Espiritismo em casa

Orson Peter Carrara

de Matão, SP

Aspecto fundamental na Doutrina Espírita é a liberdade. Os espíritas são livres, a ninguém devendo explicações de sua conduta ou comportamento, pois que a consciência individual é seu guia, seu juiz, sabendo antecipadamente ser responsável único pela liberdade que desfruta. Esta consciência lhe deixa claro que as conseqüências de seus atos sempre virão, cedo ou tarde, tanto na boa como na má conduta. Sendo assim, ninguém tem o direito de cobrar nada, cabendo sim a cada um cuidar da própria conduta.

É de conhecimento nacional a prática usual do Espiritismo em casa. Não se trata do Evangelho em Casa, mas das reuniões mediúnicas caseiras, domésticas. Ninguém está proibido desta prática, já que inexiste qualquer proibição na Doutrina Espírita. E também nada impede que nos envolvamos com elas. Porém, há considerações a fazer:

  1. A prática usual de reuniões mediúnicas, e normalmente com este único objetivo, afasta seus participantes - que a isto não se obrigam – às recomendações doutrinárias do Espiritismo;
     
  2. Tais atividades, a portas fechadas e com pessoas escolhidas, afastam as pessoas do Centro Espírita, célula básica do Movimento Espírita, que justamente visa ampliar o pensamento espírita junto à humanidade e para o qual devemos direcionar nossos esforços;
     
  3. Isolando seus participantes das atividades normais de uma Casa Espírita, ampliam as dificuldades de expansão do pensamento espírita e por conseqüência adiam os benefícios que o conhecimento espírita pode trazer para a coletividade;
     
  4. um Espiritismo de portas trancadas, sem compromissos com a Causa Espírita;
     
  5. Compromissados com a Casa Espírita, vinculados a uma delas, verdadeiramente nos declaramos espíritas – e assim somos conhecidos: como espíritas. Com a prática exclusiva e costumeira do Espiritismo caseiro, estamos comodamente sem compromissos com a Causa;
     
  6. Outro agravante de tal prática é que perdemos o referencial do intercâmbio com outros grupos e pessoas estudiosas da Doutrina, único caminho que pode garantir a recíproca observação de que estamos trilhando caminhos corretos e conforme recomendados pela Doutrina;
     
  7. O Centro Espírita, pela própria filosofia de seu funcionamento, programa estudos seqüenciais, promove intercâmbio de idéias, possibilita-nos ampla participação e troca de experiências com outros grupos. Já o grupo caseiro fica isolado nas mesmas paredes, continuamente, sem referências dos progressos da Doutrina e seu Movimento.

Deixamos ainda de fazer considerações sobre a questão das defesas do ambiente doméstico – local não preparado para atividades mediúnicas rotineiras – frente às investidas de espíritos contrários à Doutrina ou seus integrantes e outras inúmeras abordagens.

Desejamos isto sim é realçar a importância de nossa adesão e comprometimento com o Centro Espírita, núcleo com graves responsabilidades, onde podemos sim nos integrar oferecendo nosso tempo, aprender e ensinar, trabalhando sim para a Doutrina…

(Jornal Verdade e Luz Nº 190 de Novembro de 2001)