Jesus

Leda de Almeida Rezende Ebner

de Ribeirão Preto, SP

Refletindo sobre o que os Espíritos mais elevados escrevem sobre o amor, na literatura espírita, percebemos o quanto nossa imperfeição espiritual nos impede de compreender, em profundidade, esse sentimento ensinado e vivenciado por Jesus.

Espírito puro, veio à Terra viver em um mundo de expiações e provas, tão material e grosseiro à sua sensibilidade, conviver com homens ainda rudes e pobres em conhecimento, inteligência e sensibilidade, para mostrar a toda humanidade como é um Espírito que já venceu a matéria; tornou-se divino pela perfeição alcançada, que lhe permitiu dizer: “Eu e o Pai somos um”, na medida que trazia em si a sabedoria e o amor desenvolvidos; vivendo exclusivamente a vida do Espírito, sentindo, pensando e agindo de acordo com a vontade do Pai, porque trazia o código divino inserido em si, na sua individualidade espiritual, totalmente desenvolvido.

Viveu entre os homens de sua época, sem quaisquer concessões aos princípios humanos, sem impor-se em nenhuma situação, nem a ninguém; escondeu sua luminosidade irradiante, que tornou cego Saulo de Tarso, na estrada de Damasco.

Integrado em sua classe social, vestia-se como os outros, alimentava-se do que os outros se alimentavam, compartilhou da vida de seus conterrâneos, sem gestos ou atitudes de superioridade. Tinha a simplicidade da sabedoria!

Conversava com as pessoas da maneira como elas falavam, fazendo-se igual a elas. Amava e compreendia seus irmãos ainda inferiores na escala evolutiva, mas filhos de Deus como ele.

Nada mudava em sua atitude e comportamento, ao conversar com pessoas de outro nível social. Era sempre simples e natural, qualquer que fosse seu interlocutor.

Dava a todos a mesma atenção, a mesma deferência, ouvia-os, atendia-os nas suas necessidades.

Andava com seus discípulos, Espíritos de certa evolução espiritual, que mais o amaram do que compreenderam a extensão e profundidade da sua missão, enquanto ele estava com eles. Amaram-no muito e foi esse amor que, após o sacrifício na cruz e o seu aparecimento, demonstrando a não existência da morte para a individualidade espiritual, numa confirmação da veracidade dos seu ensinos, os impulsionaram a dedicar-se, inteiramente, à prática do amor que Jesus exemplificara.

Seus discípulos então, agigantaram-se no amor a Deus e ao próximo, sendo também capazes de dar a vida terrena para testemunhar sua fé nos seus princípios.

A mulher subjugada ao homem, considerada ser inferior, existindo para servir ao homem e à reprodução da espécie, Jesus a exaltou em palavras e ações, num comportamento inusitado aos costumes e usos da época.

E as mulheres o amaram, acompanharam-no, choraram por ele e aprenderam o exercício da dedicação, da renúncia, do amor ao próximo.

Jesus iniciou o verdadeiro feminismo, o que coloca a mulher em igualdade ao homem, nos deveres e nos direitos, com possibilidades intelectuais iguais, visto serem ambos criados por Deus da mesma maneira e com o mesmo destino.

Jesus foi o Mestre dos mestres. Nada escreveu e seus ensinos chegaram até nós. Pais e professores, temos muito que aprender com ele, que dialogava, sabia ouvir e exemplificava o que ensinava.

Suas parábolas simples, com vocabulário, usos e costumes da época, facilmente compreensíveis, guardaram seus ensinamentos, nelas inseridos, a fim de que não se perdessem e permanecessem para sempre.

É por isso que ainda hoje, graças aos cristãos de sempre e ao espiritismo que os tornou mais claros e mais compreensíveis para a sua vivência, estamos no esforço de aprendê-los, de desenvolvê-los em nós e vive-los no dia-a-dia.

O que nos parece admirável é que quanto mais os estudamos, mais eles se nos apresentam atualizados, endereçados a nós, aplicáveis como soluções aos nossos problemas, às nossas dificuldades.

Jesus, neste mês em que a humanidade cristã comemora a sua vinda na Terra, receba Senhor, Nosso Amigo, Nosso Irmão Maior, nossa gratidão! Abençoai-nos sempre e a toda a humanidade, para que estimulados pelo vosso amor, possamos, todos nós, aprender o verbo amar como nos ensinastes há dois mil anos!

Obrigada Jesus, muito obrigada!

(Jornal Verdade e Luz Nº 191 de Dezembro de 2001)