Jesus: Guia e Modelo

Leda de Almeida Rezende Ebner

de Ribeirão Preto, SP

Na questão 625 em O Livro dos Espíritos, à pergunta de Allan Kardec: "Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?", os Espíritos responderam simplesmente: "— Vede Jesus".

Entender Jesus como guia dos homens não nos parece difícil, uma vez que, durante sua vida na Terra, demonstrou sempre, no seu viver e nos seus ensinos, que veio para indicar aos homens, o roteiro para o desenvolvimento moral. Ao declarar: "Sede perfeitos..." deixou claro que todos os homens podem aperfeiçoar-se, pois ele falava para toda a humanidade.

Guia, segundo o dicionário, é "ação de guiar, dirigir. A pessoa que dirige, que ensina o caminho." Jesus se enquadra perfeitamente nesta definição.

Ao nascer, trouxe aos homens o conhecimento da lei maior, a lei do amor, sentimento existente no íntimo de todos e cume do desenvolvimento intelectual e moral de todos. Seus ensinos brilham no mundo tal qual farol gigantesco indicando o verdadeiro caminho para a paz e para a felicidade.

Os Espíritos continuam nascendo na Terra, retornando ao plano espiritual, renascendo de novo e, sempre, por maneiras e canais diferentes, são sempre convidados ao: "Amai, pois, os vossos inimigos, fazei bem...", "Amai-vos uns aos outros...", "Perdoai não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes", embora o orgulho e o egoísmo os impeçam de compreender.

Todavia, como se aprende pelo desenvolvimento intelectual e moral, através de repetições de experiências, a mensagem de Jesus continua ecoando por toda parte, conclamando os homens a perceberem e a valorizarem as coisas espirituais.

Jesus é o irmão mais velho que veio ensinar a finalidade da vida na Terra, que é o aperfeiçoamento do Espírito e como aproveitar as experiências terrenas para que esse determinismo divino aconteça.

Jesus recebeu de Deus a incumbência de guiar a humanidade na sua evolução e ele continua apontando o caminho, dirigindo-a até que ela, a humanidade, se aperfeiçoe.

Acreditamos que mesmo os Espíritos que vão ficando na retaguarda, os que não acompanhando o progresso dos demais, renascem em mundos inferiores à Terra atual, continuam fazendo parte desta humanidade e recebendo o amor e a orientação de Jesus e seus mensageiros, cujo número se amplia com os que aprendem e seguem o caminho indicado pelo Mestre.

Parece-nos fácil compreender Jesus como o guia mais perfeito vindo à Terra.

Mas, como pode um Espírito de tal transcendência espiritual, um ser angélico, cujos ensinos e exemplos continuam após 2000 anos sendo estudados e atraindo os homens, ser nosso modelo?

Segundo o dicionário, modelo é: "Tudo o que serve de tipo para ser imitado,; pessoa ou ato que pela sua perfeição são apontados como dignos de se imitarem, de servirem de exemplo".

Sendo Jesus modelo para os homens, como disseram os Espíritos a Kardec, isto significa que ele pode ser imitado, servindo de exemplo.

E o Espiritismo nos esclarece por quê e como podem os homens imitá-lo, ao nos apresentar Jesus como sendo um filho de Deus, criado como todos nós, Espíritos imortais, simples e ignorante, tendo feito a sua evolução em mundos materiais. Está muito acima de nós no que se refere à realização espiritual.

O Espiritismo nos mostra que todos os Espíritos, sem exceção, são criados da mesma maneira e cabe a todos atingir o determinismo divino: a perfeição, o que aconteceu com Jesus e muitos mais.

Então, ele pode ser e é nosso modelo, nosso exemplo, porque passou pelo processo que estamos passando. Como filho de Deus, como nós, venceu sua ignorância e desenvolveu seu potencial divino, através de existências em mundos materiais, tendo alcançado, antes da Terra existir, o grau evolutivo que lhe permitiu ser o representante de Deus na Terra e nos corações dos homens.

Jesus é pois, nosso guia, nosso modelo de vida e de amor!

(Jornal Verdade e Luz Nº 167 Dezembro de 1999)