Família e auto-educação

Nancy Martins

de Ribeirão Preto, SP

É voz corrente aceitar-se o processo da educação dos filhos como tarefa difícil, complexa.

Os questionamentos quanto a melhor forma de agir diante desta ou daquela situação, nas várias ocorrências, são constantes.

De modo geral, os pais têm poucas oportunidades de discutir dúvidas, esclarecer questões, conversar a respeito.

Na sociedade diversos cursos capacitam para as mais diferentes funções. Quanto a ser pais, nos defrontamos com a situação, sem o preparo necessário. Surgidas as variadas circunstâncias, agimos através de ensaios e erros. Após impasses, buscamos ajuda, esclarecimentos que norteiem essa maravilhosa experiência.

Descobrimos aí, que o relacionamento familiar pode proporcionar oportunidade do auto-conhecimento onde atitudes e sentimentos em relação ao outro merecem, podem, devem ser analisados pondo às claras nossas limitações, incertezas, medos... Através da família despertamos para trabalhar com nossas imperfeições, limitações, buscando desenvolvimento de potencial infinito do amor a expressar-se na troca de experiências, informações, nos diálogos, na fala honesta, sincera, transparente.

Expondo nosso íntimo, criamos para o outro oportunidade de também se conhecer, nascendo daí a confiança, a ajuda mútua verdadeira, onde companheiros, amigos se amparam em crescimento recíproco.

Essa autoconsciência decorrente, desse conhecimento, observação e análise dos medos, desejos, prazeres, incertezas, dores, insatisfações, abrindo o campo da auto-educação, isto é, exporá pontos que necessitam ser trabalhados nas modificações das ações, no sentido evolutivo, no crescer contínuo.

Nesse entender, os filhos, Espíritos que conosco mais diretamente partilham essa grande experiência terrena, serão os maiores impulsionadores do auto-aperfeiçoamento das suas potencialidades, estaremos nos educando.

O dinamismo desse processo ocorrerá nas variadas experiências do dia-a-dia. Tão mais rica e produtiva será, na proporção em que a fala, a comunicação entre todos for aberta e respeitosa.

Os pais, no compartilhar com os filhos, da sua vivência, percepção do mundo, dúvidas, anseios, objetivos, demonstrar-se-ão também como aprendizes e na confiança mútua caminharão juntos no processo evolutivo que busca caminhos das ações mais assertivas e felizes.

(Jornal Verdade e Luz Nº 179 de Dezembro de 2000)