperfeiçoar se não procurar cultivar em si mesmo a obra da mudança renovando-se no Bem.

Nesse sentido o processo educativo começa antes mesmo da união dos pais. A responsabilidade de ambos já existe desde que assumiram o compromisso de receber um Espírito, pela bênção da reencarnação, para assim poderem auxiliá-lo em sua jornada evolutiva.

Assumindo o compromisso e consumada a união dos pais, o ambiente deverá manter-se propício.

Após a fecundação os pais sentem que estão gerando vida e mantém-se em equilíbrio em clima de alegres cuidados.

Nove meses - imprescindíveis à formação da matéria e preparo do Espírito para a vida terrena - será tempo para o exercício da calma, paciência, compreensão e amor que deverá envolvê-lo de maneira que se sinta confortável, bem-vindo e, sobretudo, amado.

Esses meses fortalecerão os laços preexistentes e evidenciarão uma certa cumplicidade entre pais e filho, caracterizada pela confiança.

Enfim, com o nascimento, até os sete primeiros anos apresenta-se um tempo mais fácil para a semeadura. Durante esses primeiros anos de vida, a criança encontra-se receptiva para as informações, além de estar aberta para possíveis modificações.

Não se pense, porém, seja fácil a execução. Há que se acompanhar a criança a cada passo, em casa, na escola, no lazer, observando seu comportamento, estando a par do que acontece à volta e dentro dela. Não retirá-la do mundo, mas estar com ela nesse mundo, dialogando, explicando e solidificando princípios.

É durante esse período que atentos às suas tendências devemos trabalhá-las conforme apareçam, no momento em que surjam.

Para isso é preciso que os pais juntos, se disponham reciprocamente, abertos ao processo de auto-educação.

Lembrar que não devemos nos preocupar com a quantidade das informações e sim com a qualidade das propostas.

Não se trata de um processo unilateral - do adulto para a criança - e sim de um processo integral que funciona dos dois lados: de adultos para crianças e de crianças para adultos. Nisso implica a auto-educação, pois é importante vivenciar e exemplificar para educar: um depende do outro e ambos crescem.

Assim, saímos vitoriosos por nos amarmos e crescermos praticando o bem, por conseqüência, termos um mundo melhor.

Certamente, quando pais e filhos, se engajarem nas propostas renovadoras do Amor, quando o lar realmente significar, pela contribuição de cada um, em recanto de reabastecimento moral, paz, fraternidade, união e respeito, o mundo terá menos necessidade de se deter em procurar meios para punir.

(Jornal Verdade e Luz Nº 191 de Dezembro de 2001)